Gato escaldado

gatoRevejam o lance do pênalti sofrido pelo Madson, na vitória de ontem do Vasco sobre o Madureira, na estreia do Estadual 2016.

Qualquer que seja o ângulo observado, é um lance claro. O zagueiro do Madura dá um carrinho lateral no jogador do Vasco e o derruba. Não é motivo pra polêmicas, certo? E até que não foi mesmo. Tirando um ou outro perfil humorístico do Twitter, não vi gente falando que o Vasco tenha sido favorecido no lance.

Exceto o jornalista Fábio Seixas, que disse o seguinte:

O cara tem todo o direito de ir contra as imagens e achar que não foi pênalti. Parece loucura (ou algum problema sério de visão), mas tudo bem. Agora, dizer que o Madureira foi “operado“? Num momento em que o Vasco já ganhava a partida e o Madureira não oferecia qualquer risco de empatar o jogo? Convenhamos….

Foi a única pessoa que vi dar esse tipo de opinião (até o Arnaldo César Coelho falou que houve a penalidade!), então nem dá pra falar que começaram a criar polêmica pra cima do Vasco. Mas é aquilo: esse lance foi muito claro. Se não tivesse sido, certamente outras pessoas começariam a insinuar favorecimentos.

Minha preocupação nem é essa. Por conta da ligação do Dotô com a FERJ, é óbvio que assim que pintar o menor motivo, falarão tudo o que falaram no Estadual do ano passado. O que me preocupa é imaginar se a atenção da imprensa esportiva carioca sobre qualquer lance polêmico que venha a favorecer o Vasco não fará os juízes pensarem duas vezes antes de apitar algum lance a nosso favor. Se isso acontecer, quem passará a ser prejudicado somos nós, já que, na dúvida, apitarão – ou deixarão de apitar – os lances que nos favoreçam.

E isso ainda poderá provocar o seguinte: sabendo que a arbitragem fará vista grossa, os zagueiros adversários podem se sentir mais seguros em arriscar carrinhos e contatos diretos com nossos jogadores dentro da área. E nessa, os caras poderão fazer dois, três penalidades antes que o árbitro marque a primeira.

Paranoia minha? Pode ser. Mas gato escaldado tem medo até de água fria. Na minha opinião, as polêmicas e mimimis sobre possíveis favorecimentos ao Vasco não começaram AINDA. Mas que uma hora ou outra começarão, eu não tenho dúvidas.

Querendo aparecer

Como falei no Blog da Fuzarca hoje, o Vasco é campeão estadual com toda justiça. Doriva e seus comandados fizeram por merecer a conquista com seu trabalho e empenho dentro e fora de campo.

Mas é preciso que se diga: o mérito, é DELES. Da comissão técnica, por transformar um grupo que tem evidentes limitações em uma equipe competitiva e dos jogadores, que em sua maioria, superaram essas limitações com muita determinação.

Acontece que, principalmente desde que eliminamos a mulambada da competição, o presidente do clube procura desesperadamente um protagonismo na conquista que não parece ser corroborado pelos fatos. E não poderíamos esperar nada diferente de quem sempre agiu dessa forma. Se Eurico pretensiosamente se considera a personificação do Clube, por que não se consideraria mais importante que o próprio time ao ganhar um título?

Pelo que vi ontem na Arena, muitos torcedores – em quantidade bem superior do que eu imaginava – compram essa ideia. As placas e faixas exaltando o bordão “o respeito voltou” revelam algo que eu temia e venho falando aqui no Vasco Expresso já há algum tempo: boa parte da torcida tira o mérito da campanha vascaína de quem merece para credenciar quem não tem esse direito.

Mas eu falei em fatos e vamos a eles:

Na prática, qual é a participação da diretoria na conquista? A contratação do Doriva e manter os salários em dias é um ponto positivo e que deve ser levado em consideração. Além disso, foi a diretoria que contratou e montou a equipe campeã. O problema é que, tirando a empolgação pelo campeonato, o que a diretoria fez foi contratar um monte de jogadores de qualidade duvidosa e que obrigaram o Doriva a tirar leite de pedra para torná-los uma equipe realmente postulante ao título. Nesse quesito, o mais importante na minha opinião, a diretoria e seu presidente fizeram um trabalho muito chinfrim. Na dezena de contratações feitas, apenas quatro renderam: Madson, Julio dos Santos, Dagoberto e Gilberto. Se formos julgar pelo resto dos “reforços”, deveríamos mais reclamar das dificuldades que passamos ao longo do Carioca que elogiar a equipe montada pela atual gestão (que, na verdade, tem sua base herdada da gestão anterior).

