Salve Bárbara, a santa

Na miscigenação afro-luso-indígina, Iansã, esposa de Xangô e deusa dos raios, dos ventos e das tempestades virou Bárbara, a santa que recebeu do vaticano a incumbência de controlar fortes chuvas, climas tempestuosos e assegurar a serenidade no céu que nos assola. Pelo dicionário, o masculino bárbaro remete a uma época primitiva dos seres. Mas o adjetivo feminino – bárbara – recebe o caráter informal de “bacana” e na língua portuguesa ainda se transmuta em interjeição para definir espanto e admiração.

Sabe-se lá o que pensaram os pais da goleira da seleção feminina de futebol do Brasil quando resolveram nominá-la com esse nome tão transcendental. Fato é que, cientes ou não, reuniram bocados generosos de tudo isso, apresentado ao público hoje, durante a partida pelas quartas-de-final das olimpíadas que seu time joga dentro de casa.

Bárbara, a goleira, amansou as nuvens densas que pareciam rondar o Mineirão desde aquele julho de 2014 quando a camisa amarela foi lavada em gols, em prantos e em piadas.

Usou os ventos para espantar o pessimismo e, precisa como as deuses da matriz africana, soprou uma bola para o travessão, evitando o tento australiano.

Quando a intempérie parecia inevitável após Marta, ícone da equipe, perder sua cobrança, a orixá começou a canonizar-se operando o milagre de refrear as ondas de memórias negativa, esmurrando para o lado a desclassificação injusta com todo o time e, em especial, com Marta.

Duas cobranças mais, santificou-se com nova defesa para, vibrante, dócil e bárbara, ordenar, pois, um temporal de sorrisos úmidos por lágrimas de uma alegria que, há tempos, a camisa amarela não fazia vibrar nesse país.

Santa Bárbara agora pretende fazer o raio cair novamente no mesmo lugar, desbancando as suecas e recolocando o Brasil novamente na final. Parece, contudo, disposta a ordenar ao Sol que modifique o brilho da medalha que nos cabe. O astro-rei, obediente, já começa o labor de dourar as insígnias que essas meninas merecem.

Depois da tresloucada noite, só nos cabe, genuflexos aos pés da cama, rezar – seja lá qual fé você professe – pedindo calmaria na noite para refazermo-nos para os gritos que tanto levaremos ao Maracanã.

Salve Santa Bárbara. Obrigado por hoje.

Nos vemos de novo no templo do Maracanã em um novo êxtase na terça-feira.

Jogai por nós.

Que assim seja.

 

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