Somos todos culpados


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Tive vergonha do Jorge Luis em 2008. E do Tita.

Tive pena do Pedrinho e do Edmundo.

Tive esperança com o Dedé e o Trem-Bala.

Não durou muito. Pouco depois, tive vergonha do Diogo Silva. Do Alessandro. E, mais uma vez, tive pena. Agora, do Juninho.

Tive vergonha do desastroso acesso na Série B em 2014.

Tenho vergonha do fim dado ao maior ídolo do Vasco dentro de campo.

Tive vergonha da volta do Zé do Táxi.

Eurico. Tenho muita vergonha do Eurico.

Tenho vergonha da décima chance dada ao Bernardo.

Tenho vergonha do elenco com mais de quarenta jogadores. Vergonha das contratações feitas para empresários, quando deveriam ser para o Vasco.

Tenho vergonha dos restos do Cruzeiro habitarem os onze titulares do Vasco há tempos.

Acho cômico o “o respeito voltou”. Acho vergonhoso quando boa parcela da torcida acredita que, de fato, o respeito tenha voltado.

Tive a ilusão de que teríamos um ano tranquilo com o título Carioca.

Tenho vergonha de ser lanterna do Brasileirão.

Tenho vergonha do possível terceiro rebaixamento nas últimas seis vezes em que o Vasco esteve na Série A.

Tenho medo do que será do Vasco pelos próximos anos (ainda faltam dois e meio no comando de Eurico).

Temo pelo futuro do Evander e do Andrey. Temo pelo futuro do Gigante.

Tenho vergonha de tudo o que estão fazendo.

Tenho vergonha do que não estamos fazendo para resgatar o Vasco. O que eu fiz? O que você fez?

Algo precisa mudar.

Para sempre, porém, terei orgulho de torcer pelo Club de Regatas Vasco da Gama.

Domingo é o nosso dia



Contagiemos com o clima e a força de um Vasco x Flamengo. Se não vivemos um momento brilhante, não há como negar que, ao menos, a fase é boa. 

O Vasco é líder do Campeonato Carioca. É, ainda, muito pouco. Sou do tipo de torcedor que acredita que torcida ganha jogo e, consequentemente, títulos. Vascaínos, ganhar um simples Campeonato Carioca é um passo importante para resgatarmos nossa auto-estima.

Domingo não é a final. Além dos três pontos, vale a formação de um time: com cara de time, jeito de time, força de um time, com pegada, com estrela. 

Peço para que passemos a semana com esse clima. Não sou defensor da trupe de Eurico, mas acho que o futebol é tão imponderável que possibilita a escrita certa por linhas tortas (Juninho Pernambucano não poder circular em São Januário como um ídolo do clube é tortíssimo!)

Vamos tentar deixar a desconfiança de lado. Vamos acreditar que é, sim, possível voltarmos a ser campeões e temidos. Vamos apostar na boa safra de jogadores jovens que temos, aliados a Martin Silva, Guiñazu e Dagoberto.

Nós somos os favoritos. Pouco, mas somos. O Flamengo já colocou pressão na arbitragem. É piada pronta. 

Nem a vitória é sinal de que está tudo certo, nem a derrota é o final dos tempos. Mas que o vascaíno possa viver a expectativa de um Vasco x Flamengo com confiança e que esse sentimento paire na Colina por mais tempo.

Nosso ponto forte



Nem Gilberto, nem Bernardo. Julio dos Santos, apesar do bom começo, também não chega a ser essencial. Thalles ainda não vingou. Com o setor ofensivo ainda procurando a melhor formação, o segredo do Vasco está na zaga.

Martin Silva, Luan, Rodrigo e Guiñazu são fundamentais para o time. Méritos para o técnico Doriva que, assim como fez no Ituano, compactou o time e deixou o setor defensivo como ponto forte.

Martin Silva é experiente e caiu nas graças da torcida assim que chegou. Guiñazu, apesar do excesso de faltas desnecessárias, é muito presente no jogo e toma conta do meio campo. É o volante que reconhece a própria limitação e se limita a fazer o que sabe que pode.

Rodrigo e, principalmente, Luan não estão dando vez aos atacantes no Campeonato Carioca. Tornaram o Flu de Fred inoperante e, além da segurança lá atrás, estão fazendo gols no ataque.

