Pelas decisões certas e rápidas

joel-santana-e-adilson-batistaQuando o Vasco começou a disputar pela segunda vez uma divisão inferior no futebol nacional, os resultados e o futebol apresentado foram aquém do que esperava o torcedor mais pessimista. Uma das justificativas para o empate em São Januário com o América-MG e a derrota para o Luverdense – estreante na Série B – era o abatimento do time após a perda do estadual de forma injusta. Realmente, o time parecia para baixo e a razão apresentada até poderia ser chamada de justa.

Acontece que um time como o Vasco não poderia usar o “baixo astral” como desculpa por muito tempo. O elenco vascaíno montado para a competição, bem mais caro que os elencos dos seus concorrentes, não poderia ficar lamentando um Estadual perdido quando o que estava em jogo era muito mais importante, a volta à elite. Depois dos dois primeiros jogos sem vitória, o time de Adilson Batista conseguiu vencer duas partidas em sequência, o que parecia mostrar um início de recuperação. Porém, os jogos seguintes mostraram que a recuperação era apenas um alarme falso e o Vasco entabulou uma sequência de quatro empates, conseguindo o feito de vencer apenas DUAS partidas em OITO disputadas na Série B.

Adilson Batista balançava. Os resultados ruins, a pressão da torcida e a pausa de um mês por conta da Copa do Mundo fez com que todos pensassem que o Vasco teria um novo treinador em breve. Mas então o Vasco conseguiu uma vitória no último jogo antes do intervalo antes do Mundial e Adilson se segurou no cargo. Na volta, uma breve melhora, com o time subindo na tabela e se aproximando do G4. Mas as atuações do time continuavam muito abaixo do esperado, não justificando o investimento feito no elenco.

Foi preciso mais que uma campanha irregular para que o treinador finalmente fosse demitido. Após uma vexatória goleada por 5 a 0 para o Avaí, em pleno São Januário, Adilson não resistiu e foi defenestrado. Rodrigo Caetano sondou alguns nomes, mas prevaleceu a vontade do Presidente Dinamite e do Ex-Presidente Eurico Miranda, que desejavam ver Joel Santana no cargo.

Joel conseguiu uma invencibilidade de 10 jogos, o que levou o Vasco à zona de classificação para a Série A. Por outro lado, não conseguiu fazer o time melhorar: a irregularidade nas atuações continuava, penávamos para conseguir vencer adversários fraquíssimos e muitas vezes nem vencíamos, não passando de empates com equipes muito menos qualificadas. Após a sequência sem derrotas as coisas pioraram: o time começou a perder, o clima dentro da equipe piorou e a disputa eleitoral tornou tudo ainda mais confuso no clube.

Por sorte, nossos adversários diretos na briga por uma vaga no G4 começaram a patinar e, mesmo com nossos resultados ruins, seguimos até o final da competição entre os que conquistaram o acesso à Série A. A prova de que nos classificamos muito mais pela incompetência alheia do que pelos nossos méritos fica clara ao vermos os números da equipe: o Vasco foi o time que subiu com menos vitórias, fez apenas a 5ª melhor campanha no primeiro turno e a 6ª no segundo, com Joel conseguindo um desempenho pior que o Adilson (8 vitórias, 7 empates e 4 derrotas para o primeiro e 8V, 8E e 3D para o segundo). Ou seja: os dois treinadores que tivemos ao longo do Brasileiro disputaram arduamente para ver quem faria o pior trabalho.

Porque esse resumo da terrível campanha vascaína na Série B a essa hora? Para torturar o leitor com memórias ruins?

Não. É para lembrarmos duas coisas muito importantes para o ano que vem:

1) Certas situações, decisões não podem ser adiadas. Dinamite, que se notabilizou pela lentidão para definir assuntos, perdeu a chance de demitir o Adilson no intervalo da Copa e precisamos passar por uma humilhação histórica para mudar o comando do time. Não só a goleada para o Avaí poderia não ter acontecido como um novo técnico poderia ter mudado a cara da equipe mais cedo dentro da competição.

