Só rindo mesmo

chorar3Fazia tempo que o site oficial do euriquismo estava sorumbático, taciturno e principalmente, calado. Os artigos de opinião foram raríssimos durante a exibição prática de incompetência protagonizada pelo futebol do Vasco: passaram todo mês de outubro e 24 dias de novembro apenas reproduzindo notícias do clube.

Até que no último dia 25, véspera do jogo contra o Ceará, alguém resolveu trabalhar e escreveu algo da própria lavra, a nota “Alerta de mensagem pirata” (não, não colocarei o link). A nota reclama da utilização do símbolo do site/movimento em uma convocação de protestos na Arena Maracanã.

A nota é hilária por dois motivos. Primeiro, por reclamar de “pirataria de segunda linha” e ilustrar a mesma nota com um desenho de banco de imagens sem pagar por ela (tanto que a imagem tem uma marca d’água), o que não deixa de também ser pirataria. E depois, por dizer o seguinte:

Está sendo divulgada através de mídias sociais uma convocação que prega vaias e xingamentos ao Presidente do Vasco. (…)
O CASACA! esclarece que historicamente esteve ao lado do Vasco, mesmo no período em que foi oposição. Assim, em momento delicado, jamais seria autor de qualquer ação contra a Instituição.
(…)
Portanto, neste sábado, mais uma vez, estaremos ao lado de quem sempre torce a favor. Ao lado daqueles que não esperam o caos para ganhar alguma notoriedade. Ao lado do clube.

Os grifos no texto são da casa e vocês devem ter percebido o que há de divertido na nota com o destaque nessas partes do texto: a convocação foi para vaias ao PRESIDENTE do Vasco e o site oficial do euriquismo fala em “jamais seria autor de ações contra a INSTITUIÇÃO”. Daí podemos deduzir duas coisas:

1) Para os adeptos da seita euriquista, o presidente e a instituição são a mesma coisa. Ou seja, Eurico = Vasco.
2) Ainda para eles, criticar a diretoria é estar contra o clube.

Os seguidores da seita ainda consideram o Dotô a personificação do clube, como um “rei-sol” de um feudo absolutista. Não perceberam que nos dias de hoje isso significa que temos um Vasco envelhecido,  fraco e de pouca saúde. A exata imagem do presidente do clube.

Só rindo mesmo. Para não chorar.

 

Tricampeão!

triA segunda partida da final do Estadual de 2016, entre Vasco e Botafogo, foi mais equilibrada que a primeira. O que é curioso: assim como nos dois primeiros jogos entre as duas equipes, o Vasco venceu quando jogou menos e empatou quando teve uma atuação melhor.

Mas, percebam o que é mais importante nisso: foram quatro jogos e o Vasco não perdeu nenhum.

Tinha dito no dia do primeiro jogo que uma final com Vasco e Botafogo seria a mais justa nesse campeonato. E não há como negar que o campeão mais justo seria o Gigante. O 1 a 1 de ontem na Arena Maracanã apenas coroou a melhor campanha na competição.

E com isso, somos bicampeões estaduais com justiça. E se formos falar de justiça, podemos ampliar esse título para algo mais justo: o tricampeonato. Ou alguém se esqueceu como nos tomaram o título de 2014 na mão grande?

Os livros de história podem até ignorar os fatos, mas a torcida vascaína, não. Para nós, moralmente, o que conquistamos ontem foi o tricampeonato.

Caozagem mulamba

joão-sem-braçoSe há uma coisa que não falta são motivos para se criticar o Estadual e seu regulamento. Que a FERJ produziu um campeonato com times e etapas demais e planejamento de menos (o que dizer de uma Taça Guanabara decidida na Região Norte e de um campeonato que só teve a confirmação de onde será sua final a menos de um mês da sua realização?), todo mundo sabe.

Mas também há certas coisas das quais não se pode reclamar. Vejamos a parte do regulamento do Estadual que trata da semifinal da competição:
confirmaçãoNão é preciso ser um advogado para entender o parágrafo primeiro desse item, é? Se “Dentre as associações classificadas para a fase final terá direito a escolha o mando de campo da primeira ou da segunda partida, a associação de melhor classificação no grupo C” (grupo esse formado pelas equipes que disputaram a Taça Guanabara), está claríssimo que quem escolhe o local da semifinal é o time melhor classificado em cada uma das semifinais, que, vale lembrar, serão em jogo único.

Ou seja, para deixar ainda mais claro, Vasco e Florminense têm o mando de campo e o direito de escolher onde querem jogar a semifinal.

Mas aparentemente, o Sr. Eduardo Bandeira de Mello, presidente mulambo e pessoa da mais alta instrução, não conseguiu entender esse simples parágrafo do regulamento. Por isso, soltou a pérola:

Não sabemos ainda onde vamos jogar. O regulamento é omisso e eu imagino que seja num lugar de comum acordo entre as duas partes e não acho difícil de conseguir esse comum acordo (…) Se é de comum acordo, acho difícil que seja proposto um estádio que não seja neutro. A gente vai achar um lugar legal para jogar”

De tudo isso, a única coisa correta é que a mulambada não sabe onde jogará. Nem teria como saber, já que a prerrogativa de escolher o local da partida é do Vasco. Agora, dizer que o regulamento é “omisso” sobre esse assunto ou esperar que a decisão seja de “comum acordo” é se fazer de desentendido. Não cabe à FERJ marcar nada e não é preciso comum acordo nenhum. Repetindo, o regulamento nos dá o direito de escolher onde queremos jogar.

Se não for escolhida a Colina – e, pra reforçar, sim, poderia ser São Januário, caso isso nos seja preferível – será um estádio que nos agrade, independente dos desejos e vontades urubulinas. Provavelmente se pensará em um estádio maior, até pelo potencial financeiro de uma semifinal entre Vasco e Framengo. Mas se o Sr. Bandeira de Mello não gosta, por exemplo, da Arena da Amazônia, desculpem a franqueza, isso não é problema do Vasco.

