Tricampeão!

triA segunda partida da final do Estadual de 2016, entre Vasco e Botafogo, foi mais equilibrada que a primeira. O que é curioso: assim como nos dois primeiros jogos entre as duas equipes, o Vasco venceu quando jogou menos e empatou quando teve uma atuação melhor.

Mas, percebam o que é mais importante nisso: foram quatro jogos e o Vasco não perdeu nenhum.

Tinha dito no dia do primeiro jogo que uma final com Vasco e Botafogo seria a mais justa nesse campeonato. E não há como negar que o campeão mais justo seria o Gigante. O 1 a 1 de ontem na Arena Maracanã apenas coroou a melhor campanha na competição.

E com isso, somos bicampeões estaduais com justiça. E se formos falar de justiça, podemos ampliar esse título para algo mais justo: o tricampeonato. Ou alguém se esqueceu como nos tomaram o título de 2014 na mão grande?

Os livros de história podem até ignorar os fatos, mas a torcida vascaína, não. Para nós, moralmente, o que conquistamos ontem foi o tricampeonato.

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Apito amigo de quem?

apitoO primeiro jogo da decisão do Estadual teve uma arbitragem tranquila por parte do aborígene Luís Antônio Silva dos Santos. A ausência de lances polêmicos na vitória do Vasco sobre o Canil deve inibir as já naturais reclamações da imprensa esportiva carioca que, nesse corrente ano de 2015, fez das segundas-feiras o dia nacional de combate à imoralidade no futebol carioca. Poderíamos chamar também de dia da demonização do presidente do Vasco – se os jornalistas tivessem mais coragem – ou dia de justificar o mimimi (se os mesmos fossem mais sinceros).

Mas porque voltar a esse assunto agora, quando mulambos e tricoletes assimilaram o golpe e diminuíram o chororô? Porque as teorias conspiratórias podem ter diminuído, mas não acabaram. E as acusações de favorecimento tiram o mérito de quem merece, servem como desculpa para os incompetentes e dão poderes irreais para quem não os tem.

Depois do primeiro jogo da final, é revoltante ver que urubulinos, florêncios e a imprensa em geral ainda creditam a chegada de Vasco e Botafogo à decisão unicamente ao conluio de suas presidências com a Federação. Não fui um espectador dos mais fieis do campeonato, mas não me lembro de ter visto um jogo melhor que o desse domingo em todo o Estadual. Nem de ter visto os lacrimosos eliminados terem atuações como as que tiveram os finalistas ontem. Deixar isso claro não é uma defesa aos dirigentes vascaínos, botafoguenses ou os da Federação. É valorizar os jogadores e comissões técnicas dos dois times, que trabalharam muito e com mais competência que seus adversários. Que, não tendo capacidade para estar na final, pagam mico – com total apoio dos jornalistas – reclamando da FFERJ e dos árbitros, nunca olhando para suas próprias caudas.

Por fim, me parece uma contradição absoluta imputar ao Eurico Miranda tanta influência no desenlace do campeonato. Tanto os que o consideram o vilão superpoderoso do futebol carioca, como os que o veneram como super herói da Colina dão a impressão de se deixar levar por uma imagem fantasiosa que, no fim das contas, foi construída pelo próprio e provavelmente com esse objetivo.

Senão vejamos: se o Eurico vilão é tão influente assim, porque diabos o Vasco perdeu sete dos oito Estaduais que disputou em sua primeira gestão? Alegar que o Rubinho assumiu a FFERJ apenas em 2006 não cola, já que antes dele estava no poder o famigerado Caixa D’Água, ainda mais próximo do Eurico que o atual presidente da federação. O mesmo argumento vale para os devotos do Dotô: o respeito voltou apenas em 2015? E onde ele estava entre 2003, ano da última conquista vascaíno no Rio, e 2008, último Estadual da primeira gestão Eurico?

(Parêntese: nem vale lembrar que nesse período, o Vasco, além de só ter chegado em uma final de Estadual, ficou na NONA posição em 2006, sua pior colocação na história da competição, e foi o pior dos grandes entre 2005 e 2008. Fecha parêntese).

Não é preciso muito para ver que as teorias conspiratórias não se sustentam pelos fatos. E o pior é que muitos engolem essas histórias facilmente, sem precisarem sequer de um gole de água pra empurrar o sapo guela abaixo. A constante repetição do favorecimento é interessante para quase todos: a imprensa, que encontra um inimigo comum em quem jogar a culpa por todas as mazelas do futebol do Rio, aos rivais, que terão sempre uma desculpa para a perebice dos seus times e até nosso presidente, que começa a fazer crer o lenga-lenga de “o respeito voltou” para além do seu séquito de fanzocas. Só quem não se dá bem com a fábula da conspiração são os jogadores, que mal ou bem, foram os que suaram para chegar onde estão.

PS.: No jogo de ontem, o Botafogo cometeu 24 faltas e recebeu quatro cartões amarelos; o Vasco, recebeu os mesmos quatro amarelos. Mas cometeu apenas nove faltas. Esse é o favorecimento que temos tido por parte da Federação.

Erros de todos os lados

erroO assunto de hoje, e provavelmente dos próximos dias, na imprensa esportiva será o alegado erro do Sr. Rodrigo Nunes de Sá que acabou decidindo a semifinal entre Vasco e Framengo. Mas não se enganem: os erros de verdade começaram a acontecer após o apito final do juiz.

