Hora de dar o braço a torcer

braçoComo comentei na resenha para Tigres 0 x 2 Vasco no Blog da Fuzarca, a demora para decidirmos a partida teve muito pouco a ver com a qualidade do time da Baixada. A maior dificuldade que tivemos foi acertar o gol. Renan, o goleiro do Tigres pode até ter feito uma boa partida, mas ele contou com uma grande ajuda das nossas finalizações, a maioria para fora e as que foram no gol, quase sempre em cima do camisa 1 do adversário.

Como não é a primeira vez que isso acontece – e na verdade isso acontece desde o ano passado – chegamos a seguinte consideração: como marcar gols com os atacantes que temos? Na partida de ontem, Riascos finalizou cinco vezes, apenas uma para o gol; Jorge Henrique foi ainda mais inútil, não dando um chute sequer para o gol.

Ah, mas o elenco não tem atacantes! Errado. O elenco não tem atacantes que nos passem confiança, mas tem opções que são, no mínimo, no mesmo nível. Então por que Jorginho não dá mais chances ao Thalles, Eder Luis, Kayzer ou mesmo ao Barbio? Será que eles conseguem ser tão piores que o colombiano e o tampinha ex-jogador em atividade?

Os que gostam de estatísticas podem fazer a conta. Peguem os minutos que Riascos e Jorge Henrique passaram em campo e calculem a média de gols, assistências e finalizações certas de ambos. Dificilmente ficarão à frente de Thalles e Eder Luis, por exemplo. Os dois não estão em um momento da carreira que nos façam acreditar que seriam a solução para os nossos problemas? Claro que não. Mas na comparação com os atuais titulares, ambos fizeram mais pelo time nesse Carioca.

Riascos marcou gols nas duas primeiras rodadas, mas se não os tivesse feito, ainda assim venceríamos Madureira e América. Thalles só marcou dois, mas ele foi decisivo em dois jogos mais complicados (entrou contra o Voltaço e foi responsável pelo pênalti com o qual abrimos o placar e fez o seu e marcou ontem, quando o fim do jogo já se aproximava). Já a comparação entre “Jorgenrique” e Eder Luis é desnecessário: mesmo que o Chico Bento estivesse de muletas teria feito mais que o nada feito pelo Jorge.

Se a torcida já sabe que o principal problema do Vasco atualmente é o ataque, não é possível que Jorginho também não saiba. A impressão que o treinador passa é de que não consegue abandonar suas convicções (que não ficam apenas no ataque, mas também com Julio dos Santos, por exemplo) e não dá o braço a torcer pelos fatos. Reclamar que não tem um camisa 9 e não dar chances ao Thalles como titular com os atacantes que têm começado as partidas não faz sentido.

A quantidade de finalizações ruins na partida contra o Tigres foi a prova definitiva de que passou da hora do Jorginho mudar seus conceitos e mudar o ataque do Vasco.

Gato escaldado

gatoRevejam o lance do pênalti sofrido pelo Madson, na vitória de ontem do Vasco sobre o Madureira, na estreia do Estadual 2016.

Qualquer que seja o ângulo observado, é um lance claro. O zagueiro do Madura dá um carrinho lateral no jogador do Vasco e o derruba. Não é motivo pra polêmicas, certo? E até que não foi mesmo. Tirando um ou outro perfil humorístico do Twitter, não vi gente falando que o Vasco tenha sido favorecido no lance.

Exceto o jornalista Fábio Seixas, que disse o seguinte:

O cara tem todo o direito de ir contra as imagens e achar que não foi pênalti. Parece loucura (ou algum problema sério de visão), mas tudo bem. Agora, dizer que o Madureira foi “operado“? Num momento em que o Vasco já ganhava a partida e o Madureira não oferecia qualquer risco de empatar o jogo? Convenhamos….

Foi a única pessoa que vi dar esse tipo de opinião (até o Arnaldo César Coelho falou que houve a penalidade!), então nem dá pra falar que começaram a criar polêmica pra cima do Vasco. Mas é aquilo: esse lance foi muito claro. Se não tivesse sido, certamente outras pessoas começariam a insinuar favorecimentos.

Minha preocupação nem é essa. Por conta da ligação do Dotô com a FERJ, é óbvio que assim que pintar o menor motivo, falarão tudo o que falaram no Estadual do ano passado. O que me preocupa é imaginar se a atenção da imprensa esportiva carioca sobre qualquer lance polêmico que venha a favorecer o Vasco não fará os juízes pensarem duas vezes antes de apitar algum lance a nosso favor. Se isso acontecer, quem passará a ser prejudicado somos nós, já que, na dúvida, apitarão – ou deixarão de apitar – os lances que nos favoreçam.

