(Nenê) Dependência Afetiva

 

O Vasco teve 3 semanas exclusivas de preparação para sua estreia no Brasileiro. Fora de casa, contra o atual campeão Palmeiras, os treinos eram essenciais para tentar tornar o time competitivo.

Veja, caro solitário leitor, o time do Vasco não é competitivo. Isso que assusta desde o começo do ano. As derrotas não são “vendidas de forma cara” ao adversário. São vendidas a varejo, a fiado no botequim do Zé, aquela saideira que o comerciante português nunca verá o trocado de volta.

Esse era o papel do Mister Mendes e os jogadores. Perder em SP era mais do que certo mas quem sabe fazer uma boa partida? Jogar de igual para igual, com o time ajustadinho, copeiro e sabendo de suas limitações e, principalmente, SEM PASSAR VERGONHA.

Algo próximo disso aconteceu nos primeiros 45 minutos de jogo. E tomamos 2 gols. Nossos sonhos foram trucidados no segundo tempo da partida com uma goleada de 4×0 e um time entregue. Entregue e sem perspectivas.

E aí nos deparamos com Nenê. Nenê é o melhor jogador do Vasco. Usa a 10 e com razão. Nunca ficou no banco. Veio na leva de contratações de Eurico Miranda quando a vaca já tinha se acomodado no brejo em 2015. Foi o nosso artilheiro e que nos deu esperança para sair da zona de rebaixamento.

Em 2016, foram 55 jogos, 21 gols e 18 assistências. Isso diz muito de nossa Nenê dependência. Quando não jogava, as chances de êxito caiam vertiginosamente. O segundo turno da série B, como o time todo, Nenê caiu de produção. Vivia de lances esporádicos. O terceiro lugar na classificação final mostrou a apatia e o desinteresse do elenco.

E o ano de 2017 segue o mesmo ritmo. Para Nenê e o Vasco.

Infelizmente, parece fim de namoro.

Sabe aquela sensação de que não dá mais? Que você acha a pessoa super legal, que tem todas as afinidades mas perdeu tesão?  Sumiu aquele click que te faz suspirar e brilhar os olhos? É isso. Nenê, ao que parece, não quer mais sair com a gente. Pra que namorar alguém que tá sempre na mesma, não arruma um emprego legal, com estabilidade, sem metas para o futuro, quando chega na casa tá sempre desarrumada, não sabe planejar, nem ser leve no dia a dia?

E o Vasco com isso, diria você? O Vasco e a torcida são, como os namorados avoados, os últimos a saberem. Desde 2016, com aquela história mal contada da distância dos filhos, Nenê anda estranho com a gente, vai. Distante, vivendo de toques de calcanhar que não levam a nada, sem vontade de um algo a mais.

A rotina tomou conta do casal Vasco-Nenê.

O que fazer? Eu começaria com uma terapia. E espero que o Mister Mendes tenha pensado o mesmo. Será que a reserva faz parte de um choque necessário?

Não sei se faria essa medida drástica. Talvez uma conversa ao pé do ouvido, um carinho, uma troca de ideias, uma tentativa de reaquecer o amor perdido.

O Banco é frio, triste e, especialmente, para Nenê, que tem uma estirpe de Prima Donna de São Januário. Significa o fim do prestígio.

Nenê sabe que arruma outro clube em um estalar de dedos. É um camisa dez artilheiro em falta no mercado. É o jogador que dá conta do recado, que faz a diferença quando chega.

Perder Nenê, para mim, não é a solução. Pode ser um alívio. Um alívio de ver um jogador que não vem rendendo e que pode estar, de alguma forma, contaminando para a apatia cruzmaltina.

Colocar Nenê no banco é uma decisão radical para um time que precisa ganhar do Bahia em casa. Não há outro resultado que não seja a vitória. E o Vasco, como um todo, não só Nenê, não vem jogando bem.

Trocar Nenê por Kelvin, por pior que esteja a relação, é uma derrota moral. Somos Nenê dependentes afetivos. Claro que isso não é bom e saudável. Um time bem estruturado, encaixado e treinado, sente menos falta de 1 jogador.

