Ponto pro Vasco

20120307185047_919Dia desses vi um cidadão pintando a parte alta de uma parede, em cima de uma escada. Coisa corriqueira, não fosse o fato dele ostentar a camisa do Vasco. Instintivamente, comecei a torcer por ele. Para que ele não se acidentasse. Para que a pintura ficasse perfeita. Para que a parede ficasse bonita. Porque é assim a minha relação com o Vasco. Se vejo qualquer coisa da Colina, já viro fã. Torço até pra papa que veste uma cruz igual à nossa.

Fã fiel e absoluto de futebol que sou, dedico-me a outros esportes basicamente quando há Vasco na parada. Afora o judô, do qual fui atleta e tenho paixão pessoal pela modalidade, dificilmente me vejo à frente da TV para assistir algo que não seja o esporte bretão. Mas se a caravela cruzmaltina aparece, a história muda, o interesse cresce e, em questão de segundos, lá estou aos berros de “Vaaaascooooooo”.

Foi assim no fim da década de 90, quando entrei no Maracanãzinho para aquele jogo mágico contra o Boca Juniors. As redes em questão eram as da cesta mas as vibrações eram tais e quais às dos gols. E pra ficar perfeito, teve virada. Teve choro. Teve emoção. Como a gente gosta. Como o Vasco sabe fazer.

Por isso recebi com muitos bons olhos a campanha “Herdeiros da Cruz de Malta” lançada essa semana, que até finalizar esse texto já havia batido 57% da meta pretendida em curtos quatro dias. Do ponto de vista de marketing e comunicação, minha área de atuação profissional, aproveita “ganchos” bem legais. Remete à construção de São Januário, que contou com a participação dos torcedores. Traz um ídolo do basquete que sobrou na época que vestiu nossa camisa e, de quebra, sambou na cara do nosso maior rival. Enfim, uma solução criativa para arrumar uma forma de reformar um importante espaço mas que não pode ser prioridade num momento em que o futebol atravessa essa crise técnico-financeiro-esperançosa.

Por óbvio, a velha discussão “Dinheiro pro futebol vs Grana pros outros esportes” veio à tona. É debate antigo e que, creio, nunca terá fim. Penso que uma coisa não invalida a outra. O futebol jamais perderá sua primazia e nem deve ser objeto de desejo de nenhuma outra categoria igualar-se à ele. Mas bons projetos, bem pensados e estruturados, podem sim conseguir verbas específicas para outras modalidades. Ainda mais em um mundo onde os conceitos de segmentação e personalização são cada vez mais possíveis e capilarizados.

Claro que o fato da gestão atual ser a mesma que realizou o “projeto olímpico” tão oneroso e de retornos bastante discutíveis legitima toda e qualquer dúvida e teoria a respeito do assunto. O que exigirá ainda mais transparência e agilidade à campanha. É um objetivo simples e, diante da magnitude do Vasco, até mesmo pequeno. O que é bom, porque se alcançado com sucesso e dentro do prometido, pode ser um passo interessante para resgatar um pouco a credibilidade em que gerencia o clube. Um passo pequeno, certamente. Mas longas caminhadas são feitas de passos curtos. E é caminhando que se chega até o respeito. Porque só grita por ele quem longe dele está.

Resta conferir se tudo sairá dentro da expectativa criada. De mim, esperem o acompanhamento, a cobrança e a torcida. Sim, porque torço para que tudo dê certo. Porque torço pro Vasco. Não para seus dirigentes ou mandatários. Torço quando vejo aquela camisa e aquela Cruz de Malta. Torço por tudo que aquilo me representa.

Porque se vendo tantos desmandos e absurdos sendo feitos jamais consegui deixar de torcer, quiçá quando vem algo que parece bom. Já passou da hora de arremessar a bola e enterrar essa sensação de que nada vai melhorar. Bola na cesta, Vascão!

E se…
…der errado? Cobranças, críticas, debates, uso da lei e do regimento. O que for necessário para que o Vasco não seja novamente lesado como vem sendo há tanto tempo, inclusive por tantos dos que andam baforando por aí.

Remando contra
Se o basquete deu uma animada com a campanha de recuperação do ginásio, a pulga veio para atrás d’orelha no remo. Como já é sabido, o retorno de Fabiana Beltrame faz parte daquele velho projeto de dominar-o-mundo-e-destruir-meu-arqui-inimigo-Flamengo que povoa a mente da liderança atual. A moça, pelo que conquistou, pode garantir patrocínios interessantes e pode (não sei se será assim) até mesmo se pagar na Colina.

Mas o que não dá notícia é que o assédio se estende a outros atletas, com promessas de dobrar os salários e/ou ajudas-de-custo, além de outros compromissos. Segundo uma fonte da área, a ideia é roubar os atletas do rival pagando significativamente mais e, com isso, montar uma equipe forte ao mesmo tempo em que quebra o Fla. Resta saber de onde virão, num momento de penúria financeira, os recursos que vão bancar essas contratações todas.

É aí que mora o risco de reviver o filme do projeto olímpico do passado e terminar vendo, mais uma vez, o barco naufragando. A conferir.

Freud Irônico é o alter-ego virtual do publicitário Raphael Santos.

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Ainda é cedo?

marcinho_barraNa falta de notícias animadoras a tratar do time, vou contar aos parcos leitores que tiverem algum interesse o que eu achei do jogo contra o Barra Mansa.

