Quando eu escolhi desistir, o Vasco escolheu não deixar

time

 

Amigos,

Ser otimista dá um trabalho desgraçado.

O otimista, por incrível que pareça, é um sofredor permanente, não um iludido.

Só um otimista fica fazendo duzentas combinações naquela porcaria de simulador do globo esporte, sempre muito severo com o vascaíno, calculando as matemágicas probabilidades da sua fé inabalável ser recompensada. Só um otimista espera que o rival ferrenho da última hora se empenhe para conseguir um resultado que o beneficie.

O pessimista, por outro lado, é um conformado.

Resignado, seu único trabalho é acender um cigarro, coar um café, e esperar que os 113% de chance que o Tristão Garcia sempre crava de rebaixamento pra nós aconteça.  Ele está sempre a espreita com um “eu avisei” na ponta da língua.

O Vasco foi durante 23 rodadas um convite com letras douradas ao pessimismo, é bem verdade.

Nada que tenha um Celso Roth no banco com um Christiano em campo vai a lugar algum.

13 pontos, maluco! PQP!

A pior campanha de todos os tempos!

O time era o filho feio da rapidinha entre a senhora Ruindade Absoluta com o Doutor Azar Desgraçado. A bravataria incessante do velho resistiu e bancou o quanto pôde o moleque melequento. Foi preciso chutar para a lua o teto salarial (essa tragédia anunciada) e trazer jogadores para reverter esse quadro. Em uma palavra: Nenê.

O futebol é feito de símbolos, como eternizou nesse texto o amigo Garone.

Nenê é o símbolo desse Vasco que renasceu sob os cuidados de Jorginho.

Sob a liderança desses dois personagens, e impulsionado pelo sentimento que não para, o Vasco desafia há 13 rodadas a matemática, a lógica, as probabilidades, os palpiteiros e qualquer um que ligasse lé com cré na vigésima quarta rodada do campeonato.

Demos uma enorme banana para os Tristões dos microfones e das bancadas, e até para tristeza que nos habitou nas sórdidas derrotas ao longo desta campanha. O Vasco refez-se e tenta pôr-se de pé novamente. Da letargia, subitamente lembrou-se do que representa.

E nada representa mais o Vasco do que a cena imortal e histórica desse domingo, no dilúvio que se abateu sobre São Januário, apenas para atear fogo na torcida mais sensacional que um clube poderia sonhar em ter.

Diante dos nossos olhos, a reprodução vívida do mito original.

O Vasco que sai das entranhas da sua gente para ganhar o campo e desafiar a história.

Que se recusa a apequenar-se. Que faz o que ninguém esperava que  conseguisse fazer. Que pula por cima de arbitragens, adversários e adversidades. Vamos e convenhamos, chegarmos com chances na última rodada do campeonato, após o primeiro turno inominável, é um feito mais que inacreditável! É uma maluquice gigantesca!

Não nos orgulha, absolutamente, estar nessa condição insólita. Orgulha-nos, porém, o grupo honrado que se formou em São Januário, disposto a brigar por cada bola e cada palmo de campo e de lama, lembrando ao próprio Vasco o que ele de fato tem de ser.

Pela entrega de todos e pela cruz que, mesmo sufocada pela fumaça do atraso, teima em brilhar, é que manterei a esperança viva.

Quando eu já tinha escolhido desistir, o Vasco me deu motivos pra acreditar.

Não recusarei o chamado até o último apito trilar.

O Vasco sempre vale a pena.

@joao_almirante

 

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Vasco x Corinthians em São Januário e o mimimi da Timão Press

São-Januário

Amigos,

Não é de hoje que estamos calejados com a Flapress.  Para quem por acaso não esteja familiarizado com o termo, trata-se da nomenclatura de um fenômeno editorial da imprensa carioca, originado no colunismo- espraiado pelo noticiário-, que tem o objetivo de posicionar-se a favor do mais queridão, não importa a questão.  O famoso “jogar para a galera”.