E isso vale pra vida.

Términos de relacionamentos são, felizmente ou infelizmente, normais. A vida segue. Se estivermos bem em outros seguimentos dessa “so called life” as coisas continuam andam. Se estivermos mal, esse baque de separação pode ser um passo para depressão.

Ainda dá tempo de estreitar as relações como nosso melhor jogador. Que o amor volte, em forma de dedicação e comprometimento do nosso craque em campo.

Acredite torcedor, pior que o amor não correspondido, é o sentimento de saudade. E Nenê, nesse grupo de jogadores, é um dos poucos que pode causar isso.

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A razão da paixão

Os últimos campeonatos brasileiros para a torcida do Vasco não foram os mais agradáveis. Dois rebaixamentos recentes deixaram o cruzmaltino ressabiado. Com razão.

Esse sensação difícil de descrever. De que estamos diante de um martírio. Que o prazer de ver o Vasco em campo fica em segundo plano. De que queremos, no final das contas, é apenas sobreviver.  Infelizmente esse gosto amargo torna-se cada vez mais real perante a torcida.

Nesse próximo domingo inicia a nova jornada pela série A, fora de casa, contra o atual campeão da competição, o rico Palmeiras. Que sorte a nossa.

A verdade é que o carioquinha dessa vez não nos deixou com falsas esperanças. Cristóvão já entrou com data de validade vencida. De péssima passagem pelo Corinthians e com um passado de brigas com a torcida, era questão de tempo para o tio Cris deixar o cargo.

Assumiu Mister Mendes. Parece ser gente boa e entra no velho continente na fila daqueles com passaporte da união europeia. E…só. Nesses cinco meses, Vasco não apresentou muito. Quase nada para falar a verdade.

Contratamos nomes conhecidos no mercado e que poderiam sim dar uma qualidade ao elenco: Luis Fabiano, Escudero, Wagner, Kelvin, Gilberto. Só que não renderam, até o momento, o esperado.

Tal fato fez com que tanto Cristóvão e Mendes utilizassem com maior frequência os jogadores da base. Sempre defendi essa tese. Por que contratar um cabra “comum” de fora se podemos lançar alguém prata da casa? Os meninos tem até me surpreendido positivamente (Douglas, Henrique, Guilherme e Jomar) porém falta ainda muito para tornar um time confiável. Que brigue pelas cabeças.

Falando em cabeças, a “administração” Miranda, que nos persegue anos a fio, bate no peito que lutaremos por uma vaga na libertadores. Ok. Essa mesma gerência futebolística que deixa o time principal com apenas 3 zagueiros no plantel. Se der problema, improvisa o mago Julio dos Santos que tá tudo bem.

A cegueira dos Miranda sobre o papel do Vasco no campeonato não pode ser confundida com paixão.

Paixão é você acreditar que as coisas podem dar certo mesmo sabendo que tudo conspira contra. É ter noção da realidade e ser tomado pelo sentimento de esperança que dias melhores virão.

É isso que resume nosso papel, nas próximas 39 rodadas, de Brasileirão. Torcer para:

Que o Vasco arrume a casa, tendo um papel digno com sua história;

Vire um time competitivo tanto no papel como no campo;

Que a prata da casa nos ajude e tenha sucesso nessa caminhada;

Que a paixão pelo Vasco, quem sabe, transforme nossos sonhos em realidade.

Sábado, lugar de vascaíno de VERDADE…

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é no lugar que ele quiser.

Admito que pensei muito se devia colocar no papel o que venho sentindo com a proximidade desse Vasco x Ceará. Essa sensação de amor e ódio que só Administração Miranda nos faz nutrir com os resultados vergonhosos nos últimos anos.

Digo isso porque realmente o que resta ao Vasco é a sua grande torcida. A torcida que esgota um setor de arquibancadas em poucas horas após o início das vendas dos ingressos. Talvez seja o nosso maior patrimônio.

