Ainda é cedo?

marcinho_barraNa falta de notícias animadoras a tratar do time, vou contar aos parcos leitores que tiverem algum interesse o que eu achei do jogo contra o Barra Mansa.

Igual a todos os outros jogos que vi. Continuar lendo

Menos transpiração e mais inspiração

estivaRafael Silva nos salvou de perder a primeira partida no Estadual, para o Tigres.

Vou repetir a frase: Rafael Silva nos salvou de perder a primeira partida no Estadual, para o Tigres.

Essa frase deixa claro um fato. Ter um time com disposição não é o bastante nem para o Carioca. E se fosse, seria muito mais barato contratar a seleção dos estivadores ou pedreiros.

Se apegar à disposição que o time do Vasco mostra como forma de exaltá-lo é perigoso por dois motivos: primeiro, porque mesmo essa disposição pode falhar, como vimos na preguiçosa atuação contra o Madureira na segunda rodada.

O outro motivo é ainda mais grave: além de disposição ser o mínimo que jogadores muito bem pagos têm a obrigação de mostrar, o parâmetro comparativo é justamente o time do ano passado, um dos mais descompromissados grupos já formados em São Januário. Achar que ter mais disposição que o time de 2014 é alguma vantagem para a equipe desse ano é querer nivelar por muito baixo a exigência que todo vascaíno deve ter. É como achar que um presidente merece voltar ao poder apenas porque foi melhor que o pior presidente da história do clube.

O mais triste nisso tudo é que, o descompromissado time do ano passado tinha potencial para jogar mais e efetivamente jogou, tanto que chegamos à final do Carioca e só o perdemos por que fomos garfados. Agora, um time é que salvo pelo Rafael Silva de uma derrota para o Tigres vai evoluir para onde? Esse time do Vasco, estejamos com os cintos apertados ou não, precisa de reforços urgentemente.

A situação é tão periclitante que se o respeito finalmente voltar, ele certamente terá uma vaga no meio de campo desse grupo. A diretoria tem que dar um jeito e contratar reforços que efetivamente resolvam nossos problemas, notadamente nas laterais, na criação e um centroavante. Porque se for para trazer jogadores do nível que chegaram até agora, que muito transpiram e pouco inspiram, é melhor catar reforços nos canteiros de obras ou nos portos.

Impressões vascaínas e freudianas

IMG_4663Na noite em que o prefeito quase construiu uma arca para a cidade, o dilúvio esperado faltou, assim como o bom futebol em São Januário. Ao que tudo indica, passaremos boa parte do campeonato Ingressão-2015 realçando a postura tática, a disposição, a vontade e a garra dos jogadores sem nem tangenciar um mísero elogio por um jogo bom.

Isso porque, parece-me muito claro, as limitações técnicas e criativas do time são bastante sólidas.  Marcinho, a despeito de dois importantes gols até agora, não mostrou-se nada à vontade com a aura do camisa 10. Pouco chama o jogo para si, não tem o ímpeto de assumir a responsabilidade e, diante de defesas mais fechadas, não ousa aquele passe inusitado ou o drible que desarma. Bernardo, inclusive, parece mais camisa 10 que ele. Busca desafiar um pouco mais a lógica da partida, arrisca alguma novidade e, não à toa, vem sendo presenteado com gols. A notícia ruim é que na maioria das vezes ele erra. E exagera nas tentativas em situações onde a jogada simples funcionaria. Enfim, segue sendo o que sempre foi. Uma bela expectativa e uma realidade bem irregular.

Rafael Silva, coitado, já ocupa, com vantagens, o posto de mais odiado pela torcida. Seja por jogar fora de sua posição ou só por não ser bom o suficiente para ocupar esse papel, fato é que Thales chegará com a vaga de titular sem nenhum esforço. Montoya completa o ciclo dianteiro sem nem chegar perto daquele sonho que fez o Vasco brigar até na FIFA pela sua inscrição. Tem lampejos, mas some, erra e se esconde muito durante o jogo.

Na parte defensiva estamos melhor. O que não quer dizer muito melhor. Rodrigo e Luan formam uma dupla boa. Mas insistem demais em linhas de impedimento, são envolvidos pelo adversário com relativa facilidade e erram passes bobos que não podem. Os laterais são surpreendidos com bolas nas costas mais do que deveriam. E quando cruzam, Senhor! Precisam treinar bastante, e urgentemente, esse fundamento. A boa notícia é Serginho. Chegou sem pompas, questionado por esse que vos escreve e tantos outros, mas uma grata surpresa até aqui. Posiciona-se bem, cerca o adversário, não abusa das faltas e quando a recupera sabe olhar para onde enviá-la. Não bastasse tudo de bom que já apresentou, ainda tem o benefício de poder aposentar para sempre, quem sabe, o Sandro Silva. Na opinião modesta e ignorante deste intrometido aqui, a melhor contratação até agora.

Por fim, Martin Silva, quando exigido, está lá. Para nunca mais termos pesadelos com aqueles cujo nome não tenho coragem de repetir.

Para um campeonato feito pela FERJ, está bom. Resta ver como nos comportaremos diante dos grandes, ainda mais quando nosso mandatário gritas suas bravatas provocativas, trazendo mais ódio e antipatia para o nosso clube e aumentando a pressão para o time. Para o nível baixo disso que tentam chamar futebol aqui no Rio, estamos até bem. Pro futuro, não sei. E que dá saudade de um joguinho bem jogado, de um Vasco mais respeitado, ah isso dá.

Até porque se eu me contentasse só com disposição, raça, postura, vontade, gana e aplicação, eu desistia do futebol e ia ver UFC.

Amor que não para
Quinta à noite. Partida transferida para mais tarde. Semana de volta às aulas. Somente venda física de ingressos. O prefeito promete uma catástrofe climática. Um time fraco. Nenhum ídolo.

Com tudo isso contra, mais de 7.000 vascaínos dispuseram-se a ir a São Januário, com todas as suas intempéries de acesso, para gritar por esse time, cantar o seu amor e tentar empurrar essa camisa para o lugar de onde, desrespeitosamente, as duas últimas gestões (incluindo essa que se repete agora) nos tiraram. É um amor genuíno e exasperado, que suporta os desmandos que seguem pelo clube na esperança de que, um dia, quem sabe, o respeito saia das palavras inúteis e volte a habitar a Colina histórica.

Dimimuam o salto
Um dos poucos acertos da FERJ para o Ingressão-2015 é a volta das preliminares de juniores antes das partidas. É sempre bom ver a base jogando, além de ajudar a levar a torcida mais cedo para o estádio e desconcentrar a entrada no início do jogo.

No jogo de ontem, a impressão foi de que a garotada subiu um tantinho no salto. Depois da goleada sobre a Cabofriense, os meninos da Colina entraram ontem tentando muitas jogadas individuais, abusando dos passes de efeito e deixando o toque de bola e o jogo coletivo pra lá do segundo plano. Temos possíveis valores ali, mas é muito importante que eles não sejam incensados à condição de craques absolutos e que sejam instruídos a pensarem, sobretudo, no clube.

Freud Irônico  é o alter ego virtual do publicitário Raphael Santos.
Twitter: @freud_ironico