Aumentar o tom

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Sereno e tranquilo, Jorginho precisa ser mais enérgico para cobrar atitude do time. Foto: Site Oficial do Vasco

Na vida, tudo o que é em excesso prejudica. Até o que, a princípio, é bom danifica se usado em exagero.

A calma em excesso vira passividade. A tolerância desmesurada converte-se em leniência. A serenidade desregrada corre o risco de tornar-se inércia. Por isso, há momentos de calma e de energia. Se em determinadas situações cabe a fala tranquila, em outras não é injusto exigir tom mais contundente.

Principalmente quando os números, que há pouco serviam para exaltar o time, são quem trazem os motivos de preocupação.

Do início do ano até o confronto com o Vila Nova, em maio, o time jogou 25 vezes e sofreu gol em apenas nove jogos. Em uma única oportunidade sofreu dois no mesmo jogo. Era uma equipe que vinha embalada por uma série invicta e vazar a nossa defesa era tarefa hercúlea, coisa para poucos. Com a casinha arrumada e bem postada lá atrás, a turma da frente assegurava vitórias em uma ou outra bola que pintava, o que serviu para suplantar até mesmo a ausência de um goleador de qualidade.

Contudo, da vitória sobre o Bahia até a derrota para o Paraná, já se vão 10 partidas e treze gols levados. Em metade delas sofremos dois ou mais tentos na mesma peleja. E aí, processo natural, quando a coisa degringola pela nossa área, é fundamental que a compensação venha lá na frente. Se estamos levando muitos gols, o ataque precisa fazer mais para vencermos. E a debilidade técnica de Thales, Leandrão e Eder Luís torna-se mais evidente. Dos 16 gols que fizemos nas últimas dez partidas, 11 deles vieram de não-atacantes.

Resumidamente, a solidez defensiva ruiu e a ausência de um artilheiro gritou. Os adversários entenderam que anular Nenê e Andrezinho é meio caminho andado para tornar esse Vasco improdutivo. E com a galera da média alta de idade (Jorge Henrique, Rodrigo, Julio Cesar, Nenê, Andrezinho) enfrentando a maratona do terça-sábado-terça sem cessar, o sumo da invencibilidade esvaiu-se.

Pela decisão pretérita de não ter testado a base em momentos mais calmos, agora Jorginho vê-se diante da limitação do elenco e do desafio de ter de usar a molecada ante uma torcida descontente e a necessidade de resultados mais consistentes.

Se não é hora de desespero, tampouco é fase de tranquilidade. Não cabe solicitar paciência e aconchego do torcedor que não aguenta mais ver seu amor desrespeitado sucessivamente. As frases suaves e pacatas do treinador nas entrevistas precisam ressoar vigoras e veementes internamente.

Para os atletas convém lembrar que o peso dessa camisa traz benesses nos bons momentos sem abrir mão da pressão nas adversidades. Não dá para, vaiado, Julio dos Santos demonstrar ostensiva insatisfação com a bola nos pés. Não quer ser pressionado? Cadastre-se no Catho Online e vai tentar a vida em outro ramo.

Para a diretoria, é hora de assumir que Aislan e Leandrão não reúnem, em si, nenhuma condição de ostentar a Cruz de Malta no peito. Mas nem para receber os ingressos da torcida na entrada. Quiçá para entrar em campo e atuar sob nosso uniforme.

Cabe cobrar pelo CAPPRES e sua promessa de atletas regenerados (quedê Fellype Gabriel?) e ainda questionar o Centro de Inteligência se não há, de fato, nada mais efetivo e barato do que Leandro Damião como opção para o ataque.

O discurso de que está tudo bem e dentro do controle precisa ser endossado pelo que se apresenta dentro das quatro linhas, sob o risco de parecer conversa de quem quer esconder problemas que as estatísticas expõem.

Mais que vencer, o desafio é convencer.

Que venha o Avaí.

 

 

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Um pensamento sobre “Aumentar o tom

  1. SHOW!
    PARABÉNS FREUD. CONCORDO EM TUDO QUE DISSE!

    SE ESTÁ MAU, TEM QUE SER VAIADO SIM! PRA REPENSAR ONDE ESTÁ ERRANDO E PROCURAR MELHORAR!

    E SE NÃO GOSTOU QUE VÁ PRATICAR ALGUM ESPORTE, DE PREFERÊNCIA AMADOR.

    SAUDAÇÕES VASCAÍNAS!!! ABS

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