Vitória fria

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Das mãos de Madson surgiu o primeiro gol. Maldade da torcida pedir para que ele, pois, seja inscrito no NBB do ano que vem.

Terça-feira à noite de um outono que cisma em travestir-se de inverno. 19° de temperatura. Marca que, aos olhos do carioca, ganha contornos de frio europeu. 3.000 pessoas na arquibancada na partida seguinte à quebra de uma invencibilidade que vinha se construindo histórica.

É uma apresentação que, de fato, não desperta muita vontade em você, torcedor cruzmaltino, de abandonar o aconchego do seu lar, para acompanhar o Vasco vencer o Náutico e manter segura sua liderança na enfastiosa série B. 

E é até compreensível que tudo isso também não tenha servido de ânimo para os jogadores vascaínos que, pelo que fizeram em campo, deixaram claro que a fria noite apagou os desejos mais ardentes pela peleja.

Só isso pode explicar a atuação modorrenta do time na maior parte do jogo. Jordi, por exemplo, tão pouca vontade estava de sair que quando foi necessário fazê-lo, o fez mal. Em uma, duas, três vezes até permitir o gol do Náutico que, ciente desta deficiência de nosso jovem arqueiro, insistia em bolas alçadas em sua área.

Sorte nossa que, antes disso, Madson, com tantas dificuldades para cruzar boas bolas pelos pés, resolveu acertar com as mãos e lançou a pelota aos pés de Andrezinho que espanou a preguiça e fez a rarefeita torcida esquentar-se aos pulos pelo primeiro gol.

O capitão Rodrigo, tão animado em comentar a transferência de Fred para o Galo mineiro, demonstrava o mesmo ímpeto de um senhor de avançada idade nas sessões de fisioterapia. Uma dica possível era trocar a efusão nas broncas que distribuía entre os colegas por arroubos nos momentos de ir atrás dos adversários que se superavam, um a um, na disputa com ele. É possível que ele tenha pensado nisso e, após o intervalo, descobriu que sua cabeça pode ter serventia mais útil do que pensar em piadas provocativas aos rivais e colocar o Vasco, novamente, à frente no placar.

Quando o jogo parecia que iria estacionar feito frente fria sobre a cidade de São Sebastião e Jorginho resolveu colocar em campo o presumível Éder Luís achamos todos que restava-nos aguardar o rodar dos ponteiros até o apito final. E foi justamente aí que William, que vem ganhando elogios acalorados do torcedor, recebeu de Madson e, num toque lépido como o riscar de fósforo na lixa, tocou para Éder que fez uma pintura diante de Julio Cesar para explodir a parca torcida.

Sem marcar desde 2013, o atacante celebrou muito e emocionou-se ao ter seu nome gritado por uma torcida que, pequena, multiplicava-se pelas vozes como a reviver, mentalmente, aquele Éder de 2011, autor do gol mais importante da última década cruzmaltina. Por alguns instantes, todos os 3.000 presentes em São Januário voltamos no tempo e fantasiamos, no sorriso de Éder, aquele Vasco gigante com o qual todos sonhamos.

O segundo gol pernambucano, contudo, foi o sopro derradeiro que apagou as quimeras de outrora para nos devolver à realidade de hoje. Tacitamente, convencionou-se entre todos que estava de bom tamanho e o juiz lavrou por encerrado o encargo daquela terça gelada.

Líder desde a primeira rodada, o Vasco segue cumprindo sua obrigação de voltar, passo a passo, para o posto que é seu, dadas sua glória e sua história, tantas vezes gritadas pela sua torcida. Não é demais, contudo, pedir um pouquinho mais de calor a esse time. Seja pela dívida com a camisa que, de tão grande, parece não caber nesta competição, seja em respeito a essa torcida que, na alta ou na baixa temperatura, não cansa de responder a quem a pergunta o motivo de te seguir.

Porque te ama.

 

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