Da série “perguntas sem resposta”

face-questions-1567164Um leitor do Blog da Fuzarca me perguntou em um comentário se eu saberia responder porque a diretoria achou melhor vender o Jhon Cley enquanto preferiu renovar com Sandro Silva até dezembro de 2016.

Obviamente eu não saberia responder à pergunta. E dadas as circunstâncias, dificilmente a própria diretoria saberia. Pelo menos sem provocar algum constrangimento para si mesma.

Jhon Cley, meia criado no Vasco e com apenas 21 anos, teria seu contrato com o clube encerrado em dezembro. Há outros 17 jogadores na mesma situação no elenco, e nenhum além do rapaz foi negociado. Pode-se dizer que, diferente dos outros, Cley recebeu uma proposta do exterior. Mas a proposta de cerca de US$ 500 mil, convenhamos, foi uma ninharia, mesmo se se considerar o potencial de um jogador da sua idade.

Ainda assim, a decisão passa pelo departamento de futebol do clube. Se a diretoria considerou a oferta boa, nada se pode fazer. Cley não pareceu exatamente empolgado com sua ida para o Oriente Médio, mas fazer o que?

Mas aí voltamos para o Sandro Silva. Um volante que terá 32 anos ao fim do seu contrato com o Vasco, participou do rebaixamento em 2013, foi afastado do time ainda em 2014, voltou em 2015 para novamente ser afastado em tempo recorde. Como a gestão Dinamite fez o favor de fazer um contrato longo com o jogador, a atual achou por bem negociar: diminuiu seu salário e em contrapartida estendeu o compromisso com o jogador.

O resultado? O Vasco gastará com Sandro Silva, um jogador que não interessa ao clube e nem mesmo ao Bragantino (clube que o dispensou logo depois de contratá-lo por empréstimo), mais de R$ 3 milhões até 2016.

Reparem: o que o Vasco ganhou com a venda de Jhon Cley, um jogador criado na base do clube e que sequer teve todo seu potencial desenvolvido, não pagará nem metade dos salários do Sandro Silva, o volante trintão triplamente dispensado que ficará até o fim do ano apenas treinando, sem atuar por qualquer clube.

Ah, vale lembrar que o empresário que conseguiu garantir a boa vida do Sandro Silva por mais de um ano sem precisar jogar uma partida sequer se chama Orlando Almeida. Coincidentemente, também empresário do Nei, outro veterano come-dorme sem chances de jogar no elenco vascaíno. Estou pensando seriamente em contatar o Sr. Almeida e pedir que ele me agencie. Quem sabe não arranjo um contrato desses – em que não se precisa jogar para receber – em algum clube? Não no Vasco, claro.

Desculpe, caro leitor. Mas como se vê, é impossível para qualquer pessoa razoavelmente sensata responder à sua pergunta.

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Burro que torce

orelhas-de-burro1Eu não sou especialista em táticas de futebol. Nunca estudei sobre formação de time, posicionamento de jogadores, esquemas de jogo ou que tais.

Eu não sou jornalista formado com pós-graduação em futebol. Não tenho mestrado na área esportiva. Não estudei educação física, nunca fui à Footecon, jamais assisti palestra de treinadores e nem fui convidado para ser comentarista de futebol em grandes empresas de comunicação.  Continuar lendo

Margem de evolução

O título do post é saído da boca de nosso treinador. Doriva está realmente animado. Nas entrevistas, tem falado de uma evolução e capacidade de melhorar que contagia. O zagueiro Luan ratificou isso após a derrota para o time da gávea na última quarta-feira. Pelo jeito, nosso técnico é bem quisto pelos jogadores. Adilson também era, né?

Fico feliz de Doriva ver as coisas assim, de uma forma positiva. Ele está sempre com um sorriso no rosto, já repararam? doriva1_raphaelzarko3Eu não consigo ter esse ânimo com esse elenco e nossas perspectivas futuras. Nunca quis tanto estar errado.

Digo isso porque não vejo qualquer forma desse time alcançar títulos e taças neste ano de 2015. Não temos peças de qualidade e estáveis para jornadas longas e cansativas como o Brasileiro.

Claro que a Super Series é um torneio preparatório mas já podemos tirar conclusões. Se os amigos quiserem se iludir com o carioquinha, vão em frente. Essas discussões de lado direito do Maraca e ganhar no sufoco da Cabofriense não me alegram. Desculpa.

“Ahh nós fomos roubados!” diria o aficionado cruzmaltino. É que o buraco é mais embaixo. Não temos volume de jogo. Nosso único gol em Manaus foi contra. Grandes espaços entre os setores e quem diria, Montoya está se saindo um grande marcador. Não esperava isso dele. Como não espero um equilíbrio de Bernardo, um faro de gol de Rafael Silva ou um pingo de consciência de Sandro Silva.  Aliás, esse merece um parêntese ou quem sabe um parágrafo mesmo.

Sandro Silva falhou em 2013. Muito. A gente ficava feliz com os “ovinhos” e “chapéus” inúteis no meio campo e pagamos o preço com os erros bisonhos e a incapacidade de marcar do rapaz. Porém, o rebaixamento não pode ser colocado na conta dele. Um pouco mais na do Nei haha. Sério, ele não foi o principal culpado. Aí em 2014, fica o ano todo treinando em separado. Sem vitrine. Sem nada. 2015, após um ano de reclusão, primeiro jogo e faz aquilo. Um passe letra por baixo das pernas. O último jogador. O que fazer com esse cara? Para mim, não dá. Pode fazer o gol do título do mundial porém, por mim, negocia logo que ainda estamos no inicio da temporada.

Outro que me deixou com péssima impressão é Cristiano. Nossa, que pesadelo. Aquela perna por cima da bola EM TODA MALDITA JOGADA. Além das falhas de posicionamento. Isso não é por causa do inicio da temporada. Isso são erros da base. Pode baixar o Têle no Doriva que não vai dar jeito treinando.

Isso que me assusta. Não temos jogadores de qualidade. São caras que não tem nome, rodados e que saíram do Olaria. Nosso camisa 10 é o Marcinho, rebaixado andando em campo com o Vitória.

Queria ser como Doriva. Que queime a língua. Para mim o que jogamos em Manaus nos dois jogos não vai ser muito diferente do que no ano todo. Se mantivermos esse elenco, disputaremos o rebaixamento com Figueirense, Avaí, Ponte Preta e Chapecoense.

Será mais um longo ano, amigos.