Bravatas – infelizmente – não cumpridas

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Esse é o rebaixamento do “respeito voltou”.

Esse é o rebaixamento do “não existe a palavra rebaixamento”.

Esse é o rebaixamento do “o maior reforço sou eu”.

Esse é o rebaixamento da “referência técnica”.

Esse é o rebaixamento do “agora o Vasco não será mais roubado

Esse é o rebaixamento dos 90%.

Esse é o rebaixamento do “não jogaremos no Maracanã”.

Esse é o rebaixamento do “recomendo que a torcida não vá ao clássico”.

Esse é o rebaixamento da contratação do Celso Roth.

Esse é o rebaixamento da manutenção do Celso Roth por tempo demais.

Esse é o rebaixamento da responsabilidade financeira.

Esse é o rebaixamento do artilheiro da Série C.

Esse é o rebaixamento do “da oposição eu não quero ajuda”.

Esse é o rebaixamento da “guerra sem quartel”.

Esse é o rebaixamento do bicho para evitar a queda.

Esse é o rebaixamento do ingresso pelo dobro do preço.

Esse é o rebaixamento da dependência do interesse de um rival.

Esse é o rebaixamento das 35 rodadas no Z4.

Quisera fosse também o rebaixamento do “vou para a Sibéria”. Mas se nenhuma das bravatas acima foi cumprida, por que o Dotô iria cumprir justo essa?

A Sibéria é logo ali…

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Não deve haver um vascaíno sequer que não se lembre das palavras proferidas pelo presidente vascaíno antes da 19ª rodada do Brasileirão:

Se eu achar que o Vasco vai ser rebaixado, vou procurar o ponto mais distante da Sibéria e vou para lá.

Atentem: estou escrevendo essa coluna após a vitória do Vasco sobre o Santos, uma semana antes da última rodada do Brasileirão 2015. Portanto, não sei ainda qual será o destino do Gigante, se conseguiremos nos manter na elite ou não. Seja como for, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: o Sr. Eurico Miranda já pode providenciar sua mudança para a Sibéria.

O Dotô já pode providenciar as passagens para o extremo norte da Rússia por preferir bravatear que o time do Estadual não teria problemas no Brasileiro a fazer um planejamento decente;

Por permitir que o Doriva chegasse a uma situação insustentável no cargo de treinador sem reforçar o time. E ainda trocá-lo pelo Celso Roth.

Por manter o mesmo Roth por tempo demais como técnico, quando era evidente que seu trabalho não traria qualquer resultado.

Por permitir que o Vasco fizesse um primeiro turno vexatório, enxovalhando a história de um tetracampeão na competição.

Por seguir com a falácia de “responsabilidade financeira” e seu “teto salarial” imbecil por tempo demais, esperando ser quase tarde demais para qualificar o elenco. Agora, nem temos mais a tal “responsabilidade” (deve estar junto com o “respeito”) e ainda adiamos uma reação que, se tivesse começado antes, já teria nos livrado da situação em que estamos.

E, falando em respeito, o Dotô também pode despachar seus pertences para a mais erma localidade siberiana por ter deixado claro que, a tal moral que ele teria nos bastidores do futebol brasileiro é coisa de um passado distante. Sua ameaça de “guerra sem quartel” caso o Vasco fosse prejudicado não adiantou nada: na partida seguinte fomos novamente garfados e nada aconteceu.

E outra: o presidente vascaíno já deve ir estudando o idioma russo por nos obrigar a ver o Vasco ser prejudicado em uma competição em detrimento de equipes da inexpressiva -futebolisticamente falando – Santa Catarina.

E não podemos esquecer, claro, o fato do Vasco estar há centenas de rodadas no Z4, por ter passado dezenas na lanterna e, talvez o mais cruel de tudo, precisar depender da disposição tricolete para nos mantermos na Série A em 2016.

