Encontraram o bode

ScapegoatAs suspeitas de favorecimento aos times de Santa Catarina afetam diretamente ao Vasco, tenham elas fundamento ou não. Se tiverem, o prejuízo ao Gigante é óbvio: por estar disputando a permanência na elite com os times catarinenses, estamos sujeitos a sofrer com os “erros” da arbitragem. Nesse caso, já perdemos seis pontos contra Cruzeiro, Avaí e Chapecoense. Ou oito, se considerarmos que na partida de ontem contra o São Paulo, também deixaram de marcar um pênalti claríssimo a nosso favor.

Agora, mesmo que a desconfiança com relação a influência do dublê de Presidente da Federação Catarinense e Vice da CBF sobre as arbitragens não se justifique, o Vasco também é prejudicado, e o que é pior, nessa situação prejuízo já está feito: o presidente Eurico Miranda não perdeu tempo e já encontrou alguém a quem culpar caso o terceiro rebaixamento aconteça.

Ao declarar uma “guerra sem quartel” contra a CBF e dizer que Marco Polo Del Nero terá que – segundo palavras do próprio – “assumir a responsabilidade total” a qualquer dano que aconteça ao clube caso o presidente da Confederação não intervenha na comissão de arbitragem, o Dotô simplesmente pretende se eximir de qualquer culpa num provável descenso vascaíno.

Eu tinha falado isso no Blog da Fuzarca e meu temor não demorou mais que alguns minutos para se concretizar. Logo após ter publicado o post no blog, defensores da diretoria já aparecerem corroborando essa posição. Para eles, se o Vasco cair, a culpa será exclusiva da CBF.

Isso, é claro, um absurdo completo. Não vejo como qualificar esse tipo de pensamento de outra forma. E a partida de ontem é uma prova cabal disso. O Vasco de hoje, muito melhor que o Vasco do primeiro turno, com jogadores mais qualificados e um técnico propriamente dito (ou seja, sem o Celso Roth) ainda é um time cheio de limitações. Teve a partida nas mãos e saiu do Morumbi com um empate por não conseguir ampliar sua vantagem quando teve chance e nem segurar o resultado quando necessário. E isso não é culpa nem da CBF, nem da Federação Catarinense e nem das arbitragens. Seria muito mais efetivo para o sucesso do Vasco se o Eurico declarasse uma guerra sem quartel contra ataques inoperantes, zagas desatentas e técnicos que errassem nas substituições.

Será muito triste ver um terceiro rebaixamento do Vasco. Mas será ainda mais triste ver VASCAÍNOS defendendo uma diretoria incompetente caso isso aconteça. Ver a quantidade de torcedores que caem no papinho do Dotô e que aceitam qualquer bode expiatório que ele arrume pra fugir das suas responsabilidades é algo muito preocupante. É um sinal de que o Eurico manterá seu séquito de seguidores ainda que ele não cumpra NENHUMA das suas bravatas.

Mesmo sem qualquer força política no cenário nacional (o que ficaria comprovadíssimo ao vermos o Vasco ser prejudicado para a manutenção de times catarinenses na elite), mesmo sem a volta do respeito e mesmo sem o mais importante, que seria evitar um rebaixamento, o Dotô continuará sendo incensado como grande dirigente por muita gente. Isso é algo tão ruim quanto uma nova queda.

Isso seria uma prova do caráter religioso que os seguidores do Eurico atribuem à sua imagem. Sua diretoria pode cometer todos os erros possíveis e imagináveis (como contratar 30 jogadores, confiar que o elenco do Carioca seria bom o bastante para o Brasileiro, chamar e manter o Roth por séculos como técnico, montar às carreiras um time quando já estávamos no Z4) e ainda assim será considerada perfeita. E o que acontecer de ruim ao clube, exatamente como nos anos entre 2001 e 2008, será sempre responsabilidade dos outros.

Ao invés de ameaçar uma “guerra sem quartel”, sabe-se lá com que armas, contra a CBF, seria muito melhor que o Dotô e sua diretoria fizesse seu trabalho com competência. Se o fizesse, não precisaríamos nos preocupar com favorecimentos aos times que lutam contra o rebaixamento, e sim, com títulos. O Vasco pode até estar sendo prejudicado – e ao meu ver parece mesmo estar – nos campos, mas fora dele já está sendo prejudicado há muito mais tempo.

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Antes de terminar, um breve comentário sobre um outro lado dessa mesma questão:

Toda vez que se fala em possíveis esquemas que possam estar acontecendo no futebol brasileiro, os colunistas e comentaristas da imprensa esportiva sempre argumentam que preferem não acreditar que eles existam e que há cartas marcadas nas competições, o melhor é deixar de torcer pelo esporte. Mas quando é o Eurico que reclama de algum esquema, todos adotam o discurso “olha quem está falando!”.

