Sugestão à oposição

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O Vasco sempre foi da torcida. E precisa voltar a sê-lo. Foto: Site oficial

Em um momento que o Brasil discute sua postura democrática, urge reconhecermos a ditadura que vive o Vasco, ironicamente um dos clubes que tem a participação popular a correr nas veias de sua história.

Uma ditadura legitimamente eleita, registre-se, com um estatuto arcaico e ultrapassado, em um pleito cujo quadro votante revelou inúmeras dúvidas jamais sanadas. Porque, afinal, votos não são, necessariamente, sinônimos de democracia. 

É louvável que ainda exista gente disposta a dar a cara para opinar contrariamente ao rei-sol vascaíno. Ser oposição hoje é expor-se a deboches e zombaria de gente ladeada por sicários – não raro armados.

É fácil opôr-se a Eurico e seus 120 asseclas do Conselho escrevendo em um blog de alcance limitado como este. Difícil é equacionar trabalho, família, vida social e arranjar tempo na agenda para sentar-se em uma das 30 cadeiras restantes e ficar lá ouvindo escárnio de bajuladores que se locupletam do clube. Só a atitude de voluntariar-se oponente ao que aí está, a meu ver, já vale o reconhecimento.

Isso posto, ciente de meu tímido papel na vida pragmática do Vasco, me arrisco a dar uma sugestão aos companheiros que, uns mais outros menos, representam uma significativa parcela da torcida contrária à gestão temerária de Eurico Miranda.

A despeito das eventuais irregularidades nas últimas eleições é inegável que o quadro eleitor do Vasco é conservador e tradicionalista. Os presidentes cruzmaltinos revelam um perfil regular, reprisado, requentado. São personalidades distintas, mas que transmitem uma imagem quase análoga em sua descrição mais ampla.

O ponto fora da curva foi Roberto Dinamite, eleito por concentrar, na simbologia do ídolo, as forças contrárias à situação. No lugar certo, na hora certa, sustentado pela sua história, Dinamite encarnou perfeitamente o papel de anti-Eurico. Arrebatou as urnas numa esperança que, infelizmente, afundou anos depois. De quebra, trouxe de volta quem tanto combateu.

Diante da trágica gestão Roberto, Eurico incorporou-se de um passado que jamais fora seu. Revestiu-se de certo e lançou aos oponentes a pecha de duvidosos, cuidadosamente travestida no adjetivo de aventureiros. Não dialogou com a torcida. Falou para quem votava, sussurrando as palavras que este queria ouvir.

À minha análise, só há um jeito de desbancá-lo ano que vem: dialogar com quem vota. Gente que nem liga para visão de médio e longo prazo, equilíbrio financeiro, modernização de estádio, readequação de estatuto e outros temas tão urgentes. Gente que gosta de bravatas gritadas, socos na mesa e promessas de um futebol forte que, sobretudo e antes de mais nada, vença o Flamengo.

O eleitor médio cruzmaltino, ainda mais após o veto a novos votantes, não é sensível a powerpoints explicativos, modernização da gestão, parametrização de resultados ou alinhamento do departamento de futebol. Ele clama por um messias, alguém que o faça crer, mesmo sem provas, que a grandeza voltará pelas vias do berro, que o respeito voltará no atalho da marra. E não pelo caminho tortuoso e demorado da – tão temida! – profissionalização.

A saída de Eurico é, porém, vital para o Vasco. Fica pois a sugestão para que, seja qual for o candidato, ele entenda essa particularidade e foque sua campanha no objetivo franco e sincero de eleger-se. Não pregue para convertidos já cientes da necessidade de mudanças, tampouco tente convencer toda a torcida de seu projeto. Concentre-se em ultrapassar a barreira do pensamento obsoleto de quem vai votar e programe-se para, caso tenha êxito, evitar cair no canto da sereia do poder e, de fato, seguir com a caravela cruzmaltina para mares mais afeitos à nossa história.

Mais do que qualquer título, essa será a missão mais árdua de qualquer almirante que queira derrubar o pirata que surrupiou o clube. Devolver a glória ao Vasco passa, necessariamente, por devolver o clube à torcida.

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3 pensamentos sobre “Sugestão à oposição

  1. Desculpe, mas fiquei sem entender seu texto até agora! Poderia externar sua sugestão à oposição com mais clareza, pois sua ideia passada ficou confusa para mim. Agradeço, desde já!

    • Difícil ser ainda mais claro, mas não fugirei ao desafio.

      Simplificando o que já está exposto: a oposição precisa apresentar um messias, pelo qual os eleitores são tão ávidos e esse precisa falar na linguagem de Eurico para desconstruí-lo.

      Como? Conferindo a ele o menosprezo que seu legado de gestor o faz merecer e prometendo aquilo que ele jamais cumpriu, a grandeza do Vasco. Deixando claro que o preço é um só: a saída de Eurico. Não da forma desonrosa como ele tratou a ídolos tantas vezes. Mas homenageando-o pelo que ele diz ter tentado fazer pelo clube e respeitando a senilidade que obviamente o impedem, ao lado de sua incompetência, de gerir o clube. Vide, por óbvio, os resultados.

      Se não ficou claro agora, partimos pras imagens, combinado?

      • OK, não precisa desenhar, pois quando as coisas são explicadas às claras como agora, os desenhos tornam-se desnecessários. Lamento somente por quem se diz publicitário não aceitar que alguém o diga que seu texto não foi claro o suficiente, e até demonstrando ironia (seu próprio codinome já diz isso) e desrespeito para com o leitor, que poucas vezes perde tempo (eu perdi!) para ler seus textos.

        Uma coisa: depois vai querer falar sobre o grupo politico do atual Presidente, quando na verdade, utiliza-se do mesmo expediente que o próprio para retrucar uma crítica.

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