Aos que consideram que a “volta do respeito” é a influência do presidente na Federação, só um recado: isso é corroborar as teorias conspiratórias da imprensa, que acusam o Vasco de ter sido favorecido no campeonato. O que é outra injustiça com o time, que foi mais garfado que ajudado pelas arbitragens, inclusive nos jogos decisivos. O respeito voltou por causa de pênaltis marcados contra o Friburguense, mas não apareceu na hora de expulsarem o Jonas ou o Cirino na semifinal contra a Mulambada. Ou mesmo ontem, quando o último defensor do Botafogo segurou acintosamente o Dagoberto e levou apenas o amarelo. O respeito que o Vasco precisa não é o de ter a seu favor penalidades duvidosas contra pequenos. É de ter equipes que possam vencer qualquer adversário, seja pequeno ou grande, sem depender da ajuda da arbitragem.

A torcida tem todo o direito de fazer a festa por um título que esperamos longos 12 anos para comemorar e que conquistamos com toda a justiça dentro de campo. Mas seria muito mais correto se agradecêssemos a quem fez o título acontecer e não a quem só entra em campo para ganhar a fama com o trabalho dos outros.

***

Mas o trabalho da diretoria não merece apenas críticas. O título acabou confirmando a avaliação que eu tinha sobre essa segunda gestão Eurico: se não é a ideal, está sendo muito melhor do que se esperava. Podemos até afirmar com segurança que a segunda presidência do Dotô precisou de meros cinco meses para fazer mais do que fez em toda a sua primeira gestão.

Senão vejamos: entre dezembro de 2014 e maio de 2015, o Vasco conquistou um Carioca e fechou patrocínios de mais de R$ 20 milhões. Ou seja, a mesma quantidade de títulos e muito, mas MUITO mais em investimentos (0 que pode até aumentar caso a novela Caixa tenha um final feliz) que entre 2001 e 2008.

É motivo para se comemorar, mas também joga mais responsabilidade sobre os ombros da diretoria. O Brasileirão está ai e ninguém – ou quase ninguém, já que há quem se contente em apenas se manter na primeira divisão – que ver Vasco apenas brigando para não cair. Até agora, Eurico e seus comandados tem tido resultados melhores que na sua primeira gestão. É preciso manter o que há de bom no trabalho feito até agora para não vivermos de felicidades raras, como foi na sua primeira chance no comando do clube.

Erros de todos os lados

erroO assunto de hoje, e provavelmente dos próximos dias, na imprensa esportiva será o alegado erro do Sr. Rodrigo Nunes de Sá que acabou decidindo a semifinal entre Vasco e Framengo. Mas não se enganem: os erros de verdade começaram a acontecer após o apito final do juiz.

Erra o presidente mulambo, que boquirrotamente lança suas suspeitas sem provas sobre a competição, praticamente afirmando que a final entre Botafogo e Vasco é fruto da interferência direta da Federação. Muito convenientemente, ao se considerar prejudicado, muda o discurso do ano passado, quando declarou sobre o campeonato que ganharam com gol irregular “Não entendo o porquê. Erros de arbitragem acontecem, e aconteceram para os dois lados”. Será que o Sr. Bandeira de Mello acha que seu time – o mesmo que não conseguiu fazer um golzinho sequer no Vasco, que perdeu a Guanabara por não conseguir ganhar o Nova Iguaçu e que só empatou com o Madureira com um gol com bola que não entra – ou que o Fluzim, que também fez uma campanha das mais mequetrefes, não têm qualquer responsabilidade nas próprias eliminações?