Será que os gênios da imprensa esportiva podem se decidir? Há esquemas ou não? Ou será que os esquemas só existem se o Dotô estiver envolvido? Um pouquinho de coerência faz bem, né?

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Conspirações e paranóias

paranoiaNo jogo do Vasco contra o Sport, escalaram um juiz da Federação catarinense para apitar a partida. Falei no Blog da Fuzarca que, com os quatro times de Santa Catarina lutando contra o rebaixamento como nós, a CBF poderia muito bem escolher um árbitro de outro estado.

Federação Catarinense essa que votou no Marco Polo Del Nero para a presidência da CBF. Não ficaria bem para o presidente eleito em 2014 ver uma federação que o apoia ter todos os clubes do seu estado que estão na elite caírem para Série B no mesmo ano, né?

E um dos times catarinenses que corre3 o risco de rebaixamento é o Figueirense. Os 20 clubes da Série A também participam da eleição para a presidência da CBF. 19 votaram em Del Nero. O Figueira foi o único que se absteve de votar.

Então o Figueirense não apoia Del Nero? Pelo contrário.

Em 2014, o time corria o risco que não jogar a Série A por conta de uma ação do Icasa, que tomaria a vaga do time catarinense. Se o Icasa ganhasse a disputa, o voto do Figueirense poderia anular a eleição. Ou seja: não votar em Del Nero foi um favor ao presidente da CBF feito pelo Figueira.

O Avaí, também de Santa Catarina, teve a seu favor uma penca de “erros” de arbitragem que lhe garantiram pontos preciosos jogando na Ressacada. Contra o Goiás, André Lima fez um gol dando uma bicuda no goleiro Renan. E o gol foi validado. Ontem, vimos a verdadeira lambança feita pelo juiz na partida contra o Vasco.

Repetindo: o Vasco, como todos nós sabemos, luta com todas as suas forças para evitar o rebaixamento. E, como igualmente todos sabem, os quatro times da Santa Catarina também estão na mesma luta para permanecer na Série A.

Update: e, vejam só, acabei esquecendo um pequeno detalhe …o vice-presidente da CBF é o Sr. Delfim Pádua Peixoto Filho. Por acaso – e apenas por acaso – o atual presidente da Federação Catarinense de Futebol. Mas, é claro, isso é apenas mais uma coincidência irrelevante.

A luta do Vasco se justifica não apenas porque seria mais uma vergonha na história do clube. Mas também porque o clube perderá muita grana caindo da Séria A para a Série B. Só quem se dá bem quando um time grande cai para a segundona são as empresas que lucram com a competição. Como por exemplo, a Sports Promotion (que cuida dos direitos de marketing da Série B) e o Grupo Águia (que agencia as viagens das equipes na competição). Coincidentemente, tanto o Sr. José Francisco Coelho Leal, dono da Sports Promotion, como o Sr. Wagner Abrahão (proprietário do Grupo Águia), são muito próximos do Del Nero.

Diante disso tudo, podemos deduzir que uma possível queda do Vasco atenderia aos interesses de quem não quer ver a federação catarinense ter seus quatro clubes rebaixados de uma só vez e também de quem ganharia muito dinheiro com um clube de massa na Série B. E quem estaria nas duas pontas dessa história? Vocês também podem deduzir.

De qualquer forma, tudo isso acima é só especulação, mais uma entre tantas teorias conspiratórias que só podem ter crédito para torcedores que, sofrendo com seu clube do coração, tendem a acreditar em ideias paranoicas. Ainda assim, seja tudo isso um monte de coincidências que não querem dizer nada, eu daria um conselho ao time do Vasco: quando entrarem em campo, joguem sempre para superar não apenas os 11 jogadores adversários, mas também os erros de arbitragem que possam vir a nos prejudicar.

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Mas é decepcionante ver o Vasco ser volta e meia garfado justo quando temos uma diretoria que, segundo seus seguidores, “MANDA” ou pelo menos tem “MUITA INFLUÊNCIA” na CBF.

Foi só o Vasco iniciar sua reação no campeonato para sermos operados no Mineirão e na Ressacada e termos jogadores tomando ganchos pesados quando jogadores de outras equipes, mesmo reincidentes e com infrações mais graves, escapam com penas leves.

Cadê o respeito que tantos pregaram antes das eleições?

Com justiça sim!

justiçaNa resenha que publiquei hoje no Blog da Fuzarca, falando da vitória do Vasco sobre o Bonsucesso, achei importante citar o que recomenda a FIFA aos árbitros as respeito das marcações de penalidades. Isso porque o fato de só termos conseguido o magérrimo 1 a 0 sobre uma das equipes mais fracas do campeonato com um pênalti acidental já nos acréscimos evidentemente iniciaria o falatório sobre “favorecimentos” ou mais explicitamente em “roubo” para o Vasco.

