Saudades dos 7 mil…

vazioSão Januário recebeu um público de 7.424 torcedores, com 6.628 pagantes, na estreia do Vasco pelo Campeonato Brasileiro. Houve quem achasse um público ruim. Mas será que foi mesmo?

O time foi campeão estadual há uma semana! Era jogo pra 10 mil, no barato!

Talvez fosse. Mas não dá pra ignorar alguns fatores que certamente reduziriam a procura pela partida. O horário não era dos melhores, o almoço de dia das mães deve ter tirado de combate uma penca de torcedores…E, impossível ignorar, o preço dos ingressos também não ajudou nada.

Já tinha falado sobre isso no Blog da Fuzarca: a mudança radical do discurso que tinha no Carioca (quando Eurico sugeriu o preço de R$15,00 a arquibancada em São Januário) é uma bruta incoerência, mas isso nem é o mais grave. O problema é desperdiçar a oportunidade de contar com o apoio da torcida nesse início de Brasileiro. E, pelo que vimos no empate com o Goiás, essa seria uma ajuda que o time não pode desprezar.

Analisem a situação: a diretoria colocou os ingressos para arquibancada a R$ 60,00 na primeira rodada do Brasileiro. Se você não é menor de 21 anos, não tem mais de 65 ou não é sócio geral/patrimonial, a única opção a esse preço são os R$ 120,00 cobrados pelas cadeiras sociais. Ou seja, não há alternativas: ou se gasta 60 pilas ou se contenta com a transmissão pela TV.

A empolgação com o título estadual e o começo do Brasileiro, quando ainda não temos reforços que podem melhorar o time, era o momento ideal para que a diretoria lançasse preços promocionais para os jogos. Era agora que precisaríamos mais do grito da torcida empurrando o time na Colina. Mas com ingressos a R$ 60,00 e com poucas alternativas para pagar a meia-entrada, sejamos sinceros: quantas pessoas que foram ao jogo domingo vão continuar pagando essa grana para ver o futebol que o time apresentou?

Se a diretoria mantiver o preço da arquibancada nesse valor, precisará fazer algo que facilite a vida do torcedor que quer ir ao estádio mas não pode gastar mais de 10% de um salário mínimo para ver dois jogos por mês na Colina. Se o novo programa de sócio-torcedor só será lançado daqui a longínquos cinco meses, que se promovam as outras categorias de associação.

Alguma coisa precisa ser feita para atrair mais torcedores para São Januário. Caso contrário, vamos ter saudades do tempo em que pouco menos de 7 mil torcedores se esforçavam para ir aos jogos.

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Querendo aparecer

Como falei no Blog da Fuzarca hoje, o Vasco é campeão estadual com toda justiça. Doriva e seus comandados fizeram por merecer a conquista com seu trabalho e empenho dentro e fora de campo.

Mas é preciso que se diga: o mérito, é DELES. Da comissão técnica, por transformar um grupo que tem evidentes limitações em uma equipe competitiva e dos jogadores, que em sua maioria, superaram essas limitações com muita determinação.

Acontece que, principalmente desde que eliminamos a mulambada da competição, o presidente do clube procura desesperadamente um protagonismo na conquista que não parece ser corroborado pelos fatos. E não poderíamos esperar nada diferente de quem sempre agiu dessa forma. Se Eurico pretensiosamente se considera a personificação do Clube, por que não se consideraria mais importante que o próprio time ao ganhar um título?

Pelo que vi ontem na Arena, muitos torcedores – em quantidade bem superior do que eu imaginava – compram essa ideia. As placas e faixas exaltando o bordão “o respeito voltou” revelam algo que eu temia e venho falando aqui no Vasco Expresso já há algum tempo: boa parte da torcida tira o mérito da campanha vascaína de quem merece para credenciar quem não tem esse direito.

