A Sibéria é logo ali…

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Não deve haver um vascaíno sequer que não se lembre das palavras proferidas pelo presidente vascaíno antes da 19ª rodada do Brasileirão:

Se eu achar que o Vasco vai ser rebaixado, vou procurar o ponto mais distante da Sibéria e vou para lá.

Atentem: estou escrevendo essa coluna após a vitória do Vasco sobre o Santos, uma semana antes da última rodada do Brasileirão 2015. Portanto, não sei ainda qual será o destino do Gigante, se conseguiremos nos manter na elite ou não. Seja como for, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: o Sr. Eurico Miranda já pode providenciar sua mudança para a Sibéria.

O Dotô já pode providenciar as passagens para o extremo norte da Rússia por preferir bravatear que o time do Estadual não teria problemas no Brasileiro a fazer um planejamento decente;

Por permitir que o Doriva chegasse a uma situação insustentável no cargo de treinador sem reforçar o time. E ainda trocá-lo pelo Celso Roth.

Por manter o mesmo Roth por tempo demais como técnico, quando era evidente que seu trabalho não traria qualquer resultado.

Por permitir que o Vasco fizesse um primeiro turno vexatório, enxovalhando a história de um tetracampeão na competição.

Por seguir com a falácia de “responsabilidade financeira” e seu “teto salarial” imbecil por tempo demais, esperando ser quase tarde demais para qualificar o elenco. Agora, nem temos mais a tal “responsabilidade” (deve estar junto com o “respeito”) e ainda adiamos uma reação que, se tivesse começado antes, já teria nos livrado da situação em que estamos.

E, falando em respeito, o Dotô também pode despachar seus pertences para a mais erma localidade siberiana por ter deixado claro que, a tal moral que ele teria nos bastidores do futebol brasileiro é coisa de um passado distante. Sua ameaça de “guerra sem quartel” caso o Vasco fosse prejudicado não adiantou nada: na partida seguinte fomos novamente garfados e nada aconteceu.

E outra: o presidente vascaíno já deve ir estudando o idioma russo por nos obrigar a ver o Vasco ser prejudicado em uma competição em detrimento de equipes da inexpressiva -futebolisticamente falando – Santa Catarina.

E não podemos esquecer, claro, o fato do Vasco estar há centenas de rodadas no Z4, por ter passado dezenas na lanterna e, talvez o mais cruel de tudo, precisar depender da disposição tricolete para nos mantermos na Série A em 2016.

Diante de tudo isso, caso o Sr. Eurico Miranda seja um homem de palavra (risos), ele precisa já na próxima segunda conferir o passaporte, verificar a necessidade de visto para entrar na Rússia e garantir um assento no primeiro voo para a Sibéria. Porque o Vasco pode até não cair para a Série B ao final do Brasileiro, mas que nesse campeonato o Gigante já foi rebaixado, não há como discutir.

Resposta no campo

(…)Numa partida que mais parecia um amistoso, tamanha a apatia do adversário (…)

O jogo começou sonolento e burocrático e assim seguiu até a metade do primeiro tempo. Os donos da casa não tinham criatividade para armar jogadas e acabaram deixando espaços para o Vasco chegar.

O Globo

O lance do segundo gol foi um retrato da atuação do Palmeiras, um time bem mais desorganizado e aparentemente bem menos interessado que o adversário.

Lance

Mediano, o Palmeiras não conseguia transformar em lances de perigo a sua posse de bola superior e o jogo acabou travado no meio campo na segunda metade da segunda etapa.

O Dia

Apático, o Palmeiras perdeu para o Vasco diante de sua torcida por 2 a 0 e praticamente deu adeus à possibilidade de conquistar uma vaga na Copa Libertadores do próximo ano pelo G-4 do Campeonato Brasileiro.

Estadão

Não foram todos os jornais, nem todos os jornalistas, mas a maioria fez questão de assinalar que o Palmeiras não jogou nada na derrota para o Vasco ontem. Ainda que elogiassem o Gigante, fizerem questão de deixar claro que o Verdão facilitou as coisas pro nosso lado.

O que pouco vi foi gente falando qual foi a participação do Vasco na má atuação palmeirense. Os caras não jogaram ou não conseguiram jogar? Será que o placar foi mesmo construído sobre as falhas dos anfitriões e não pelos nossos méritos?

Outro exemplo claro: um monte de gente comemorou a vitória do Galo porque não seria bonito o Corinthians ser campeão sem estar em campo. E com isso, já falam que a partida contra os Gambás na Colina será “o jogo do título”. Ou seja, pra todo mundo, a possibilidade do Vasco vencer o jogo é ZERO. Mesmo que o Corinthians tenha tido uma dificuldade tremenda para passar pelo Coxa dentro do Itaquerão na última rodada.

Nunca deixo de apontar as limitações do Vasco quando as enxergo, mas apontar apenas para elas é a regra da imprensa jornalística em geral. Quando perdemos, o time é fraco. Quando ganhamos, nossos adversários jogaram mal. Pode ser paranoia, mas que esse tipo de coisa enche o saco, enche. O descrédito é grande, em boa parte justificado, mas as vezes exageram.