Luan, aliás, ganhou uma justa oportunidade na seleção olímpica. Zagueiro técnico que, apesar de novo, demonstra maturidade. Identificado com a torcida e revelado pelo clube, é candidato a ídolo do Vasco nos próximos anos.

Um contraponto: a dupla teve o mesmo começo acima da média em 2014. Comandados por Doriva, até aqui uma grata surpresa, espero que possam manter o alto nível por mais tempo. 

Esperança e perigo

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Diante de tanto negativismo, um elogio: em pouquíssimo tempo, Doriva deu um padrão de jogo ao Vasco. Na Série B, Adílson Batista e Joel Santana tiveram 19 rodadas cada um, mas ficaram longe de dar uma cara ao time.

Contra Flamengo, São Paulo e Cabofriense vimos um Vasco compacto. Os dois pontas voltam para marcar, os dois laterais avançam à linha de fundo e os volantes atuam com pegada e passes curtos. Na frente, jogadores rápidos e muita movimentação.

Está funcionando. É cedo, mas a impressão inicial do trabalho de Doriva é muito positiva. Méritos também para quem apostou no treinador. Existe, no entanto, um perigo: o baixo nível do campeonato estadual faz Carlos Albertos ressurgirem aos montes. Geralmente, funciona até o nível da competição disputada aumentar.

Bernardo, Montoya e Marcinho estão longe de serem unanimidade para a torcida. A possibilidade de marcarem gols com frequência no Campeonato Carioca é grande. O torcedor vai se empolgar, mas Doriva precisará ter a percepção de quem realmente estará pronto para figurar no time (e no elenco) para o restante da temporada.

Nem o mais otimista vascaíno imagina o Vasco fazendo frente aos rivais nacionais que estão, consideravelmente, com elencos mais fortes do que o nosso. No entanto, torço para que possamos ter, ao menos, uma temporada digna. Sem preocupações com rebaixamentos e contas no final do Brasileirão. Sem vexames na Copa do Brasil. Para isso, espero que Doriva siga nos impressionando positivamente. O elenco e as nossas pretensões ainda estão muito abaixo do que o Vasco merece, mas fugir de um ano trágico com Eurico na presidência será um alívio.

O culpado de sempre

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Eurico prometeu um Vasco forte para 2015. Seguidamente, o mandatário vascaíno afirmou que sua volta ao clube seria necessária para o Gigante voltar a disputar títulos com frequência. Voltaram Bernardo, Nei e Sandro Silva. O “respeito”, tão falado pela cúpula atual, segue distante de São Januário.

Os três jogadores não são culpados. Acho, inclusive, o trio útil para o elenco. Absurdo é o Vasco ter tempo para se preparar, fazer quinze contratações e, em 2015, ter um time formado, basicamente, por apostas que não deram certo em 2014.

O goleiro é o mesmo. A lateral direita atualmente tem um volante improvisado, o retorno do Nei e um jogador que não foi aproveitado pelo Bahia. A zaga é a mesma. Na esquerda, Christiano é uma das poucas apostas que realmente foi bem em 2014. A principal dupla de volantes é formada por Guiñazu e Sandro Silva, afastado em 2014. O camisa 10 é Marcinho, que chega após temporada ruim pelo Vitória. Bernardo, Montoya e Rafael Silva, que não tiveram muito espaço no ano passado, completam o time titular.

A surpresa deste começo de temporada é Doriva. O Vasco enfrentou Flamengo e São Paulo de igual para igual nos amistosos realizados semana passada. Diferentemente dos adversários do Super Séries, no entanto, vejo o Vasco perto do seu potencial máximo. O time é este e não tem muito por onde melhorar.

Thalles, que passou 2014 no banco, voltará da seleção brasileira sub 20 com status de titular absoluto. Douglas e Maxi Rodriguez, que estiveram longe de serem brilhantes na Série B, ainda teriam vaga na equipe principal com sobras neste time atual.

A curto prazo, graças ao fraquíssimo nível do Campeonato Carioca, pode parecer que está funcionando. Se o Vasco entrar no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil com este time, porém, não teremos muito o que comemorar. Eurico, provavelmente, demitirá Doriva, o menor dos culpados.