Acerto pelo equívoco

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Eram 22 dias do mês de junho do ano da graça de 2015. O Vasco jejuava 10 jogos sem vencer, desde os longínquos 2×1 sobre o Botafogo, no início de maio, que marcaram o reencontro da taça do Carioca e a sala de troféus de São Januário, após 12 anos de separação. 

Naquela manhã, Eurico resolveu tirar os holofotes da crise da equipe e trouxe-os para si, lançando o breaking news sobre os veículos esportivos:

Estamos elaborando um projeto que é chamado Ronaldinho Gaúcho – Vasco. (…) Eu diria que em termos de percentual está para 90%“.

O que se sucedeu é história. O dentuço foi para o tricolor e a estatística de Eurico virou piada. Inclusive para o marketing das Laranjeiras que decidiu marcar a apresentação do atleta justamente no clássico contra o cruzmaltino, em julho.

Nesse meio tempo, Eurico retornou às câmeras para apresentar a cria do seu grande rival e ex-colorado Andrezinho, que jogava no improdutivo futebol sul-coreano. Sem perder a oportunidade, fez do verbo bomba para virar manchete:

“Esquece o Ronaldinho Gaúcho. Deem a dimensão que devem dar para  contratação do Andrezinho. Se ele viesse, ia ter o prazer de jogar com o Andrezinho. Não é o Andrezinho que teria o prazer de jogar com o Ronaldinho.”

Rimos todos. Sem menosprezo a André, registre-se. Mas era por demais injusta a comparação do impacto da contratação deste com o ex-craque de Grêmio, PSG, Barcelona e Milan. Tudo se encaminhava para mais um equívoco do mandatário vascaíno.

Só que o mundo, como a bola, é redondo e gosta de dar voltas que os menos argutos não costumam dar a devida atenção. Justo na festa que o rival das três cores preparou para apresentar a provocativa contratação à sua torcida, foi Andrezinho quem mostrou seu cartão de visitas, marcando o primeiro gol da vitória vascaína sobre um de seus fregueses mais habituais.

Era o destino.

A mostrar que dos maiores equívocos podem nascer os mais prudentes acertos.

Ronaldinho saiu do Flu, sem destaque, para virar artista de circo em excursões mundo afora. E André se firmou como um dos pilares da ascensão vascaína que, por um triz, não operou o milagre de escapar do descenso. Dividiu com Nenê a responsabilidade de segurar a bola com habilidade, assumiu a visão de jogo diferenciada e a despeito de marcar poucos gols, mostrou a estrela de fazê-los em momentos decisivos. Foi assim no Inter-RS, em 2009, quando eliminou o Flamengo aos 43 do segundo tempo. E no último jogo, quando reafirmou a freguesia rubronegra, abrindo o caminho para mais uma eliminação do rival.

A conquista do bi passa, necessariamente, pela postura dele dentro de campo. Se estiver bem e focado, como demonstra, pode ser um dos fatores de desequilíbrio a nosso favor. Longe de ser um talento magistral ou de ser vulto ímpar da equipe, Andrezinho é peça fundamental nesse esquema que faz do Vasco o maior invicto do país e que aponta para uma Colina mais ensolarada após os temporais recentes.

Quando o “inho” do momento era Ronaldo, André chegou e mostrou seu valor. Agora, o “inho” das manchetes é Jorge, que pode optar pela decisão tacanha de abrir mão de se afirmar grande nessa reconstrução vascaína tão bem iniciada por ele.

Será a hora de Andrezinho novamente driblar os holofotes e, contrariando o diminutivo de seu apelido, registrar a grandeza de seu nome na gigantesca lista de campeões do clube?

A resposta em dois domingos.

Que assim seja, André.

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