Não zombem da minha inteligência

Pouco importa-me a partida. Não sou profissional de análise. Sou mero torcedor que opina, com possíveis e incontáveis equívocos, sobre tática, técnica e esquemas de jogo.

Porém, me formei em comunicação. Estudei análise do discurso e ler o que diz o texto e explorar as entrelinhas não ditas é uma especialidade que adquiri ao longo de minha formação acadêmica e pela experiência no mercado de trabalho na publicidade e no jornalismo. Continuar lendo

Farsa decupada

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Eurico entrega um suposto documento contábil a Mauro Cezar Pereira

Por um sem-número de razões, cessei meu compromisso periódico de escrever sobre o Vasco por essas bandas. Não precisam preocupar-se, não voltarei a fazê-lo.

Contudo, ante a participação do presidente do Vasco, Eurico Miranda, no programa Bola da Vez da ESPN no dia 14/3, convém fazer um registro – quase um desenho – do que prometeu o comandante cruzmaltino acerca das finanças ao jornalista Mauro Cezar Pereira e o que, de fato, entregou.

O compromisso de Mauro Cezar foi:

Eu não sou um especialista, mas eu procuro os especialistas para me ajudar nessas horas, que é o que vou fazer com esse material que o senhor acaba de me entregar.

Antes, Eurico disse:

Algumas coisas eu sei que é, mas, eu vejo você acompanhar e vou dar que é pra você ler e reler…

O problema é o seguinte, você entra – e desculpe eu ter que abordar também esse assunto, que é pra poder dizer também porque que é o Cristóvão! -, eu peguei um clube com R$ 700 milhões de dívidas. Eu peguei um clube que eu deixei, que eu tinha deixado, com R$ 130 milhões de dívidas, que eles logo que chegaram transformaram em R$ 300 (milhões)… Maquiagens para achar que tinha isso, contigência, sei lá o que for… E me entregaram com R$ 700 milhões de dívidas.

E o que que eu precisava fazer? Primeiro eu precisava tentar ajustar para poder… e isso teve como consequências o time do futebol, e… Paguei nesses dois que estou lá R$ 170 milhões de dívida passada, além daquilo que a gente fez. Fora o que a gente realizou patrimonialmente, que eu também tô te dando.

Ufa! Muita coisa, não? Pois bem, Mauro foi buscar ajuda com o Executivo do Itaú BBA, Cesar Grafietti, que inicia sua análise de maneira bem direta:
Os dados apresentados pelo Vasco neste relatório são insuficientes para uma análise. Trata-se de um punhado de informações desencontradas relacionadas a Dívidas e Passivos.
Não seria necessário ler o restante, diante dessa afirmativa, para inferir que, noves fora a pavonice, Eurico entregou um grupo de papeis que contabilmente pouco serve.
O presidente, porém, foi além na entrevista. Olha só o que ele, textualmente, afirmou:
E aí eu vou aproveitar, para você que é um especialista, que eu tô falando muito desse negócio contábil, são números. Depois quando você tiver – eu vejo que você gosta disso. -, você analisa aqui essa realidade financeira do Vasco e a situação patrimonial do Vasco antes de dezembro de 2014 e hoje, não, em dezembro de 2016, que a gente fechou em dezembro de 2016 é a mesma coisa a realidade financeira e hoje, só pra você ter uma ideia, que pode parecer tudo – aí ficam falando, falando, falando – e a primeira coisa que eu tive que fazer no Vasco, tinha um monte de barbaridades lá, mas a primeira coisa que eu tive de fazer foi pagar R$ 12 milhões, sem ter um tostão em caixa – e isso é normal não ter caixa no clube -, tive de pagar R$ 12 milhões em impostos pra eu poder conseguir tocar, conseguir certidão que, aliás, talvez seja – quer dizer, fizemos naquela época e em dois anos e poucos de administração – o Vasco tá rigorosamente em dia com suas certidões, com as certidões de débitos fiscais, com as certidões de fundo de garantia, que é um ônus que você tem, pagando aquilo atrasado e estando em dia, isso aqui é que é pra depois você, por favor…
Sobre tudo isso, diz Cesar:
…podemos tentar extrair ideias, mas isso em nenhum momento dá margem para qualquer afirmação sobre a gestão do clube no período citado, entre o final de 2014 e meados de 2016.
(…)
…comparando novembro de 2014 com julho de 2016 (…) dos R$ 172 milhões, se deduzirmos os R$ 114 milhões de Profut – que vem sem esforço de caixa, apenas baixa automática – a redução potencial de Dívida cai para R$ 58 milhões. Ainda assim um número considerável, mas inferior ao esforço potencial apresentado.
O executivo vai além:
Ou seja, as duas informações mais relevantes — aumento da dívida entre 2008 e 2014 e pagamento entre 2015 e 2016 — não parecem ser completamente corretas, ressalvando-se que a fonte é incompleta.
E vaticina:
…exceto se 2016 tenha sido um ano extraordinariamente bom, sob o ponto-de-vista de balanço, há poucas chances das dívidas terem caído na magnitude informada, exceto pela adesão ao Profut, que perdoou juros e multas.
O final da análise é um verdadeiro balde de água fria na mais débil esperança que ainda possa estar acesa sobre essa gestão.
… falta o mais importante, que é o balanço de 2016 (ainda não publicado). Sem esta peça, e com os dados disponibilizados pelo clube, não é possível confirmar nem duvidar do que foi dito pelo presidente vascaíno …
Eurico Miranda e sua verdade deturpada e autoritária não me surpreendem. O que me causa espasmo ainda são os que dão crédito a ele ou aqueles que preferem duvidar de novos nomes para agarrar-se a uma certeza tão inconfiável quanto esta.