Mas eu falei em fatos e vamos a eles:

Na prática, qual é a participação da diretoria na conquista? A contratação do Doriva e manter os salários em dias é um ponto positivo e que deve ser levado em consideração. Além disso, foi a diretoria que contratou e montou a equipe campeã. O problema é que, tirando a empolgação pelo campeonato, o que a diretoria fez foi contratar um monte de jogadores de qualidade duvidosa e que obrigaram o Doriva a tirar leite de pedra para torná-los uma equipe realmente postulante ao título. Nesse quesito, o mais importante na minha opinião, a diretoria e seu presidente fizeram um trabalho muito chinfrim. Na dezena de contratações feitas, apenas quatro renderam: Madson, Julio dos Santos, Dagoberto e Gilberto. Se formos julgar pelo resto dos “reforços”, deveríamos mais reclamar das dificuldades que passamos ao longo do Carioca que elogiar a equipe montada pela atual gestão (que, na verdade, tem sua base herdada da gestão anterior).

Aos que consideram que a “volta do respeito” é a influência do presidente na Federação, só um recado: isso é corroborar as teorias conspiratórias da imprensa, que acusam o Vasco de ter sido favorecido no campeonato. O que é outra injustiça com o time, que foi mais garfado que ajudado pelas arbitragens, inclusive nos jogos decisivos. O respeito voltou por causa de pênaltis marcados contra o Friburguense, mas não apareceu na hora de expulsarem o Jonas ou o Cirino na semifinal contra a Mulambada. Ou mesmo ontem, quando o último defensor do Botafogo segurou acintosamente o Dagoberto e levou apenas o amarelo. O respeito que o Vasco precisa não é o de ter a seu favor penalidades duvidosas contra pequenos. É de ter equipes que possam vencer qualquer adversário, seja pequeno ou grande, sem depender da ajuda da arbitragem.

A torcida tem todo o direito de fazer a festa por um título que esperamos longos 12 anos para comemorar e que conquistamos com toda a justiça dentro de campo. Mas seria muito mais correto se agradecêssemos a quem fez o título acontecer e não a quem só entra em campo para ganhar a fama com o trabalho dos outros.

***

Mas o trabalho da diretoria não merece apenas críticas. O título acabou confirmando a avaliação que eu tinha sobre essa segunda gestão Eurico: se não é a ideal, está sendo muito melhor do que se esperava. Podemos até afirmar com segurança que a segunda presidência do Dotô precisou de meros cinco meses para fazer mais do que fez em toda a sua primeira gestão.

Senão vejamos: entre dezembro de 2014 e maio de 2015, o Vasco conquistou um Carioca e fechou patrocínios de mais de R$ 20 milhões. Ou seja, a mesma quantidade de títulos e muito, mas MUITO mais em investimentos (0 que pode até aumentar caso a novela Caixa tenha um final feliz) que entre 2001 e 2008.

É motivo para se comemorar, mas também joga mais responsabilidade sobre os ombros da diretoria. O Brasileirão está ai e ninguém – ou quase ninguém, já que há quem se contente em apenas se manter na primeira divisão – que ver Vasco apenas brigando para não cair. Até agora, Eurico e seus comandados tem tido resultados melhores que na sua primeira gestão. É preciso manter o que há de bom no trabalho feito até agora para não vivermos de felicidades raras, como foi na sua primeira chance no comando do clube.

Apito amigo de quem?

apitoO primeiro jogo da decisão do Estadual teve uma arbitragem tranquila por parte do aborígene Luís Antônio Silva dos Santos. A ausência de lances polêmicos na vitória do Vasco sobre o Canil deve inibir as já naturais reclamações da imprensa esportiva carioca que, nesse corrente ano de 2015, fez das segundas-feiras o dia nacional de combate à imoralidade no futebol carioca. Poderíamos chamar também de dia da demonização do presidente do Vasco – se os jornalistas tivessem mais coragem – ou dia de justificar o mimimi (se os mesmos fossem mais sinceros).

Mas porque voltar a esse assunto agora, quando mulambos e tricoletes assimilaram o golpe e diminuíram o chororô? Porque as teorias conspiratórias podem ter diminuído, mas não acabaram. E as acusações de favorecimento tiram o mérito de quem merece, servem como desculpa para os incompetentes e dão poderes irreais para quem não os tem.

