Erros de todos os lados

erroO assunto de hoje, e provavelmente dos próximos dias, na imprensa esportiva será o alegado erro do Sr. Rodrigo Nunes de Sá que acabou decidindo a semifinal entre Vasco e Framengo. Mas não se enganem: os erros de verdade começaram a acontecer após o apito final do juiz.

Erra o presidente mulambo, que boquirrotamente lança suas suspeitas sem provas sobre a competição, praticamente afirmando que a final entre Botafogo e Vasco é fruto da interferência direta da Federação. Muito convenientemente, ao se considerar prejudicado, muda o discurso do ano passado, quando declarou sobre o campeonato que ganharam com gol irregular “Não entendo o porquê. Erros de arbitragem acontecem, e aconteceram para os dois lados”. Será que o Sr. Bandeira de Mello acha que seu time – o mesmo que não conseguiu fazer um golzinho sequer no Vasco, que perdeu a Guanabara por não conseguir ganhar o Nova Iguaçu e que só empatou com o Madureira com um gol com bola que não entra – ou que o Fluzim, que também fez uma campanha das mais mequetrefes, não têm qualquer responsabilidade nas próprias eliminações?

(Parênteses: sobre o chilique do presidente mulambo, recomendo a leitura dessa crônica do Márvio dos Santos, explicando como a culpar a Federação é uma fuga da responsabilidade do Sr. Bandeira de Mello. Fecha parênteses)

Erra a imprensa, que vive de polêmica e como está na cruzada pela “moralização relativa” do futebol carioca (relativa porque só é uma luta válida quando o Eurico está em cena) corrobora o discurso do favorecimento. Repercutir a ideia da “final que a FERJ queria”, citar os pênaltis a favor do Vasco fora de contexto (nunca falam se as penalidades aconteceram ou não, apenas citam os números) e ignorar as vezes em que NÓS fomos prejudicados e quando os outros foram favorecidos tem o objetivo claro que sustentar a tese do favorecimento. O que é, para falar o mínimo, de uma leviandade inacreditável vindo da imprensa, já que essa tese se sustenta apenas na proximidade do Rubinho com o Eurico.

Mas não apenas os derrotados erram: ao bradar que “o respeito voltou” – tanto pra imprensa quanto no próprio site oficial do clube – justo quando vencemos com um lance considerado polêmico, o Dotô dá munição para seus críticos seguirem com suas teorias conspiratórias e da argumentos para quem chama o Estadual desse ano de “Euricão”. E influencia uma parte da torcida, também erradíssima, que não apenas acredita piamente que o pênalti só foi marcado por causa dessa “volta do respeito” como ainda aprova esse tipo de coisa. Não percebem o quanto isso diminui o valor da vaga na final e o quanto queima o filme do próprio clube ter a imagem associada a conquistas na base da influência do seu presidente. Depois, quando formos garfados mais uma vez, os mesmos terão a cara de pau de reclamar.

É uma pena ver que tantos erros, vindos de todos os lados, só servem para tirar o mérito de um grupo que, apesar de ter claras limitações, não pode ser nunca acusado de não se doar em campo.

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Ou vai ou racha

eurico

Meu desprezo pelo Carioquinha já vem de muito tempo. Não sei de você, solitário leitor, mas nem comemorei o título de 2003 em face do time das laranjeiras. Confesso que sorri com o passe de letra de Léo Lima, agora me pergunta a escalação daquele poderoso Vasco e me recordo de poucos. Marcelinho Carioca com faixa na cabeça. É isso.

Meu descontentamento pelo torneio da Guanabara é proporcional a diretoria vascaína, que pasmem ,é  amiga e companheira da FERJ. Então tudo está em casa. Dane-se o prejuízo de cada partida de péssima qualidade para poucas pessoas. Exitem interesses que são maiores que o futebol, o Vasco e seus torcedores. Vá entender.

Talvez o única e louvável atitude anunciada da velha nova diretoria é o tal teto salarial. Dizem que é R$ 100.000,00. Não sei se é esse valor nem sei se está sendo cumprido realmente. Apesar dos pesares, dos inúmeros jogadores do Olaria presentes, vamos dar um voto (não nas urnas, apenas simbólico kkk) de confiança para Eurico Miranda.

Como todos sabemos – quando digo todos, falo dos apartidários, daqueles que prezam pelo melhor ao time que amam – o elenco do Vasco é ruim. Pior, em nomes de grife, que o de 2014. Isso não quer dizer que tudo está perdido. Acho que o time toca ao menos a bola, diferente daquele meio-campo horroroso de Papai Joel e Adilson na série B. Só que falta talento. A esperança – sempre ela – seria em Doriva. Pato novo, armaria bem uma defesa (somos ainda a melhor?) e arriscaria lá na frente com figuras inconstantes como Bernardo e Montoya.

Talvez Doriva esteja no caminho certo. Talvez ainda seja muito cedo para críticas. A certeza é que o time não disputa um brasileiro com esse elenco. Luta para não cair. Fato. E se estamos fora do G4 no carioquinha, espere emoções fortes por vir.

O que pega, pelo menos para mim, é o tal teto salarial. Acho uma boa, especialmente pelo patrimônio escasso e delapidado pelos dirigentes cruzmaltinos (sim, os dois que você conhece tão bem) mas até quando a torcida, Doriva e Eurico Miranda aguentarão o tranco das derrotas? Além disso, se o time é ruim, o teto salarial é baixo ou as contratações poderiam ser melhores?