(Parênteses: sobre o chilique do presidente mulambo, recomendo a leitura dessa crônica do Márvio dos Santos, explicando como a culpar a Federação é uma fuga da responsabilidade do Sr. Bandeira de Mello. Fecha parênteses)

Erra a imprensa, que vive de polêmica e como está na cruzada pela “moralização relativa” do futebol carioca (relativa porque só é uma luta válida quando o Eurico está em cena) corrobora o discurso do favorecimento. Repercutir a ideia da “final que a FERJ queria”, citar os pênaltis a favor do Vasco fora de contexto (nunca falam se as penalidades aconteceram ou não, apenas citam os números) e ignorar as vezes em que NÓS fomos prejudicados e quando os outros foram favorecidos tem o objetivo claro que sustentar a tese do favorecimento. O que é, para falar o mínimo, de uma leviandade inacreditável vindo da imprensa, já que essa tese se sustenta apenas na proximidade do Rubinho com o Eurico.

Mas não apenas os derrotados erram: ao bradar que “o respeito voltou” – tanto pra imprensa quanto no próprio site oficial do clube – justo quando vencemos com um lance considerado polêmico, o Dotô dá munição para seus críticos seguirem com suas teorias conspiratórias e da argumentos para quem chama o Estadual desse ano de “Euricão”. E influencia uma parte da torcida, também erradíssima, que não apenas acredita piamente que o pênalti só foi marcado por causa dessa “volta do respeito” como ainda aprova esse tipo de coisa. Não percebem o quanto isso diminui o valor da vaga na final e o quanto queima o filme do próprio clube ter a imagem associada a conquistas na base da influência do seu presidente. Depois, quando formos garfados mais uma vez, os mesmos terão a cara de pau de reclamar.

É uma pena ver que tantos erros, vindos de todos os lados, só servem para tirar o mérito de um grupo que, apesar de ter claras limitações, não pode ser nunca acusado de não se doar em campo.

Algumas perguntas pertinentes…

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Ontem a Arena Maracanã foi palco de mais um duelo entre nós e a urubulândia. E o Vasco foi mais uma vez prejudicado claramente pela arbitragem, como infelizmente já se tornou uma tradição no clássico. Dessa vez, não em lances tão escandalosamente vergonhosos como ignorar 30 centímetros de uma bola dentro do gol ou um impedimento de quase um metro, mas com as cenas de MMA protagonizadas pelos jogadores mulambos, consentidas pelo Sr. João Batista de Arruda.

Não é preciso ser um gênio para entender o quanto favoreceria ao Vasco ter um adversário com um jogador a menos desde os 15 minutos do primeiro tempo. Mesmo que isso não fosse garantir a vitória vascaína, mudaria completamente a cara do jogo, facilitando as coisas para o nosso lado (e para o jogo de um modo geral, que certamente teria menos falta e mais futebol, o que faltou para as duas equipes). Isso falando apenas da partida de ontem, claro. Mas ao não expulsar o Jonas pela voadora dada no rosto do Gilberto, o Sr. Arruda também favoreceu o Framengo para a próxima rodada, que ainda poderá contar com um jogador que estaria suspenso, no mínimo obrigando seu treinador a repensar uma melhor formação para o time e treiná-la.

wallace

E isso para não citar pelo menos outros dois lances passíveis de expulsão do lado deles (antes que reclamem, também poderíamos ter um vermelho para o nosso lado, como bem mereceria o Dagoberto por sua agressão ao zagueiro mulambo): Marcelo Cirino, que poderia ter quebrado o tornozelo do Guiñazu com uma solada e Wallace, que simplesmente agrediu o Rodrigo, dando-lhe uma rasteira dentro da nossa área, com a bola já fora de campo. Ou seja, a mulambada poderia ter três desfalques importantíssimos para o jogo decisivo.

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Mas falar sobre os erros de arbitragem que prejudicam o Vasco em jogos contra os rubro-negros é assunto tão velho que até jornalistas torcedores do Framengo já admitem que a frequência em que isso ocorre passou dos limites. E como o assunto é batido, farei apenas algumas perguntas pertinentes:

Depois do que ocorreu ontem na Arena, onde está o tal “favorecimento” para o Vasco? Talvez no fato do Gilberto não ter ficado cego ao levar um chute no rosto?

O que pensa o Fred sobre a atuação do juiz João Batista Arruda? Será que ele ajudou muito o Vasco ontem?

