Pingo nos i’s da invencibilidade

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O peso da invencibilidade não pode desviar o foco do time – Foto: Paulo Fernandes – Site oficial do Vasco.

 

O conceito de invencibilidade nunca é ruim. Afinal, vencer seus jogos ou não perdê-los é, por princípio, algo positivo. Isso é indiscutível. Então, comecemos nossa conversa deixando claro que estar invicto é bom. Sempre.

Mas…

Sim, tem conjunção adversativa sim. Ainda mais em um clube onde as cortinas de fumaça que costumam esconder algumas realidades se fazem tão presentes. Geralmente oriundas da queima de charutos cubanos, cada vez mais raros dada a saúde do nosso ditad…, ops, presidente.

O mas, porém, contudo ou todavia faz-se necessário porque a fausta e belíssima embalagem “Vasco está há cinco meses sem perder e é o clube há mais tempo invicto no futebol brasileiro” não pode esconder que, nesse período passamos por um “pequeno” inconveniente com certa relevância e que convém não ser olvidado: a terceira queda para a segunda divisão em oito anos.

É paradoxal, mas é verdade. O clube que ostenta o maior período sem derrotas no futebol brasileiro também carrega consigo uma triste marca que ainda não deu certeza de que será deixada, de maneira definitiva, para trás. Porque embora eu não tenha dúvidas de que esse time que aí está sobe de volta para a série A com um pé do Madson nas costas, nem ouso elaborar qualquer prognóstico para supor qual seria nosso papel numa eventual primeira divisão de 2017. Sem descartar a inglória luta contra o descenso novamente.

Por isso, é essencial colocarmos os devidos pingos no i’s dessa invencibilidade. Ela vem desde do dia 8 de novembro do ano passado, quando vencemos o Palmeiras, enfrentou 55 dias de inatividade (entre 7 de dezembro/15 e 30 de janeiro/16) e contempla, dos 14 jogos dessa temporada, 10 confrontos contra times do estadual do Rio de Janeiro que, vide ano passado, não prestam para balizar nenhuma análise.

Ou seja, é invencibilidade? Claro. É para euforia? Não. Ainda mais pelos recentes jogos da equipe. No campeonato da FERJ, que consegue criar uma fase inteira inútil, como a primeira, a Taça-que-só-é-título-quando-meu-time-ganha-Guanabara apresentou os primeiros desafios mais consistentes desse ano para o Cruzmaltinos. Os clássicos e os jogos contra os pequenos que, supostamente, são os melhores do campeonato (e ainda assim, registre-se, bem fraquinhos). E aí, desde a vitória contra o Boavista com um gol do volante Marcelo Mattos, o futebol apresentado pela equipe denota decréscimo em sua produção.

Vitórias magras contra Botafogo e Madureira (com um crasso erro da arbitragem que foi bastante beneficente a nós) e empates diante de Volta Redonda e do Flamengo (em que já destacamos o lado positivo do time não abater-se ante aos resultados adversos).

A questão se o time vinha bem na primeira fase e caiu ou se só foi bem na primeira fase porque tinha jogos mais fáceis não é absurda. Aliás, é necessária. Discutir isso agora, quando disputamos esse torneio de valor altamente controverso, é vital para perceber os reais problemas da equipe para as competições que, de fato, nos importam: Copa do Brasil e Brasileiro da –argh!– série B.

Na última coletiva pós-jogo, Jorginho abandonou o discurso com ares motivacionais de que tudo estava bem e não havia problemas nenhum para um tom mais atento, ligando a luz amarela.

É o momento dele exercer a serenidade e a firmeza que aparenta ter. Se está longe de ser época para desespero (já classificamos para as semifinais do FERJão e não dá, nem em sonho, pra camisa do Vasco ter medo do glorioso Remo-PA) tampouco é hora convidativa a festejos sobre a invencibilidade.

Estamos invictos. Mas as últimas exibições deixaram bem claro que não somos invencíveis. E é bom que saibamos disso antes da hora em que perder um jogo significa dar adeus ao campeonato.