A urubulândia poderia dar pitaco onde jogaria a semifinal se tivesse feito algo simples: bastaria ter vencido a Taça Guanabara. Como chegou na quarta colocação, lamento, terá que jogar onde o melhor classificado quiser. Mandar indiretas e dar uma de joão sem braço para influenciar a escolha do local da partida é, além de inútil, patético.

A importância da Guanabara

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Entre os grandes do Rio, o Vasco é o time que há mais tempo está sem conquistar a Taça Guanabara. Ainda que não possa ser considerado um título (até porque não é mesmo), não fica bonito para o primeiro clube a levantar o troféu da competição passar 13 anos sem repetir tal gesto. Pior ainda se lembrarmos que, entre 2003 – quando fomos campeões pela última vez – e 2015 alguns clubes de menor tradição como o Volta Redonda (2005) e o Fluminense (2012) conseguiram lograr tal feito.

Mas nem é pelo longo jejum ou pela possibilidade de termos mais uma entre as infindáveis taças que ornamentarão nossa sala de troféus que falo sobre o simpático campeonato placebo. Essas vantagens até se tornam menores diante de outras que a conquista da Guanabara esse ano nos proporcionaria. Como o importante mesmo é alcançar o bicampeonato estadual, precisamos nos concentrar no que há de prático em terminarmos na primeira colocação nessa fase da competição.

A primeira delas é a vantagem de mando de campo na semifinal. Em um ano no qual os maiores estádios do Rio estão fechados para a prática do esporte bretão – mas não para shows de bandas conterrâneas do futebol – essa é uma prerrogativa que se torna importante. Se terminarmos na terceira ou na quarta colocação na Taça Guanabara, não poderemos escolher onde jogaremos a semifinal e isso significa a possibilidade de acabarmos em Volta Redonda, Espirito Santo, Brasília ou até mesmo em São Paulo. Se mantivermos a liderança que temos hoje até a oitava rodada desse turno, teremos São Januário como palco da semifinal.

A segunda vantagem, e na minha opinião a mais importante, é que sendo campeões da Guanabara teremos o benefício de jogar por um empate na semifinal, o que pode fazer uma diferença enorme numa disputa em jogo único. E se considerarmos que estaremos no nosso caldeirão, nosso caminho para a final do campeonato será bem facilitado, mesmo que tenhamos um clássico na semi.

Os mais atentos devem perceber que, já que a vantagem do empate não existirá nas finais e como o segundo colocado da Taça Guanabara também escolherá onde joga na semifinal, não somos obrigados a vencer o turno. Bom, realmente poderemos ter as mesmas vantagens se não levarmos a Guanabara. Mas duvido que exista sequer um vascaíno que não prefira acabar com mais de uma década de tabu e ainda por cima se livrar de um vice.

Gigante continental

poster-do-vasco-campeo-da-sul-americana-1948-11087-MLB20038029034_012014-OVendo o nível do Estadual que temos hoje fica difícil de acreditar, mas houve um tempo em que o Cariocão era o campeonato regional de maior prestígio do país. E não apenas por ter os clubes com as maiores torcidas do Brasil, mas também porque era o de melhor nível técnico.

Tanto era assim que muitos consideravam campeão brasileiro o time que fosse o campeão do Rio de Janeiro. Por conta disso, quando o Colo-Colo resolveu organizar o I Campeonato Sul-Americano de Campeões, a ser realizado no Chile em 1948, não havia outro clube brasileiro a ser convidado além do Vasco da Gama. Campeão Carioca de 47, base da Seleção Brasileira e Carioca (que era tricampeã do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais), o Gigante da Colina deveria ser, por justiça, o representante brasileiro na competição.

Troféu do Campeonato Sul-Americano de Campeões

Troféu do Campeonato Sul-Americano de Campeões

Era o Vasco mais uma vez mostrando sua vocação de pioneiro. E ser o primeiro clube nacional a disputar um campeonato sul-americano foi apenas o começo. O título (a primeira conquista internacional de um clube brasileiro) e a campanha invicta (por consequência, também inédita) foi um dos maiores feitos da gloriosa história vascaína, só igualado novamente 50 anos depois, quando conquistamos o bicampeonato sul-americano ao sermos campeões da Libertadores em 98.

O reconhecimento do título pela Conmebol, vindo em 1996, só reafirma sua importância. Desde então, o Club de Regatas Vasco da Gama é reconhecido oficialmente como o primeiro clube campeão da América do Sul. E os esperneios dos rivais não podem mudar em nada a história: no Rio de Janeiro, só existe um bicampeão continental. E ele é o Vasco.

(Para não cometer injustiças, vale citar o importante papel do Dotô nisso tudo: a solicitação de reconhecimento do título junto à Conmebol foi feita quando o atual presidente era VP de futebol. Mesmo que o pedido pudesse ter sido feito décadas antes e que o pleito tenha surgido na intenção de que o Vasco participasse da Supercopa – competição na qual apenas os campeões da Libertadores tinha acesso – é justo lembrar de quem veio o esforço para oficializar um dos mais importantes capítulos da história vascaína).

Você que está lendo essa coluna, como bom vascaíno que é, provavelmente já conhecia todos os fatos citados acima. Mas como hoje é o 68o aniversário do título do I Campeonato Sul-Americano de Campeões, vale relembrarmos a importância do Vasco na história do futebol. São conquistas como essa que tornaram nosso clube um gigante, mostram que não é porque atravessamos uma fase ruim que deixaremos de ocupar um lugar de destaque entre as maiores instituições esportivas do mundo.