Depois do primeiro jogo da final, é revoltante ver que urubulinos, florêncios e a imprensa em geral ainda creditam a chegada de Vasco e Botafogo à decisão unicamente ao conluio de suas presidências com a Federação. Não fui um espectador dos mais fieis do campeonato, mas não me lembro de ter visto um jogo melhor que o desse domingo em todo o Estadual. Nem de ter visto os lacrimosos eliminados terem atuações como as que tiveram os finalistas ontem. Deixar isso claro não é uma defesa aos dirigentes vascaínos, botafoguenses ou os da Federação. É valorizar os jogadores e comissões técnicas dos dois times, que trabalharam muito e com mais competência que seus adversários. Que, não tendo capacidade para estar na final, pagam mico – com total apoio dos jornalistas – reclamando da FFERJ e dos árbitros, nunca olhando para suas próprias caudas.

Por fim, me parece uma contradição absoluta imputar ao Eurico Miranda tanta influência no desenlace do campeonato. Tanto os que o consideram o vilão superpoderoso do futebol carioca, como os que o veneram como super herói da Colina dão a impressão de se deixar levar por uma imagem fantasiosa que, no fim das contas, foi construída pelo próprio e provavelmente com esse objetivo.

Senão vejamos: se o Eurico vilão é tão influente assim, porque diabos o Vasco perdeu sete dos oito Estaduais que disputou em sua primeira gestão? Alegar que o Rubinho assumiu a FFERJ apenas em 2006 não cola, já que antes dele estava no poder o famigerado Caixa D’Água, ainda mais próximo do Eurico que o atual presidente da federação. O mesmo argumento vale para os devotos do Dotô: o respeito voltou apenas em 2015? E onde ele estava entre 2003, ano da última conquista vascaíno no Rio, e 2008, último Estadual da primeira gestão Eurico?

(Parêntese: nem vale lembrar que nesse período, o Vasco, além de só ter chegado em uma final de Estadual, ficou na NONA posição em 2006, sua pior colocação na história da competição, e foi o pior dos grandes entre 2005 e 2008. Fecha parêntese).

Não é preciso muito para ver que as teorias conspiratórias não se sustentam pelos fatos. E o pior é que muitos engolem essas histórias facilmente, sem precisarem sequer de um gole de água pra empurrar o sapo guela abaixo. A constante repetição do favorecimento é interessante para quase todos: a imprensa, que encontra um inimigo comum em quem jogar a culpa por todas as mazelas do futebol do Rio, aos rivais, que terão sempre uma desculpa para a perebice dos seus times e até nosso presidente, que começa a fazer crer o lenga-lenga de “o respeito voltou” para além do seu séquito de fanzocas. Só quem não se dá bem com a fábula da conspiração são os jogadores, que mal ou bem, foram os que suaram para chegar onde estão.

PS.: No jogo de ontem, o Botafogo cometeu 24 faltas e recebeu quatro cartões amarelos; o Vasco, recebeu os mesmos quatro amarelos. Mas cometeu apenas nove faltas. Esse é o favorecimento que temos tido por parte da Federação.

Já diz o ditado…

lucasA luta pela moralidade no futebol carioca está na moda! É uma luta justíssima, pena que só entre em pauta quando alguns times se sintam prejudicados, como bem assinalou o Freud Irônico em sua última coluna aqui no Vasco Expresso. Ontem tivemos um belo exemplo com o discurso do Fred, um rapaz que costuma se tornar um boquirroto sempre que algo o desagrada.

Seu desabafo após a injusta expulsão no clássico entre Fluzim e a mulambada foi uma reação natural para alguém de cabeça quente. Mas sua declaração na saída da Arena, quando já deveria estar mais calmo, foi de uma infelicidade fora do normal. Reclamar dos erros de arbitragem de jogos dos quais ele fez parte é aceitável. Falar de um jogo alheio, do qual não fez parte ou sequer assistiu é apenas leviandade, como eu disse, coisa de gente boquirrota.

Frederico se achou no direito de colocar sob suspeita os pênaltis a favor do Vasco – dois deles claríssimos e um muito mais claro que o sofrido pelo próprio atacante tricolete na Copa do Mundo, contra a Croácia – no jogo contra o Friburguense, mas convenientemente não citou o gol irregular do Frizão, que marcou seu quarto gol em um lance com impedimento flagrante. O camisa 9 do laranjal achou por bem não citar que o jogo poderia terminar empatado caso esse gol não fosse validado.