Erra o presidente mulambo, que boquirrotamente lança suas suspeitas sem provas sobre a competição, praticamente afirmando que a final entre Botafogo e Vasco é fruto da interferência direta da Federação. Muito convenientemente, ao se considerar prejudicado, muda o discurso do ano passado, quando declarou sobre o campeonato que ganharam com gol irregular “Não entendo o porquê. Erros de arbitragem acontecem, e aconteceram para os dois lados”. Será que o Sr. Bandeira de Mello acha que seu time – o mesmo que não conseguiu fazer um golzinho sequer no Vasco, que perdeu a Guanabara por não conseguir ganhar o Nova Iguaçu e que só empatou com o Madureira com um gol com bola que não entra – ou que o Fluzim, que também fez uma campanha das mais mequetrefes, não têm qualquer responsabilidade nas próprias eliminações?

(Parênteses: sobre o chilique do presidente mulambo, recomendo a leitura dessa crônica do Márvio dos Santos, explicando como a culpar a Federação é uma fuga da responsabilidade do Sr. Bandeira de Mello. Fecha parênteses)

Erra a imprensa, que vive de polêmica e como está na cruzada pela “moralização relativa” do futebol carioca (relativa porque só é uma luta válida quando o Eurico está em cena) corrobora o discurso do favorecimento. Repercutir a ideia da “final que a FERJ queria”, citar os pênaltis a favor do Vasco fora de contexto (nunca falam se as penalidades aconteceram ou não, apenas citam os números) e ignorar as vezes em que NÓS fomos prejudicados e quando os outros foram favorecidos tem o objetivo claro que sustentar a tese do favorecimento. O que é, para falar o mínimo, de uma leviandade inacreditável vindo da imprensa, já que essa tese se sustenta apenas na proximidade do Rubinho com o Eurico.

Mas não apenas os derrotados erram: ao bradar que “o respeito voltou” – tanto pra imprensa quanto no próprio site oficial do clube – justo quando vencemos com um lance considerado polêmico, o Dotô dá munição para seus críticos seguirem com suas teorias conspiratórias e da argumentos para quem chama o Estadual desse ano de “Euricão”. E influencia uma parte da torcida, também erradíssima, que não apenas acredita piamente que o pênalti só foi marcado por causa dessa “volta do respeito” como ainda aprova esse tipo de coisa. Não percebem o quanto isso diminui o valor da vaga na final e o quanto queima o filme do próprio clube ter a imagem associada a conquistas na base da influência do seu presidente. Depois, quando formos garfados mais uma vez, os mesmos terão a cara de pau de reclamar.

É uma pena ver que tantos erros, vindos de todos os lados, só servem para tirar o mérito de um grupo que, apesar de ter claras limitações, não pode ser nunca acusado de não se doar em campo.

Desfocados

gilDa primeira até a nona rodada do Estadual (entre as quais tivemos um clássico), o Vasco sofreu apenas dois gols. Nas quatro rodadas seguintes, com dois clássicos no meio, nossa defesa foi vazada cinco vezes. Para os que gostam de números, isso significa que 71,4% dos gols que sofremos aconteceu entre a 10ª e a 13ª rodadas. Isso também significa que o desempenho da nossa defesa despencou vertiginosamente na reta final da Taça Guanabara.

Esses gols foram responsáveis por outra queda, a da nossa posição na tabela: éramos líderes e agora estamos na quarta colocação. E se pudéssemos eliminar alguns desses gols da nossa conta, não apenas continuaríamos na liderança, como já seríamos virtuais campeões do turno.

A contusão do Luan – que não esteve em campo nas últimas três partidas – pode ser uma das razões para essa queda de desempenho, mas não a explica completamente. Até porque, alguns dos gols que sofremos não aconteceram por falhas na zaga, mas por pura e simples desatenção de alguns jogadores.

Os erros mais marcantes acabaram acontecendo nos clássicos. Os três gols sofridos contra a mulambada e o canil poderiam ser evitados se todos estivessem mais ligados. Mas a queda de rendimento da defesa vascaína não ficam evidenciados apenas quando sofremos gols. De um modo geral, temos oferecido mais espaços para nossos adversários, sejam nossos maiores rivais, sejam os clubes menores do Estadual.

Por isso é preocupante ver uma declaração como a feita pelo Rodrigo após o empate com o Foguim. Irritado com o resultado, o zagueiro não mediu as palavras e acusou o grupo de não estar treinando com a seriedade necessária e que, antes de começar “um pouco de brincadeira” não sofríamos os gols que agora sofremos.

Temos um elenco limitado e, sejamos realistas, sem dedicação e atenção total nos jogos, não temos como superar a falta de qualidade do time como um todo. Se a declaração do Rodrigo não foi apenas o desabafo de alguém com a cabeça quente e sim uma análise do que realmente está acontecendo, é hora do Doriva dar um puxão de orelha no grupo. Se o time se deixou levar pela empolgação quando liderávamos a competição, já passou da hora de baixarmos a bola e recuperarmos o foco. Os vacilos que estamos dando agora ainda podem ser compensados. Mas na hora dos jogos decisivos, qualquer desatenção será fatal.

Desabafo em branco e preto

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Que as últimas duas gestões do Vasco tenham feito de tudo, cada uma a seu modo, para apequenar o clube, disso não cabe mais discussão. Há, por óbvio, os incautos que ainda insistem em querer defender esse ou aquele dirigente. Vá saber se por inocência (difícil) ou má caratismo (provável). São, de todo modo, impróprios a uma análise séria. Afinal, quem é torcedor cruzmaltino de verdade, desses que não se deixam levar por um troféu ou coisa que o valha, sabe, sem pestanejar, o mal que Eurico Miranda e Roberto Dinamite fizeram ao clube na última década e meia.  Continuar lendo