Parte por razões pessoais, como a presença de jornalistas flamenguistas no comando editorial dos veículos esportivos cariocas- desde seu fundador, Mário Filho-, parte por razões econômicas, tendo em vista que o Flamengo é o time de maior torcida e, portanto, com maior potencial midiático e de consumo, a imprensa por aqui configurou-se dessa maneira.

Não seria diferente em São Paulo, onde o Corinthians assume o papel de vedete ocupado aqui pelo Flamengo.

A imprensa paulista e, em específico, a grande franja da “Timão press”, é ainda mais caricata.

Em muitos casos são torcedores que, além de não fazerem qualquer questão de ao menos passarem um verniz de imparcialidade, declaram-se orgulhosamente pelo coringão. Evidente que tais figuras habitam com mais frequência programas popularescos, onde se debate o Corinthians, esteja ele em qualquer situação, como se disso dependesse o futuro da nação.

No entanto, podemos ver alguns elementos dando bandeira na chamada imprensa de referência. Não sei sequer se os jornalistas Rodrigo Mattos e Bruno Voloch são corinthianos e nem me interessa saber. O time do jornalista é o de menos quando se exerce o ofício com honestidade intelectual.  Seja por má-fé ou desconhecimento, ambos constroem seus textos calcados em argumentos puramente falaciosos.

Mattos inicia seu texto em um tom apocalíptico: “Confronto de alto risco em um dos estádios mais complicados do Brasil”.  E prossegue:  “O jogo é entre torcidas rivais que já protagonizaram assassinatos entre si, envolve um possível título, uma disputa contra a Série B e um estádio dos mais complicados do Brasil”.

De fato, organizadas de Vasco e Corinthians possuem longo histórico de confrontos que, absolutamente, circunscrevem-se ao estádio de São Januário ou ao seu entorno. Em 2009, torcedores atracaram-se até a morte a caminho do Pacaembu no confronto decisivo pela Copa do Brasil. Um corinthiano morreu e como represália atearam fogo em um ônibus da torcida vascaína na porta do estádio! Em 2013, o confronto se deu dentro do estádio Mané Garrincha em Brasília.  Me parece, portanto, que a única solução para a questão é proibir jogos entre Vasco e Corinthians e admitirmos a nossa falência.

O autor do artigo ainda desconsidera solenemente o histórico recente de grandes confrontos decisivos “em um dos estádios de mais alto risco da galáxia!!!!”. Em 2007, o Corinthians visitou São Januário lutando contra o rebaixamento em jogo de grande público. Em 2011, Vasco e Corinthians travaram uma autêntica decisão de campeonato em São Januário com gente saindo pelo ladrão. Em 2012, além das estreitas e “impenetráveis” ruas de São Januário, ainda chovia de fazer cavalo beber água em pé para o gigantesco jogo de quartas de final de Libertadores.  Isso sem mencionar outros grandes confrontos, em estádios também lotados, contra adversários com torcidas de muita rivalidade como São Paulo, Santos e Cruzeiro.

Mattos e Voloch preferem deixar esse pequeno detalhe de lado e retornam quinze anos no tempo, rememorando a queda do alambrado em São Januário, na final do Brasileiro de 2000, como se desde então o Vasco tivesse fechado a porta de seu estádio para torcedores e grandes jogos.  Voloch vai além e praticamente sela o destino dessa partida com um raciocínio cretino: era final, desabou em 2000, é final, vai desabar agora, porque nada mudou. Mattos acrescenta detalhe imprescindível: “Adivinha quem era o presidente naquela época? Eurico”. Pronto, caiu o estádio! Só não vê quem não quer!

São Januário nem alambrado tem mais, mas a ideia central do texto é não deixar os fatos atrapalharem os argumentos, o que é feito com maestria, registre-se.

O colunista do Yahoo pergunta-se como se tivesse caído nessa coisa de comentar futebol anteontem: “Como separar duas torcidas gigantes?”.  Um desavisado pode achar que esse é o primeiro jogo entre Vasco e Corinthians em São Januário. A resposta é simples: como sempre se fez ao longo do tempo.  Escolta policial, esquema especial de chegada e saída do estádio, ou seja lá o diabo que nego arruma, com alguma eficiência é bom ressaltar.