Igual a todos os outros jogos que vi. Continuar lendo

Impressões vascaínas e freudianas

IMG_4663Na noite em que o prefeito quase construiu uma arca para a cidade, o dilúvio esperado faltou, assim como o bom futebol em São Januário. Ao que tudo indica, passaremos boa parte do campeonato Ingressão-2015 realçando a postura tática, a disposição, a vontade e a garra dos jogadores sem nem tangenciar um mísero elogio por um jogo bom.

Isso porque, parece-me muito claro, as limitações técnicas e criativas do time são bastante sólidas.  Marcinho, a despeito de dois importantes gols até agora, não mostrou-se nada à vontade com a aura do camisa 10. Pouco chama o jogo para si, não tem o ímpeto de assumir a responsabilidade e, diante de defesas mais fechadas, não ousa aquele passe inusitado ou o drible que desarma. Bernardo, inclusive, parece mais camisa 10 que ele. Busca desafiar um pouco mais a lógica da partida, arrisca alguma novidade e, não à toa, vem sendo presenteado com gols. A notícia ruim é que na maioria das vezes ele erra. E exagera nas tentativas em situações onde a jogada simples funcionaria. Enfim, segue sendo o que sempre foi. Uma bela expectativa e uma realidade bem irregular.

Rafael Silva, coitado, já ocupa, com vantagens, o posto de mais odiado pela torcida. Seja por jogar fora de sua posição ou só por não ser bom o suficiente para ocupar esse papel, fato é que Thales chegará com a vaga de titular sem nenhum esforço. Montoya completa o ciclo dianteiro sem nem chegar perto daquele sonho que fez o Vasco brigar até na FIFA pela sua inscrição. Tem lampejos, mas some, erra e se esconde muito durante o jogo.

Na parte defensiva estamos melhor. O que não quer dizer muito melhor. Rodrigo e Luan formam uma dupla boa. Mas insistem demais em linhas de impedimento, são envolvidos pelo adversário com relativa facilidade e erram passes bobos que não podem. Os laterais são surpreendidos com bolas nas costas mais do que deveriam. E quando cruzam, Senhor! Precisam treinar bastante, e urgentemente, esse fundamento. A boa notícia é Serginho. Chegou sem pompas, questionado por esse que vos escreve e tantos outros, mas uma grata surpresa até aqui. Posiciona-se bem, cerca o adversário, não abusa das faltas e quando a recupera sabe olhar para onde enviá-la. Não bastasse tudo de bom que já apresentou, ainda tem o benefício de poder aposentar para sempre, quem sabe, o Sandro Silva. Na opinião modesta e ignorante deste intrometido aqui, a melhor contratação até agora.

Por fim, Martin Silva, quando exigido, está lá. Para nunca mais termos pesadelos com aqueles cujo nome não tenho coragem de repetir.

Para um campeonato feito pela FERJ, está bom. Resta ver como nos comportaremos diante dos grandes, ainda mais quando nosso mandatário gritas suas bravatas provocativas, trazendo mais ódio e antipatia para o nosso clube e aumentando a pressão para o time. Para o nível baixo disso que tentam chamar futebol aqui no Rio, estamos até bem. Pro futuro, não sei. E que dá saudade de um joguinho bem jogado, de um Vasco mais respeitado, ah isso dá.

Até porque se eu me contentasse só com disposição, raça, postura, vontade, gana e aplicação, eu desistia do futebol e ia ver UFC.

Amor que não para
Quinta à noite. Partida transferida para mais tarde. Semana de volta às aulas. Somente venda física de ingressos. O prefeito promete uma catástrofe climática. Um time fraco. Nenhum ídolo.

Com tudo isso contra, mais de 7.000 vascaínos dispuseram-se a ir a São Januário, com todas as suas intempéries de acesso, para gritar por esse time, cantar o seu amor e tentar empurrar essa camisa para o lugar de onde, desrespeitosamente, as duas últimas gestões (incluindo essa que se repete agora) nos tiraram. É um amor genuíno e exasperado, que suporta os desmandos que seguem pelo clube na esperança de que, um dia, quem sabe, o respeito saia das palavras inúteis e volte a habitar a Colina histórica.

Dimimuam o salto
Um dos poucos acertos da FERJ para o Ingressão-2015 é a volta das preliminares de juniores antes das partidas. É sempre bom ver a base jogando, além de ajudar a levar a torcida mais cedo para o estádio e desconcentrar a entrada no início do jogo.

No jogo de ontem, a impressão foi de que a garotada subiu um tantinho no salto. Depois da goleada sobre a Cabofriense, os meninos da Colina entraram ontem tentando muitas jogadas individuais, abusando dos passes de efeito e deixando o toque de bola e o jogo coletivo pra lá do segundo plano. Temos possíveis valores ali, mas é muito importante que eles não sejam incensados à condição de craques absolutos e que sejam instruídos a pensarem, sobretudo, no clube.

Freud Irônico  é o alter ego virtual do publicitário Raphael Santos.
Twitter: @freud_ironico

Burro que torce

orelhas-de-burro1Eu não sou especialista em táticas de futebol. Nunca estudei sobre formação de time, posicionamento de jogadores, esquemas de jogo ou que tais.

Eu não sou jornalista formado com pós-graduação em futebol. Não tenho mestrado na área esportiva. Não estudei educação física, nunca fui à Footecon, jamais assisti palestra de treinadores e nem fui convidado para ser comentarista de futebol em grandes empresas de comunicação.  Continuar lendo