Maior até que São Januário, que vem sendo colocado de escanteio nos momentos decisivos. A desculpa é que não suportaria a demanda de público, mas a gente sabe que na verdade é o medo da revolta da massa que não aguenta mais tanta falta de amor pelo Vasco.

Então torcedor que esteve nas filas pela cidade, que travou um duelo virtual online com o site do sócio torcedor, que vai empurrar até ficar rouco (e louco) Madson e Cia, esse texto não é uma crítica a você. Você atualmente é a única garantia que o Vasco permanece grande.

O companheiro de Vasco Expresso, JC, descreveu muito bem o papel que o vascaíno terá no sábado em seu texto para o site da Espn que você pode ler aqui https://t.co/yFtBUtpc3R.

Falo isso porque concordo com esse sentimento. Estive no empate contra o Icasa e vaiei muito após o apito final. Estive no fatídico jogo da marquise em São Januário contra o Vitória. Até o jogo do temporal contra o Santos compareci, torcendo para tudo ser um pesadelo e não uma triste realidade.

E talvez seja esse seja o ponto que queria abordar. Sábado não é dia de festa. Sábado, independente do resultado, já pode ser considerado um dos momentos mais deprês da história de um clube, uma instituição centenária.

Às vezes nós não estamos preparados para um filme dramático-cabeça que vai te deixar angustiado por dias, sabe? Vai assistir um “Requiem para um Sonho”, um “Magnólia” pra você ver.  Às vezes a gente só quer assistir uma comédia romântica, rir de umas piadas e duas horas depois esquecer tudo. Tipo as “Branquelas”.

É essa sensação que eu conflituosamente admito estar. A comparação pode soar trágica mas para mim, sábado é como se fossemos visitar alguém no hospital que já esteve na UTI 10 vezes nos últimos anos. Um paciente que conta com os amigos, família mas está sendo conduzido pela pior equipe médica existente na face da Terra. Tem gente que lida bem. Outras não. E isso não significa que quem não foi visitar um dia, ama menos do que o outro.

Novamente, dane-se o resultado. Reflita: a gente corre risco grave de não sair da segunda divisão. Olha o martírio que foi 2016, gente. E fomos campeões do carioquinha.

Depois de tantos reveses, reconheço que não estou preparado para este sábado. Não desmarquei o compromisso que tinha e assistirei da poltrona de casa desejando o melhor para Little Jorge e seu time.

Eu já botei essa banca: Vascaíno de VERDADE tem que apoiar incondicionalmente. A todos que julguei e apontei dedos minhas sinceras desculpas.

O Vascaíno de VERDADE pode acompanhar a distância, pode ouvir no radinho, pode ver com Silvio Luiz, China e Ceará, pode fazer sua fé, pode ir pro cinema na hora do jogo, pode xingar, pode chorar. Nessas horas, não existe razão e a gente acredita até que o Jorge Henrique fará o gol decisivo no sábado.

Enquanto o Vasco não me deixa indiferente, ao menos sinto que meu amor é real. E ao mesmo tempo esse martírio que vivemos também é.

Que os Deuses do futebol estejam ao nosso lado. A torcida, cada um do seu jeito, está.

Só por hoje

Que coisa.

A gente pensa que chegou ao fundo do poço, que pior do que isso não dá pra ficar (Tiririca fellings), que haverá uma luz ao fim desse longo e tenebroso túnel e…

 

 

Eu não vou agora, faltando 3 rodadas para acabar esse sofrido ano, criticar a gestão Eurico/Euriquinho porque todos nós (os que ainda podem ser chamados de sãos) sabíamos aonde isso iria dar. Por ser Vasco, a gente torce para o Satanás se eles vestisse a 10 do time.

As críticas para o Jorginho e aos jogadores também não vão ajudar neste momento. Meus amigos, se o Jorge Henrique ainda conta com o prestígio da comissão técnica para fazer gols, quem sou eu agora para falar que eles estão tomando chá de cogumelos em demasiado?

Eu falei o ano todo. A torcida falou. Ganhamos o carioca no primeiro semestre (nível terrível, gente) jogando mal. E isso foi o suficiente para o Vasco.

