Mais que um troféu

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Para esse grupo a taça não é um fim. É só uma etapa de algo maior que, acreditamos todos, ainda virá. Foto: Site Oficial do Vasco / Paulo Fernandes

Devastadoras tempestades escondem sob si dias vindouros de uma beleza indescritível. Retumbantes quedas são apenas o início de uma sólida ascensão.

Sábio é aquele que enxerga, no tropeço, a redenção. Iluminado é quem percebe na terra arrasada a conjuntura impecável do reflorescimento necessário.

Os analistas profissionais, os comentaristas experientes, os repórteres especialistas debruçam-se sobre planos táticos, esquemas numéricos, posicionamento de jogadores e que tais para explicar as vitórias, as conquistas.

Eu me valho da minha passionalidade e do meu descompromisso trabalhista para deixar tudo isso de lado. E me focar livremente nas verdades sem confirmação, nas certezas sem evidências, nas afirmações não comprovadas.

Quando o Almirante foi tratado como marujo de quinta categoria em plena beira do gaúcho rio Guaíba por sentenciosos seis gols adversários coube aos mais desiludidos cerrar os olhos para o amanhã. À deriva, não havia rumo, futuro ou propósito para a nau depauperada. Visão embaçada pelas lágrimas da vergonha, dentre todos os corações vascaínos, norte a sul deste país,  derramava o amargo sabor do fel do desespero.

Exceto para esse grupo. Enquanto nos condoíamos nas dores de então, eles anteviam a retomada do prumo. Silenciosos, sensatos, irredutíveis, esse elenco surpreendeu a todos e, daquela triste noite até hoje, enfrentaram 38 pelejas. Enlouquecendo especialistas, só tombaram em duas. Implodindo estatísticas, só três oponentes lograram fazer dois gols na defesa vascaína. E desde aquela partida trágica que se parecia irreversível, só um foi além e conseguiu marcar três vezes.

A bola rola para meio ano de invencibilidade, fruto da crença de um grupo que se uniu no descrédito. E no meio disso tudo, há um troféu. Chancelando o Vasco da Gama como o clube com mais títulos invictos dentre todos os seus pares do Rio de Janeiro e o maior vencedor de clássicos entre os times cariocas.

Graças ao empenho desse escrete, liderados pela afinada dupla Jorginho e Zinho, o Almirante soube se curvar humilde diante de ondas mais sombrias para, no momento preciso, retornar altaneiro em águas regionais.

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Jorginho e Zinho aceitaram esse desafio porque viram além do que encontraram. E só aceitaram permanecer porque sabem que é possível ir mais longe. Foto: Site Oficial do Vasco / Paulo Fernandes.

A alegria de domingo é superior, em muito, às análises frias de uma suposta superioridade adversária nos jogos da final. Deixemos os números aos que não tem o coração batizado pela Cruz de Malta. A taça é nossa por mérito, justiça e competência. A euforia de mais uma conquista vai além do troféu, do título estadual, dos gritos de “Bicampeão”, da festa inigualável desta torcida feliz, bem feliz.

Ela vem da certeza que segue pulsante no olhar de cada tripulante. Um espiar aguçado que, silente, nos informa que eles querem mais. Entre brindes por mais um território fincado com a bandeira Cruzmaltina, o Almirante já ordenou, entre dentes, que icem as velas e apontou, discreto, para mares mais bravios. Porque ele sabe que as grandes glórias chegarão pelas vias de prélios ainda mais duros.

Haverá quem duvide, por óbvio. Nós não. Temos a confiança de quem historicamente nasceu para superar mares adversos. E temos mais. Um amor infinito. Um sentimento que não para. Combustível infindo desta caravela campeã.

 

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