Mattos surge então com a proposição, apoiada pelo Corinthians, que aciona o ministério público para transferir o jogo, que ele seja jogado no Engenhão, pois São Januário é um local de difícil acesso. Como se o Engenhão fosse o paraíso da acessibilidade. Como se ele soubesse do que está falando.  Voloch ainda lembra as “ameaças nas redes sociais”. Não sei se ele faz referência ao texto apócrifo que circulou pelas redes sociais ou a outra ameaça qualquer jogada na internet.  Isso, no entanto, é motivo para apurações policiais, não para vetar o Estádio de São Januário, porca miséria! A menos que haja um relato do busto do Almirante saindo pela sede social atirando sinalizadores na cabeça dos adversários, que não é o caso.

À parte a fragilidade dos argumentos, os textos ainda guardam outra semelhança, que é desprezar, ainda que veladamente, completamente os interesses do Vasco na partida. Chega ao nível de tratar como absurdo o direito do Vasco exercer seu mando de campo no próprio estádio, em partida que, pode não parecer, ainda não está decidida e que pode influir muito mais no destino do Vasco que do próprio Corinthians, que precisa apenas oficializar o título que já lhe pertence há um par de rodadas.

Não demora e estarão sugerindo que o jogo seja em Itaquera para o conforto do nosso Coringão.

Tenha paciência.

@joao_almirante

Mostre o tamanho da dificuldade, mostraremos o tamanho do Vasco!

torcida

Amigos,

Não foram poucas as alegrias que esse gigante de 117 anos me proporcionou ao longo da vida.

Também não foram poucas as vezes nesses últimos anos que, absorto em mais completa desesperança, sentenciei o fim do clube, pelo menos do clube que eu aprendi a amar.

Os últimos 15 anos foram mais de lágrimas que sorrisos e o que se anuncia mais a frente, não sei não, tem mais jeitão de pranto que deleite.

Confesso que a relação tem sido difícil ao longo dos anos e por diversas vezes somos colhidos pelo mais renitente pessimismo, ao vermos, de mão atadas, os rumos tomados pelo clube nos últimos tempos.

A tentação de abandonar ou de ao menos de se importar menos, é uma mentira que boa parte de nós já contou a si mesmo e viu desmoronar com alegria após uma simples vitória. Porque somos assim! Água morro abaixo, fogo morro acima, e torcedor querendo acreditar, ninguém segura! Pobre daquele torcedor que nunca se permite o direito de ser irracional. Terá atravessado a vida de torcedor sem nunca ter torcido de verdade e com verdade.

Refugiar-se na mais bela história do futebol mundial muitas vezes é o que me ajuda a segurar essa barra que é gostar do Vascão. Quando você investiga a história deste mais que centenário clube e passa a compreendê-lo em toda sua dimensão socioesportiva, você entende que não escolheu apenas um time, uma bandeira e um punhado de taças para se vangloriar. Você escolheu ser revolucionário! Escolheu um compromisso, não um time!

Insistem com razão que o Vasco necessita de um milagre para não ver a Nau singrando novamente os mares bravios da segunda divisão. E eu lhes digo: se algum clube tem a força intrínseca capaz de conseguir um milagre dessas proporções, esse clube é o Vasco!

Desde que quatro jovens remadores decidiram conjurar nossa maior paixão numa tarde de 21 de agosto de 1898, este clube acostumou-se a não aceitar “não” como resposta. Quem melhor para superar barreiras tidas como intransponíveis, que o clube que se notabilizou por fazê-lo ao longo de toda história? O time da virada mais do que nunca precisa colocar sua alcunha à prova, como o fez com sucesso inúmeras vezes.

Mostre o tamanho da dificuldade, que mostraremos o tamanho do Vasco!

Ao contrário do que pensa a maioria, esse não é momento de pegar as calculadoras. É hora de pegar as bandeiras, pintar-se para guerra, reagrupar e tirar o nosso centenário amigo dessa terrível situação, não importa o quanto isso custe aos nossos braços e às nossas gargantas.