E isso ainda poderá provocar o seguinte: sabendo que a arbitragem fará vista grossa, os zagueiros adversários podem se sentir mais seguros em arriscar carrinhos e contatos diretos com nossos jogadores dentro da área. E nessa, os caras poderão fazer dois, três penalidades antes que o árbitro marque a primeira.

Paranoia minha? Pode ser. Mas gato escaldado tem medo até de água fria. Na minha opinião, as polêmicas e mimimis sobre possíveis favorecimentos ao Vasco não começaram AINDA. Mas que uma hora ou outra começarão, eu não tenho dúvidas.

Erros de todos os lados

erroO assunto de hoje, e provavelmente dos próximos dias, na imprensa esportiva será o alegado erro do Sr. Rodrigo Nunes de Sá que acabou decidindo a semifinal entre Vasco e Framengo. Mas não se enganem: os erros de verdade começaram a acontecer após o apito final do juiz.

Erra o presidente mulambo, que boquirrotamente lança suas suspeitas sem provas sobre a competição, praticamente afirmando que a final entre Botafogo e Vasco é fruto da interferência direta da Federação. Muito convenientemente, ao se considerar prejudicado, muda o discurso do ano passado, quando declarou sobre o campeonato que ganharam com gol irregular “Não entendo o porquê. Erros de arbitragem acontecem, e aconteceram para os dois lados”. Será que o Sr. Bandeira de Mello acha que seu time – o mesmo que não conseguiu fazer um golzinho sequer no Vasco, que perdeu a Guanabara por não conseguir ganhar o Nova Iguaçu e que só empatou com o Madureira com um gol com bola que não entra – ou que o Fluzim, que também fez uma campanha das mais mequetrefes, não têm qualquer responsabilidade nas próprias eliminações?

(Parênteses: sobre o chilique do presidente mulambo, recomendo a leitura dessa crônica do Márvio dos Santos, explicando como a culpar a Federação é uma fuga da responsabilidade do Sr. Bandeira de Mello. Fecha parênteses)

Erra a imprensa, que vive de polêmica e como está na cruzada pela “moralização relativa” do futebol carioca (relativa porque só é uma luta válida quando o Eurico está em cena) corrobora o discurso do favorecimento. Repercutir a ideia da “final que a FERJ queria”, citar os pênaltis a favor do Vasco fora de contexto (nunca falam se as penalidades aconteceram ou não, apenas citam os números) e ignorar as vezes em que NÓS fomos prejudicados e quando os outros foram favorecidos tem o objetivo claro que sustentar a tese do favorecimento. O que é, para falar o mínimo, de uma leviandade inacreditável vindo da imprensa, já que essa tese se sustenta apenas na proximidade do Rubinho com o Eurico.

Mas não apenas os derrotados erram: ao bradar que “o respeito voltou” – tanto pra imprensa quanto no próprio site oficial do clube – justo quando vencemos com um lance considerado polêmico, o Dotô dá munição para seus críticos seguirem com suas teorias conspiratórias e da argumentos para quem chama o Estadual desse ano de “Euricão”. E influencia uma parte da torcida, também erradíssima, que não apenas acredita piamente que o pênalti só foi marcado por causa dessa “volta do respeito” como ainda aprova esse tipo de coisa. Não percebem o quanto isso diminui o valor da vaga na final e o quanto queima o filme do próprio clube ter a imagem associada a conquistas na base da influência do seu presidente. Depois, quando formos garfados mais uma vez, os mesmos terão a cara de pau de reclamar.

É uma pena ver que tantos erros, vindos de todos os lados, só servem para tirar o mérito de um grupo que, apesar de ter claras limitações, não pode ser nunca acusado de não se doar em campo.

Impressões vascaínas e freudianas

IMG_4663Na noite em que o prefeito quase construiu uma arca para a cidade, o dilúvio esperado faltou, assim como o bom futebol em São Januário. Ao que tudo indica, passaremos boa parte do campeonato Ingressão-2015 realçando a postura tática, a disposição, a vontade e a garra dos jogadores sem nem tangenciar um mísero elogio por um jogo bom.

Isso porque, parece-me muito claro, as limitações técnicas e criativas do time são bastante sólidas.  Marcinho, a despeito de dois importantes gols até agora, não mostrou-se nada à vontade com a aura do camisa 10. Pouco chama o jogo para si, não tem o ímpeto de assumir a responsabilidade e, diante de defesas mais fechadas, não ousa aquele passe inusitado ou o drible que desarma. Bernardo, inclusive, parece mais camisa 10 que ele. Busca desafiar um pouco mais a lógica da partida, arrisca alguma novidade e, não à toa, vem sendo presenteado com gols. A notícia ruim é que na maioria das vezes ele erra. E exagera nas tentativas em situações onde a jogada simples funcionaria. Enfim, segue sendo o que sempre foi. Uma bela expectativa e uma realidade bem irregular.

