Cortina de fumaça

eurico fumaça

O respeito voltou. 3 palavras. 1 frase. Quantas vezes lemos e ouvimos esse mantra reproduzido pela nova velha diretoria vascaína nesses últimos 5 meses? Don Draper estaria orgulhoso.

Para alguns trata-se de mais uma fanfarronice do novo garoto propaganda Eurico Miranda. Rir dos devaneios do Doutor é engraçado – no primeiro momento – e possuem sim um lado folclórico nesse futebol tão chato dos dias atuais. Além disso, ao chamar os holofotes para si, Eurico – intencionalmente ou não – tira a pressão em cima dos jogadores. De fato, comparando nomes e títulos, não há ninguém no plantel entre titulares e reservas que tenha tanta ligação com o Vasco como o doutor. Nosso técnico e elenco são esforçados. E esse foi o diferencial no carioca.

O papel de vilão vivido por Eurico é perfeito para imprensa, dirigentes adversários e torcedores rivais. Por se encaixar tão bem como tirano e ditador, os pontos positivos acabam no esquecimento.

A política do teto salarial – defendida por este que lhes escreve – aparentemente está sendo cumprida pela diretoria. Um recente exemplo foi de Fellype Gabriel, que se recuperava em São Januário. Por pedir acima da proposta inicial feita, não fechou com o Vasco. Tudo bem que temos Bolts e Romarinhos perambulando perdidos em São Cristóvão mas já é um começo.

Esta semana, após 4 empates horrorosos com times de péssima qualidade, era para estarmos falando do confronto com os reservas do Internacional e a fase ruim (se empatar com Cuiabá duas vezes é bom, amigo(a), tenho medo de você) que estamos enfrentando. Era. Eurico nos presenteou com duas coletivas. Uma na terça em que ele discorreu sobre um novo conceito de democracia e na sexta em que teceu comentários em relação a ética no futebol brasileiro. Sim, tudo bizarro, fora da realidade e prato cheio para comentaristas de TV.

Alguém comentou sobre a escalação do Vasco para esse sábado? Não? Eurico fez seu papel então. O garoto propaganda ganha sobrevida nesse marasmo do futebol tupiniquim e ainda vende camisa! Diriam os casaquistas:

“Nosso verdadeiro camisa 10.”

Por outro lado (que bom que vivemos uma democracia, né), os gatos escaldados da colina já conhecem o modus operandi do Doutor. As baforadas de seus “cubanos”, a sala vip, a diretoria servindo os interesses que se misturam entre os do clube e os pessoais de Eurico. O “diálogo” até a pagina 2. Essa semana presenciamos isso com o abono da sentença judicial que condenou o presidente a indenizar o Vasco em 3 milhões. Daria para comprar o Fellype Gabriel e o Botafogo inteiro, vai.

O aumento dos ingressos a um preço a lá rio surreal foge de todo o discurso de apoio a FERJ no início do ano. Esquecimento? Não, apenas política. E nisso, o torcedor se afasta de São Januário. Para bom entendedor, esse seria o real interesse. Quanto menos gente cobrando, metendo a colher onde não é “devido”, melhor para o Doutor. Ele pode ter a palavra final. E ponto.

A verdade é que não existe santo no futebol. Eurico é igual aos outros. A diferença é que o nosso poupançudo da caixa é odiado por muitos e muitos anos. E ele gosta disso. Não faz questão de agradar ninguém, inclusive nós vascaínos.

A cortina de fumaça criada por seus charutos, como podemos ver, pode ser encarada de forma positiva ou negativa. Cabe a nós diferenciarmos que se trata de uma neblina passageira ou um presságio de tempos difíceis que teremos a seguir.

Obs: Por mais que todos sonham em brigar pelo título e não estar na zona da salsicha, faltam ainda 43 pontos, ok?

Ponto pro Vasco

20120307185047_919Dia desses vi um cidadão pintando a parte alta de uma parede, em cima de uma escada. Coisa corriqueira, não fosse o fato dele ostentar a camisa do Vasco. Instintivamente, comecei a torcer por ele. Para que ele não se acidentasse. Para que a pintura ficasse perfeita. Para que a parede ficasse bonita. Porque é assim a minha relação com o Vasco. Se vejo qualquer coisa da Colina, já viro fã. Torço até pra papa que veste uma cruz igual à nossa.

Fã fiel e absoluto de futebol que sou, dedico-me a outros esportes basicamente quando há Vasco na parada. Afora o judô, do qual fui atleta e tenho paixão pessoal pela modalidade, dificilmente me vejo à frente da TV para assistir algo que não seja o esporte bretão. Mas se a caravela cruzmaltina aparece, a história muda, o interesse cresce e, em questão de segundos, lá estou aos berros de “Vaaaascooooooo”.

