Foi sem querer querendo

vasco chaves

A sensação do sábado, 29.11, é de desalento. A partida do mestre Chespirito – um dos poucos símbolos latinos abraçados por esse Brasil tão isolado e influenciado por europeus e americanos do norte – é bastante significativa. Remonta à época da terna infância, da ingenuidade e pureza do humor, que te faziam rir da mesma piada quantas vezes fosse contada.

O sentimento nostálgico também vale para o nosso Vasco da Gama. A subida para primeira divisão foi realmente sem querer, querendo. As merecidas vaias ao final do jogo contra o poderoso Icasa rechaçam qualquer dúvida que possa existir na cabeça dos dirigentes de que a torcida comemorou o acesso.

Nesse cinzento sábado, o jogo contra o Avaí, em terras catarinenses onde a torcida vascaína sempre é bem representada, será mais um do martírio em que vivemos. E nem falo isso em razão da segunda divisão. O elenco do Vasco e a forma “boleira” em que é treinado por Papai Joel, não merecem aplausos.

Uma pergunta que já me fiz e questiono aos amigos é: o Vasco, com esse time e essa estrutura, conseguiria permanecer na elite do futebol brasileiro. Elite esta com Chapecoenses da vida?

Para piorar, nossas perspectivas do futuro não são boas. Eurico Miranda e seu estilo amador de gerir o futebol do clube tentaram reerguer o clube com contratações superfaturadas de jogadores sanguessugas, sem o menor vínculo conosco. 2004 outra vez.

O que poderia motivas os jogadores, ao menos, seria uma revanche aos vergonhosos 5×0 que levamos na colina histórica. Mas nem isso temos confiança. Tudo parece vazio e infelizmente sem fim.

Estamos mal representados, amigos. E nem falo de talento. Falta carinho, respeito e gana para vestir nossa camisa. Pensando positivamente, quem sabe a velha nova administração consegue recuperar isso?

A série B pode ter acabado. Mas nossa desconfiança não. Ao menos, realmente, nesses momentos de incredulidade, podemos dizer ao menos para nós mesmos, torcedores de arquibancadas e verdadeiros sofredores do calvário vascaíno: Sigam-me os bons!

O que você faria?

de volta

Me peguei ouvindo a musica do subestimado Paulinho Moska um dia desses. Jovens, não digam que desconhecem o tema de uma das minisséries globais dos saudosos anos noventa. Som na caixa, DJ: http://www.youtube.com/watch?v=Zb4eqZqCZFo

Crianças, ao ouvir a musica, o macambúzio colunista pensou o que faria se restasse apenas um dia na vida do Vasco da Gama. Imagina se da noite paro o dia, o nosso clube desaparecesse?!

Marcaria uma pelada em São Januário? Tentaria levar para casa um pedaço da arquibancada? Sentaria com Eurico Miranda em um bar e tentaria entender de coração aberto que ele sempre quis o bem para o Vasco?

Não sei. Pode parecer loucura mas cada vez mais estamos diante do tal futebol moderno. Aquele dos números do ibope, pay per views da vida e comentaristas paulistas de TV, sendo considerados os melhores do país. Lembra quando o globo esporte do Rio não perdia tempo mostrando os gols do Corinthians? Lembra quando camisa do Chelsea (quem!?) não existia perambulando pelas ruas? Bom, os tempos são outros…

Ás vezes me pergunto onde foram parar os torcedores do Bangu e América. Vivem das histórias do passado? Acompanham a Copa Rio, no segundo semestre? Desaparecem como seus times na mídia, sem vestígio? Bangu e América jogaram o brasileiro de 86, não me esqueço disso.

A sensação e análise podem ser dramáticas (bem para o meu gosto, admito), porém o “não se falar” do Vasco me incomoda muito. Pior do que estar mal, é não ser notado. A passagem pela série B é um fantasma para os cruzmaltinos. Caçar notícias do Vasco nos grandes portais, por exemplo, está difícil.

