O erro do otimista (ou nivelando por baixo )

otimismoSport e Goiás lideram o Brasileirão. Dos sempre apontados como favoritos, os gambás são os melhores colocados, mas não conseguiram ganhar nem do Fluzim. Galo, São Paulo e Santos perderam para times menores. O Palmeiras, cheio de bons jogadores, está com dois pontos apenas. O Inter está na parte debaixo da tabela e o Cruzeiro na zona de rebaixamento (fazendo companhia aos mulambos, que volta e meia é apontado como um dos postulantes ao título, basta que “cheguem alguns reforços”).

Ah, sendo assim, a campanha do Vasco não é ruim! Estamos jogando na média dos outros times, estamos invictos e o time está “encaixado”. Só falta acertar o gol para deslancharmos. Não vamos ter problemas nesse Brasileiro!

Esses são os argumentos dos vascaínos otimistas. E como não existe lógica no futebol, suas previsões podem sim se concretizar. Mas os argumentos utilizados são falaciosos e não refletem a realidade, nem de um campeonato com 38 rodadas, nem do próprio Vasco.

O campeonato estar no começo é um dos pontos que nos favorece? Relativamente, já que esse começo não é uma vantagem apenas para o Vasco. Um monte de times que estão na parte de baixo da tabela também pode se recuperar e a olhos vistos têm mais recursos que nós para isso. Inter e Cruzeiro, terminada a Libertadores, certamente renderão mais. Os gambás e o São Paulo estão com problemas extracampo (o primeiro, com salários em atraso, o segundo, sem um treinador), e ainda assim bem próximos à ponta da tabela. O Galo teve duas partidas fora e na que perdeu, foi superior o tempo todo. Santos e Palmeiras têm bons elencos e ainda têm lenha pra queimar na competição.

Já o Vasco, por mais que nos esforcemos para ver que não jogamos mal apesar dos três empates, é isso aí. O time até pode ter o tal do encaixe, mas é o mesmo encaixe que apresentamos no Estadual. Tanto que o time joga da mesma forma, com as mesmas – poucas – qualidades e os mesmos – em maior quantidade – defeitos. Estamos invictos, não jogamos mal e merecíamos vencer as três partidas que tivemos? Podemos concordar com isso, mas a impressão que temos é que jogamos no nosso limite. Mais que isso, com esse elenco que temos, será difícil.

Não falta ao Vasco acertar o gol para termos um desempenho melhor no Brasileiro. Isso nos falta desde o Estadual. Fomos campeões, mas nosso ataque foi um problema ao longo de todo Carioca. A falta de um meio de campo que articule jogadas e de laterais que consigam concluir jogadas de linha de fundo foi o que causou nossa dependência das bolas paradas. Em um campeonato do nível do Carioca, conseguimos o título. No Brasileiro, mesmo que “nivelado por baixo” como argumentam os otimistas, isso não vai ser o bastante. Prova disso? Três rodadas, três empates e o único gol que fizemos foi….num lance de bola parada.

Quando o torcedor acredita que o Vasco se sairá bem no Brasileirão porque os outros times são ruins, quem está nivelando por baixo é o próprio torcedor. É querer acreditar que os outros times não jogarão mais do que estão jogando agora e que apenas nós vamos ter uma melhora significativa. Crer nisso é um perigo, que se ficar apenas com a torcida nem é tão ruim. O problema é se a diretoria também engolir essa historia e não se movimentar para trazer reforços. Temos um time esforçado? Temos, mas isso não é o bastante para livrar ninguém de complicações no Brasileiro.

O engano do otimista é achar que o Vasco não vai ter problemas porque os grandes clubes estão mal. O que deve servir de exemplo não é o Cruzeiro no Z4 ou o Galo perdendo para o Furacão, e sim o Sport, Goiás, Atlético-PR, Ponte, Chapecoense e Avaí, que estão acumulando pontos que podem ser importantíssimos no fim do Brasileiro. Os pontos que perdemos, principalmente nos empates na Colina, se não farão falta para nos garantir na Série A, poderiam fazer a diferença em objetivos mais nobres, como uma vaga na Libertadores.

