Ainda dá. Mas até quando?

tabelaUma discussão surgiu no Twitter do Blog da Fuzarca após mais um empate vascaíno: terminado o jogo entre Vasco e Grêmio, comentei que o placar em branco tira um pouco das nossas esperanças na permanência na Série A e alguns seguidores logo responderam que “ainda dá”, argumentando que nosso time mostra uma evolução maior que a dos outros na briga contra o rebaixamento.

O “ainda dá” eu concordo plenamente. Mesmo que eu não quisesse concordar, como torcedor, não conseguiria deixar de acreditar enquanto houver chances matemáticas. Já a parte da evolução do Vasco, vários senões surgem imediatamente em minha cabeça.

Primeiro, a evolução do próprio time. Isso é algo notório e indiscutível, seja pelas atuações ou pelos números. Com a chegada do Jorginho, a equipe ganhou uma cara, teve uma definição de quem é titular e os resultados apareceram: são 17 pontos em 13 rodadas contra 13 pontos em 19 jogos antes da chegada do atual treinador.

Mas não podemos esquecer que fazer um trabalho melhor que o Celso Roth não é uma das tarefas mais complicadas. E os próprios números deixam claro que se a evolução é evidente, muito disso passa pelo fato de que o trabalho feito no primeiro turno foi tão terrível que seria praticamente impossível o time não melhorar com sua saída.

E aí podemos falar sobre o desempenho vascaíno em comparação aos outros concorrentes que lutam para sair do Z4. O Vasco pode até estar apresentando um futebol mais competitivo que todos os outros – uma impressão reforçada pela série de nove jogos de invencibilidade – mas isso significa que estamos melhor que eles? Talvez entre as partidas contra a Ponte e a mulambada, quando diminuímos consideravelmente a distância para a 16ª colocação, mas depois disso, e principalmente depois do quarto empate seguido (e o segundo jogando em casa), fica complicado afirmar isso categoricamente.

Mais uma vez podemos usar os números para ilustrar o fato: nas últimas cinco partidas, dois times que brigam conosco fizeram os mesmos sete pontos que o Vasco (Joinville e Figueirense); a Chapecoense fez oito, superando nosso desempenho no período. E assim, mesmo com a clara melhora do time na competição, continuamos no último lugar da tabela.

Argumentarão, e com razão, que a posição atual não faz diferença e que o importa é a distância para o 16º colocado, que antes era de 13 pontos e agora é de apenas quatro. Mas eis o problema: se continuarmos na mesma pegada dos últimos cinco jogos, poderemos passar o Coxa e o Goiás e também o Avaí, mas o Joinville e Figueira continuarão na nossa frente. E com isso, terminaremos o campeonato no Z4.

Tudo isso significa que a evolução do Vasco não está sendo o bastante para garantir que escaparemos do descenso. Fazer boas partidas não basta, precisamos voltar a vencer para não dependermos da queda de desempenho dos outros times. Estamos baseando nosso “ainda dá” nos erros dos outros, e não nos nossos méritos. Por enquanto, a sorte tem nos ajudado. Mas não podemos contar que os outros perderão todas e seguir empatando todas as partidas, jogando fora as várias oportunidades que temos tido de sair da zona da degola.

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Ah, mas você está ignorando completamente os jogos em que fomos garfados”. Estou mesmo, já que os pontos perdidos, seja por erros de arbitragem, seja por nossa falta de competência, não vão entrar na nossa conta. E esse é mais um motivo que evidencia a razão da nossa evolução não estar sendo satisfatória. Melhorar com relação ao primeiro turno era uma obrigação, mas para escapar do rebaixamento, precisamos melhorar a ponto de superarmos adversários, limitações do elenco e inclusive a cegueira dos juízes. Se não fizermos isso, só nos restará ficar reclamando da comissão de arbitragem e acompanhar, pela terceira vez, a Série B em 2016.

