Apito amigo de quem?

apitoO primeiro jogo da decisão do Estadual teve uma arbitragem tranquila por parte do aborígene Luís Antônio Silva dos Santos. A ausência de lances polêmicos na vitória do Vasco sobre o Canil deve inibir as já naturais reclamações da imprensa esportiva carioca que, nesse corrente ano de 2015, fez das segundas-feiras o dia nacional de combate à imoralidade no futebol carioca. Poderíamos chamar também de dia da demonização do presidente do Vasco – se os jornalistas tivessem mais coragem – ou dia de justificar o mimimi (se os mesmos fossem mais sinceros).

Mas porque voltar a esse assunto agora, quando mulambos e tricoletes assimilaram o golpe e diminuíram o chororô? Porque as teorias conspiratórias podem ter diminuído, mas não acabaram. E as acusações de favorecimento tiram o mérito de quem merece, servem como desculpa para os incompetentes e dão poderes irreais para quem não os tem.

Depois do primeiro jogo da final, é revoltante ver que urubulinos, florêncios e a imprensa em geral ainda creditam a chegada de Vasco e Botafogo à decisão unicamente ao conluio de suas presidências com a Federação. Não fui um espectador dos mais fieis do campeonato, mas não me lembro de ter visto um jogo melhor que o desse domingo em todo o Estadual. Nem de ter visto os lacrimosos eliminados terem atuações como as que tiveram os finalistas ontem. Deixar isso claro não é uma defesa aos dirigentes vascaínos, botafoguenses ou os da Federação. É valorizar os jogadores e comissões técnicas dos dois times, que trabalharam muito e com mais competência que seus adversários. Que, não tendo capacidade para estar na final, pagam mico – com total apoio dos jornalistas – reclamando da FFERJ e dos árbitros, nunca olhando para suas próprias caudas.

Por fim, me parece uma contradição absoluta imputar ao Eurico Miranda tanta influência no desenlace do campeonato. Tanto os que o consideram o vilão superpoderoso do futebol carioca, como os que o veneram como super herói da Colina dão a impressão de se deixar levar por uma imagem fantasiosa que, no fim das contas, foi construída pelo próprio e provavelmente com esse objetivo.

Senão vejamos: se o Eurico vilão é tão influente assim, porque diabos o Vasco perdeu sete dos oito Estaduais que disputou em sua primeira gestão? Alegar que o Rubinho assumiu a FFERJ apenas em 2006 não cola, já que antes dele estava no poder o famigerado Caixa D’Água, ainda mais próximo do Eurico que o atual presidente da federação. O mesmo argumento vale para os devotos do Dotô: o respeito voltou apenas em 2015? E onde ele estava entre 2003, ano da última conquista vascaíno no Rio, e 2008, último Estadual da primeira gestão Eurico?

(Parêntese: nem vale lembrar que nesse período, o Vasco, além de só ter chegado em uma final de Estadual, ficou na NONA posição em 2006, sua pior colocação na história da competição, e foi o pior dos grandes entre 2005 e 2008. Fecha parêntese).

Não é preciso muito para ver que as teorias conspiratórias não se sustentam pelos fatos. E o pior é que muitos engolem essas histórias facilmente, sem precisarem sequer de um gole de água pra empurrar o sapo guela abaixo. A constante repetição do favorecimento é interessante para quase todos: a imprensa, que encontra um inimigo comum em quem jogar a culpa por todas as mazelas do futebol do Rio, aos rivais, que terão sempre uma desculpa para a perebice dos seus times e até nosso presidente, que começa a fazer crer o lenga-lenga de “o respeito voltou” para além do seu séquito de fanzocas. Só quem não se dá bem com a fábula da conspiração são os jogadores, que mal ou bem, foram os que suaram para chegar onde estão.

PS.: No jogo de ontem, o Botafogo cometeu 24 faltas e recebeu quatro cartões amarelos; o Vasco, recebeu os mesmos quatro amarelos. Mas cometeu apenas nove faltas. Esse é o favorecimento que temos tido por parte da Federação.

Já diz o ditado…

lucasA luta pela moralidade no futebol carioca está na moda! É uma luta justíssima, pena que só entre em pauta quando alguns times se sintam prejudicados, como bem assinalou o Freud Irônico em sua última coluna aqui no Vasco Expresso. Ontem tivemos um belo exemplo com o discurso do Fred, um rapaz que costuma se tornar um boquirroto sempre que algo o desagrada.

Seu desabafo após a injusta expulsão no clássico entre Fluzim e a mulambada foi uma reação natural para alguém de cabeça quente. Mas sua declaração na saída da Arena, quando já deveria estar mais calmo, foi de uma infelicidade fora do normal. Reclamar dos erros de arbitragem de jogos dos quais ele fez parte é aceitável. Falar de um jogo alheio, do qual não fez parte ou sequer assistiu é apenas leviandade, como eu disse, coisa de gente boquirrota.

Frederico se achou no direito de colocar sob suspeita os pênaltis a favor do Vasco – dois deles claríssimos e um muito mais claro que o sofrido pelo próprio atacante tricolete na Copa do Mundo, contra a Croácia – no jogo contra o Friburguense, mas convenientemente não citou o gol irregular do Frizão, que marcou seu quarto gol em um lance com impedimento flagrante. O camisa 9 do laranjal achou por bem não citar que o jogo poderia terminar empatado caso esse gol não fosse validado.

(Parêntese: vale lembrar que com os resultados de ontem, a probabilidade de haver um novo Fla x Flu nas semifinais é enorme. E obviamente não agrada a ninguém da imprensa ou aos times envolvidos ver a final desejada por todos ser antecipada. Fecha parênteses)

É curioso ver o clamor pelo fim do carioca, com o apoio incondicional de toda a imprensa, após uma expulsão na primeira fase da competição e não ter visto nada semelhante no Estadual do ano passado, quando o Vasco – e é bom lembrar, sem qualquer apoio da FERJ à época, muito pelo contrário – foi descaradamente garfado não apenas na primeira fase, como também na final do campeonato. Mas agora, como quem sofreu com as arbitrariedades da Federação foram o técnico de um dos queridinhos da mídia e o atacante do outro, tudo o que acontece é um absurdo.

E para coroar a desfaçatez dos protestos nesse Estadual, ainda se acham no direito de citar o Vasco, numa clara insinuação de que os favorecidos somos nós. Mas é fácil bater no Vasco hoje, já que é consenso geral de que o eleito “maior vilão do futebol carioca” pela mídia é presidente do Clube. A proximidade do Eurico com o Rubinho é um prato cheio para a imprensa esportiva do Rio: já seriamos alvo de suspeitas mesmo que a amizade entre ambos não existisse. E ela existindo, têm-se a desculpa ideal para detonar o Vasco como bem entenderem. Mesmo que nós soframos tanto quanto todos com as arbitragens.

Mas é aquilo: é FATO que o futebol carioca precisa de mudanças urgentes e que elas nunca acontecerão enquanto a FERJ continuar com o nível de comando que tem há décadas. E quem se junta com o errado, está sujeito às mesmas críticas. Se há uma proximidade entre o Vasco e a Federação e nossa diretoria apóia e referenda todas as suas atitudes, somos parte do problema.

É como diz o ditado: “diga-me com quem andas…