Diante de tudo isso, caso o Sr. Eurico Miranda seja um homem de palavra (risos), ele precisa já na próxima segunda conferir o passaporte, verificar a necessidade de visto para entrar na Rússia e garantir um assento no primeiro voo para a Sibéria. Porque o Vasco pode até não cair para a Série B ao final do Brasileiro, mas que nesse campeonato o Gigante já foi rebaixado, não há como discutir.

Ainda dá. Mas até quando?

tabelaUma discussão surgiu no Twitter do Blog da Fuzarca após mais um empate vascaíno: terminado o jogo entre Vasco e Grêmio, comentei que o placar em branco tira um pouco das nossas esperanças na permanência na Série A e alguns seguidores logo responderam que “ainda dá”, argumentando que nosso time mostra uma evolução maior que a dos outros na briga contra o rebaixamento.

O “ainda dá” eu concordo plenamente. Mesmo que eu não quisesse concordar, como torcedor, não conseguiria deixar de acreditar enquanto houver chances matemáticas. Já a parte da evolução do Vasco, vários senões surgem imediatamente em minha cabeça.

Primeiro, a evolução do próprio time. Isso é algo notório e indiscutível, seja pelas atuações ou pelos números. Com a chegada do Jorginho, a equipe ganhou uma cara, teve uma definição de quem é titular e os resultados apareceram: são 17 pontos em 13 rodadas contra 13 pontos em 19 jogos antes da chegada do atual treinador.

Mas não podemos esquecer que fazer um trabalho melhor que o Celso Roth não é uma das tarefas mais complicadas. E os próprios números deixam claro que se a evolução é evidente, muito disso passa pelo fato de que o trabalho feito no primeiro turno foi tão terrível que seria praticamente impossível o time não melhorar com sua saída.

E aí podemos falar sobre o desempenho vascaíno em comparação aos outros concorrentes que lutam para sair do Z4. O Vasco pode até estar apresentando um futebol mais competitivo que todos os outros – uma impressão reforçada pela série de nove jogos de invencibilidade – mas isso significa que estamos melhor que eles? Talvez entre as partidas contra a Ponte e a mulambada, quando diminuímos consideravelmente a distância para a 16ª colocação, mas depois disso, e principalmente depois do quarto empate seguido (e o segundo jogando em casa), fica complicado afirmar isso categoricamente.

Mais uma vez podemos usar os números para ilustrar o fato: nas últimas cinco partidas, dois times que brigam conosco fizeram os mesmos sete pontos que o Vasco (Joinville e Figueirense); a Chapecoense fez oito, superando nosso desempenho no período. E assim, mesmo com a clara melhora do time na competição, continuamos no último lugar da tabela.

Argumentarão, e com razão, que a posição atual não faz diferença e que o importa é a distância para o 16º colocado, que antes era de 13 pontos e agora é de apenas quatro. Mas eis o problema: se continuarmos na mesma pegada dos últimos cinco jogos, poderemos passar o Coxa e o Goiás e também o Avaí, mas o Joinville e Figueira continuarão na nossa frente. E com isso, terminaremos o campeonato no Z4.

Tudo isso significa que a evolução do Vasco não está sendo o bastante para garantir que escaparemos do descenso. Fazer boas partidas não basta, precisamos voltar a vencer para não dependermos da queda de desempenho dos outros times. Estamos baseando nosso “ainda dá” nos erros dos outros, e não nos nossos méritos. Por enquanto, a sorte tem nos ajudado. Mas não podemos contar que os outros perderão todas e seguir empatando todas as partidas, jogando fora as várias oportunidades que temos tido de sair da zona da degola.

***

Ah, mas você está ignorando completamente os jogos em que fomos garfados”. Estou mesmo, já que os pontos perdidos, seja por erros de arbitragem, seja por nossa falta de competência, não vão entrar na nossa conta. E esse é mais um motivo que evidencia a razão da nossa evolução não estar sendo satisfatória. Melhorar com relação ao primeiro turno era uma obrigação, mas para escapar do rebaixamento, precisamos melhorar a ponto de superarmos adversários, limitações do elenco e inclusive a cegueira dos juízes. Se não fizermos isso, só nos restará ficar reclamando da comissão de arbitragem e acompanhar, pela terceira vez, a Série B em 2016.

