Outra vez. E nunca mais.

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Na madrugada de São Luís (MA), a torcida faz festa com a chegada do time. Foto: Site oficial do Vasco / Carlos Gregório

Sempre discordei de alguns teóricos que conseguiam enxergar algum aspecto positivo na queda para a segunda divisão. A meu ver, todo e qualquer lado bom que possa ser tirado de um rebaixamento será sempre menor que a mancha do infortúnio eternizada na história do clube.

Mas, tropeço consumado, sou contrário a desperdiçar o tempo em lamentações. Mangas dobradas, é pôr-se a trabalhar na árdua tarefa de recolher cacos e reconstruir a imagem arranhada. 

Em 2009 havia um quê de mórbida novidade. Não era bom. Mas era diferente. E talvez por isso tenhamos construído um dos momentos de maior comunhão entre torcida e clube na história da agremiação. Quem não se arrepiou com os mais de 80 mil presentes no Maracanã naquela tarde de sábado diante do Juventude não tem alma humana a animar seu corpo. Contribuía ali, também, uma sensação de que o pior já havia passado. A gestão que chegara dava sinais de modernidade e conferia uma certeza de que, a partir dali, tudo ia melhorar. Ledo engano, como vimos.

A segunda vez foi pior. O tombo foi feio, com direito a goleada e cenas de selvageria na confirmação do baque no fim do ano anterior. E no início de 2014, o roubo à metro promovido pelo rival da Gávea na final do estadual deu um gosto ainda mais amargo a uma disputa a qual o vascaíno não queria mais engolir. Foi um campeonato insosso, com um elenco sem harmonia que não soube corresponder nem nos momentos em que a torcida, sempre ela, reafirmou seu amor e sua força. Desafio superado, porém, era para nunca mais voltar. Por isso, inclusive, nosso quadro social preferiu retornar ao passado na gestão sob a promessa de um futuro promissor.

O passado que voltou, entretanto, foi um muito recente. E está aí, começando hoje com mais um confronto que fica bem aquém de nossa Cruz de Malta. Com todo o respeito ao Sampaio Corrêa – Minha bolívia querida – nossa camisa exige pelejas mais ostensivas. E deixar isso claro, de uma vez por todas, eliminando qualquer dúvida ou hesitação quanto a isso é o que resta a um elenco que começou o retorno à série A ainda na primeira divisão do ano passado.

Não deixa de ser curioso e, eu suponho, inédito que algum time comece, no Brasil, uma divisão inferior com retrospecto tão positivo quanto o Vasco da Gama de hoje. Como em 2015 conseguimos ser rebaixados com um turno de antecedência – méritos a Celso Roth e a todos aqueles que sustentaram que iríamos lutar pelo título -, o que não faltou foi tempo para montar um escrete capaz de resgatar a verdadeira identidade da camisa cruzmaltina.

E até agora, esse grupo tem feito isso com primazia. Nossos jogadores voltaram a ser assediados por grandes clubes brasileiros, o respeito em campo pelos oponentes volta paulatinamente a cada partida, a superioridade ante os rivais regionais é sólida e a invencibilidade que pode vir a ser histórica é um ingrediente a mais neste momento do time.

O que esperamos então? Entrega, resultados e, além disso, chancelar de maneira categórica que o nosso lugar não é ali. É a hora de sobejar grandiosidade não em entrevistas de dirigentes, mas pelos pés dos jogadores. Demarcar, via pelota, uma passagem só de ida para tempos que respeitem nossa história.

Hoje começa a jornada rumo a nós mesmos. Hora de bradar, invictos e convictos, que a grandeza não se mede pela divisão, mas pela união uníssona de uma torcida que derriba divisas neste país continental.

Já passou da hora de voltar a ser Vasco. E essa retomada começa hoje.

Outra vez. E para nunca mais.

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