Sábado, lugar de vascaíno de VERDADE…

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é no lugar que ele quiser.

Admito que pensei muito se devia colocar no papel o que venho sentindo com a proximidade desse Vasco x Ceará. Essa sensação de amor e ódio que só Administração Miranda nos faz nutrir com os resultados vergonhosos nos últimos anos.

Digo isso porque realmente o que resta ao Vasco é a sua grande torcida. A torcida que esgota um setor de arquibancadas em poucas horas após o início das vendas dos ingressos. Talvez seja o nosso maior patrimônio.

Maior até que São Januário, que vem sendo colocado de escanteio nos momentos decisivos. A desculpa é que não suportaria a demanda de público, mas a gente sabe que na verdade é o medo da revolta da massa que não aguenta mais tanta falta de amor pelo Vasco.

Então torcedor que esteve nas filas pela cidade, que travou um duelo virtual online com o site do sócio torcedor, que vai empurrar até ficar rouco (e louco) Madson e Cia, esse texto não é uma crítica a você. Você atualmente é a única garantia que o Vasco permanece grande.

O companheiro de Vasco Expresso, JC, descreveu muito bem o papel que o vascaíno terá no sábado em seu texto para o site da Espn que você pode ler aqui https://t.co/yFtBUtpc3R.

Falo isso porque concordo com esse sentimento. Estive no empate contra o Icasa e vaiei muito após o apito final. Estive no fatídico jogo da marquise em São Januário contra o Vitória. Até o jogo do temporal contra o Santos compareci, torcendo para tudo ser um pesadelo e não uma triste realidade.

E talvez seja esse seja o ponto que queria abordar. Sábado não é dia de festa. Sábado, independente do resultado, já pode ser considerado um dos momentos mais deprês da história de um clube, uma instituição centenária.

Às vezes nós não estamos preparados para um filme dramático-cabeça que vai te deixar angustiado por dias, sabe? Vai assistir um “Requiem para um Sonho”, um “Magnólia” pra você ver.  Às vezes a gente só quer assistir uma comédia romântica, rir de umas piadas e duas horas depois esquecer tudo. Tipo as “Branquelas”.

É essa sensação que eu conflituosamente admito estar. A comparação pode soar trágica mas para mim, sábado é como se fossemos visitar alguém no hospital que já esteve na UTI 10 vezes nos últimos anos. Um paciente que conta com os amigos, família mas está sendo conduzido pela pior equipe médica existente na face da Terra. Tem gente que lida bem. Outras não. E isso não significa que quem não foi visitar um dia, ama menos do que o outro.

Novamente, dane-se o resultado. Reflita: a gente corre risco grave de não sair da segunda divisão. Olha o martírio que foi 2016, gente. E fomos campeões do carioquinha.

Depois de tantos reveses, reconheço que não estou preparado para este sábado. Não desmarquei o compromisso que tinha e assistirei da poltrona de casa desejando o melhor para Little Jorge e seu time.

Eu já botei essa banca: Vascaíno de VERDADE tem que apoiar incondicionalmente. A todos que julguei e apontei dedos minhas sinceras desculpas.

O Vascaíno de VERDADE pode acompanhar a distância, pode ouvir no radinho, pode ver com Silvio Luiz, China e Ceará, pode fazer sua fé, pode ir pro cinema na hora do jogo, pode xingar, pode chorar. Nessas horas, não existe razão e a gente acredita até que o Jorge Henrique fará o gol decisivo no sábado.

Enquanto o Vasco não me deixa indiferente, ao menos sinto que meu amor é real. E ao mesmo tempo esse martírio que vivemos também é.

Que os Deuses do futebol estejam ao nosso lado. A torcida, cada um do seu jeito, está.

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3 pensamentos sobre “Sábado, lugar de vascaíno de VERDADE…

  1. Dan Percilio, teu texto é ótimo, consegue dar conta de uma tensão entre sentimentos opostos que nos afeta a todos. Enquanto vivermos essa contradição de afetos, é sinal de que nossa história com o Vasco ainda não acabou.
    A própria história da decadência do Vasco, falando nisso, precisa ser melhor esmiuçada. Vista sob outras perspectivas, narrada por outros agentes, até pesquisada mesmo.
    Da maneira como está posta, resume-se ao esquema da falta. Falta ao Vasco modernizar-se. Falta gestão, faltam CT e estrutura, falta marketing. No dia em que essas faltas forem supridas, voltaremos a ser grandes.
    Não há nada de errado nesse esquema: ao Vasco do Eurico falta tudo isso. Ao grupo político do Eurico falta quase tudo, inclusive transparência.
    O problema em ver as coisas assim, como uma forma a ser preenchida e que, enquanto não é preenchida, é motivo de angústia e desespero, é que passamos ao largo de perguntas importantes sobre a realidade que lá existe, viva, com ou sem potencial de melhora. E deixamos de olhar também para a história dessa falta, dessas ausências que nos incomodam tanto, das perguntas que elas suscitam.
    Por exemplo:
    Será que a decrepitude do futebol é resultado de falta da tal “estrutura”, ou, olhando mais de perto, não teria mais a ver com a ausência de um treinador de ponta nos últimos 30 anos? Ausência de inovação, mesmo. O último técnico jovem e promissor que tivemos foi o Lopes, lá no início dos 80. Duas ou três gerações de treinadores se passaram e nós não trouxemos ninguém. Uma hora a conta chega, isso vale pra base também.
    Outra pergunta: quando se conseguiu, a muito custo, sacar a família Miranda de lá, o que se abriu foi o deserto, ao invés do Vasco potente que todos esperávamos. Por quê? Não sabemos bem, estamos longe de entender o fracasso da administração do Roberto.
    Enfim, me alonguei, peço desculpas. A angústia é a mesma.
    Abraços e SV.

    • Sim, isso é um baita sofrimento. Nem precisa se desculpar pq seu comentário foi ótimo e reflete bem o que estamos passando. Sobre o técnico, concordo que por um bom tempo, normalmente na gestão Miranda, optamos por técnicos ultrapassados e/ou boleiros. Gaucho na fase Dinamite tb. Só que se pensar, já passaram por SJ Dorival Júnior, Marcelo Oliveira, Vagner Mancini, Doriva, Cristovão Borges, Oswaldo de Oliveira, PC Gusmão (discípulo de Luxemburgo) e Ricardo Gomes. São (e eram) técnicos modernos na época que entraram no Vasco. E olha que tanto Dinamite/Eurico são caras de dar continuidade aos técnicos. Acho que em parte o problema pode ser esse mas ao médio, longo prazo, sem a estabilidade de um clube em “ordens” a casa desanda.

      Sobre a segunda pergunta, a derrocada do Dinamite talvez seja a mesma da dificuldade da política nacional dar certo. Sai PT entra PMDB e estamos na mesma budega de sempre. Talvez o poder realmente suba a cabeça (e encha os bolsos).

      Obrigado novamente pelo comentário!

      Abraços e SV!

  2. resumiu tudo essa confusão de sentimentos que os VASCAÍNOS DE VERDADE estão sentido… são tantos anos de vergonhas e humilhações que nem sabemos mais o que sentir… sinceramente estou meio anestesiado….

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