Somos Vasco, porra!

Não compramos nossa grandeza na esquina! Nossas taças não foram conquistadas à base de canetas, apitos ou arranjos. Somos gigantes a despeito das inúmeras tentativas de impedir que cumpríssemos nosso destino. Nosso maior troféu é a massa incrível de apaixonados que se espalha pelo Brasil e pelo mundo e que apareceu pra jogar em todas as vezes que foi convocada nesses 117 anos. E dessa vez não será diferente.

O Vasco só diminuirá de tamanho se deixarmos ele diminuir em nós.

Conto com vocês para que isso nunca aconteça.

@joao_almirante

O fardo

fardo

Amigos,

A verdade é que a gente senta pra escrever e a vontade mesmo é de não escrever nada.

O Vasco tal como concebíamos acabou!

O gigante encolheu e nem mesmo seus milhões de súditos abnegados se mostram capazes de recuperá-lo, por mais que lotem estádios e se esgoelem por essa cambada de perna de pau.

O Club de Regatas Vasco da Gama está rebaixado para a segunda divisão pela terceira vez (Um turno de antecedência)

O impensável, o impossível, virou rotina.

Apaputaquepariu, viu.

A autópsia desse cadáver insepulto revela traços de incompetência generalizada.

Para começo de conversa: Que maluquice é essa de Eurico Miranda no Vasco? Sério. Eu só acredito porque eu to vendo. Como que os sócios do Vasco, depois de anos e anos  de luta  para destronar o Tirano de São Januário, o reconduzem à presidência do clube? Porque tem muito sócio do mensalão, é verdade, mas tem muito voto de coração também. Nego é maluco. Mas tudo bem.

Eurico & Filhos monta um time mequetrefe, contrata uns 3 ou 4 blefes, paga as contas com dificuldade, herdando de Dinamite uma situação ainda mais terrível que a deixada por ele.  Acontece que esse catadão de blefes vai lá e ganha o Campeonato Estadual depois de 12 anos, numa tarde memorável no Maracanã. Torcida em êxtase, se entreolhando nas arquibancadas, curtindo a própria grandeza, mais uma vez e enfim. O Vasco novamente campeão. Como manda o figurino.

O time sempre foi fraco. Não se discute. Todos que olhavam com algum senso para o elenco detectavam enormes carências. Mas, sinceramente, eu não esperava que o Vasco fosse disputar a última posição, da primeira à última rodada. O Vasco tá sempre brigando pelo último lugar e o adversário tá sempre brigando pela liderança, ou chega embalado, ou em recuperação, percebam só.  Outro dia o repórter perguntou ao jogador do Corinthians: E aí, 0 a 0 primeiro tempo com o Vasco, o Palmeiras meteu quatro, vai ficar por isso mesmo?

Do tipo: os caras já tão apostando em tom de brincadeira quem vai desmoralizar ainda mais o Vasco. Quem vai dar a última pedrada, a última cuspida, pregar o último prego.

As chances do Vasco não ser rebaixado são puramente matemáticas.

Para escapar, com alguma segurança, precisaríamos de 11 vitórias em 20 jogos.

Ou seja, um milagre.

Reis magos, ouro, incenso, Maria, José.

Nenê precisará ser o próprio menino Jesus .

Sabemos no fundo que não vai rolar.

O time só tem goleiro e torcida. Mais nada. Como diria João do América, meu xará: “Vai ganhar como? A defesa é uma merda, o time é uma merda, faz um leva três, a defesa é uma merda”.

Criação não existe, ataque não existe, bola parada é ruim ofensiva e defensivamente, não sabe se defender, não sabe contra-atacar, os melhores jogadores tecnicamente são velhos e bichados, o técnico é um inapto, que além de não dar organização pro time, expõe seu elenco  a todo momento.  Entre baforadas e bravatas o presidente finge que nem é com ele. Isola-se numa ilha de fantasia, cercado de bajuladores, que só fazem dizer amém para qualquer sandice.

Nós estamos fudidos pra c******** essa é a grande realidade.

