Sabedoria do revés

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Jorginho pode tirar lições do fracasso de seu ex-parceiro Dunga para impedir novas derrotas cruzmaltinas.

A ridícula queda da seleção Brasileira na 1ª fase  da Copa América Centenário em um grupo com Equador, Peru e Haiti revela de forma contundente a escassez do futebol brasileiro atual. O selecionado mais vitorioso de todo o planeta resume-se a um punhado de atletas dependentes do talento individual, de alguém que pegue a bola, coloque-a abaixo do braço e diga em alto e bom som “passem para mim que eu resolvo“. 

Não é novidade e nem me cabe redescobrir a pólvora. Contudo, em um cenário onde o resultado é mais importante do que o trabalho, em que as estatísticas tem mais relevância que o campo e o imediato é mas decisivo que o planejamento, repetir o óbvio é trilha necessária para enxergarmos aquilo que pisca bem embaixo de nosso nariz.

O escrete canarinho é reflexo do que ocorre em gramados espalhados pelos rincões desse país continental. Não é de hoje que o futebol brasileiro é submisso ao craque. A diferença é que, outrora, eles surgiam aos borbotões. Em todas as posições. Do goleiro ao centro avante. A escassez recente, porém, aponta para a necessidade patente de repensar o modelo e, tudo indica, quem conseguir se atencipar terá enormes vantagens diante de seus rivais.

O jogo de sábado do Vasco mostra que, na Colina, ainda seguimos a ultrapassada cartilha tupiniquim. Sem Nenê em campo vimos um time que segue brioso, mantém a raça, sustenta a entrega mas, com a bola nos pés, procura seu craque tal e qual criança perdida na quermesse vagueia o olhar triste à busca de seus pais.

A tática defensiva montada por Jorginho e Zinho referenda os números significativos obtidos por esse elenco. Da trágica goleada para o Inter-RS em setembro passado, são 48 jogos com somente quatro derrotas e apenas sete pelejas em que levamos dois ou mais gols. Um aproveitamento de 70%. Coisa de encher os olhos da concorrência e, boatam por aí, até mesmo da própria CBF.

A beleza dos números, todavia, não esconde que, sobre a relva, seguimos depositando à conta individual a nossa força ofensiva. No mais das vezes, esperamos que Nenê brilhe como fez no 1°  jogo da final contra o Botafogo, contra o Bahia ou em tantos outros prélios. Se, porventura, ele falhar, contamos com Andrezinho, como contra o Goiás ou o Flamengo na semifinal. Ou até mesmo com o vira-casaca Rafael Vaz, contra seu atual clube na 1ª fase do Estadual ou contra o CRB, pela Copa do Brasil.

A derrota contra o Atlético-GO reuniu alguns itens incomuns nesse time de Jorginho. Falhas bisonhas da defesa e uma má-sorte insistente nas bolas contra a meta adversária. De todo o modo, os principais lances a nosso favor vieram de arroubos pessoais. O que reforça a interdependência do craque, da individualidade.

A comissão técnica cruzmaltina, por tudo o que fez, merece respeito e tem crédito de sobra para, neste momento, seguir com seu trabalho. A derrota viria em alguma hora e não fosse pelo momento de Nenê, possivelmente teria vindo antes. Ainda assim, considerando o elenco justo e a idade avançada de nossas estrelas principais, vale a pena pensar em soluções para momentos naturais de oscilação em que o lampejo solitário não irá resolver.

Não existe lado bom na derrota. Mas cabe ao líder conferir a ela alguma utilidade. A de sábado, endossada pelo fiasco da seleção brasileira, pode servir para lembrar que o caminho que levará a Cruz de Malta a seu devido lugar tem tudo para ser tranquilo. Mas não sem a aridez e os espinhos de um gigante que atravessa uma série muito menor do que sua magnitude exige.

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Sou profissional de comunicação e, como tal, um verdadeiro obcecado pelas palavras.

Por isso, me incomoda demais quando elas são usadas de forma desnecessária, como quando Rodrigo comentou jocosamente a saída de Fred do Fluminense. Era brincadeira prescindível, em todos os aspectos. Até a rivalidade sabe que tem sua hora de ser.

Ou então quando tentam se fazer mais vistosas do que a realidade sustenta. Como Julio Cesar, após a perda da invencibilidade, referir-se a 2016 como “um ano muito bonito para o Vasco”. Com a devida venia, Julio, bonitos foram 2000, 98, 97, 89, 74 ou os anos que compõem parte das décadas de 40 e 50. Época em que o Expresso da Vitória alcançou o recorde da invencibilidade da história do clube e que, convenhamos, não merecia ser quebrado em plena 2ª divisão.

Os deuses do futebol, que não primam exatamente pela justiça, por vezes se lembram dela e resolvem agir para evitar que a frieza estatística confunda as glórias históricas.

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Perguntando no divã: Será que o CAPRRES não pode dar para Leandrão, Thales ou Eder Luís a mesma água que o Nenê bebe?

Freud Irônico é o alter-ego virtual do publicitário e vascaíno Raphael Santos. 

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