Mas deixa estar. A resposta a todos esses tem que ser dada na bola.

A lição do freguês

imageNa coluna de hoje vou deixar de falar sobre os bastidores do clube e falar um pouco mais sobre a vitória do Vasco sobre o Fluzim ontem. Dar mais uma carimbada no caderninho dos nossos clientes preferenciais é sempre bom, mas como não poderia deixar de ser, há o que se questionar.

E o que eu questiono é simples: por que diabos o time não joga sempre como jogou ontem? Não que a atuação de ontem tenha sido perfeita ou que estaríamos nas cabeças se jogássemos sempre assim, mas certamente não estaríamos penando no Z4 por tanto tempo.

Como falei no Blog da Fuzarca, as coisas deram muito certo ontem, mas ficou evidente que jogando com mais atenção, as dificuldades diminuem. Algumas deficiências continuam e quem não tem capacidade não virou craque da noite pro dia. Mas a maior aplicação de todos compensaram os erros que surgiram.

Até o Roth fugiu da rotina. O treinador fez todas as alterações que podia e nenhuma delas foi claramente para fechar mais a equipe: trocou a dupla de atacantes por outros dois atacantes e na substituição mais conservadora, tirou Jhon Cley e colocou o primo do Messi, que ajuda a marcar, mas não é um volantão tradicional. Se Roth fosse o Roth que conhecemos, ele poderia muito bem ter colocado o Jomar no time, ainda mais estando com vantagem no placar.

Os três pontos não foram o bastante para nos tirar da zona de rebaixamento, mas conseguirmos fazer com que a atuação de ontem seja o padrão do time, isso será uma questão de tempo. Não há justificativas para jogarmos dessa forma apenas contra o Fluzim. Jogadores mais aplicados e atentos e um treinador que não seja sempre tão cauteloso deveria ser a norma, não a exceção.

Dizem que as derrotas devem ser utilizadas como lições para que não repitamos nossos erros. Mas como aparentemente não aprendemos muito nas vezes em que fomos derrotados, podemos tentar aprender algo com a vitória de ontem.

A máquina do tempo e o país das maravilhas

WonderPinçando algumas declarações dadas à imprensa por membros da diretoria vascaína, selecionei os trechos abaixo:

Paulo Angioni, diretor de futebol:

O que o Vasco precisa para mudar este quadro adverso?

Particularmente, não me preocupo. O que acontece com um grande clube, e o Vasco é um grande clube, é a necessidade de vencer sempre. Mas eu vejo evolução, fomos bem contra o (….) e acabamos perdendo no detalhe. O caminho está aberto para que a vitória e a hegemonia retornem para São Januário.

José Luiz Moreira, vice-presidente de futebol:

Temos conversado constantemente com (o técnico). É difícil trazermos jogadores de fora, já consagrados, mas estamos vendo as boas opções dentro do futebol brasileiro.

Eurico Miranda, presidente do clube:

Confio não, tenho certeza, apesar dos analistas acharem que, como sempre, o Vasco é candidato ao rebaixamento. O Vasco entra sempre, segundo os analistas, como candidato ao rebaixamento. Mas é segundo os analistas. Cada um analisa como quer. Só que isso… Vejo o Vasco… Se as coisas não tiverem acidente de percurso, etc, o Vasco não vai participar do Campeonato Brasileiro, vai brigar pelo título, sem dúvida. O trabalho que tem sido desenvolvido é para isso.

Quem teve a curiosidade de clicar nos links aí de cima verá um fato curioso: todos as citações são de matérias feitas antes do Brasileiro. Mas do Campeonato de 2008.

É triste ver que o Vasco parece ter entrado em uma máquina do tempo. E pior, viajando diretamente para o passado. São as mesmas pessoas, falando as mesmas coisas. Só espero que o resultado no final não seja o mesmo.

***

Voltando ao presente, a derrota para o Galo ontem nos obriga a lembrar de mais declarações dadas pelos responsáveis pelo futebol vascaíno.

Os jogadores falam que está faltando sorte.

O treinador fala, jogo após jogo, que não vencemos – ou como ontem, perdemos – por detalhes. Ou então, mais uma vez até ontem, que deveríamos olhar os 11 jogos de invencibilidade, não os cinco (agora seis) jogos sem vencer.

O presidente diz – como visto acima, há anos – que o Vasco entra pra ganhar o campeonato, que tem um elenco que não deve a nenhum outro da competição e que pode jogar de igual para igual com qualquer um deles.

Ninguém vai à imprensa pra depreciar o próprio trabalho, é claro. Olhando por esse ponto de vista, entendem-se todas as declarações. Mas a torcida espera que, pelo menos internamente, diretoria, comissão técnica e jogadores entendam o delicado momento pelo qual passa o time.