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Outra ponto pra deixar bem claro: se ficar em primeiro nesta fase e meter a mão na Taça-que-só-é-título-quando-meu-time-ganha-Guanabara podem esperar piadinhas e brincadeiras com os tricolores por parte deste signatário.

Mas desde já, adianto que, à minha visão, taça GB vale nada. E se ficar em segundo, vale a zoação adversária, pelos princípios da da zoeira, da qual sou sócio patrimonial e fervoroso defensor, mas vamos combinar que vice é o car…

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Sempre bom lembrar, diante de tudo o que escuto e leio por aí sobre meus textos, que este espaço aqui é de análise crítica sobre o clube, a partir de uma visão de torcedor vulgar, aquele que não tá por dentro dos bastidores do clube, que trabalha em outra área bem distante do futebol, cuida da família, pensa em mil outras coisas e segue sendo vascaíno na alegria ou na tristeza, na divisão que for.

Não há, aqui, compromisso com segmentos políticos do clube, nem pauta editorial acordada com qualquer veículo de comunicação. É opinião de quem não entende. Apenas ama o clube, sem a paixão de quem é cego por ele e sem a leviandade de quem leva vantagem de lá.

O espaço é proposto a debates críticos, respeitosos e que buscam a sensatez. Quer ler só coisas positivas, quer encontrar um mar de rosas do clube, elogios à gestão e críticas ferozes à diretoria anterior? Então você pegou o caminho errado. Ajuste o GPS do seu navegador e visite o site do Casaca. Aproveite e mande um recado para eles me bloquearem nas redes sociais. Assim eu me desobrigo de ler as estultices que se escrevem por lá. ‘gradicido.

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3 pensamentos sobre “Pingo nos i’s da invencibilidade

  1. É fato que o time não é mil maravilhas. Também é fato que os times do Campeonato Carioca são fracos. Mas desde o dia 08/11/2015 estamos sem perder. Ganhamos do Palmeiras na Arena, empatamos com o Corinthians em São Januário que sagrou-se campeão, ganhamos do Santos e empatamos com o Coritiba no Couto Pereira cujo o mesmo também estava lutando contra o rebaixamento. Sendo que antes da derrota para o Fluminense no dia 01/11, já estávamos a 9 jogos sem perder no Campeonato Brasileiro. A única derrota que tivemos entre o dia 09/09/2015 até 01/11/2015 foi para o São Paulo na Copa do Brasil. Ou seja, desde o dia 09/09/2015 só perdermos 2 partidas e para dois times grandes; uma para o São Paulo na Copa do Brasil, e a outra para o Fluminense no Campeonato Brasileiro. Jogamos contra todos os grandes paulistas e obtivemos resultados positivos, levando em consideração a nossa posição na tabela. Pode não ser motivo para euforia, mas também não justifica fazer um texto para desvalorizar o mérito que o Vasco tem de estar desde novembro do ano passado sem perder, jogando durante esse período vários clássicos estaduais e interestaduais. É válido sim esse período de invencibilidade. Mérito de todo o grupo. Quem está sendo contrário a esse período histórico do clube não está bem intencionado. Muito pelo contrário. Infelizmente nesse mesmo tempo tivemos um rebaixamento que marcou negativamente nossa história. Porém, temos que saber separar o período de invencibilidade com o fatídico rebaixamento. Lembrando que em decorrência dessa invencibilidade, conquistamos nosso sexto Título Carioca Invicto, consequentemente o 24º do Vasco da Gama e Bicampeonato Estadual 2015/2016. Saudações Vascaínas!

  2. Verdade. A excelente diretoria anterior não merece ser criticada, principalmente se levarmos em consideração que deixaram o clube com salários e certidões em dia, patrimônio bem cuidado, sem dois rebaixamentos nas costas etc. Depois vem me dizer que não tem compromisso com segmentos políticos do clube…

    Ps: antes que eu me esqueça, Eurico é um merda.

  3. Como sempre, excelente texto.
    Vc é dos poucos colunistas que ainda acompanho.
    Parabéns, meu camarada.
    E que nosso amada Vasco reencontre o bom futebol e volte a crescer na fase decisiva desse Carioquinha.
    Abraço

    Mauro Segadas (VascoJuve)

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