Foi assim no fim da década de 90, quando entrei no Maracanãzinho para aquele jogo mágico contra o Boca Juniors. As redes em questão eram as da cesta mas as vibrações eram tais e quais às dos gols. E pra ficar perfeito, teve virada. Teve choro. Teve emoção. Como a gente gosta. Como o Vasco sabe fazer.

Por isso recebi com muitos bons olhos a campanha “Herdeiros da Cruz de Malta” lançada essa semana, que até finalizar esse texto já havia batido 57% da meta pretendida em curtos quatro dias. Do ponto de vista de marketing e comunicação, minha área de atuação profissional, aproveita “ganchos” bem legais. Remete à construção de São Januário, que contou com a participação dos torcedores. Traz um ídolo do basquete que sobrou na época que vestiu nossa camisa e, de quebra, sambou na cara do nosso maior rival. Enfim, uma solução criativa para arrumar uma forma de reformar um importante espaço mas que não pode ser prioridade num momento em que o futebol atravessa essa crise técnico-financeiro-esperançosa.

Por óbvio, a velha discussão “Dinheiro pro futebol vs Grana pros outros esportes” veio à tona. É debate antigo e que, creio, nunca terá fim. Penso que uma coisa não invalida a outra. O futebol jamais perderá sua primazia e nem deve ser objeto de desejo de nenhuma outra categoria igualar-se à ele. Mas bons projetos, bem pensados e estruturados, podem sim conseguir verbas específicas para outras modalidades. Ainda mais em um mundo onde os conceitos de segmentação e personalização são cada vez mais possíveis e capilarizados.

Claro que o fato da gestão atual ser a mesma que realizou o “projeto olímpico” tão oneroso e de retornos bastante discutíveis legitima toda e qualquer dúvida e teoria a respeito do assunto. O que exigirá ainda mais transparência e agilidade à campanha. É um objetivo simples e, diante da magnitude do Vasco, até mesmo pequeno. O que é bom, porque se alcançado com sucesso e dentro do prometido, pode ser um passo interessante para resgatar um pouco a credibilidade em que gerencia o clube. Um passo pequeno, certamente. Mas longas caminhadas são feitas de passos curtos. E é caminhando que se chega até o respeito. Porque só grita por ele quem longe dele está.

Resta conferir se tudo sairá dentro da expectativa criada. De mim, esperem o acompanhamento, a cobrança e a torcida. Sim, porque torço para que tudo dê certo. Porque torço pro Vasco. Não para seus dirigentes ou mandatários. Torço quando vejo aquela camisa e aquela Cruz de Malta. Torço por tudo que aquilo me representa.

Porque se vendo tantos desmandos e absurdos sendo feitos jamais consegui deixar de torcer, quiçá quando vem algo que parece bom. Já passou da hora de arremessar a bola e enterrar essa sensação de que nada vai melhorar. Bola na cesta, Vascão!

E se…
…der errado? Cobranças, críticas, debates, uso da lei e do regimento. O que for necessário para que o Vasco não seja novamente lesado como vem sendo há tanto tempo, inclusive por tantos dos que andam baforando por aí.

Remando contra
Se o basquete deu uma animada com a campanha de recuperação do ginásio, a pulga veio para atrás d’orelha no remo. Como já é sabido, o retorno de Fabiana Beltrame faz parte daquele velho projeto de dominar-o-mundo-e-destruir-meu-arqui-inimigo-Flamengo que povoa a mente da liderança atual. A moça, pelo que conquistou, pode garantir patrocínios interessantes e pode (não sei se será assim) até mesmo se pagar na Colina.

Mas o que não dá notícia é que o assédio se estende a outros atletas, com promessas de dobrar os salários e/ou ajudas-de-custo, além de outros compromissos. Segundo uma fonte da área, a ideia é roubar os atletas do rival pagando significativamente mais e, com isso, montar uma equipe forte ao mesmo tempo em que quebra o Fla. Resta saber de onde virão, num momento de penúria financeira, os recursos que vão bancar essas contratações todas.

É aí que mora o risco de reviver o filme do projeto olímpico do passado e terminar vendo, mais uma vez, o barco naufragando. A conferir.

Freud Irônico é o alter-ego virtual do publicitário Raphael Santos.

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Ainda é cedo?

marcinho_barraNa falta de notícias animadoras a tratar do time, vou contar aos parcos leitores que tiverem algum interesse o que eu achei do jogo contra o Barra Mansa.