Mas não se pode deixar de citar a tremenda covardia que fizeram com o Vasco nas últimas rodadas. Não fará a menor diferença no final da competição, mas o fato é que frearam à força a reação do time, que mesmo com suas limitações, poderia agora não apenas estar fora do Z4, mas até ter aberto alguma vantagem, caso a arbitragem não vacilasse (poderíamos ter vencido os jogos contra Cruzeiro, Avaí, Chapecoense e São Paulo): estaríamos hoje na 15ª colocação, cinco pontos distante do primeiro time no Z4.

E esse é só mais um motivo que evidencia que o time precisa melhorar mais. Como não podemos contar com arbitragens decentes, precisamos ser mais efetivos com a bola rolando. Caso contrário, o “ainda dá” perderá sua validade em algumas rodadas.

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Conspirações e paranóias

paranoiaNo jogo do Vasco contra o Sport, escalaram um juiz da Federação catarinense para apitar a partida. Falei no Blog da Fuzarca que, com os quatro times de Santa Catarina lutando contra o rebaixamento como nós, a CBF poderia muito bem escolher um árbitro de outro estado.

Federação Catarinense essa que votou no Marco Polo Del Nero para a presidência da CBF. Não ficaria bem para o presidente eleito em 2014 ver uma federação que o apoia ter todos os clubes do seu estado que estão na elite caírem para Série B no mesmo ano, né?

E um dos times catarinenses que corre3 o risco de rebaixamento é o Figueirense. Os 20 clubes da Série A também participam da eleição para a presidência da CBF. 19 votaram em Del Nero. O Figueira foi o único que se absteve de votar.

Então o Figueirense não apoia Del Nero? Pelo contrário.

Em 2014, o time corria o risco que não jogar a Série A por conta de uma ação do Icasa, que tomaria a vaga do time catarinense. Se o Icasa ganhasse a disputa, o voto do Figueirense poderia anular a eleição. Ou seja: não votar em Del Nero foi um favor ao presidente da CBF feito pelo Figueira.

O Avaí, também de Santa Catarina, teve a seu favor uma penca de “erros” de arbitragem que lhe garantiram pontos preciosos jogando na Ressacada. Contra o Goiás, André Lima fez um gol dando uma bicuda no goleiro Renan. E o gol foi validado. Ontem, vimos a verdadeira lambança feita pelo juiz na partida contra o Vasco.

Repetindo: o Vasco, como todos nós sabemos, luta com todas as suas forças para evitar o rebaixamento. E, como igualmente todos sabem, os quatro times da Santa Catarina também estão na mesma luta para permanecer na Série A.

Update: e, vejam só, acabei esquecendo um pequeno detalhe …o vice-presidente da CBF é o Sr. Delfim Pádua Peixoto Filho. Por acaso – e apenas por acaso – o atual presidente da Federação Catarinense de Futebol. Mas, é claro, isso é apenas mais uma coincidência irrelevante.

A luta do Vasco se justifica não apenas porque seria mais uma vergonha na história do clube. Mas também porque o clube perderá muita grana caindo da Séria A para a Série B. Só quem se dá bem quando um time grande cai para a segundona são as empresas que lucram com a competição. Como por exemplo, a Sports Promotion (que cuida dos direitos de marketing da Série B) e o Grupo Águia (que agencia as viagens das equipes na competição). Coincidentemente, tanto o Sr. José Francisco Coelho Leal, dono da Sports Promotion, como o Sr. Wagner Abrahão (proprietário do Grupo Águia), são muito próximos do Del Nero.

Diante disso tudo, podemos deduzir que uma possível queda do Vasco atenderia aos interesses de quem não quer ver a federação catarinense ter seus quatro clubes rebaixados de uma só vez e também de quem ganharia muito dinheiro com um clube de massa na Série B. E quem estaria nas duas pontas dessa história? Vocês também podem deduzir.