2) A indicação de alguém para um cargo não pode ser baseada por amizade ou por ser “fácil de lidar”. A decisão do Eurico e do Dinamite por Joel Santana não pode ter se baseado em outros critérios, já que pela qualidade dos trabalhos recentes não pode ter sido. Não adianta nada ter um treinador que tenha um bom relacionamento com a diretoria se ele não tem capacidade para fazer o trabalho pelo qual é pago. Antes alguém que viva às turras com os dirigentes mas que faça a equipe vencer.

Diante disso, podemos deduzir facilmente o que deve fazer o próximo presidente, que assume o cargo por agora: não perca tempo em procurar um treinador competente e não mantenha Joel Santana no cargo por amizade ou gratidão. Essas medidas serão um passo importante para que as pessoas comecem a acreditar que o Eurico de 2014 não fará as coisas como fez entre 2001 e 2008.

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Vergonha e mérito

reizinho

A ridícula campanha feita pelo Vasco nessa igualmente ridícula Série B tem feito a torcida vascaína passar por um constrangimento nunca antes imaginado. Isso explica a raiva, o desespero e a confusão dos torcedores ao falar do “time“. As aspas que usei agora, acredito que todos tenham entendido. A confusão talvez não. Mas explico.

Quando vemos uma atuação medíocre do time do Joel como na derrota para o Ceará no último sábado, dizemos que foi uma vergonha e que não merecemos subir para a Série A em 2015. E é aí que está a confusão: perder como perdemos é indiscutivelmente uma vergonha; mas isso não quer dizer que não mereçamos voltar à elite.

O que os vascaínos têm invariavelmente confundido é a história, a tradição e o porte de um clube como o Vasco e seu desempenho no Brasileiro. Diante do nosso passado, estar na segundona e subir sem ser campeão é humilhante. Mas em uma competição em pontos corridos, só NÃO MERECE subir quem fica abaixo da quarta colocação. Sob esse critério, o Vasco merece sim o acesso, mesmo que nossa terceira colocação seja fruto da incompetência dos outros 17 competidores. É complicado aceitar, mas há mérito em ser menos pior os outros.

Resumindo: dentro do campeonato, a campanha vascaína foi boa o bastante para nos garantir a volta à elite. Dentro da nossa história, esse Brasileiro de 2014 é certamente o momento mais vexatório em mais de um século. E uma coisa não impede a outra. O Vasco tem feito o necessário para subir. E fazer apenas isso é uma vergonha absurda.

***

Outra situação confusa e difícil de digerir – talvez ainda mais que o merecimento da nossa volta à elite – é considerar o elenco vascaíno melhor que os demais na competição. Quando se faz uma afirmação como essa, deveria ser claro que falamos “no papel“: por mais que nosso desejo seja o de mandar todos para o mais longe possível de São Januário após cada atuação abaixo da crítica, não dá pra comparar o nível e o currículo dos nossos jogadores com os da Ponte ou do Joinville (vou me ater apenas aos dois clubes que fazem campanhas melhores que a nossa).

O problema é que “nome não ganha jogo“, e isso é um argumento corretíssimo. Mas, como eu disse, quando se fala que o elenco do Vasco é melhor, estamos falando apenas de nomes. E esse argumento deixa de fora uma série de outros pontos que precisam ser analisados.

O primeiro deles é que ser o melhor elenco não significa ser um bom elenco. Tentemos esquecer todos os jogos horríveis que fizemos e sejamos racionais: os dois times à nossa frente na tabela contam com jogadores da qualidade de Martin Silva, Thalles, Maxi Rodrigues, Rodrigo, Guiñazu ou mesmo Luan, Montoya e Kleber? Se pensarmos que um dos destaques da Macaca é o Renato Cajá, podemos incluir até o trotador Douglas nessa lista. Estamos falando de um elenco montado para disputar a Série B. E se lembrarmos que um elenco é um grupo de jogadores e não um TIME (no sentido de saber jogar coletivamente), fica mais fácil entender que argumenta que, NO PAPEL, o Vasco tem jogadores que poderiam levar o título da competição com relativa facilidade.