Podem chamar o lance do que quiserem. “Lance polêmico”, “apito amigo” ou mesmo “coisa do dotô”, o fato é que a entidade máxima do esporte recomenda e corrobora a decisão tomada pelo juiz da partida, Daniel de Sousa Macedo. Portanto, não tem nem essa de polêmica. Gostem ou não, a regra é clara.

É importante explicitar isso porque a imprensa, ontem mesmo, já começou a falar em “vitória com pênalti inexistente”, o que já é um absurdo pelo simples fato da bola ter efetivamente batido no braço do volante Fernando, que estava com o braço esticado dentro da área. O máximo que uma imprensa mais competente poderia discutir seria a interpretação de intencionalidade no lance feita pelo juiz. E, se a competência dos jornalistas permitisse que eles procurassem ver o que a FIFA e a CBF dizem sobre a marcação do juiz, diriam que ele acertou.

E esse recado é para que os torcedores vascaínos que também acham que o Vasco foi favorecido reflitam antes de saírem falando por aí, mesmo de brincadeira, que “o respeito voltou” porque teríamos sido favorecidos. Já bastam os torcedores rivais e a imprensa esportiva de um modo geral afirmando como se fosse uma verdade absoluta que só conseguimos vencer dessa forma. Não podemos nós, vascaínos, passar adiante essa besteira como um fato. Isso é fazer o jogo daqueles que acham que nós sempre roubamos e os outros sempre têm “lances polêmicos” a seu favor. Lance polêmico é uma bola não cruzar a linha completamente e o gol ser validado. O que aconteceu ontem no Vasco x Bonsucesso foi uma penalidade acertadamente assinalada. E ponto final.

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Mas há quem trate o assunto de forma ainda mais equivocada: são os vascaínos que, não apenas acham que o pênalti foi arrumado, mas os que sinceramente acham que há o dedo do Eurico nisso e, pior ainda, acham que tem mais é que ser assim mesmo. São os que confundem o uso de influência nos bastidores para obter favorecimentos com uma suposta “volta do respeito”.

Esse é um tipo de pensamento tão tacanho que chega a assustar. Primeiro, porque é creditar ao presidente do Vasco poderes que ele certamente não tem. E depois, é relegar um dos clubes mais vencedores da história do país ao papel de dependente de garfadas para obter conquistas. Tá certo que as euriquetes, até pelo fato de o considerarem um grande presidente, já mostram um nível de exigência bem baixo. Mas ficar satisfeito com um clube que precisa arrumar um pênalti para vencer o Bonsucesso não é nem se contentar com pouco. É se contentar com nada.

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Pra terminar, outra coisa que não me desce pela garganta é a história de que “não merecemos a vitória”? Como assim? Se nos 90 minutos tivemos 76% de posse de bola, o escore de finalizações foi 19 x 3 para nosso lado e se o goleiro do Bonsucesso foi disparado o melhor jogador deles (e talvez do jogo) fazendo pelo menos três grandes defesas, como dizer que não merecíamos a vitória? Mesmo com tal superioridade de um dos times, o mais justo na partida seria um empate?

Convenhamos, né? Uma coisa é ter a certeza que o Vasco jogou mal, o que é um fato inegável. Outra completamente diferente é achar que o Bonsucesso fez o bastante para merecer um ponto e que o mais justo seria o 0 a 0.

E o mesmo vale para a nossa liderança: o Vasco deve ter feito apenas uma partida razoável em todo o campeonato. Mas numa competição de pontos corridos, exatamente como essa primeira fase do Carioca, não dá pra dizer que seu líder não merece estar onde está. Se nossos adversários têm elencos melhores ou têm mostrado mais qualidades em suas partidas, o Vasco acabou tendo mais regularidade, mesmo não jogando bem. E, se mesmo não jogando bem temos a melhor defesa e somos os únicos invictos na competição, merecemos o primeiro lugar por perder menos pontos que nossos adversários.

E – como já disse em outra coluna aqui no Vasco Expresso – por mais que seja complicado aceitar, há mérito em ser menos pior os outros.

O (prazo de validade do) futebol nacional está vencendo

laranjaEm um primeiro olhar sobre a coluna que escrevo hoje, alguns leitores podem, precipitadamente, pensar que falo sobre um assunto que não tem relação com o tema do site. Porém, é impossível ignorarmos o quanto essa questão afeta diretamente não apenas o Vasco, mas todo o futebol nacional. Estou falando dos erros de arbitragens. Continuar lendo