Mais que o presente tenebroso, desanima ainda olhar para frente e não conseguir enxergar nenhuma saída. Politicamente o Vasco é uma lama só. Não há consenso, unidade, abnegação. Vendo de fora, como mero torcedor, percebe-se que há muita vaidade e rixa entre os membros que compõe o clube politicamente. O interesse político suplanta os interesses do clube e do seu torcedor com frequência.

Não há, tampouco, dinheiro. O Vasco vive de pires na mão. Vendendo almoço pra comprar a janta. Impressionante como os clubes todos devem Deus e o mundo mas nem por isso deixam de resguardar alguma dignidade. Parece que só o Vasco que fica de mãos atadas. Sempre. Não encontramos soluções. Apenas refugos, desculpas e heranças, cada qual mais maldita que a anterior.

Os caras administrando time de futebol são iguais aos cruzamentos do Cristiano pras finalizações do Herrera. E não é de hoje. Tudo leva a crer que houve uma aposta de quem conseguiria arruinar o Vasco de uma vez. Tá chegando a hora!

Seria admirável que esse time, somando tudo isso, não estivesse à beira do abismo.

O pior é que é arriscado de ir ao jogo e ainda acreditar que tem chance. O torcedor é antes de tudo um ser desequilibrado e incoerente. Na cabeça  de uma fanático 2 +2 quase nunca é quatro e qualquer vitória já é motivo para acreditar no impossível.  Mas se o impossível não acontecer, é certo que estaremos lá, em outra série B, vestindo a mesma camisa e a mesma cara de pau. Porque ser mulher de malandro desse time é o nosso destino, nosso carma inescapável.

O Vasco é a cruz que temos que carregar.

Minha grande alegria virou meu maior fardo.

Parabéns aos envolvidos.

@joao_almirante

Sonhando com Fernanda Lima

fernandalima

Os brasileiros vão a campo com: Djalminha, Emerson Sheik, Thiago Neves, Diego Tardelli, Everton Ribeiro, Júlio Baptista, Rafael Sóbis, Giuliano, Daniel Carvalho, Diego Souza, Ronaldinho Gaúcho, Anderson e muitos, muitos outros.

Os estrangeiros perfilam com: Thierry Henry, Malouda, Ortega, Riquelme, Aimar, Gallardo, Mutu, Amauri, Iaquinta, Macnelly Torres, Dátolo e com certeza mais uma penca de cobras internacionais de que agora não me recordo.

Coloque aí uma meia dúzia de beques de fazenda, dois goleiros, 10 caixas de Brahma, algumas peças bonitas de picanha, um grupo de pagode, dúzia e meia de mulheres- fruta, e teremos uma senhora pelada beneficente de fim de ano em algum campinho em Vassouras (RJ).

Mas não, amigos. O que une todos esses camaradas bons de bola, fora o apreço por peladas e mulheres curvilíneas peladas, é o fato de que, em algum momento de suas carreiras, integraram o time mais maravilhoso que era possível conceber, mesmo que sequer tenham tomado conhecimento disso.

A #SeleVasco , eis a verdade, é o time mais vitorioso de todos os tempos, e ela independe de dirigentes!

Nela os craques desfilam toda sua categoria em estádios abarrotados. Jogadas fantásticas, tabelas invejadas pela turma do Guardiola ( outro bom nome), dribles desconcertantes, gols de tudo que é jeito, para todos os gostos. A montagem do escrete não se prende a burocracias bobocas.

Salários? Ora, salários… isso o pessoal da Fly Emirates resolve em dois tempos. E se não resolverem, ainda tem-se a mão a Coca-Cola, a Ambev, a Nike, ou qualquer multinacional de nome ainda não revelado com 99% nos conformes. Na #SeleVasco, amigos, tudo pode ser, nós somos invencíveis, pode crer.

Quem dera eu pudesse morar num fórum maluco desses no facebook, onde os craques chegam, vestem a cruz-de-malta, entram em campo, disputam posição com outros craques e são vaiados antes mesmo de serem consultados a respeito.