(Parêntese: vale lembrar que com os resultados de ontem, a probabilidade de haver um novo Fla x Flu nas semifinais é enorme. E obviamente não agrada a ninguém da imprensa ou aos times envolvidos ver a final desejada por todos ser antecipada. Fecha parênteses)

É curioso ver o clamor pelo fim do carioca, com o apoio incondicional de toda a imprensa, após uma expulsão na primeira fase da competição e não ter visto nada semelhante no Estadual do ano passado, quando o Vasco – e é bom lembrar, sem qualquer apoio da FERJ à época, muito pelo contrário – foi descaradamente garfado não apenas na primeira fase, como também na final do campeonato. Mas agora, como quem sofreu com as arbitrariedades da Federação foram o técnico de um dos queridinhos da mídia e o atacante do outro, tudo o que acontece é um absurdo.

E para coroar a desfaçatez dos protestos nesse Estadual, ainda se acham no direito de citar o Vasco, numa clara insinuação de que os favorecidos somos nós. Mas é fácil bater no Vasco hoje, já que é consenso geral de que o eleito “maior vilão do futebol carioca” pela mídia é presidente do Clube. A proximidade do Eurico com o Rubinho é um prato cheio para a imprensa esportiva do Rio: já seriamos alvo de suspeitas mesmo que a amizade entre ambos não existisse. E ela existindo, têm-se a desculpa ideal para detonar o Vasco como bem entenderem. Mesmo que nós soframos tanto quanto todos com as arbitragens.

Mas é aquilo: é FATO que o futebol carioca precisa de mudanças urgentes e que elas nunca acontecerão enquanto a FERJ continuar com o nível de comando que tem há décadas. E quem se junta com o errado, está sujeito às mesmas críticas. Se há uma proximidade entre o Vasco e a Federação e nossa diretoria apóia e referenda todas as suas atitudes, somos parte do problema.

É como diz o ditado: “diga-me com quem andas…

Desfocados

gilDa primeira até a nona rodada do Estadual (entre as quais tivemos um clássico), o Vasco sofreu apenas dois gols. Nas quatro rodadas seguintes, com dois clássicos no meio, nossa defesa foi vazada cinco vezes. Para os que gostam de números, isso significa que 71,4% dos gols que sofremos aconteceu entre a 10ª e a 13ª rodadas. Isso também significa que o desempenho da nossa defesa despencou vertiginosamente na reta final da Taça Guanabara.

Esses gols foram responsáveis por outra queda, a da nossa posição na tabela: éramos líderes e agora estamos na quarta colocação. E se pudéssemos eliminar alguns desses gols da nossa conta, não apenas continuaríamos na liderança, como já seríamos virtuais campeões do turno.

A contusão do Luan – que não esteve em campo nas últimas três partidas – pode ser uma das razões para essa queda de desempenho, mas não a explica completamente. Até porque, alguns dos gols que sofremos não aconteceram por falhas na zaga, mas por pura e simples desatenção de alguns jogadores.

Os erros mais marcantes acabaram acontecendo nos clássicos. Os três gols sofridos contra a mulambada e o canil poderiam ser evitados se todos estivessem mais ligados. Mas a queda de rendimento da defesa vascaína não ficam evidenciados apenas quando sofremos gols. De um modo geral, temos oferecido mais espaços para nossos adversários, sejam nossos maiores rivais, sejam os clubes menores do Estadual.

Por isso é preocupante ver uma declaração como a feita pelo Rodrigo após o empate com o Foguim. Irritado com o resultado, o zagueiro não mediu as palavras e acusou o grupo de não estar treinando com a seriedade necessária e que, antes de começar “um pouco de brincadeira” não sofríamos os gols que agora sofremos.

Temos um elenco limitado e, sejamos realistas, sem dedicação e atenção total nos jogos, não temos como superar a falta de qualidade do time como um todo. Se a declaração do Rodrigo não foi apenas o desabafo de alguém com a cabeça quente e sim uma análise do que realmente está acontecendo, é hora do Doriva dar um puxão de orelha no grupo. Se o time se deixou levar pela empolgação quando liderávamos a competição, já passou da hora de baixarmos a bola e recuperarmos o foco. Os vacilos que estamos dando agora ainda podem ser compensados. Mas na hora dos jogos decisivos, qualquer desatenção será fatal.