Resposta no campo

(…)Numa partida que mais parecia um amistoso, tamanha a apatia do adversário (…)

O jogo começou sonolento e burocrático e assim seguiu até a metade do primeiro tempo. Os donos da casa não tinham criatividade para armar jogadas e acabaram deixando espaços para o Vasco chegar.

O Globo

O lance do segundo gol foi um retrato da atuação do Palmeiras, um time bem mais desorganizado e aparentemente bem menos interessado que o adversário.

Lance

Mediano, o Palmeiras não conseguia transformar em lances de perigo a sua posse de bola superior e o jogo acabou travado no meio campo na segunda metade da segunda etapa.

O Dia

Apático, o Palmeiras perdeu para o Vasco diante de sua torcida por 2 a 0 e praticamente deu adeus à possibilidade de conquistar uma vaga na Copa Libertadores do próximo ano pelo G-4 do Campeonato Brasileiro.

Estadão

Não foram todos os jornais, nem todos os jornalistas, mas a maioria fez questão de assinalar que o Palmeiras não jogou nada na derrota para o Vasco ontem. Ainda que elogiassem o Gigante, fizerem questão de deixar claro que o Verdão facilitou as coisas pro nosso lado.

O que pouco vi foi gente falando qual foi a participação do Vasco na má atuação palmeirense. Os caras não jogaram ou não conseguiram jogar? Será que o placar foi mesmo construído sobre as falhas dos anfitriões e não pelos nossos méritos?

Outro exemplo claro: um monte de gente comemorou a vitória do Galo porque não seria bonito o Corinthians ser campeão sem estar em campo. E com isso, já falam que a partida contra os Gambás na Colina será “o jogo do título”. Ou seja, pra todo mundo, a possibilidade do Vasco vencer o jogo é ZERO. Mesmo que o Corinthians tenha tido uma dificuldade tremenda para passar pelo Coxa dentro do Itaquerão na última rodada.

Nunca deixo de apontar as limitações do Vasco quando as enxergo, mas apontar apenas para elas é a regra da imprensa jornalística em geral. Quando perdemos, o time é fraco. Quando ganhamos, nossos adversários jogaram mal. Pode ser paranoia, mas que esse tipo de coisa enche o saco, enche. O descrédito é grande, em boa parte justificado, mas as vezes exageram.

Mas deixa estar. A resposta a todos esses tem que ser dada na bola.

A máquina do tempo e o país das maravilhas

WonderPinçando algumas declarações dadas à imprensa por membros da diretoria vascaína, selecionei os trechos abaixo:

Paulo Angioni, diretor de futebol:

O que o Vasco precisa para mudar este quadro adverso?

Particularmente, não me preocupo. O que acontece com um grande clube, e o Vasco é um grande clube, é a necessidade de vencer sempre. Mas eu vejo evolução, fomos bem contra o (….) e acabamos perdendo no detalhe. O caminho está aberto para que a vitória e a hegemonia retornem para São Januário.

José Luiz Moreira, vice-presidente de futebol:

Temos conversado constantemente com (o técnico). É difícil trazermos jogadores de fora, já consagrados, mas estamos vendo as boas opções dentro do futebol brasileiro.

Eurico Miranda, presidente do clube:

Confio não, tenho certeza, apesar dos analistas acharem que, como sempre, o Vasco é candidato ao rebaixamento. O Vasco entra sempre, segundo os analistas, como candidato ao rebaixamento. Mas é segundo os analistas. Cada um analisa como quer. Só que isso… Vejo o Vasco… Se as coisas não tiverem acidente de percurso, etc, o Vasco não vai participar do Campeonato Brasileiro, vai brigar pelo título, sem dúvida. O trabalho que tem sido desenvolvido é para isso.

Quem teve a curiosidade de clicar nos links aí de cima verá um fato curioso: todos as citações são de matérias feitas antes do Brasileiro. Mas do Campeonato de 2008.

É triste ver que o Vasco parece ter entrado em uma máquina do tempo. E pior, viajando diretamente para o passado. São as mesmas pessoas, falando as mesmas coisas. Só espero que o resultado no final não seja o mesmo.

***

Voltando ao presente, a derrota para o Galo ontem nos obriga a lembrar de mais declarações dadas pelos responsáveis pelo futebol vascaíno.

Os jogadores falam que está faltando sorte.

O treinador fala, jogo após jogo, que não vencemos – ou como ontem, perdemos – por detalhes. Ou então, mais uma vez até ontem, que deveríamos olhar os 11 jogos de invencibilidade, não os cinco (agora seis) jogos sem vencer.

O presidente diz – como visto acima, há anos – que o Vasco entra pra ganhar o campeonato, que tem um elenco que não deve a nenhum outro da competição e que pode jogar de igual para igual com qualquer um deles.

Ninguém vai à imprensa pra depreciar o próprio trabalho, é claro. Olhando por esse ponto de vista, entendem-se todas as declarações. Mas a torcida espera que, pelo menos internamente, diretoria, comissão técnica e jogadores entendam o delicado momento pelo qual passa o time.

A questão é que não vemos muita coisa além dos discursos otimistas/positivos. Não é a falta de sorte que justifica a falta de gols, é a falta de competência nas finalizações. Os detalhes que têm nos prejudicado todo jogo se repetem sempre. Tivemos 11 jogos sem derrota, mas foram apenas cinco vitórias – e duas delas contra o Volta Redonda e um time semiprossifional do Acre – nessa série. E, até agora, nossa briga pelo título brasileiro se resume a três empates, uma derrota e apenas um gol marcado.

O Vasco não precisa apenas de discursos confiantes na frente dos microfones. Precisa de trabalho, esforço e competência. Alguns dirão que essa já é a realidade do futebol vascaíno. Se for, seus responsáveis precisam urgentemente melhorar o que estão fazendo. E não ficar apenas nas declarações de efeito para animar – alguns – torcedores. Porque, pelo que dizem, parece que o Vasco está no País das Maravilhas, não na zona de rebaixamento.