A análise completa apurada por Mauro Cezar encontra-se aqui, no blog dele (com link para outra análise feita anteriormente por Amir Somoggi, profissional especializado em estudos envolvendo balanços dos clubes de futebol).

Se há esperanças ainda para o Vasco da Gama, sinceramente, não sei. A certeza que me resta é que, se houver, ela necessariamente não passa pelo manutenção deste senhor à frente do Club.

Só rindo mesmo

chorar3Fazia tempo que o site oficial do euriquismo estava sorumbático, taciturno e principalmente, calado. Os artigos de opinião foram raríssimos durante a exibição prática de incompetência protagonizada pelo futebol do Vasco: passaram todo mês de outubro e 24 dias de novembro apenas reproduzindo notícias do clube.

Até que no último dia 25, véspera do jogo contra o Ceará, alguém resolveu trabalhar e escreveu algo da própria lavra, a nota “Alerta de mensagem pirata” (não, não colocarei o link). A nota reclama da utilização do símbolo do site/movimento em uma convocação de protestos na Arena Maracanã.

A nota é hilária por dois motivos. Primeiro, por reclamar de “pirataria de segunda linha” e ilustrar a mesma nota com um desenho de banco de imagens sem pagar por ela (tanto que a imagem tem uma marca d’água), o que não deixa de também ser pirataria. E depois, por dizer o seguinte:

Está sendo divulgada através de mídias sociais uma convocação que prega vaias e xingamentos ao Presidente do Vasco. (…)
O CASACA! esclarece que historicamente esteve ao lado do Vasco, mesmo no período em que foi oposição. Assim, em momento delicado, jamais seria autor de qualquer ação contra a Instituição.
(…)
Portanto, neste sábado, mais uma vez, estaremos ao lado de quem sempre torce a favor. Ao lado daqueles que não esperam o caos para ganhar alguma notoriedade. Ao lado do clube.

Os grifos no texto são da casa e vocês devem ter percebido o que há de divertido na nota com o destaque nessas partes do texto: a convocação foi para vaias ao PRESIDENTE do Vasco e o site oficial do euriquismo fala em “jamais seria autor de ações contra a INSTITUIÇÃO”. Daí podemos deduzir duas coisas:

1) Para os adeptos da seita euriquista, o presidente e a instituição são a mesma coisa. Ou seja, Eurico = Vasco.
2) Ainda para eles, criticar a diretoria é estar contra o clube.

Os seguidores da seita ainda consideram o Dotô a personificação do clube, como um “rei-sol” de um feudo absolutista. Não perceberam que nos dias de hoje isso significa que temos um Vasco envelhecido,  fraco e de pouca saúde. A exata imagem do presidente do clube.

Só rindo mesmo. Para não chorar.

 

Sábado, lugar de vascaíno de VERDADE…

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é no lugar que ele quiser.

Admito que pensei muito se devia colocar no papel o que venho sentindo com a proximidade desse Vasco x Ceará. Essa sensação de amor e ódio que só Administração Miranda nos faz nutrir com os resultados vergonhosos nos últimos anos.

Digo isso porque realmente o que resta ao Vasco é a sua grande torcida. A torcida que esgota um setor de arquibancadas em poucas horas após o início das vendas dos ingressos. Talvez seja o nosso maior patrimônio.

Maior até que São Januário, que vem sendo colocado de escanteio nos momentos decisivos. A desculpa é que não suportaria a demanda de público, mas a gente sabe que na verdade é o medo da revolta da massa que não aguenta mais tanta falta de amor pelo Vasco.

Então torcedor que esteve nas filas pela cidade, que travou um duelo virtual online com o site do sócio torcedor, que vai empurrar até ficar rouco (e louco) Madson e Cia, esse texto não é uma crítica a você. Você atualmente é a única garantia que o Vasco permanece grande.

O companheiro de Vasco Expresso, JC, descreveu muito bem o papel que o vascaíno terá no sábado em seu texto para o site da Espn que você pode ler aqui https://t.co/yFtBUtpc3R.

Falo isso porque concordo com esse sentimento. Estive no empate contra o Icasa e vaiei muito após o apito final. Estive no fatídico jogo da marquise em São Januário contra o Vitória. Até o jogo do temporal contra o Santos compareci, torcendo para tudo ser um pesadelo e não uma triste realidade.