Sinceramente, não sei. Acho que atualmente o futebol brasileiro anda terrível que não existe muita diferença de talento entre o cabra da Friburguense e o Avaí. Palmeiras e Audax. Vasco e Barra Mansa. Todos são iguais. Os que sobressaem vão jogar na China/Mundo Árabe ou ganham fortunas que o nosso teto está bem longe.

Como torcedor, quero o equilíbrio financeiro. Porém, não desejo a experiência da segundona pela terceira vez. Talvez tenhamos o tira-teima dos defensores do Sr.Miranda. “Com Eurico, o Vasco não cai”. Torço para a profecia seja verdadeira mas que todos saibam: O elenco até 21/02/2015 luta para não cair no Brasileiro. Se fará loucuras para contratações melhores, só o tempo dirá.

Obs: Tudo que é ruim um dia acaba. Depois da depressão pós Barra Mansa, que bom que o time das Laranjeiras será nosso próximo adversário.

“Diga-me quem te presides….”

trofeu

Charge: Mario Alberto (Lancenet)

Ao longo da corrida eleitoral no Vasco, fiz algumas perguntas a literalmente centenas de eleitores do Eurico. Eram questões nascidas de uma curiosidade sincera, de quem realmente procura entender os motivos para sua escolha pelo “Dotô”.

A primeira delas era “Você acha que a primeira gestão do Eurico como presidente foi boa?”; Como a resposta era invariavelmente um “não” muito relutante e cheio de justificativas ou comparações à gestão Dinamite, eu fazia a segunda pergunta: “Se acha que a primeira gestão Eurico foi ruim, a que você atribuiu isso?”. A resposta nesse caso também era programada, com todos os devotos do São Eurico expondo a cartilha casaqueana do “complô mídia-CBF-Lei Pelé”, com ênfase na “asfixia financeira da Globo”.

Eu e qualquer vascaíno imaginaríamos quais seriam as respostas para essas duas perguntas. Mas elas eram apenas uma introdução para a pergunta que eu realmente gostaria de saber, que era a seguinte: “Se esse complô realmente existiu, o que te dá a certeza de que a Globo deixará de prejudicar o Vasco caso o Eurico volte a ser o presidente?”.

Aí as respostas variavam. A maioria simplesmente ignorava a questão e sumia sem um esclarecimento; outros mudavam de assunto e tangenciavam a pergunta; uns poucos diziam que Eurico está mais experiente e que resolveria esse problema (sem dar a menor ideia de como ele faria isso). E apenas um teve a sinceridade de falar “Eu não tenho essa certeza”. Essa era a resposta correta. Ninguém poderia ter essa certeza. E pelos últimos acontecimentos, já podemos ver o porquê.

Antes mesmo de começar o Estadual, Eurico quis demonstrar sua influência na Federação e conseguiu aprovar a meia entrada universal nos jogos do campeonato. Com isso, já criou polêmica por conta de um assunto que, como já disse antes, nada teria a ver com o Vasco. O resultado: um monte de críticas ao presidente vascaíno que, de uma maneira ou de outra, acaba prejudicando a imagem do clube.

Quem tem acompanhado a imprensa esportiva já reparou que estão detonando o Carioca e colocando a culpa disso tudo no Eurico. E isso não é uma exclusividade da cobertura jornalística da Globo. Todos estão reclamando do campeonato e falando da truculência do nosso presidente, que aparentemente, tem o beneplácito do presidente da FERJ para fazer o que quer. Pra imagem do Eurico, isso não faz a menor diferença. Pelo contrário, ele deve até gostar muito disso, já que o dirigente obviamente confunde ter influência com respeito. Mas mandar e desmandar na Federação não vai garantir a tal “volta do respeito ao Vasco”. E, até agora, só tem queimado o filme do clube.

Vejamos o cenário: o Vasco está sem um patrocinador master, exibindo a marca da Caixa por cortesia (algo que aliás foi motivo de críticas enormes dos devotos de São Eurico quando a gestão anterior fez o mesmo com a Eletrobrás) até que o contrato seja renovado. Mas existe a possibilidade da renovação não acontecer. E vendo que o presidente do clube é constantemente marretado na imprensa, atrelando inevitavelmente sua imagem questionável ao Vasco, como criticar a Caixa caso não queira mais ver sua marca em nossa camisa? E, indo adiante, que empresa gostará de estampar sua marca na camisa de um clube que, sempre que é citado, é por conta de críticas ao seu presidente?

É muito fácil jogar para a torcida e gritar “contra tudo e contra todos” sem fazer uma autocrítica. Dizer que a imprensa pega no pé do Vasco sem levar em consideração que os atos do seu presidente acabam, na maioria das vezes, prejudicando o futebol como um todo, é fazer papel de coitado sem assumir as próprias responsabilidades.

Pensem bem: vejam a charge que ilustra essa coluna e vejam se a Globo ou a imprensa esportiva em geral precisam “asfixiar” de alguma forma um clube cujo presidente passa essa imagem para todos.

PS: nesse link há outras charges que evidenciam bem que tipo de respeito nosso presidente trouxe de volta ao Vasco…