Os pés pelas mãos

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Martín e Andrezinho, que dupla! Foto: Site oficial do Vasco. 

O gol olímpico é uma das maneiras mais fabulosas e sensacionais de levar a bola ao encontro das redes. Levantar, com os pés, a pelota do canto do gramado, sem ângulo direto à meta, é de uma beleza proporcional à dificuldade de confrontar, de forma ousada, as leis da física. Por isso, quando ele acontece é sempre o destaque da partida. Exceto se um homem estiver em campo. Martín Andres Silva Leites é, ao que tudo indica, o único jogador neste orbe capaz de atuar embaixo das traves e ainda assim obnubilar um tento dessa magnitude. E o uruguaio resolveu fazer isso nesta tarde-noite de sábado com fidalguia e sobejidão.

O gol da virada cruzmaltina foi de uma beldade tenaz. Daqueles que te levam a ver o replay do lance incontáveis vezes e celebrá-lo em cada uma delas. Gol de quem sabe bater na bola, de quem é íntimo dela. De quem a chama por você e a quem ela obedece devotamente, encaminhando-se exatamente onde ele determinar. Não importa o quão difícil seja.

E diante disso tudo, dessa suntuosidade, dessa grandeza, desse esplendor, ainda assim Martín foi maior. Com uma segurança que lhe extravasa a aura e dono de uma técnica que não se contém em suas luvas, o uruguaio é tão grande que dispensa mais do que uma área para ser o dono absoluto do campo.

As defesas difíceis já fazem parte do rol natural de suas atuações. As impossíveis já são frequentadoras habituais das partidas. E hoje, Martín fechou seu gol com chave de ouro e defendeu um pênalti aos 45 minutos do segundo tempo.

Ao mesmo modo que André, pela grama, dita à bola os locais por onde ela deve encaminhar-se, Martín a convoca de forma tão terna e familiar que ela, quase hipnotizada, parece dizer às redes, quando lançada contra a meta vascaína, “Desculpem, mas eu prefiro as mãos dele”.

Aos atacantes, batedores de pênaltis e atletas rivais resta a absolvição própria aos homens que se devotam a enfrentar gigantes. Quem desafia o arqueiro cruzmaltino pode sentir-se, de antemão, perdoado. Porque diante dele ninguém perde um gol. É sempre Martín quem o evita, proprietário pleno das balizas que protege.

Se os pés de Andrezinho nos deram a vitória, foram as mãos de Martín que a sustentaram.

E por ambos nós, de joelhos, agradecemos.

 

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