E o esparadrapo do Luxemburgo? Vai continuar na sua boca ou ele tirou para fazer o curativo no Gilberto?

E os presidentes da dupla Fla-Flu? Vão reclamar da escalação desses juízes que só sabem prejudicar os dois clubes?

E o Bom Senso? Têm algo a declarar sobre o favorecimento que o Vasco teve ontem?

E a imprensa esportiva? Será que ela tem alguma dúvida que, se o lance da falta do Cirino sobre o Guiñazu fosse invertida, nosso capitão seria sumariamente expulso? E será que os jornalistas dariam o mesmo tratamento dado ao atacante mulambo ou pediriam o banimento do argentino do futebol?

Agora, a pergunta mais importante no momento: será que, o Fluzim confirmando sua presença na final, teremos uma arbitragem isenta no jogo decisivo entre Vasco e Flamengo? Mesmo que um simples empate garanta a final dos sonhos de toda a mídia e consórcios envolvidos?

Já diz o ditado…

lucasA luta pela moralidade no futebol carioca está na moda! É uma luta justíssima, pena que só entre em pauta quando alguns times se sintam prejudicados, como bem assinalou o Freud Irônico em sua última coluna aqui no Vasco Expresso. Ontem tivemos um belo exemplo com o discurso do Fred, um rapaz que costuma se tornar um boquirroto sempre que algo o desagrada.

Seu desabafo após a injusta expulsão no clássico entre Fluzim e a mulambada foi uma reação natural para alguém de cabeça quente. Mas sua declaração na saída da Arena, quando já deveria estar mais calmo, foi de uma infelicidade fora do normal. Reclamar dos erros de arbitragem de jogos dos quais ele fez parte é aceitável. Falar de um jogo alheio, do qual não fez parte ou sequer assistiu é apenas leviandade, como eu disse, coisa de gente boquirrota.

Frederico se achou no direito de colocar sob suspeita os pênaltis a favor do Vasco – dois deles claríssimos e um muito mais claro que o sofrido pelo próprio atacante tricolete na Copa do Mundo, contra a Croácia – no jogo contra o Friburguense, mas convenientemente não citou o gol irregular do Frizão, que marcou seu quarto gol em um lance com impedimento flagrante. O camisa 9 do laranjal achou por bem não citar que o jogo poderia terminar empatado caso esse gol não fosse validado.

(Parêntese: vale lembrar que com os resultados de ontem, a probabilidade de haver um novo Fla x Flu nas semifinais é enorme. E obviamente não agrada a ninguém da imprensa ou aos times envolvidos ver a final desejada por todos ser antecipada. Fecha parênteses)

É curioso ver o clamor pelo fim do carioca, com o apoio incondicional de toda a imprensa, após uma expulsão na primeira fase da competição e não ter visto nada semelhante no Estadual do ano passado, quando o Vasco – e é bom lembrar, sem qualquer apoio da FERJ à época, muito pelo contrário – foi descaradamente garfado não apenas na primeira fase, como também na final do campeonato. Mas agora, como quem sofreu com as arbitrariedades da Federação foram o técnico de um dos queridinhos da mídia e o atacante do outro, tudo o que acontece é um absurdo.

E para coroar a desfaçatez dos protestos nesse Estadual, ainda se acham no direito de citar o Vasco, numa clara insinuação de que os favorecidos somos nós. Mas é fácil bater no Vasco hoje, já que é consenso geral de que o eleito “maior vilão do futebol carioca” pela mídia é presidente do Clube. A proximidade do Eurico com o Rubinho é um prato cheio para a imprensa esportiva do Rio: já seriamos alvo de suspeitas mesmo que a amizade entre ambos não existisse. E ela existindo, têm-se a desculpa ideal para detonar o Vasco como bem entenderem. Mesmo que nós soframos tanto quanto todos com as arbitragens.

Mas é aquilo: é FATO que o futebol carioca precisa de mudanças urgentes e que elas nunca acontecerão enquanto a FERJ continuar com o nível de comando que tem há décadas. E quem se junta com o errado, está sujeito às mesmas críticas. Se há uma proximidade entre o Vasco e a Federação e nossa diretoria apóia e referenda todas as suas atitudes, somos parte do problema.

É como diz o ditado: “diga-me com quem andas…