Sócio-sofredor

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Eurico e seu celular antiquado. Ele não liga para você, torcedor vascaíno.


Era ali pelo meio do ano. Adiou-se por um mês. Outro mais. Ia ser no final. Agora, estima-se que só em 2016. Assim o Vasco lida com o seu – para usar termo que está na moda jornalística – suposto programa de sócio-torcedor que, até hoje, não sabemos ao certo se e/ou como será. 

Há aqueles que classificam o projeto, de antemão, como mais um dos inúmeros factoides da gestão Eurico. Como a promessa de jogar em Marte para evitar o Maracanã, a disputa pelo título brasileiro ou os 90% de acerto com Ronaldinho Gaúcho. O tempo dirá se estão certos.

Os rumores que ouvi, de gente com acesso ao clube, embora não ligada aos departamentos responsáveis, é que teremos sim o lançamento de programa para amealhar novos sócios. Talvez, porém, fosse mais legítimo e fiel que o termo viesse entre aspas.

Tudo indica, pagarão mensalmente alguma taxa para contribuir com os combalidos cofres cruzmaltinos e receberão em troca desconto na compra de ingresso. Para quem mora fora, hão de arrumar, me disseram, algum badulaque para entreter os novos associados. Nada de muito valor.

Escolher a nova diretoria, votar para a chapa presidencial, contudo, nãnãninãnão. É dado como certo que o programa não contemplará futuros eleitores. Há uma remota possibilidade de que se permitam sócios dispostos a votar, desde que se associem pessoalmente na secretaria do clube. Tática que elimina qualquer possibilidade de quem mora fora do Rio de fazê-lo. E constrange significativamente quem vive por cá. Ou você acha que será atendido por alguém simpático com todas as informações necessárias para sua associação?

Carteira de sócio em mãos, pelo que vimos percebendo nestas últimas rodadas, os benefícios serão tão minguados quanto os pontos que nossa equipe amealhou no Brasileirão. Contra Corinthians e Santos, ingressos caros e a inverossímil venda somente em pontos físicos. Web, internet, e-commerce? Moderno demais para quem defende amadorismo como saída para o futebol vascaíno. Enquanto alguns clubes já fazem a venda através de aplicativos de smartphones, o nosso, presidido por um senil senhor que ainda usa celular de flip, obriga seus sócios e torcedores a deslocarem-se pela cidade, enfrentarem filas, e outras dificuldades mais para apoiar o clube em situação trágica. Talvez seja mais uma inovação dos Miranda: o sócio-sofredor. Uma exclusividade que eles sabem fazer como ninguém.

Para lograr sucesso nos empecilhos a quem deseja ser membro do clube que escolheu amar, notícias dão conta de que a gestão dos sócios caberia à BWA, uma empresa que podemos chamar, no mínimo, de controversa, no que aliás está totalmente alinhada à nossa direção.

O valor do ingresso, defendido por alguns dado o fato da alta demanda da torcida e do diminuto espaço que São Januário oferece, só corrobora a ideia de que ser sócio no Vasco é pagar a conta dos desmandos alheios. Há quem afirme que as rendas tem servido como sustento do “bicho” oferecido ao time em busca das vitórias. Em sendo verdadeira a hipótese, o doutor montou um time ruim, precisou meter os pés pelas mãos para fazer contratações razoáveis e agora passa o chapéu para o torcedor bancar o prejuízo.

O nome escolhido para o novo programa, “Gigante”, poderia servir para simbolizar o tamanho de nossa torcida. Mas, olhar contrário, serve para ressaltar o tamanho das dificuldades que se farão para impedir que você, torcedor, recupere o Vasco das mãos daqueles que juraram defendê-lo e, mais uma vez, agiram no sentido oposto.

Afinal, se já houve o “Vasco é meu”, hoje vivemos a era do “Vasco é deles”. A venda de ingressos é um convite a não ir ao jogo (o que aliás, Eurico já o fez de forma expressa, registre-se), o programa de sócios, ao que parece, será um convite a não se associar. A administração é um convite à opacidade. As certezas do Vasco são um convite à dúvida. Um retrato fiel do que nos tornamos: um clube ao avesso. Um presente que é o reverso de nossa história. Um futuro que caminha na contramão de nosso passado.

 

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7 pensamentos sobre “Sócio-sofredor

  1. Lamentável. Até com o celular do Doutor Eurico você implica. Julgar uma pessoa pelo celular que ela usa é uma das coisas mais patéticas que eu já vi. Se fosse outro, você diria: “Ah, olha só que bonitinho o celular simples dele. O cara é humilde e não ostenta”. Mas como é o “dotô”, aí as conotações são sempre as piores possíveis, é claro.

    Sobre o programa de sócios, mais uma vez você destila bobagens. Cara, o Vasco não impede ninguém de se associar. Você não precisa nem esperar programa de sócio nenhum para se associar. É só ir na secretaria do clube, entregar os documentos requisitados para a matrícula, pagar a taxa e prontinho. O lance é que, em vez de se associarem pra ontem e mostrarem o seu amor pelo clube, muitos agem como você. Reclamando de tudo e dizendo que tudo é uma grande droga. Na boa, o Vasco não precisa de torcedores assim. E sobre a situação do voto, é simples. As eleições presidenciais do Vasco são realizadas nas dependências do próprio Vasco. Tem que ir lá e votar. Um cara do Acre que se associa vai até São Januário votar?… Pois é. Então é por isso que o poder de voto pertence aos vascaínos que participam diretamente do dia-dia do clube. Mais simples, impossível. O que não é simples de se entender é essa sua implicância gratuita com o dirigente mais vitorioso da história do Vasco. Essa, nem Freud explica!

  2. Caro fred me espanta sera que os socios de RJ nao veem ou se fazem de cegos? existe uma maneira de tiralo seim que os socios tenham que ir la e fazer um “impeachament” do charutero? estamos caminhando a passos largos para tras comparado com outros clubes ( e pode nao ter volta) soçio hoje em dia e questao importantissima em um clube…

  3. Ou seja, de tudo isso podemos tirar uma coisa: pra essa corja se EXPULSA de São Januário, só apelando mais uma vez pra justiça!
    Do contrário, eurico e companhia vão fazer de tudo pra se perpetuar no poder e continuar fazendo sabe lá o que eles fazem no Vasco!

  4. Perfeita a análise. Já havia suspeitado e escrito em outro blog (fuzarca) que o grande interesse do atual presidente é colocar um de seus filhos na presidência e isso só será possível se o número de sócios ficar pequeno. Caso aumente muito não terão como controlar. É algo tão escancarado que nem precisa ser muito inteligente para perceber, não há necessidade nem de ler Foucault.

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