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placaTerça passada, dia 25 de agosto, o Conselho Deliberativo do Vasco foi convocado para apreciar questões referentes às finanças do clube. Entre os assuntos postos em votação (ou, democraticamente, em ratificação, já que as medidas foram tomadas sem que o conselho fosse consultado previamente) a auditoria nas contas da gestão anterior e o empréstimo tomado em janeiro para a obtenção das CNDs.

A oposição fez o que pode para tornar as coisas mais transparentes nas finanças vascaínas, ou seja, nada. Com os votos que a diretoria tem no conselho, o rolo compressor é sempre utilizado, aprovando tudo o que se quer e ignorando qualquer proposta da oposição. Sem uma mudança estatutária – que, vale lembrar, foi outra questão ignorada pela gestão Dinamite – e havendo no poder uma diretoria que só admite uma minoria opositora para manter uma fachada democrática dentro do clube, isso sempre irá acontecer.  Será assim, mesmo que as medidas da maioria sejam prejudiciais (exemplos não faltam, como a anistia da dívida milionária do Presidente com o clube) e as sugestões da minoria sejam coerentes e benéficas.

Isso ficou bastante claro nessa última reunião. O Conselho aprovou a auditoria sobre as contas da gestão anterior, mas a proposta da oposição de que as contas da atual gestão também fossem auditadas foi rejeitada. Ou seja, mais uma vez o Eurico repete o Dinamite, que fez o mesmo quando assumiu o poder. Outro ponto em que a oposição foi ignorada foi a aprovação dos três empréstimos feitos – em janeiro, vale repetir – junto ao Banco BMG. A oposição votou contra por um motivo simples: apesar da obtenção das CNDs ser algo importante, não faz sentido aprovar um compromisso como esse sem que sejam explicadas as condições do empréstimo.

(Parênteses: foi exatamente isso o que eu disse no começo do ano. É um absurdo a diretoria tomar um empréstimo milionário sem informar quais seriam as garantias oferecidas, o prazo de pagamento e os juros praticados. Fecha parênteses).

Com o poder que a diretoria tem no Conselho Deliberativo, ela pode fazer o que quiser. Inclusive pegar um empréstimo sem que saibamos nada sobre ele e ainda vetar uma auditoria em suas contas. Assim, amigos, é mole.

Ao ouvir a proposta para que a auditoria nas contas do clube se estendessem até 2017, Eurico “teria respondido, ironicamente, que a oposição deveria se responsabilizar pelo pagamento da empresa que será contratada”. A oposição deveria fazer exatamente isso, juntar uma grana e bancar a auditoria das contas desse mandato. Se isso for feito, divulgado publicamente e levado à votação no Conselho, a maioria ficaria encurralada, já que só teria duas opções: aprovar a medida (o que, além de os obrigar à diretoria a ter uma postura mais transparente com relação às finanças do clube, mostraria o esforço da oposição nesse sentido) ou desaprovar e deixar claro para toda a torcida que seu compromisso com a transparência é zero.

Essa é a única maneira da oposição mostrar o que tem feito para fortalecer o Vasco: evidenciar à torcida, sempre que possível, todas as contradições da diretoria. Se o estatuto impede que a oposição tenha poder para evitar na prática os mandos e desmandos da diretoria é preciso fazer com que cada vascaíno entenda que, se algo danoso ao clube acontece, isso acontece por conta da maioria que sustenta as decisões da atual gestão.

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Carta branca

euricoAnotem essa data: 19 de maio de 2015.

Esse dia poderá ficar marcado como o momento em que o Vasco será vítima de uma sangria, praticada por um dos seus poderes, utilizando como ferramenta uma absoluta incoerência.

Amanhã, o Conselho Deliberativo votará se o clube deve ou não abrir mão da ação na qual seu presidente, Eurico Miranda, deve ressarcir os cofres do Vasco em R$ 3 milhões. Como o presidente tem o apoio da maioria do Conselho, a decisão a favor DO RÉU, como diz a própria convocação, deve ser facilmente aprovada.

Alegam os seguidores do presidente que a ação por perdas e danos movida contra Eurico só aconteceu porque ele defendia os interesses do clube. Entendem seus correligionários que falar que os juízes “conseguiram 15 minutos de fama” era uma forma de defender Edmundo, então jogador do clube, que tinha sido condenado à prisão semiaberta.

Entender porque tal frase ofendeu o grupo de magistrados é fácil. Já compreender como acusar três juízes de querer aparecer poderia servir de defesa ao jogador, não fica muito claro.

Não que isso faça diferença, óbvio. Eurico teve durante décadas a maioria no Conselho. Então, seja como VP de futebol, seja como Presidente, ele sempre pode fazer o que quis “em nome do Vasco” , de ofender o poder judiciário a aprovar contas cheias de furos. E com essa maioria, sempre pode alegar que fez tudo de acordo com o Estatuto.

Para qualquer pessoa que use o senso comum, o simples fato de uma pessoa estar devendo tamanha quantia ao clube já seria o bastante para impedi-la de concorrer ao cargo de presidente. Há um conflito de interesses claro na situação, que infelizmente para o eleitorado vascaíno não fez diferença.

E amanhã o Conselho Deliberativo fará o que era óbvio para qualquer observador minimamente atento: o devedor do clube, ao assumir sua administração, anulará a dívida. E o prejuízo milionário ficará com os cofres do Vasco.

Se essa sangria aos cofres vascaínos fosse tudo, já seria muito ruim. Mas não é. A anulação da dívida que o Conselho Deliberativo deve aprovar amanhã ainda é o referendo para Eurico voltar a fazer o que quiser, desde que justifique que o fez pelos interesses do clube. É a carta branca para que o dirigente ofenda quem quiser, a seu bel prazer. E se ele for novamente processado quem pagará as contas será o Vasco.

***

Para os seguidores do Dotô, nada mudará. Eurico pode deixar de pagar o que a justiça determinou (mais de uma vez) que ele deve ao Vasco e ainda assim será um dirigente que “ama” o clube. Mesmo sendo uma dívida milionária, Eurico continuará sendo o dirigente que trouxe o “respeito” de volta ao clube.

E enquanto o dirigente que “ama” o Vasco acima de tudo se vê vitorioso na sua batalha de anos para não pagar os R$ 3 milhões que deve ao clube, a diretoria que ele comanda pede que a torcida se una e banque os custos da reforma do ginásio do clube. O que, provando o que é amor ao Vasco de verdade, foi conseguido em tempo recorde.

Eis a grande incoerência: quem leva a fama de ser o maior defensor do Vasco é quem lhe traz prejuízos milionários. E essa fama é alimentada justo por quem paga do próprio bolso para demonstrar um amor incondicional ao clube.