Obrigado, Teresa

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Parecia uma noite comum de sexta-feira. Nos programas esportivos, comentários fugazes sobre as pelejas do fim de semana. Um vazio se faz em meu peito à lembrança da situação vascaína. Há as vitórias recentes, mas ainda há a dor da série B, ainda há Eurico, ainda há dúvidas.

O bom e velho Bate Bola, sob a batuta do canalha João Carlos Albuquerque, promete uma dupla de convidados capazes de revolver mares fleumáticos. Sem esperanças, espero.

E eis que, iluminando meus caminhos tão sem vida, chega o violinista Carlinhos Sete Cordas embalando a graciosa voz de Teresa Cristina. O triste, pois, se ausenta e em poucos minutos fez-se a alegria.

Ela cantando as canções de Cartola com tal maestria que nos leva a crer que ele, à época de compô-las, já as fez justamente para o timbre de Teresa. Tive sim orgulho de vê-la comentar temas como sexismo e racismo com respostas delicadas na forma sem dispensar a contundência necessária ao mérito. Embriagada minha alma fica diante de seu tom de vascainidade tão ostensivo quanto respeitoso. Em tempos de rubronegrização e corintianismo excessivos, com garbo e sutileza, ela eleva o nome do Vasco da Gama, seja na deliciosa história do dia em que conheceu Zico ou quando entoa, genuinamente, os versos da canção da torcida incansável “Sempre ao teu lado até o fim, minha vida é você“.

A dupla de convidados faz lembrar a época áurea da ESPN, quando o fator audiência não era forte o bastante para deter a qualidade de conteúdo. E as notas harmoniosas da cantora regressam minha memória aos idos tempos em que eu frequentava o bar Semente, na Lapa, para assisti-la cantar num palco que a colocava à mesma altura da plateia.

Teresa Cristina, porém, é gente como a gente. No palco do Semente, no Centro Cultural Carioca, no Theatro Net, na ESPN, em Paris ela sempre nos dará a sensação de que estamos ali, no mesmo patamar que o seu. Simplicidade sincera que talvez explique o gesto singelo do senhor que foi a um show somente para entregá-la uma camisa do Vasco autografada por Nenê, como um amigo que visita pessoa querida rapidinho, só para deixar aquela lembrancinha.

Em dois ou três blocos de programa, a vascaína Teresa conferiu mais respeito ao Vasco do que as promessas vãs de dirigentes questionáveis. Acompanhada do irretocável rubronegro Carlinhos referendou a rivalidade sadia que promove o tão mal-falado “bem do futebol carioca”. E sem entrar em campo, sem dribles, sem fazer gols, Teresa fez renascer uma esperança de que finda a tempestadeo sol nascerá na Colina.

Talvez por ela Thales tenha ressurgido com dois gols ontem nos reanimando a expectativa de que ele pode ser aquilo que prometia. Talvez por ela Nenê deixou de lado os tentos de pênalti para promover um golaço do nível de um camisa 10 Cruzmaltino. Sem Teresa cantando Cartola, talvez sentiria agora menos alegria pela vitória de ontem.

Seja por tão pouco ou por tudo, obrigado Teresa.

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Aqui você confere um pouco da participação da cantora no Bate Bola de 04/03. E aqui você confere, nas mais diversas mídias, o álbum dela cantando Cartola.

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