Na vida real é tudo mais sofrido. Via de regra, nos deitamos para muito amor e sexo com a Fernanda Lima, e acordamos com a Regina Cazé esquentando nossos pés.

“Vamos montar um elenco competitivo mesmo com as limitações financeiras”, dizem eles desde que o mundo é mundo. “Vamos fazer o que der pra ver como que fica”, em tradução livre.

Quem lida com as finanças do clube, reza a lenda, não consegue dormir a noite.

Há um punhado de anos vivemos de vender janta para comprar almoço e eles, sempre eles, os Freddy Kruggers dos nossos sonhos, garantem que não há sinal algum de que isso mudará em futuro breve. Austeridade, pregam. Saneamento, receitam. Paciência, clamam.

Não parece mesmo haver outro caminho que não um reordenamento total das finanças do clube. E o clube parece entender tanto disso quanto eu entendo de aramaico- ou finanças. Há que se encontrar um equilíbrio: Arrumar um jeito de pagar as contas, sem perder de vista a missão de montar times minimamente dignos, que não nos empurrem para divisões que num passado nem tão distante eram impensáveis. Das quais, hoje, estamos nos tornando perigosamente habituês.

Com a palavra, Doutor Eurico Miranda.

Mesmo tendo sido responsável por boa parte do quadro caótico que se abate sobre a Colina, agravado profundamente pela inépcia de Roberto Dinamite – deposto dos cargos de presidente e ídolo-, ele foi eleito com grande vantagem pelos associados do clube. Que vai se fazer, se não torcer para dar certo, não é mesmo ?

Apressam-se todos a meter-lhe o pau, o que nem de longe é injusto e sem razão. Eurico é figura malvista por quase toda a imprensa, pela grande maioria da torcida do Vasco e por todas as torcidas rivais. Nele está colada a pecha de “dirigente ladrão”. Comparados a ele, pilantras de grosso calibre são vistos como donzelas puras.

Eurico, a parte isso, é também um dos dirigentes mais vitoriosos da história do Vasco. Sob seu comando, o departamento de futebol do clube, que ontem completou 99 anos, arrebatou muitas daquelas taças que abrilhantam a nossa sala de troféus. Talvez eu nem fosse Vasco se não fossem os times vitoriosos montados por ele na década de 90, que me faziam caminhar pela escola com a empáfia de um membro da coroa inglesa.

Pueril? Possivelmente. Mas no exercício de enxergar o copo meio-cheio, tento vislumbrar um Eurico com ganas de reaver o prestígio que um dia já gozou com a torcida do Vasco. Não é possível que um homem, nessas idades de sentar e coçar, ainda queira tanto se meter com futebol para ser esculachado dia e noite na imprensa, no estádio, na rua, na chuva, na fazenda. Ainda mais um homem como ele, cheio de orgulhos, que brada aos quatro ventos, sem que lhe possam contestar, que sob seu comando o “Vasco nunca caiu”.

Não cair é muito pouco para o Vasco. Se esta é a meta, estamos definitivamente equiparados ao Goiás e que tais. Não sendo este o teto, mas o piso, ninguém poderá dizer que é má ideia. Cair, realmente, não é algo que se possa mais tolerar. Um ano a mais de Sílvio Luiz e companhia narrando os jogos do meu time eu não aguento. Ninguém aguenta.

É bom que o doutor e os amigos saibam que no momento em que essas linhas são escritas, o Campeonato Brasileiro de 2015 já tem um candidatíssimo ao rebaixamento. É bom que o doutor e os amigos saibam que o Vasco precisa de reforços em todas as posições, do goleiro ao ponta-esquerda, do roupeiro ao presidente. E essas necessidades precisarão ser supridas num cenário de terra arrasada.

Como não somos o clube de mulheres do Cruzeiro, será preciso muito mais que joelhos dobrados e corações ao alto para desatar os nós ou dá-los no pingo d’água.

Se bem que um pouquinho de oração nunca fez mal a ninguém.

Que Deus envie nossa graça o mais breve possível.

E que não seja num avião da Fly Emirates.

Amém!

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