E.u S.ó P.eço N.eutralidade

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Uma bola que entrou 33cm e outra que nem se sabe se entrou. Qual gol foi validado?

Não é exclusividade de um ou outro canal. É coisa generalizada. Já vivemos isso antes e o retorno dessa gestão só fez potencializar a confusão que a imprensa costuma fazer ao misturar a caricatura de Eurico à imagem gloriosa do Vasco da Gama. 

Já abordei em outros textos neste mesmo espaço que compreendo as questões comerciais que impõem aos veículos a abordagem mais enfática e favorável a escudos cujas torcidas recebam status diferenciado pelo Ibope. É do jogo e nem é novidade. A internet e suas ramificações de social media já oferecem, há tempos, novos meios para que torcedores de times que não contam com a afeição mais calorosa dos jornais possam ter acesso a informações mais direcionadas sobre o clube de seu coração.

Sempre defendi, desde a época do Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS) da UFF, que o jornalismo deveria abandonar essa falsa postura de isenção e adotar a parcialidade responsável. Confio sem medo de errar que um comunicador pode torcer para uma equipe, acreditar em determinada orientação política, professar certa fé religiosa e, ainda assim, manter a isonomia e a coerência em suas análises, desde que permita à ética e ao respeito serem elementos cativos em sua forma de enxergar o mundo.

E por isso causa-me espasmo ao deparar-me com as observações irresponsáveis que determinados jornalistas conferem ao Vasco em seus apartes nos programas esportivos diários que povoam a TV brasileira. E isso evidencia-se ainda mais em semana de jogo contra o Flamengo, clube que ostenta confortável condição no senso comum da mídia esportiva nacional.

Sempre defendi a agradável característica do Rio de Janeiro de manter clássicos entre rivais com disponibilidade equânime de ingressos para as torcidas. Fortalece o esporte e confere grandeza maior ao futebol carioca em um cenário de cada vez mais pelejas regionais com torcedores de apenas uma das camisas. A ventura olímpica, porém, impôs uma limitação à capital fluminense e deixou o rubronegro sem lar, ao lado de Fluminense e Botafogo. O Gigante da Colina, que tem seu estádio e por sua incapacidade não conseguiu colocá-lo no circuito olímpico, nada tem com isso. Faz jus ao seu direito de mandar seus jogos por lá, independente de qual seja o adversário.

E aí, diante de um fato tão tangível e inegável quanto a inexistência de estádio por parte dos demais grandes clubes da cidade, qual o papel a imprensa prefere adotar? A crítica ao Cruzmaltino com base na expectativa de um caos que a história não referenda. O Ministério Público cobrou por um termo de ajustamento de conduta assinado em 2011? Amplifica-se o som. A Polícia Militar informa que foi ajustado? Comenta-se nos minutos finais. O presidente do Flamengo declara-se preocupado com a segurança de sua torcida? Manchete em letras garrafais. O presidente vascaíno concederá entrevista? Deboche prévio sobre a importância de sua opinião.

Em meio a isso, aumentem o volume para lembrarmos de pênaltis conferidos a favor do Vasco sobre os quais os jornalistas não tem pudor algum em afirmar inexistentes. Mas tirem os microfones se alguém ousar expor os espantosos 33 centímetros além da linha do gol na falta cobrada pelo Douglas em 2014, diante de um árbitro assistente com olhar direcionado para a meta. À dúvida sobre o pênalti pró-Vasco na semifinal do Carioca 2015, os auto-falantes. Aos espantosos 69 centímetros de impedimento não marcados a favor do Flamengo na final do ano retrasado, a mudez conivente.

Há exceções? Claro. Até para confirmar a regra, Mauro Cezar, da ESPN, abordou com muita clareza sobre o roubo que sofremos em 2014, embora os flamenguistas tenham saboreado certo gosto na situação. Vitor Sergio, do Esporte Interativo, foi terminante em suas opiniões sobre a legitimidade do Vasco mandar clássicos em seu estádio. E no Bate Bola Debate desta sexta-feira, dia 12 de fevereiro, Alexandre Oliveira foi o único a comentar que, nesta semana, Corinthians, Atlético-MG e Flamengo (olha ele aí, gente) foram beneficiados pela arbitragem nos estaduais, assim como o Cruzmaltino, em decisões que mais mostram o pendor claro dos apitos pró-times grandes do que somente o benefício direcionado ao clube da Caravela.