Mas não se pode deixar de citar a tremenda covardia que fizeram com o Vasco nas últimas rodadas. Não fará a menor diferença no final da competição, mas o fato é que frearam à força a reação do time, que mesmo com suas limitações, poderia agora não apenas estar fora do Z4, mas até ter aberto alguma vantagem, caso a arbitragem não vacilasse (poderíamos ter vencido os jogos contra Cruzeiro, Avaí, Chapecoense e São Paulo): estaríamos hoje na 15ª colocação, cinco pontos distante do primeiro time no Z4.

E esse é só mais um motivo que evidencia que o time precisa melhorar mais. Como não podemos contar com arbitragens decentes, precisamos ser mais efetivos com a bola rolando. Caso contrário, o “ainda dá” perderá sua validade em algumas rodadas.

Encontraram o bode

ScapegoatAs suspeitas de favorecimento aos times de Santa Catarina afetam diretamente ao Vasco, tenham elas fundamento ou não. Se tiverem, o prejuízo ao Gigante é óbvio: por estar disputando a permanência na elite com os times catarinenses, estamos sujeitos a sofrer com os “erros” da arbitragem. Nesse caso, já perdemos seis pontos contra Cruzeiro, Avaí e Chapecoense. Ou oito, se considerarmos que na partida de ontem contra o São Paulo, também deixaram de marcar um pênalti claríssimo a nosso favor.

Agora, mesmo que a desconfiança com relação a influência do dublê de Presidente da Federação Catarinense e Vice da CBF sobre as arbitragens não se justifique, o Vasco também é prejudicado, e o que é pior, nessa situação prejuízo já está feito: o presidente Eurico Miranda não perdeu tempo e já encontrou alguém a quem culpar caso o terceiro rebaixamento aconteça.

Ao declarar uma “guerra sem quartel” contra a CBF e dizer que Marco Polo Del Nero terá que – segundo palavras do próprio – “assumir a responsabilidade total” a qualquer dano que aconteça ao clube caso o presidente da Confederação não intervenha na comissão de arbitragem, o Dotô simplesmente pretende se eximir de qualquer culpa num provável descenso vascaíno.

Eu tinha falado isso no Blog da Fuzarca e meu temor não demorou mais que alguns minutos para se concretizar. Logo após ter publicado o post no blog, defensores da diretoria já aparecerem corroborando essa posição. Para eles, se o Vasco cair, a culpa será exclusiva da CBF.

Isso, é claro, um absurdo completo. Não vejo como qualificar esse tipo de pensamento de outra forma. E a partida de ontem é uma prova cabal disso. O Vasco de hoje, muito melhor que o Vasco do primeiro turno, com jogadores mais qualificados e um técnico propriamente dito (ou seja, sem o Celso Roth) ainda é um time cheio de limitações. Teve a partida nas mãos e saiu do Morumbi com um empate por não conseguir ampliar sua vantagem quando teve chance e nem segurar o resultado quando necessário. E isso não é culpa nem da CBF, nem da Federação Catarinense e nem das arbitragens. Seria muito mais efetivo para o sucesso do Vasco se o Eurico declarasse uma guerra sem quartel contra ataques inoperantes, zagas desatentas e técnicos que errassem nas substituições.

Será muito triste ver um terceiro rebaixamento do Vasco. Mas será ainda mais triste ver VASCAÍNOS defendendo uma diretoria incompetente caso isso aconteça. Ver a quantidade de torcedores que caem no papinho do Dotô e que aceitam qualquer bode expiatório que ele arrume pra fugir das suas responsabilidades é algo muito preocupante. É um sinal de que o Eurico manterá seu séquito de seguidores ainda que ele não cumpra NENHUMA das suas bravatas.