Tenho certeza que esse argumento não seria o bastante para convencer o indignado torcedor vascaíno. Então vamos abordar outro ponto: se no papel o elenco do Vasco é muito melhor, porque em campo o time não rende o esperado?

Essa é simples. Porque temos um elenco, mas nunca tivemos um time. Para ter um time, precisaríamos ter um técnico. E não tivemos um técnico em 2014 (poderíamos até estender isso para 2013, mas fiquemos apenas nesse ano). Se você não foi convencido pelo primeiro argumento, dificilmente será por esse. Deverá pensar, como muitos fazem, que “nem Guardiola daria jeito” com esse elenco.

Vejam, não falo aqui que esse elenco é maravilhoso ou mesmo bom. Mas será que esses jogadores não poderiam fazer uma Série B mais regular? Levemos em consideração que tivemos apenas Adilson Batista e Joel Santana no comando do grupo. O primeiro, em 2013, segurou o Figueirense em posições intermediárias da mesma segundona até ser demitido, e foi aí que o Figueira deslanchou na competição até sua subida; o segundo, além de ser praticamente um ex-treinador em atividade, é fã ardoroso de esquemas defensivos. Nenhum dos dois tentou fazer o Vasco jogar de forma mais ofensiva, nem conseguiram encontrar maneiras de romper as retrancas dos adversários, o que aconteceu em 90% ou mais das partidas. Os dois sempre fizeram escolhas lamentáveis, seja para titulares, seja nas substituições ao longo das partidas. Nem Guardiola daria jeito nesse time? Pode ser. Mas também duvido que ele tivesse armado equipes com três volantes mesmo jogando em casa, que desse tantas chances pros Andrés Rochas da vida ou que resolvesse colocar três zagueiros no time sem treinar essa formação antes.

E é claro que há outros motivos para o elenco não render o esperado: o clima instável do clube, a falta de salários, as rixas internas. E, é claro, para não livrar a cara dos próprios jogadores, a falta de comprometimento de um bando de “profissionais” que sabem que aconteça o que acontecer, dificilmente permanecerá no clube no ano que vem. E são esses os fatores que fazem a torcida mais se irritar com esse grupo e que, não injustamente, nos faz querer que todos sejam dispensados o mais rápido possível. Mas nada disso muda o fato de que, com um treinador decente, esse mesmo elenco teria potencial para render muito mais, inclusive ganhando a competição.

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Mas, que fique bem claro: nada apagará o fato de que esse é o momento mais vergonhoso em toda a história do Vasco.

Velho x Novo

indian-vs-hondaNunca houve tanto para se falar sobre o Vasco, nunca foi tão pouca a vontade de falar sobre o clube. Isso é um reflexo do que eu havia falado há algum tempo no Blog da Fuzarca: vivemos o que certamente é o pior momento nos nossos 116 anos de história, e como não poderia deixar de ser, a montanha de assuntos que temos para discutir são, em sua maioria absoluta, más notícias. Continuar lendo

Questões sem respostas

vasco_questoesHoje é dia de enfrentar o Boa Esporte. QUEM?! B-o-a-e-s-p-o-r-t-e. Um time mineiro cujo maior feito histórico talvez tenha sido emprestar o Fracismar para o Vasco. Continuar lendo

As duas opções do Joel

A escalação feita pelo Joel na vitória sobre o Náutico pode ser uma indicação de melhores dias para o Vasco no Brasileiro. Se o time que entrou em campo no 2 a 1 não é o melhor a disposição do treinador, está bem próximo disso. Um ou outro podem questionar o Douglas Silva, o Lorran, talvez o Fabrício ou até mesmo o Thalles, mas sejam pertinentes ou não os pontos de vista, não ninguém tão superior aos mesmos para substitui-los. Continuar lendo