Isso, claro, se Doriva conseguir fazer seu time jogar mais com os jogadores que tem ou se a diretoria se virar para reforçar as posições mais carentes da equipe.

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Cortina de fumaça

eurico fumaça

O respeito voltou. 3 palavras. 1 frase. Quantas vezes lemos e ouvimos esse mantra reproduzido pela nova velha diretoria vascaína nesses últimos 5 meses? Don Draper estaria orgulhoso.

Para alguns trata-se de mais uma fanfarronice do novo garoto propaganda Eurico Miranda. Rir dos devaneios do Doutor é engraçado – no primeiro momento – e possuem sim um lado folclórico nesse futebol tão chato dos dias atuais. Além disso, ao chamar os holofotes para si, Eurico – intencionalmente ou não – tira a pressão em cima dos jogadores. De fato, comparando nomes e títulos, não há ninguém no plantel entre titulares e reservas que tenha tanta ligação com o Vasco como o doutor. Nosso técnico e elenco são esforçados. E esse foi o diferencial no carioca.

O papel de vilão vivido por Eurico é perfeito para imprensa, dirigentes adversários e torcedores rivais. Por se encaixar tão bem como tirano e ditador, os pontos positivos acabam no esquecimento.

A política do teto salarial – defendida por este que lhes escreve – aparentemente está sendo cumprida pela diretoria. Um recente exemplo foi de Fellype Gabriel, que se recuperava em São Januário. Por pedir acima da proposta inicial feita, não fechou com o Vasco. Tudo bem que temos Bolts e Romarinhos perambulando perdidos em São Cristóvão mas já é um começo.

Esta semana, após 4 empates horrorosos com times de péssima qualidade, era para estarmos falando do confronto com os reservas do Internacional e a fase ruim (se empatar com Cuiabá duas vezes é bom, amigo(a), tenho medo de você) que estamos enfrentando. Era. Eurico nos presenteou com duas coletivas. Uma na terça em que ele discorreu sobre um novo conceito de democracia e na sexta em que teceu comentários em relação a ética no futebol brasileiro. Sim, tudo bizarro, fora da realidade e prato cheio para comentaristas de TV.

Alguém comentou sobre a escalação do Vasco para esse sábado? Não? Eurico fez seu papel então. O garoto propaganda ganha sobrevida nesse marasmo do futebol tupiniquim e ainda vende camisa! Diriam os casaquistas:

“Nosso verdadeiro camisa 10.”

Por outro lado (que bom que vivemos uma democracia, né), os gatos escaldados da colina já conhecem o modus operandi do Doutor. As baforadas de seus “cubanos”, a sala vip, a diretoria servindo os interesses que se misturam entre os do clube e os pessoais de Eurico. O “diálogo” até a pagina 2. Essa semana presenciamos isso com o abono da sentença judicial que condenou o presidente a indenizar o Vasco em 3 milhões. Daria para comprar o Fellype Gabriel e o Botafogo inteiro, vai.

O aumento dos ingressos a um preço a lá rio surreal foge de todo o discurso de apoio a FERJ no início do ano. Esquecimento? Não, apenas política. E nisso, o torcedor se afasta de São Januário. Para bom entendedor, esse seria o real interesse. Quanto menos gente cobrando, metendo a colher onde não é “devido”, melhor para o Doutor. Ele pode ter a palavra final. E ponto.

A verdade é que não existe santo no futebol. Eurico é igual aos outros. A diferença é que o nosso poupançudo da caixa é odiado por muitos e muitos anos. E ele gosta disso. Não faz questão de agradar ninguém, inclusive nós vascaínos.

A cortina de fumaça criada por seus charutos, como podemos ver, pode ser encarada de forma positiva ou negativa. Cabe a nós diferenciarmos que se trata de uma neblina passageira ou um presságio de tempos difíceis que teremos a seguir.

Obs: Por mais que todos sonham em brigar pelo título e não estar na zona da salsicha, faltam ainda 43 pontos, ok?