Tricampeão!

triA segunda partida da final do Estadual de 2016, entre Vasco e Botafogo, foi mais equilibrada que a primeira. O que é curioso: assim como nos dois primeiros jogos entre as duas equipes, o Vasco venceu quando jogou menos e empatou quando teve uma atuação melhor.

Mas, percebam o que é mais importante nisso: foram quatro jogos e o Vasco não perdeu nenhum.

Tinha dito no dia do primeiro jogo que uma final com Vasco e Botafogo seria a mais justa nesse campeonato. E não há como negar que o campeão mais justo seria o Gigante. O 1 a 1 de ontem na Arena Maracanã apenas coroou a melhor campanha na competição.

E com isso, somos bicampeões estaduais com justiça. E se formos falar de justiça, podemos ampliar esse título para algo mais justo: o tricampeonato. Ou alguém se esqueceu como nos tomaram o título de 2014 na mão grande?

Os livros de história podem até ignorar os fatos, mas a torcida vascaína, não. Para nós, moralmente, o que conquistamos ontem foi o tricampeonato.

Bravatas – infelizmente – não cumpridas

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Esse é o rebaixamento do “respeito voltou”.

Esse é o rebaixamento do “não existe a palavra rebaixamento”.

Esse é o rebaixamento do “o maior reforço sou eu”.

Esse é o rebaixamento da “referência técnica”.

Esse é o rebaixamento do “agora o Vasco não será mais roubado

Esse é o rebaixamento dos 90%.

Esse é o rebaixamento do “não jogaremos no Maracanã”.

Esse é o rebaixamento do “recomendo que a torcida não vá ao clássico”.

Esse é o rebaixamento da contratação do Celso Roth.

Esse é o rebaixamento da manutenção do Celso Roth por tempo demais.

Esse é o rebaixamento da responsabilidade financeira.

Esse é o rebaixamento do artilheiro da Série C.

Esse é o rebaixamento do “da oposição eu não quero ajuda”.

Esse é o rebaixamento da “guerra sem quartel”.

Esse é o rebaixamento do bicho para evitar a queda.

Esse é o rebaixamento do ingresso pelo dobro do preço.

Esse é o rebaixamento da dependência do interesse de um rival.

Esse é o rebaixamento das 35 rodadas no Z4.

Quisera fosse também o rebaixamento do “vou para a Sibéria”. Mas se nenhuma das bravatas acima foi cumprida, por que o Dotô iria cumprir justo essa?

A lição do freguês

imageNa coluna de hoje vou deixar de falar sobre os bastidores do clube e falar um pouco mais sobre a vitória do Vasco sobre o Fluzim ontem. Dar mais uma carimbada no caderninho dos nossos clientes preferenciais é sempre bom, mas como não poderia deixar de ser, há o que se questionar.

E o que eu questiono é simples: por que diabos o time não joga sempre como jogou ontem? Não que a atuação de ontem tenha sido perfeita ou que estaríamos nas cabeças se jogássemos sempre assim, mas certamente não estaríamos penando no Z4 por tanto tempo.

Como falei no Blog da Fuzarca, as coisas deram muito certo ontem, mas ficou evidente que jogando com mais atenção, as dificuldades diminuem. Algumas deficiências continuam e quem não tem capacidade não virou craque da noite pro dia. Mas a maior aplicação de todos compensaram os erros que surgiram.

Até o Roth fugiu da rotina. O treinador fez todas as alterações que podia e nenhuma delas foi claramente para fechar mais a equipe: trocou a dupla de atacantes por outros dois atacantes e na substituição mais conservadora, tirou Jhon Cley e colocou o primo do Messi, que ajuda a marcar, mas não é um volantão tradicional. Se Roth fosse o Roth que conhecemos, ele poderia muito bem ter colocado o Jomar no time, ainda mais estando com vantagem no placar.

Os três pontos não foram o bastante para nos tirar da zona de rebaixamento, mas conseguirmos fazer com que a atuação de ontem seja o padrão do time, isso será uma questão de tempo. Não há justificativas para jogarmos dessa forma apenas contra o Fluzim. Jogadores mais aplicados e atentos e um treinador que não seja sempre tão cauteloso deveria ser a norma, não a exceção.

Dizem que as derrotas devem ser utilizadas como lições para que não repitamos nossos erros. Mas como aparentemente não aprendemos muito nas vezes em que fomos derrotados, podemos tentar aprender algo com a vitória de ontem.

Algumas perguntas pertinentes…

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Ontem a Arena Maracanã foi palco de mais um duelo entre nós e a urubulândia. E o Vasco foi mais uma vez prejudicado claramente pela arbitragem, como infelizmente já se tornou uma tradição no clássico. Dessa vez, não em lances tão escandalosamente vergonhosos como ignorar 30 centímetros de uma bola dentro do gol ou um impedimento de quase um metro, mas com as cenas de MMA protagonizadas pelos jogadores mulambos, consentidas pelo Sr. João Batista de Arruda.

Não é preciso ser um gênio para entender o quanto favoreceria ao Vasco ter um adversário com um jogador a menos desde os 15 minutos do primeiro tempo. Mesmo que isso não fosse garantir a vitória vascaína, mudaria completamente a cara do jogo, facilitando as coisas para o nosso lado (e para o jogo de um modo geral, que certamente teria menos falta e mais futebol, o que faltou para as duas equipes). Isso falando apenas da partida de ontem, claro. Mas ao não expulsar o Jonas pela voadora dada no rosto do Gilberto, o Sr. Arruda também favoreceu o Framengo para a próxima rodada, que ainda poderá contar com um jogador que estaria suspenso, no mínimo obrigando seu treinador a repensar uma melhor formação para o time e treiná-la.