Cometemos o mesmo erro de 2015. Acreditamos no sucesso do título como garantia na permanência da série A. E agora na série B.

Não sei o que aconteceu.

Por que independente da gestão, do jogo feio, o Vasco estava seguro para classificação. Não havia temor nesse aspecto. Já pensávamos se esse futebolzinho daria certo na série A.

E aí veio a tempestade. O Vasco atualmente, antes desse jogo DECISIVO com o Bragantino, está na 11ª colocação, contando apenas os jogos 2º turno. Dizem que Jorginho e o grupo não se entendem mais. Bom, isso é meio óbvio vendo que a equipe não consegue trocar 3 passes contra a Luverdense.

Não sei se é também o cansaço dos velhinhos. Sim, nossos velhinhos não estão com a intensidade de antes. Nenê parece jogar olhando para o relógio perguntando quanto tempo falta. Falta interesse? Sei lá…alguém quer ficar com a mancha na carreira de não subir para série A?

A verdade é que estamos mal. Muito mal. E vendo os adversários (que times horrorosos, gente) subindo na tabela, estamos aqui fazendo contas. Aliás, confesso que me vi praguejando contra o globo esporte por não ter simulação da tabela da série B. Que draga.

O que fazer agora?

Sinceramente, a tática nesse momento pouco importa. Jorginho está inoperante. Zinho virou o Murtosa do 7×1.

A minha vontade é que os jogadores lutem, corram, não deixem para última rodada esse sofrimento. Resolvam na bola, na marra, com gol de Fellype Gabriel deitado na maca, de bunda do Thalles após cruzamento de Madson. De Jorge Henrique…que seja.

Por favor, só por hoje, não vamos criticar e que vocês, jogadores, só por hoje, joguem pra valer.

2016 começa hoje

Após um período sabático retorno as páginas deste blog justamente no dia da estreia cruzmaltina na Copa do Brasil, principal torneio nacional que o clube disputa nesse ano.

Sim, caros amigos, o Carioquinha, especialmente nesse formato, só começa a contar a partir das semifinais. Não consigo levar a sério a invencibilidade conquistada no torneio nem a “artilharia” de Riascos. É que nem acreditar em alguma decisão do TJD-RJ.

Você, solitário leitor, deve estar se perguntando: Mas enfrentamos times mais fortes que o Remo, seu louco!

Entendo. Desde a segunda fase do carioca, mesmo invicto, o Vasco não joga bem. O suposto padrão de jogo, equilíbrio em campo e entrosamento são inexistentes. Levamos sufoco do Madureira, gente.

Fica claro que Jorginho está preso às peças do ano passado e que os craques “idosos” do time ( Nenê e Andrezinho) estão caindo de rendimento. Seja pela idade/desgaste, seja por uma má fase.

Recordo que, no final de 2015, com a rebordosa de um terceiro rebaixamento, bradava-se em São Januário que o time em 2016 usaria a base, os garotos teriam chance nesse torneio sem vergonha de verão chamado Carioca. E…nada. Era o momento de testar, experimentar jogadores porém o que vale é a suposta invencibilidade e título.

Já conhecemos esse filme. Chegaremos no segundo semestre, na série B, com um time “quebrado”, com os velhinhos Rodrigo, Julio Cesar, Marcelo Mattos, Andrezinho e Nene cansados, necessitando da base. E aí, como os garotos  não são cascudos suficientes, contrataremos jogadores sem expressão e talento que dificilmente continuarão no time em 2017.

Bom, não vamos colocar a carroça na frente dos bois. Hoje verdadeiramente é dia de um jogo importante. Não sei se o Vasco consegue eliminar o jogo da volta mas deveria ser o proposto pela comissão técnica.

O mais legal dos jogos fora da Copa BR é a interação e felicidade da torcida ao ver o time em locais distantes do Rio. Demonstra a força desse clube que tanto despreza seu fã, tanto carioca como de outros Estados.

Que a felicidade não vire decepção, após os 90 minutos de hoje em Belém. Que o Vasco seja o Vasco dos sonhos do torcedor, no verdadeiro primeiro certame do ano de 2016.