A questão é que não vemos muita coisa além dos discursos otimistas/positivos. Não é a falta de sorte que justifica a falta de gols, é a falta de competência nas finalizações. Os detalhes que têm nos prejudicado todo jogo se repetem sempre. Tivemos 11 jogos sem derrota, mas foram apenas cinco vitórias – e duas delas contra o Volta Redonda e um time semiprossifional do Acre – nessa série. E, até agora, nossa briga pelo título brasileiro se resume a três empates, uma derrota e apenas um gol marcado.

O Vasco não precisa apenas de discursos confiantes na frente dos microfones. Precisa de trabalho, esforço e competência. Alguns dirão que essa já é a realidade do futebol vascaíno. Se for, seus responsáveis precisam urgentemente melhorar o que estão fazendo. E não ficar apenas nas declarações de efeito para animar – alguns – torcedores. Porque, pelo que dizem, parece que o Vasco está no País das Maravilhas, não na zona de rebaixamento.

O erro do otimista (ou nivelando por baixo )

otimismoSport e Goiás lideram o Brasileirão. Dos sempre apontados como favoritos, os gambás são os melhores colocados, mas não conseguiram ganhar nem do Fluzim. Galo, São Paulo e Santos perderam para times menores. O Palmeiras, cheio de bons jogadores, está com dois pontos apenas. O Inter está na parte debaixo da tabela e o Cruzeiro na zona de rebaixamento (fazendo companhia aos mulambos, que volta e meia é apontado como um dos postulantes ao título, basta que “cheguem alguns reforços”).

Ah, sendo assim, a campanha do Vasco não é ruim! Estamos jogando na média dos outros times, estamos invictos e o time está “encaixado”. Só falta acertar o gol para deslancharmos. Não vamos ter problemas nesse Brasileiro!

Esses são os argumentos dos vascaínos otimistas. E como não existe lógica no futebol, suas previsões podem sim se concretizar. Mas os argumentos utilizados são falaciosos e não refletem a realidade, nem de um campeonato com 38 rodadas, nem do próprio Vasco.

O campeonato estar no começo é um dos pontos que nos favorece? Relativamente, já que esse começo não é uma vantagem apenas para o Vasco. Um monte de times que estão na parte de baixo da tabela também pode se recuperar e a olhos vistos têm mais recursos que nós para isso. Inter e Cruzeiro, terminada a Libertadores, certamente renderão mais. Os gambás e o São Paulo estão com problemas extracampo (o primeiro, com salários em atraso, o segundo, sem um treinador), e ainda assim bem próximos à ponta da tabela. O Galo teve duas partidas fora e na que perdeu, foi superior o tempo todo. Santos e Palmeiras têm bons elencos e ainda têm lenha pra queimar na competição.

Já o Vasco, por mais que nos esforcemos para ver que não jogamos mal apesar dos três empates, é isso aí. O time até pode ter o tal do encaixe, mas é o mesmo encaixe que apresentamos no Estadual. Tanto que o time joga da mesma forma, com as mesmas – poucas – qualidades e os mesmos – em maior quantidade – defeitos. Estamos invictos, não jogamos mal e merecíamos vencer as três partidas que tivemos? Podemos concordar com isso, mas a impressão que temos é que jogamos no nosso limite. Mais que isso, com esse elenco que temos, será difícil.

Não falta ao Vasco acertar o gol para termos um desempenho melhor no Brasileiro. Isso nos falta desde o Estadual. Fomos campeões, mas nosso ataque foi um problema ao longo de todo Carioca. A falta de um meio de campo que articule jogadas e de laterais que consigam concluir jogadas de linha de fundo foi o que causou nossa dependência das bolas paradas. Em um campeonato do nível do Carioca, conseguimos o título. No Brasileiro, mesmo que “nivelado por baixo” como argumentam os otimistas, isso não vai ser o bastante. Prova disso? Três rodadas, três empates e o único gol que fizemos foi….num lance de bola parada.

Quando o torcedor acredita que o Vasco se sairá bem no Brasileirão porque os outros times são ruins, quem está nivelando por baixo é o próprio torcedor. É querer acreditar que os outros times não jogarão mais do que estão jogando agora e que apenas nós vamos ter uma melhora significativa. Crer nisso é um perigo, que se ficar apenas com a torcida nem é tão ruim. O problema é se a diretoria também engolir essa historia e não se movimentar para trazer reforços. Temos um time esforçado? Temos, mas isso não é o bastante para livrar ninguém de complicações no Brasileiro.

O engano do otimista é achar que o Vasco não vai ter problemas porque os grandes clubes estão mal. O que deve servir de exemplo não é o Cruzeiro no Z4 ou o Galo perdendo para o Furacão, e sim o Sport, Goiás, Atlético-PR, Ponte, Chapecoense e Avaí, que estão acumulando pontos que podem ser importantíssimos no fim do Brasileiro. Os pontos que perdemos, principalmente nos empates na Colina, se não farão falta para nos garantir na Série A, poderiam fazer a diferença em objetivos mais nobres, como uma vaga na Libertadores.

Isso, claro, se Doriva conseguir fazer seu time jogar mais com os jogadores que tem ou se a diretoria se virar para reforçar as posições mais carentes da equipe.