Não zombem da minha inteligência

Pouco importa-me a partida. Não sou profissional de análise. Sou mero torcedor que opina, com possíveis e incontáveis equívocos, sobre tática, técnica e esquemas de jogo.

Porém, me formei em comunicação. Estudei análise do discurso e ler o que diz o texto e explorar as entrelinhas não ditas é uma especialidade que adquiri ao longo de minha formação acadêmica e pela experiência no mercado de trabalho na publicidade e no jornalismo.

É esse o ponto que abordo sobre o clássico Flamengo 2×2 Vasco disputado ontem em Brasília, capital federal distante do estado por cujo campeonato os times jogaram.

O resultado final foi fruto de um erro absurdo da arbitragem que favoreceu o Vasco em um pênalti claramente inexiste, impedindo a vitória do Flamengo, nos últimos instante do jogo. O time rubronegro foi claramente garfado e viu dois pontos se esvaírem por um crasso equívoco de um juiz controverso e bastante questionado.

Nada diferente do que aconteceu, de forma invertida, em 13 de abril de 2014, há pouco menos de três anos atrás, na final do estadual de então. Mesmas camisas, placar definido pela falha da arbitragem e o significativo agravante de que o deslize, ali, definiu não só uma partida, mas todo um campeonato.

Hoje, a imprensa – acertadamente – destacou em letras garrafais o equívoco, o desacerto, o prejuízo ao time da Gávea.

Era de se esperar, pois, que em 2014 houvesse sido feito o mesmo, não? Mas não. Compare, você mesmo, a diferença.

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Estatísticas, posicionamento, esquemas táticos, leitura de jogo, tudo isso eu deixo às mãos dos profissionais da área.

 

Agora, comunicação é minha praia e, embora sempre aberto ao debate, trato o tema com a autoridade de quem entende do assunto.

O nome que se dá a essas manchetes é parcialidade. É decisão editorial, clara e manifesta, da escolha dos veículos de comunicação por um clube em especial, dando dois pesos e duas medidas para camisas diferentes.

À minha luz, problema zero que a imprensa escolha seu time. Que por questões mercadológicas e estratégicas opte por posicionar-se a favor de um clube em detrimento dos demais. Só peço que, por gentileza, não zombem da minha capacidade de interpretação. Não esperem de mim acreditar na isenção falaciosa que vocês dizem ter. Não me rotulem como o “torcedor que lê tudo sob o clubismo passional” diante do posicionamento flagrante de vocês em prol de um dos lados.

Dois erros não fazem um acerto. Flamengo beneficiou-se em 2014 e o Vasco ontem. O futebol perde em ambos os casos e tantos outros que, ao que parecem, estão longe de serem os últimos.

Eu não desejo uma imprensa isenta. Sinceridade e ética bastariam, não obstante o fato de serem itens básicos, a meu ver, à prática de um jornalismo sério.

Salvo raras exceções, contudo, elas não existem na média geral das redações brasileiras. O que é tão, ou mais, grave quanto um impedimento não marcado ou um pênalti inventado.

Técnicas de arbitragem são corrigíveis. Desvios de caráter não.

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2 pensamentos sobre “Não zombem da minha inteligência

  1. PERFEITO!
    Parabéns Freud, ótimo texto, pena que o caráter (malicioso) da nossa imprensa esta léguas distante da parcialidade.
    Quem perde não somo nós e sim o jornalecos sem credibilidade.

    Abraços.

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