O respeito via diminutivo

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Lancepress! -( Brasil Out) – Rio de Janeiro- 26-08-2015 – Foto de Paulo Sergio/Lancepress!/AFP – Copa do Brasil – Segundo jogo das oitavas de final- entre Vasco x Flamengo – – Local : Maracana – NF: comemoraçao do gol do Rafael Silva

O início de 2016 marca, para o Vasco, um dos principais paradoxos do futebol brasileiro. Embora vindo da queda para a segunda divisão, dentre os 20 clubes que disputaram a série A de 2015, o clube talvez tenha sido o único a iniciar o novo ano em uma curva ascendente. Isso muito devido à campanha comandada por Nenê, Andrezinho & Cia. na desesperada tentativa contra o rebaixamento. Embora frustrada em seu objetivo principal, a sequência de jogos acabou por conferir um clima de ascensão e ânimo para essa temporada. 

Elenco e comissão técnica mantidos, era até previsível que o Vasco se apresentasse alguns poucos degraus acima dos rivais, que mexeram em seus elencos e/ou em seus comandantes. A despeito do Campeonato Estadual não servir de base comparativa para absolutamente nada (vide ano passado), os resultados em clássicos confirmam a expectativa.

Há, contudo, um detalhe que pouco vi ser destacado até aqui. Entre a vexatória goleada que nos foi imposta pelo Avaí dentro de nossa própria casa, ainda na gestão Dinamite, até o infausto resultado do Beira-Rio no Brasileirão do ano passado, já sob a égide de Eurico, o Gigante da Colina passou por um inglório período onde o famigerado respeito passou longe. Seja no acesso obtido com um aguado terceiro lugar ou nos excruciantes 13 pontos da era Roth, vimos a nossa camisa ir perdendo, jogo a jogo, qualquer sobreposição diante de adversários, no mais das vezes, de histórias muito mais tacanhas que a nossa. Foi um período de equipes tensas, jogadores ansiosos e muita desestabilização, fosse qual fosse o oponente.

Passo a passo, com mais trabalho silencioso do que entrevistas braváticas, Jorginho e Zinho foram mudando esse quadro. Da fala serena do técnico e das reações impetuosas do auxiliar, foi renascendo um Vasco que paulatinamente recobra a memória de sua grandeza. Sai de cena aquele bando de desorientados ante um gol adversário para dar lugar a uma equipe determinada, menos frágil e capaz de reequilibrar-se nos momentos de maior dificuldade. Essa retomada começou a ficar clara no empate diante do Cruzeiro, no Mineirão, quando saímos à frente, levamos a virada e o time apresentou uma reação, até então, diferente para buscar o empate. Ratificou-se na virada diante do Flamengo e mostrou-se sólida no Morumbi, quando o time aplicou nova virada para cima do São Paulo, apesar de deixar escapar a vitória por detalhes no fim do jogo.

Veio a queda, o abatimento natural, mas ainda assim Jorginho e Zinho seguiram com a labuta gradual. No último clássico diante do rival rubronegro foi notório que o time esteve abaixo de sua capacidade. Em alguns momentos chegou mesmo a ser encurralado e encontrou em Martin Silva a solidez que as metas de São Januário nos acostumaram com Barbosa, Mazzaropi, Germano e Helton, dentre outros. E foi aí, novamente, que ante ao momento adverso, brilharam a constância e o equilíbrio desse time. Veio o gol de Cirino, mas não veio desespero, bate-cabeça, nem ansiedade. Bola debaixo do braço, com certa consciência do peso da camisa que vergam, os atletas voltaram ao jogo e, no tempo de um miojo, igualaram o placar. Aos 45, uma bola emblemática. Bate-e-rebate na área e o rival desesperado para marcar, os defensores vascaínos mostraram foco na bola e frieza nas ações para impedir a vitória alheia.

É certo que não foi um bom jogo. Mas se serviu para manter a invencibilidade, a liderança, a escrita e aumentar a pressão no Ninho do Urubu, também foi útil para comprovar que o tão propalado respeito vem voltando, pouco a pouco, de maneira concreta, pelas vias dos gramados. Eu arriscaria dizer que, hoje, qualquer time brasileiro que jogasse contra nós adotaria postura cautelosa, ainda mais em nossos domínios. Sinal inconteste de que a camisa vascaína, mesmo sufocada pela fumaça da presunção e da vaidade, ainda respira.

Fruto do labor de uma dupla que, com apelidos diminutivos, busca devolver o Vasco à grandiosidade que lhe cabe.

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4 pensamentos sobre “O respeito via diminutivo

  1. Sim eles deram um belo up no time do vasco isso e certo mas……. estão longes de serem um (tite ) por ex digo que são no máximo medianos… ainda insistem em jogadores sem um mínimo de talento (JH e Julio Horroso dos Santos) Demoram em algumas substituições e por ai vai….não vamos nos enganar e o mesmo time horroroso do ano passado e o carioca desse ano vem nos provando isso qual time vencemos por mais de 2 a 0? qual jogos jogamos e deu para dizer “nossa dominamos o adversário o tempo ” da para contar nos dedos…. a realidade nossa é essa alias eu nem preciso falar do nível dos times cariocas de serie C para baixo né? Ao meu ver tem um time hoje no Brasil acima de todos os Gambas fora esses são times medianos para fracos e nós nos encaixamos nos fracos. Alias discordo de vc temos um time fraco num campeonato horrível.

  2. Defendo seu texto em partes. Acho que o Jorginho, igual outros técnicos, não lança mão de jogadores ultrapassados em benefício de possíveis revelações.
    Três substituições inevitáveis no time titular: Madson, Jorge Henrique e o menino do sono.

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