Igual a todos os outros jogos que vi. Continuar lendo

“Diga-me quem te presides….”

trofeu

Charge: Mario Alberto (Lancenet)

Ao longo da corrida eleitoral no Vasco, fiz algumas perguntas a literalmente centenas de eleitores do Eurico. Eram questões nascidas de uma curiosidade sincera, de quem realmente procura entender os motivos para sua escolha pelo “Dotô”.

A primeira delas era “Você acha que a primeira gestão do Eurico como presidente foi boa?”; Como a resposta era invariavelmente um “não” muito relutante e cheio de justificativas ou comparações à gestão Dinamite, eu fazia a segunda pergunta: “Se acha que a primeira gestão Eurico foi ruim, a que você atribuiu isso?”. A resposta nesse caso também era programada, com todos os devotos do São Eurico expondo a cartilha casaqueana do “complô mídia-CBF-Lei Pelé”, com ênfase na “asfixia financeira da Globo”.

Eu e qualquer vascaíno imaginaríamos quais seriam as respostas para essas duas perguntas. Mas elas eram apenas uma introdução para a pergunta que eu realmente gostaria de saber, que era a seguinte: “Se esse complô realmente existiu, o que te dá a certeza de que a Globo deixará de prejudicar o Vasco caso o Eurico volte a ser o presidente?”.

Aí as respostas variavam. A maioria simplesmente ignorava a questão e sumia sem um esclarecimento; outros mudavam de assunto e tangenciavam a pergunta; uns poucos diziam que Eurico está mais experiente e que resolveria esse problema (sem dar a menor ideia de como ele faria isso). E apenas um teve a sinceridade de falar “Eu não tenho essa certeza”. Essa era a resposta correta. Ninguém poderia ter essa certeza. E pelos últimos acontecimentos, já podemos ver o porquê.

Antes mesmo de começar o Estadual, Eurico quis demonstrar sua influência na Federação e conseguiu aprovar a meia entrada universal nos jogos do campeonato. Com isso, já criou polêmica por conta de um assunto que, como já disse antes, nada teria a ver com o Vasco. O resultado: um monte de críticas ao presidente vascaíno que, de uma maneira ou de outra, acaba prejudicando a imagem do clube.

Quem tem acompanhado a imprensa esportiva já reparou que estão detonando o Carioca e colocando a culpa disso tudo no Eurico. E isso não é uma exclusividade da cobertura jornalística da Globo. Todos estão reclamando do campeonato e falando da truculência do nosso presidente, que aparentemente, tem o beneplácito do presidente da FERJ para fazer o que quer. Pra imagem do Eurico, isso não faz a menor diferença. Pelo contrário, ele deve até gostar muito disso, já que o dirigente obviamente confunde ter influência com respeito. Mas mandar e desmandar na Federação não vai garantir a tal “volta do respeito ao Vasco”. E, até agora, só tem queimado o filme do clube.

Vejamos o cenário: o Vasco está sem um patrocinador master, exibindo a marca da Caixa por cortesia (algo que aliás foi motivo de críticas enormes dos devotos de São Eurico quando a gestão anterior fez o mesmo com a Eletrobrás) até que o contrato seja renovado. Mas existe a possibilidade da renovação não acontecer. E vendo que o presidente do clube é constantemente marretado na imprensa, atrelando inevitavelmente sua imagem questionável ao Vasco, como criticar a Caixa caso não queira mais ver sua marca em nossa camisa? E, indo adiante, que empresa gostará de estampar sua marca na camisa de um clube que, sempre que é citado, é por conta de críticas ao seu presidente?

É muito fácil jogar para a torcida e gritar “contra tudo e contra todos” sem fazer uma autocrítica. Dizer que a imprensa pega no pé do Vasco sem levar em consideração que os atos do seu presidente acabam, na maioria das vezes, prejudicando o futebol como um todo, é fazer papel de coitado sem assumir as próprias responsabilidades.

Pensem bem: vejam a charge que ilustra essa coluna e vejam se a Globo ou a imprensa esportiva em geral precisam “asfixiar” de alguma forma um clube cujo presidente passa essa imagem para todos.

PS: nesse link há outras charges que evidenciam bem que tipo de respeito nosso presidente trouxe de volta ao Vasco…

Burro que torce

orelhas-de-burro1Eu não sou especialista em táticas de futebol. Nunca estudei sobre formação de time, posicionamento de jogadores, esquemas de jogo ou que tais.

Eu não sou jornalista formado com pós-graduação em futebol. Não tenho mestrado na área esportiva. Não estudei educação física, nunca fui à Footecon, jamais assisti palestra de treinadores e nem fui convidado para ser comentarista de futebol em grandes empresas de comunicação.  Continuar lendo