Rafael Silva, coitado, já ocupa, com vantagens, o posto de mais odiado pela torcida. Seja por jogar fora de sua posição ou só por não ser bom o suficiente para ocupar esse papel, fato é que Thales chegará com a vaga de titular sem nenhum esforço. Montoya completa o ciclo dianteiro sem nem chegar perto daquele sonho que fez o Vasco brigar até na FIFA pela sua inscrição. Tem lampejos, mas some, erra e se esconde muito durante o jogo.

Na parte defensiva estamos melhor. O que não quer dizer muito melhor. Rodrigo e Luan formam uma dupla boa. Mas insistem demais em linhas de impedimento, são envolvidos pelo adversário com relativa facilidade e erram passes bobos que não podem. Os laterais são surpreendidos com bolas nas costas mais do que deveriam. E quando cruzam, Senhor! Precisam treinar bastante, e urgentemente, esse fundamento. A boa notícia é Serginho. Chegou sem pompas, questionado por esse que vos escreve e tantos outros, mas uma grata surpresa até aqui. Posiciona-se bem, cerca o adversário, não abusa das faltas e quando a recupera sabe olhar para onde enviá-la. Não bastasse tudo de bom que já apresentou, ainda tem o benefício de poder aposentar para sempre, quem sabe, o Sandro Silva. Na opinião modesta e ignorante deste intrometido aqui, a melhor contratação até agora.

Por fim, Martin Silva, quando exigido, está lá. Para nunca mais termos pesadelos com aqueles cujo nome não tenho coragem de repetir.

Para um campeonato feito pela FERJ, está bom. Resta ver como nos comportaremos diante dos grandes, ainda mais quando nosso mandatário gritas suas bravatas provocativas, trazendo mais ódio e antipatia para o nosso clube e aumentando a pressão para o time. Para o nível baixo disso que tentam chamar futebol aqui no Rio, estamos até bem. Pro futuro, não sei. E que dá saudade de um joguinho bem jogado, de um Vasco mais respeitado, ah isso dá.

Até porque se eu me contentasse só com disposição, raça, postura, vontade, gana e aplicação, eu desistia do futebol e ia ver UFC.

Amor que não para
Quinta à noite. Partida transferida para mais tarde. Semana de volta às aulas. Somente venda física de ingressos. O prefeito promete uma catástrofe climática. Um time fraco. Nenhum ídolo.

Com tudo isso contra, mais de 7.000 vascaínos dispuseram-se a ir a São Januário, com todas as suas intempéries de acesso, para gritar por esse time, cantar o seu amor e tentar empurrar essa camisa para o lugar de onde, desrespeitosamente, as duas últimas gestões (incluindo essa que se repete agora) nos tiraram. É um amor genuíno e exasperado, que suporta os desmandos que seguem pelo clube na esperança de que, um dia, quem sabe, o respeito saia das palavras inúteis e volte a habitar a Colina histórica.

Dimimuam o salto
Um dos poucos acertos da FERJ para o Ingressão-2015 é a volta das preliminares de juniores antes das partidas. É sempre bom ver a base jogando, além de ajudar a levar a torcida mais cedo para o estádio e desconcentrar a entrada no início do jogo.

No jogo de ontem, a impressão foi de que a garotada subiu um tantinho no salto. Depois da goleada sobre a Cabofriense, os meninos da Colina entraram ontem tentando muitas jogadas individuais, abusando dos passes de efeito e deixando o toque de bola e o jogo coletivo pra lá do segundo plano. Temos possíveis valores ali, mas é muito importante que eles não sejam incensados à condição de craques absolutos e que sejam instruídos a pensarem, sobretudo, no clube.

Freud Irônico  é o alter ego virtual do publicitário Raphael Santos.
Twitter: @freud_ironico

Burro que torce

orelhas-de-burro1Eu não sou especialista em táticas de futebol. Nunca estudei sobre formação de time, posicionamento de jogadores, esquemas de jogo ou que tais.

Eu não sou jornalista formado com pós-graduação em futebol. Não tenho mestrado na área esportiva. Não estudei educação física, nunca fui à Footecon, jamais assisti palestra de treinadores e nem fui convidado para ser comentarista de futebol em grandes empresas de comunicação.  Continuar lendo