Sabe quando noto o Vasco vivo? Quando o time viaja para centro oeste, norte e nordeste e os torcedores das regiões recepcionam a delegação com o carinho que, se eles não o merecem, a instituição sim. Nossa torcida é imensa, mesmo que não muito feliz ultimamente, continua sendo o maior patrimônio.

Tudo isso me faz lembrar da cena do “De volta para o futuro” (porra, esse você conhece) em que Marty Mcfly vai desaparecendo na foto de família. É meio essa sensação que passamos. Parece que o Vasco de outrora ficará presente apenas em nossas memórias. O Vasco é um dos maiores da América, não temos dúvidas disso. A questão é que não quero envelhecer falando de um passado longínquo, de que um dia nosso ataque foi formado por Edmundo, Bebeto e Dinamite (há 22 anos!!!!).

Por maior que seja gigante, sem ser competitivo, não há como obter grandes feitos no presente. E, claro, planejar um futuro promissor.

Que as eleições que se aproximam tragam um candidato que pense em como adaptar a estrutura de um clube centenário aos novos tempos. Que não fiquemos olhando para trás. Que a esperança não seja apenas usada para vender camisa. Que seja palpável como títulos e vitórias, dentro, e especialmente, fora do campo.

Nunca quis tanto ouvir um johny b good…a gente merece, vai, ao menos por um dia. E que este nunca seja o último.

Perdeu, Vasco.

vascoNão importa o que vai acontecer daqui por diante. Pode ser que o imponderável resolva contrariar-me e o time goleie as sete partidas restantes, jogando como o Barcelona de Messi e Guardiola. Por óbvio, não acontecerá. Mas ainda que acontecesse, não mudaria em nada. Desnecessário aguardar o final para dar o veredito: em 2014, o Vasco só perdeu. Continuar lendo

Poderia ser pior

dina
Parece consenso entre os vascaínos que este time deveria estar fazendo mais. Bem mais. Martin Silva, Rodrigo, Guiñazu, Douglas, Kleber são mais do que o suficiente para o acesso e o título da Série B. Aos trancos e barrancos, o Vasco vai se mantendo entre os quatro. Se tudo estivesse dando certo, no entanto, poderia ser pior.

Imaginem o Vasco liderando a Série B, com mais de sessenta pontos. Melhor ataque, melhor defesa, Kleber e Thalles na briga pela artilharia. Douglas líder de assistências. Rodrigo e Douglas Silva, dois zagueiros-artilheiros, que ainda seguram firme lá atrás. Montoya, finalmente, se firmando no meio-campo vascaíno. Isso tudo era perfeitamente possível. Muito mais pela falta de qualidade dos adversários na competição, do que pelo alto nível de nossos jogadores.

Garanto a vocês, vascaínos: por mais que seja mais agradável, esse cenário nos atrapalharia mais à frente. Teríamos a falsa impressão de que já temos umas base para 2015 e precisaríamos apenas de contratações pontuais. E pior: a diretoria faria esforços e torraria o pouco do dinheiro da Colina para segurar alguns desses jogadores.

Joel Santana é outro que pode nos atrapalhar em 2015. Uma subida tranquila pode causar a permanência do técnico. Algum vascaíno acredita que ele conseguiria não ser demitido ano que vem? Alguém realmente apostaria num bom trabalho dele? A permanência dele seria uma perda de tempo. Tudo o que o Vasco não precisa.

Vamos continuar torcendo, todo jogo. Até porque nem a subida ainda é certa. Não subir seria trágico. Subir, com muita folga, seria um falso indício de que estamos no caminho certo. Subir, aos trancos e barrancos, nos dá a esperança de que as coisas mudem e recoloquem o Vasco em seu devido lugar.

Me humilha, Exa.

justiça envergonhada

Essa semana foi bastante chocha para o Vasco. Não jogamos depois da sexta contra o Boa Esporte. Pelo lado positivo, papai Joel teve a semana toda para pensar na melhor estratégia (alguma dúvida que não vai entrar com 3 volantes) para o jogo contra o Santa Cruz, fora de casa, sem Kléber e provavelmente sem Douglas do olho de vidro. Continuar lendo