Meu senso crítico me impede de abster-me de uma opinião sensata sobre a Federação fluminense e o campeonato que ela organiza. Há anos as decisões políticas contribuem para a definição de qual capitão erguerá a taça. Não tenho dúvidas de que ano passado contribuíram para que Guiñazu recebesse os troféus da mão de Eurico. Assim como em tantos outros anos encaminharam faixas de campeões para a Gávea ou para as Laranjeiras, muitas vezes até com menos recato nos favorecimentos.

Gostaria apenas de uma opinião sincera sobre o porquê de tanta indignação com a escalação do árbitro para o clássico ser o mesmo que ano passado assinalou três penalidades a favor do Vasco (sendo duas delas bastante claras) e tamanho conformismo com a repetição de Péricles Bassols em 2011 nos dois clássicos contra a equipe da Gávea? Por que, colegas de comunicação, termos taxativos sobre o Vasco da Gama e eufemismos quase poético sobre o Flamengo? Por que tanto asco em ver grandes jogos em São Januário, se ano passado o Corinthians, outro dileto escudo, foi tão bem tratado que até título comemorou por cá?

São dúvidas retóricas diante de respostas tão sabidas quanto caladas.

Que venha o clássico dos milhões em um dos mais democráticos palcos do cenário esportivo brasileiro.

Que o grito alegre dos torcedores sufoque o pessimismo premeditado dos comentaristas.

Que sobeje à arbitragem a justiça que falta nas análises das redações.

E que os holofotes escolham a bola como estrela, deixando às cabines de imprensa a sombra em que seus próprios ocupantes optaram por trilhar.

 

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2 pensamentos sobre “E.u S.ó P.eço N.eutralidade

  1. Parabéns…
    Você deu aula.
    Acho que alguns não são jornalistas, e sim empregados, obedecendo aos seus patrões.
    Do mesmo modo, e aqui não recebo um tostão pra dizer, acho que o Flamengo não é time.
    De tanto esses empregados/escravos/ vulgo jornalista falarem mentiras ou distorcerem os fatos… umas pessoas creram e …fazer o que?
    Tenho 38 anos de idade, não baixo o nariz para nenhum time carioca, e sempre será um prazer assentar num boteco com os meus flagueses.
    Dinamite é 190
    Romário é 1000
    Edmundo é 29, e sendo animal adora colocar de 4.

    lógico e graças a vc(s) temos jornalista s… mas o povo é ignorante e futebol é paixão… e alguns escravos são adorados.

    Parabéns!
    Pela crítica, pela arte e pelo Vasco.
    PS. Se você fosse de outro time não seria tão bom assim.

  2. Infelizmente o tratamento da imprensa sempre foi esse e infelizmente não parece que vai mudar! Puxam o saco descaradamente de uns clubes ai e esquecem dos outros. E com a eurico por lá, as coisa só pioraram. Ai é que tudo é favorecimento ao Vasco, como o site da globo lembrando quantos penaltis o Vasco teve marcados até hj contando carioca do ano passado e esse (quando o importante seria mostrar quantos penaltis foram marcados de forma errada nesse periodo), a forma como os erros de arbitragem foram abordados nessa rodada (fla ganhou com erro de arbitragem a favor (ok, foi goleada e nem influenciou), flor empatou com erro de arbitragem) e apenas o erro pró Vasco foi lembrado nas manchetes.
    Mandei um tweet pro redação perguntando pq o erro a favor do Vasco era feio e o erro a favor do flu era normal. O Rizek concordou, tentou discutir e os outros dois da mesa simplesmente DESCONVERSARAM e em menos de 2 minutos mudaram o assunto. Ou seja, quando o Vasco é ajudado, é pq ele foi de fato AJUDADO. Se os outros foram ajudados, é apenas erro de arbitragem.
    É uma pena que assim seja na nossa imprensa, mas a maioria que tá hj na tv é hipócrita!
    SV

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