Vasco, mas pode chamar de Bagdá do meu coração

IMG_3312Sábado estive com meu filho de dois anos (esse ai da foto) em São Januário para o recadastramento de sócios. Até aí nada demais, não fosse tudo o que cerca esse processo.

Para começar, as bem vindas obras ao redor do estádio deixam o cenário semelhante ao de uma cidade iraquiana em escombros. Foi quando eu disse pro meu filho para ele não reparar na bagunça que são obras que vem para o bem e que já, já está tudo uma beleza.

Na recepção, damos de cara com simpáticas moças fazendo uma pesquisa de opinião para lá de esquisita, sem informar para quem trabalham.

Do lado dentro, aquele abandono que conhecemos. Sujeira por todo lado, goteira, um ginásio sem piso, uma piscina interditada. Enfim, mais Bagdá.

Lendo a pesquisa das moças vi que vários nomes em branco e alguns votando no Eurico. Tempos atrás li o perfil sobre Eurico na revista Piauí (muito boa, por sinal). Precisamos reconhecer. Nos anos 1980 a 1999, Eurico foi um dirigente visionário. Elevou o clube à condição de maior rival do Flamengo, numa ação de marketing muito antes desse nome existir. Palmas para ele. De 1999 para cá, premido pelo excesso de dinheiro, elogios, poder ou sei lá mais o quê, enveredou para a política, usando o clube, com uma investida nos esportes olímpicos economicamente inviável, para dizer o mínimo. Foi seu grande erro.

Fosse o Vasco uma empresa privada e Eurico seu presidente bem sucedido há 20 anos, penso que ele seria convidado a assumir um cargo de nome bonito e nenhum poder. No mundo clubístico, o nome disso é presidente do conselho de beneméritos.

Mas como o clube é um clube, ele ficou lá assistindo à ruína que hoje tem seus últimos capítulos.

Pensem bem. Investir nos 99, em meio à crise russa, asiática e brasileira, em atletas de karatê, boliche, hipismo, era uma rematada sandice. Hoje em dia, o governo federal com um orçamento trilionário investe nesses esportes sem nenhum retorno, a não ser o político. Eurico desfrutou desse retorno político e se tornou deputado sem nenhum brilho em Brasília.

Hoje, ainda o vemos candidato à presidência do Vasco, usando como plataforma seu passado glorioso de 30 anos atrás. Reconheço, Eurico em 1985 foi muito inteligente. Formado no Santo Inácio e aprovado no vestibular para medicina, ele é inteligente. Infelizmente, depois de 1999, parou de ter ideias. Normal. Ninguém mantém um nível elevado a vida todo.

Penso que ele precisa se retirar da vida administrativa do clube. Não faz sentido ser executivo aos 70 e poucos anos, vindo de um período de 20 anos sem nenhuma ação digna de registro.

Voltamos aos dias de hoje. Sábado, melhor dizendo. Vasco arrasado. O clube parecido com Bagdá pós-bombardeio, mas tem uma coisa ali naquele quilometro quadrado mágica demais. Meu filho quando viu o gramado sentado da social vazia ficou louco (deve ter pensando: caramba, que TV gigante). Dali saiu correndo feito um doido de um lado a outro dos nossos escombros feliz da vida.

Eu então vendo o moleque na cena da foto aí em cima quase morri de tantas lembranças passando à mente, me vendo correndo ali um pouco maior que ele fantasiado de jogador que nem ele. É Bagdá, mas mora no nosso coração e mentes de forma indelével. Tá marcado e não sai nem que derrubem tudo.

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Os clubes precisam se unir para…

escudos-futebol-brasileiroPara reduzir os salários dos atletas, para reduzir os gastos com federações, para ampliar os ganhos com televisão, para exigir melhores árbitros, para checar exatamente o tamanho das torcidas, enfim para tanta coisa que podemos passar o dia enumerando. Continuar lendo

Clube(?) de Regatas Vasco da Gama

20130116parqueaquatico

Vivemos uma crise financeira com precedentes. Eu não lembro de quando não a vivemos. O mais correto é afirmar que somos uma crise financeira. Não é correto, porém, afirmar que ninguém determina nossa falência ou fechamento. Estamos fechados. Basta ir num fim de semana ao clube. Não se encontra um clube e sim um estádio mal conservado, ou melhor, bem conservado na forma de ruína. Continuar lendo