Mesmo sem qualquer força política no cenário nacional (o que ficaria comprovadíssimo ao vermos o Vasco ser prejudicado para a manutenção de times catarinenses na elite), mesmo sem a volta do respeito e mesmo sem o mais importante, que seria evitar um rebaixamento, o Dotô continuará sendo incensado como grande dirigente por muita gente. Isso é algo tão ruim quanto uma nova queda.

Isso seria uma prova do caráter religioso que os seguidores do Eurico atribuem à sua imagem. Sua diretoria pode cometer todos os erros possíveis e imagináveis (como contratar 30 jogadores, confiar que o elenco do Carioca seria bom o bastante para o Brasileiro, chamar e manter o Roth por séculos como técnico, montar às carreiras um time quando já estávamos no Z4) e ainda assim será considerada perfeita. E o que acontecer de ruim ao clube, exatamente como nos anos entre 2001 e 2008, será sempre responsabilidade dos outros.

Ao invés de ameaçar uma “guerra sem quartel”, sabe-se lá com que armas, contra a CBF, seria muito melhor que o Dotô e sua diretoria fizesse seu trabalho com competência. Se o fizesse, não precisaríamos nos preocupar com favorecimentos aos times que lutam contra o rebaixamento, e sim, com títulos. O Vasco pode até estar sendo prejudicado – e ao meu ver parece mesmo estar – nos campos, mas fora dele já está sendo prejudicado há muito mais tempo.

***

Antes de terminar, um breve comentário sobre um outro lado dessa mesma questão:

Toda vez que se fala em possíveis esquemas que possam estar acontecendo no futebol brasileiro, os colunistas e comentaristas da imprensa esportiva sempre argumentam que preferem não acreditar que eles existam e que há cartas marcadas nas competições, o melhor é deixar de torcer pelo esporte. Mas quando é o Eurico que reclama de algum esquema, todos adotam o discurso “olha quem está falando!”.

Será que os gênios da imprensa esportiva podem se decidir? Há esquemas ou não? Ou será que os esquemas só existem se o Dotô estiver envolvido? Um pouquinho de coerência faz bem, né?

A lição do freguês

imageNa coluna de hoje vou deixar de falar sobre os bastidores do clube e falar um pouco mais sobre a vitória do Vasco sobre o Fluzim ontem. Dar mais uma carimbada no caderninho dos nossos clientes preferenciais é sempre bom, mas como não poderia deixar de ser, há o que se questionar.

E o que eu questiono é simples: por que diabos o time não joga sempre como jogou ontem? Não que a atuação de ontem tenha sido perfeita ou que estaríamos nas cabeças se jogássemos sempre assim, mas certamente não estaríamos penando no Z4 por tanto tempo.

Como falei no Blog da Fuzarca, as coisas deram muito certo ontem, mas ficou evidente que jogando com mais atenção, as dificuldades diminuem. Algumas deficiências continuam e quem não tem capacidade não virou craque da noite pro dia. Mas a maior aplicação de todos compensaram os erros que surgiram.

Até o Roth fugiu da rotina. O treinador fez todas as alterações que podia e nenhuma delas foi claramente para fechar mais a equipe: trocou a dupla de atacantes por outros dois atacantes e na substituição mais conservadora, tirou Jhon Cley e colocou o primo do Messi, que ajuda a marcar, mas não é um volantão tradicional. Se Roth fosse o Roth que conhecemos, ele poderia muito bem ter colocado o Jomar no time, ainda mais estando com vantagem no placar.

Os três pontos não foram o bastante para nos tirar da zona de rebaixamento, mas conseguirmos fazer com que a atuação de ontem seja o padrão do time, isso será uma questão de tempo. Não há justificativas para jogarmos dessa forma apenas contra o Fluzim. Jogadores mais aplicados e atentos e um treinador que não seja sempre tão cauteloso deveria ser a norma, não a exceção.

Dizem que as derrotas devem ser utilizadas como lições para que não repitamos nossos erros. Mas como aparentemente não aprendemos muito nas vezes em que fomos derrotados, podemos tentar aprender algo com a vitória de ontem.