Década de 90, é você?

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Imagens corriqueiras desta final. Confusão na busca por ingressos. Foto: Site Sportv / Richard Souza

Uma final de campeonato em um maracanã lotado. Um jogo aberto, com ligeira vantagem para um dos times. Eurico Miranda provocando, em entrevistas, cartolas de outras equipes que tentam tirar o técnico vascaíno. Enormes filas nos locais de compra. Confusão nos pontos de venda. Cambistas em profusão elevando em mais que o dobro o preço das entradas para a decisão do Estadual.

Espere aí. Eu já vi esse filme. Em que ano nós estamos mesmo? 

Todo esse cenário remete ao tempo em que a internet era mais ficção científica do que realidade. Em que o telefone era um bem que se declarava no imposto de renda. E que você tinha de esperar “dar linha” quando tirava o fone do gancho para, só então, completar a ligação.

Nos tempos em que você consegue pedir uma pizza pelo smartphone sem ter que ouvir a voz de qualquer pessoa que seja, quando você consegue conversar com alguém que está do outro lado do mundo pela tela do computador como se ela estivesse à sua frente no melhor estilo Os Jetsons de ser, justamente quando você escolhe a sala de cinema e a cadeira em que vai sentar para assistir o lançamento que ainda nem chegou às telas deitado sobre sua cama, isso tudo é impensável.

Haverá desculpas? Claro. Elas sempre aparecem. O Vasco emitiu uma nota oficial justificando o injustificável fato de tão poucos ingressos terem sido vendidos a sócios pela internet. Aliás, por que só os sócios puderam comprar pela internet é outro mistério que ninguém se prontifica a responder. Queriam dar-lhes vantagens? Abrissem vendas um dia antes. Segurassem uma cota determinada da carga do jogo. Mas impedir que essa imensa torcida, muito além do quadro social, possa ser feliz adquirindo sua entrada pela web, assim como conseguimos reservar uma passagem rodoviária é algo inconcebível, na minha visão.

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É sócio? Tem fila para você também. Retirada de ingresso neste sábado em São Januário. Foto: Facebook pessoal

O maracanã, e sabe-se lá quem o administra hoje, segue no seu mutismo sobre o porquê de não ser possível utilizar o cartão fidelidade, lançado ano passado, em que bastava o torcedor recarregar o ingresso via computador e – zás! – estar apto a entrar no jogo.

A controversa BWA, de tantas histórias escusas e ininteligíveis, obviamente jamais vai assumir quaisquer culpas por esse modelo old school de vender ingressos, com bilheterias abrindo em horários diferentes do marcado, locais com guichê único e sem substituição dos profissionais de atendimento em hora de almoço e a ausência de explicações razoáveis de não permitir transações com cartões de débito ou crédito.

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A sede do Calabouço contava com um guichê apenas que, na hora do almoço, ficou sem ninguém. Foto: Site GE.com / Raphael Zarko

No final, a conta recai sobre o colo de quem é o único a fazer tudo isso por amor abnegado e despretensioso. O maltratado e incorrigível torcedor. Alguns com a grata felicidade de terem conseguido a passagem para a finalíssima, seja pelo preço oficial das bilheterias ou pelo exorbitante valor oficioso dos cambistas. Outros tantos lamentando-se por, exatamente na hora de terem recompensado o apoio de outrora, ficarem de fora da festa que todos esperamos que aconteça.

Ninguém, obviamente, vai querer explicar o que houve. Joga-se o pano por cima disso tudo com as belíssimas imagens que as torcidas protagonizarão amanhã no estádio. E haverá um campeão, um troféu, explosão de papel prateado, gozação sobre os rivais e, como num passe de mágica, esqueça-se tudo de absurdo que foi esse modelo de vendas tão arcaico quanto aqueles que dirigem o futebol pelas bandas de cá.

De resto, à reboque das recordações dos anos 90, vem à mente a imagem de craques que honraram com galhardia e elegância a Cruz de Malta. Geovani, Romário, Dinamite, Bebeto, Bismarkc, William, Acácio, Sorato, Germano, Torres, Galvão, Edmundo e tantos outros que fizeram dessa década uma das mais vitoriosas da história do clube. Inclusive, é lá que mora nosso último troféu carioca conquistado invicto, em 1992.

Após tantas reminiscências ruins, que os jogadores possam entrar em campo e relembrar, sobre o gramado, essa época fausta, evocando com a bola os melhores momentos de nossa camisa cruzmaltina.

Essa torcida, Vasco, merece nada mais nada menos do que o título. Façam todo o possível por eles. Porque nós seguimos fazendo o impossível para torcer por você.

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O último escrete campeão carioca invicto, em 1992: Germano, Tinho, Jorge Luís, Luisinho e Eduardo. Luis Carlos Winck, Leandro, Carlos Alberto Dias, Edmundo, Roberto Dinamite e Bismarck.

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Um pensamento sobre “Década de 90, é você?

  1. Essa é mais uma das coisas inacreditáveis que ocorrem no futebol brasileiro e com o Vasco. Por isso q não fui em nenhum dos dois jogos, apesar de ter tentado comprar sem sucesso, ingresso para o 1º jogo no Calabouço, mas dps de quase meia-hora de atraso p abrir as bilheterias não pude esperar. Outra coisa sem noção que vi lá, foi o fato dos sócios não poderem comprar ingressos lá… inacreditável!!! É esse o nosso “maravilhoso” plano de sócios…

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