De qualquer forma, tudo isso acima é só especulação, mais uma entre tantas teorias conspiratórias que só podem ter crédito para torcedores que, sofrendo com seu clube do coração, tendem a acreditar em ideias paranoicas. Ainda assim, seja tudo isso um monte de coincidências que não querem dizer nada, eu daria um conselho ao time do Vasco: quando entrarem em campo, joguem sempre para superar não apenas os 11 jogadores adversários, mas também os erros de arbitragem que possam vir a nos prejudicar.

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Mas é decepcionante ver o Vasco ser volta e meia garfado justo quando temos uma diretoria que, segundo seus seguidores, “MANDA” ou pelo menos tem “MUITA INFLUÊNCIA” na CBF.

Foi só o Vasco iniciar sua reação no campeonato para sermos operados no Mineirão e na Ressacada e termos jogadores tomando ganchos pesados quando jogadores de outras equipes, mesmo reincidentes e com infrações mais graves, escapam com penas leves.

Cadê o respeito que tantos pregaram antes das eleições?

Tá liberado acreditar

escolhaApós o jogo Ponte Preta 0 x 1 Vasco, o jornalista Paulo Calçade comentou no programa Bate-Bola da ESPN Brasil a situação vascaína com a vitória. Obviamente julgou ainda complicadíssima a missão do time, mesmo com os três pontos conquistados fora de casa. E justificou sua opinião mostrando a tabela da competição: à época, o Vasco estava à 11 pontos do Figueirense. E o próprio Figueira tinha os mesmos 11 pontos de distância do São Paulo, então com 38 pontos e empatado com o quarto colocado. Completando seu raciocínio, Calçade vaticinou: o trabalho que o Vasco terá para escapar do rebaixamento será o mesmo que o Figueirense terá para chegar ao G4.

Eis aí onde errou feio o jornalista. Ao comparar as duas situações como uma mera operação matemática, Calçade argumentou falaciosamente. Ele ignorou completamente as dificuldades de cada uma das missões: enquanto o Figueira teria que superar adversários muito mais complicados para conseguir uma vaga na Libertadores, ao Vasco cabe o trabalho de fazer mais pontos que os últimos colocados na competição.

A rodada de ontem, na qual o Vasco venceu o Furacão e quase todos os outros resultados lhe foram favoráveis provou isso, jogando por terra a comparação com o Figueira: o time catarinense perdeu, a diferença deles para o Vasco diminuiu e a distância entre São Paulo e Figueirense ficou maior.

Não estou querendo aqui desprezar as probabilidades e nem mesmo esquecer o desempenho horrível do Vasco ao longo do campeonato. Se os cálculos matemáticos nos colocam como virtualmente rebaixados, não sou eu quem vai discutir com os números. Mas isso é uma projeção, algo que só ocorrerá se tudo o que acontecer daqui pra frente for semelhante ao que aconteceu antes. A probabilidade não leva em consideração a motivação de uns, nem a queda de rendimento de outros. E, mais importante, toda projeção muda a cada jogo, a cada resultado positivo de um lado e negativo para o outro.  Antes do jogo contra a Ponte, estávamos com 99% de chances de cair. Hoje, estamos com 96%. Quem pode afirmar categoricamente a impossibilidade de que até a 38ª rodada esse número esteja em 0%?

É por isso que utilizar números – seja de pontos, seja de número de vitórias que precisamos para escapar – para justificar a descrença na permanência do Vasco na elite é inútil nesse momento. Nem nos faltam 9 vitórias e nem tempos que chegar aos 47 pontos. A frequência com que citam esse número como o santo graal na competição é tão grande que chega a levantar a desconfiança de que só é tantas vezes repetido para desestimular o torcedor. É sempre bom lembrar: ano passado, o 12º colocado terminou com os tais 47 pontos. E o Palmeiras se livrou com 40 pontos.

Ainda há muita água pra correr. Os times que cresceram (muito às custas dos moles que nós mesmos demos) voltaram a cair de rendimento justo quando o Vasco cresce. Nossa situação ainda é crítica, mas os últimos jogos nos permitem sim ter um pouquinho mais de otimismo. Em outras palavras, a escolha em acreditar está liberada.