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E isso para não citar pelo menos outros dois lances passíveis de expulsão do lado deles (antes que reclamem, também poderíamos ter um vermelho para o nosso lado, como bem mereceria o Dagoberto por sua agressão ao zagueiro mulambo): Marcelo Cirino, que poderia ter quebrado o tornozelo do Guiñazu com uma solada e Wallace, que simplesmente agrediu o Rodrigo, dando-lhe uma rasteira dentro da nossa área, com a bola já fora de campo. Ou seja, a mulambada poderia ter três desfalques importantíssimos para o jogo decisivo.

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Mas falar sobre os erros de arbitragem que prejudicam o Vasco em jogos contra os rubro-negros é assunto tão velho que até jornalistas torcedores do Framengo já admitem que a frequência em que isso ocorre passou dos limites. E como o assunto é batido, farei apenas algumas perguntas pertinentes:

Depois do que ocorreu ontem na Arena, onde está o tal “favorecimento” para o Vasco? Talvez no fato do Gilberto não ter ficado cego ao levar um chute no rosto?

O que pensa o Fred sobre a atuação do juiz João Batista Arruda? Será que ele ajudou muito o Vasco ontem?

E o esparadrapo do Luxemburgo? Vai continuar na sua boca ou ele tirou para fazer o curativo no Gilberto?

E os presidentes da dupla Fla-Flu? Vão reclamar da escalação desses juízes que só sabem prejudicar os dois clubes?

E o Bom Senso? Têm algo a declarar sobre o favorecimento que o Vasco teve ontem?

E a imprensa esportiva? Será que ela tem alguma dúvida que, se o lance da falta do Cirino sobre o Guiñazu fosse invertida, nosso capitão seria sumariamente expulso? E será que os jornalistas dariam o mesmo tratamento dado ao atacante mulambo ou pediriam o banimento do argentino do futebol?

Agora, a pergunta mais importante no momento: será que, o Fluzim confirmando sua presença na final, teremos uma arbitragem isenta no jogo decisivo entre Vasco e Flamengo? Mesmo que um simples empate garanta a final dos sonhos de toda a mídia e consórcios envolvidos?

Aliado flatulento

Logo FerjPassado o carnaval, podemos avaliar que se teve alguém que esse ano prometeu colocar o bloco na rua e no final das contas acabou atravessando o enredo na avenida foi a FERJ. Desde o começo de 2015, a Federação bravateou, ameaçou, disse que faria e aconteceria para acabar arregando em quase tudo. Resumindo, a FERJ peidou feio.

Primeiro o foi o bizarro item do regulamento do Estadual que estipulava uma multa aos clubes cujos jogadores fizessem críticas ao campeonato. Depois, foi a súbita atenção dada à questão do lado da torcida vascaína na Arena Maracanã (uma questão que vinha de muito antes e nunca pareceu interessar à Federação) e se arvorando de decisor da contenda, já que os clássicos não têm mandante (!?!?!) no Carioca. E claro que não podemos esquecer da principal polêmica desse Estadual, a briga pelos preços dos ingressos.

E o que aconteceu com todas essas demonstrações de força? Em todas a poderosa FERJ teve uma crise de flatulência que nem uma dose industrial de Luftal resolveria. A democratizante cláusula criada para calar as críticas caiu judicialmente e nem a própria Federação teve a pachorra de recorrer da decisão; a cessão do lado que caberia à torcida vascaína na Arena, depois que o Governo do Estado mostrou à FERJ que quem manda são os contratos assinados, foi contemporizada de maneira que não desagradasse ninguém, mandando o clássico entre Vasco e Fluzim pra longe do novo Mário Filho; e a celeuma sobre a meia-entrada universal no Estadual não resistiu mais que uma rodada: a Federação mais uma vez cedeu aos desejos de mulambos e tricoletes e liberou os preços dos ingressos.

Mas o que isso tem a ver com o Vasco?“, perguntará o visitante deste humilde site opinativo que tem a pretensão de falar apenas sobre o Gigante da Colina. À relação é clara: o único dos grandes do Rio que apoiou – quando não foi o motivador – de todas as causas perdidas da FERJ foi o Vasco e sua diretoria, o que torna a atual gestão do clube tão derrotada nessas questões quanto a própria Federação. A “influência do Vasco” na FERJ, baseada na amizade pessoal dos presidentes de ambas as instituições, é um dos pilares da principal plataforma da atual administração vascaína, que como todos sabem, é a tal “volta do respeito“.

Mas até agora, a depender da união entre Rubinho e Eurico, não apenas o respeito ainda parece longe da Colina como todos os pontos de concordância entre FERJ e Vasco têm nos trazido mais vexames. E não foram apenas os recuos da Federação nas questões apoiadas pela diretoria vascaína, mas também na condução geral do Carioca, para o presidente vascaíno, a competição mais importante do ano. Mesmo que seja um campeonato no qual o Vasco seja o que toma mais prejuízo na arrecadação e que tenha que se sujeitar às terríveis arbitragens do seu parceiro político, que já nos custaram dois pontos para o Barra Mansa dentro de São Januário e quase nos custaram outra vitória ontem, no Engenhão.

Não há um vascaíno que não deseje a volta do respeito, mesmo que esse seja um conceito meio vago/impreciso. Mas é difícil crer que a parceria ideal para nos ajudar a chegar a esse objetivo seja a FERJ. Se o ditado “diga-me com quem andas e te direi quem és” está correto, o Vasco não deveria buscar alianças que não cheiram bem.