Com calma e com cobranças

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Ainda está tranquilo. Mas é preciso fazer mais para voltar a ficar favorável, André. Foto: Site oficial do Vasco 

Qualquer análise que se proponham a fazer sobre o time do Vasco e reação de sua torcida em resultados adversos deve levar em consideração o contexto Cruzmaltino nos últimos 15 anos, pelo menos. De 2001 para cá, houve a alegria ímpar da Copa do Brasil, três conquistas regionais, com um incômodo jejum de onze anos e, o pior de tudo, os três rebaixamentos. Posto isso, a gente pode pedir o chope e começar as considerações. 

Convém ter muita calma para exigir calma dessa imensa torcida que vem sendo tão maltratada nos últimos tempos. E com o histórico recente, tão fausto nas decepções e com e escasso nas alegrias, é natural que os torcedores se apeguem a qualquer sinal prematuro de glória. Ainda que frágil ou carente de solidez.

Por isso, a torcida celebrou tão festivamente o bicampeonato carioca. E também por essa razão exaltou tanto a série invicta que essa equipe alcançou, em 34 jogos oficiais sem derrotas. Fizemos vista grossa, entre lágrimas, para a série B que pintou de novo no meio desse caminho. E amplificamos ao máximo os resultados desse elenco. A verdade é que, ao fim e ao cabo, o time que despencou na tabela nacional recebeu da torcida afagos e paparicos de escrete nas primeiras posições.

Nas competições de tiro curto, essa mistura costuma funcionar bem. Mas no desgaste dos pontos corridos, é mais fácil verificar que o rei, se não está nu, anda longe de ostentar trajes reais. Na cansativa corrida de jogos terça e sexta, com viagens por esse país continental, os limites do elenco tornam-se mais aparentes. E se a oscilação já seria esperada em qualquer equipe, é ainda mais patente quando as estrelas já tem certo avanço na idade. Soma-se a isso um natural desânimo em enfrentar adversários pouco motivantes, como Oeste, Atlético-GO, Sampaio Corrêa e que tais. Fim das contas, o resultado é o que estamos vendo hoje. Queda de rendimento, quebra da invencibilidade, vitórias suadas contra oponentes frágeis e derrotas imprevistas.

É claro que os resultados recentes nem de longe põem tudo a perder. É fato que Jorginho e Zinho tem crédito para seguir com o trabalho. É certo que esse time ainda merece o apoio da arquibancada.

Mas vai devagar com o pedido de calma à torcida, viu? Se necessário, releia os dois primeiros parágrafos e lembre-se de que estamos falando de amantes dolorosamente feridos por promessas não cumpridas, expectativas frustradas, desculpas que se esvaem tal e qual fumaça de charuto.

Nada está perdido, somos líderes, o caminho está bem pavimentado e, pelas declarações do técnico, os erros foram identificados e dificilmente voltarão a se repetir. Mas quem se deleitou no carinho exagerado do torcedor em momentos bons precisa aprender a conviver com broncas descomedidas de seus apreciadores na hora ruim. Em que pese o respeito ao Paysandu, o time hoje está mais para fuga da série C do que volta à série A. E a grandeza do Vasco não comporta perder para eles em seus domínios. Ainda mais por conta de falhas que vem se repetindo há vários jogos, muitos dos quais saímos vencedores inclusive.

Enxergar exorbitância nas reclamações da torcida é exigir serenidade de quem ainda está traumatizado. Se soubemos ser bastante generosos nos apupos, também seremos devidamente severos na cobrança. E que bom que há explicações para os maus resultados. Mas não é demais lembrar que a comissão técnica é paga – e bem paga, com tudo em dia, como gosta de ressaltar o presidente – exatamente para solucionar problemas como esses.

Do lado de cá do alambrado, o que esperamos é ver uma zaga mais protegida, menos infantil na marcação, um meio minimamente criativo, capaz de produzir mais jogadas que nas últimas partidas e que o ataque volte a empurrar as bolas para as redes. Não é excessivo cobrar de Jorginho uma solução para as eventuais pelejas em que Nenê e Andrezinho não vão render o que todos gostamos de ver. Nem tampouco questionar a manutenção de jogadores improdutivos como Madson e Jorge Henrique.

Seguimos torcendo. Mas a paciência segue lógica proporcional às conquistas que, dado o tamanho do Vasco, ainda são bem modestas, convenhamos.

É hora de voltar a vencer com tranquilidade, Vasco. O Londrina, na próxima terça, é o oponente ideal para isso.

De resto, quem quer mais calma, que vá para a Sibéria.

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