E talvez seja esse seja o ponto que queria abordar. Sábado não é dia de festa. Sábado, independente do resultado, já pode ser considerado um dos momentos mais deprês da história de um clube, uma instituição centenária.

Às vezes nós não estamos preparados para um filme dramático-cabeça que vai te deixar angustiado por dias, sabe? Vai assistir um “Requiem para um Sonho”, um “Magnólia” pra você ver.  Às vezes a gente só quer assistir uma comédia romântica, rir de umas piadas e duas horas depois esquecer tudo. Tipo as “Branquelas”.

É essa sensação que eu conflituosamente admito estar. A comparação pode soar trágica mas para mim, sábado é como se fossemos visitar alguém no hospital que já esteve na UTI 10 vezes nos últimos anos. Um paciente que conta com os amigos, família mas está sendo conduzido pela pior equipe médica existente na face da Terra. Tem gente que lida bem. Outras não. E isso não significa que quem não foi visitar um dia, ama menos do que o outro.

Novamente, dane-se o resultado. Reflita: a gente corre risco grave de não sair da segunda divisão. Olha o martírio que foi 2016, gente. E fomos campeões do carioquinha.

Depois de tantos reveses, reconheço que não estou preparado para este sábado. Não desmarquei o compromisso que tinha e assistirei da poltrona de casa desejando o melhor para Little Jorge e seu time.

Eu já botei essa banca: Vascaíno de VERDADE tem que apoiar incondicionalmente. A todos que julguei e apontei dedos minhas sinceras desculpas.

O Vascaíno de VERDADE pode acompanhar a distância, pode ouvir no radinho, pode ver com Silvio Luiz, China e Ceará, pode fazer sua fé, pode ir pro cinema na hora do jogo, pode xingar, pode chorar. Nessas horas, não existe razão e a gente acredita até que o Jorge Henrique fará o gol decisivo no sábado.

Enquanto o Vasco não me deixa indiferente, ao menos sinto que meu amor é real. E ao mesmo tempo esse martírio que vivemos também é.

Que os Deuses do futebol estejam ao nosso lado. A torcida, cada um do seu jeito, está.

Só por hoje

Que coisa.

A gente pensa que chegou ao fundo do poço, que pior do que isso não dá pra ficar (Tiririca fellings), que haverá uma luz ao fim desse longo e tenebroso túnel e…

 

 

Eu não vou agora, faltando 3 rodadas para acabar esse sofrido ano, criticar a gestão Eurico/Euriquinho porque todos nós (os que ainda podem ser chamados de sãos) sabíamos aonde isso iria dar. Por ser Vasco, a gente torce para o Satanás se eles vestisse a 10 do time.

As críticas para o Jorginho e aos jogadores também não vão ajudar neste momento. Meus amigos, se o Jorge Henrique ainda conta com o prestígio da comissão técnica para fazer gols, quem sou eu agora para falar que eles estão tomando chá de cogumelos em demasiado?

Eu falei o ano todo. A torcida falou. Ganhamos o carioca no primeiro semestre (nível terrível, gente) jogando mal. E isso foi o suficiente para o Vasco.

Cometemos o mesmo erro de 2015. Acreditamos no sucesso do título como garantia na permanência da série A. E agora na série B.

Não sei o que aconteceu.

Por que independente da gestão, do jogo feio, o Vasco estava seguro para classificação. Não havia temor nesse aspecto. Já pensávamos se esse futebolzinho daria certo na série A.

E aí veio a tempestade. O Vasco atualmente, antes desse jogo DECISIVO com o Bragantino, está na 11ª colocação, contando apenas os jogos 2º turno. Dizem que Jorginho e o grupo não se entendem mais. Bom, isso é meio óbvio vendo que a equipe não consegue trocar 3 passes contra a Luverdense.

Não sei se é também o cansaço dos velhinhos. Sim, nossos velhinhos não estão com a intensidade de antes. Nenê parece jogar olhando para o relógio perguntando quanto tempo falta. Falta interesse? Sei lá…alguém quer ficar com a mancha na carreira de não subir para série A?

A verdade é que estamos mal. Muito mal. E vendo os adversários (que times horrorosos, gente) subindo na tabela, estamos aqui fazendo contas. Aliás, confesso que me vi praguejando contra o globo esporte por não ter simulação da tabela da série B. Que draga.

O que fazer agora?

Sinceramente, a tática nesse momento pouco importa. Jorginho está inoperante. Zinho virou o Murtosa do 7×1.

A minha vontade é que os jogadores lutem, corram, não deixem para última rodada esse sofrimento. Resolvam na bola, na marra, com gol de Fellype Gabriel deitado na maca, de bunda do Thalles após cruzamento de Madson. De Jorge Henrique…que seja.

Por favor, só por hoje, não vamos criticar e que vocês, jogadores, só por hoje, joguem pra valer.