Paris e os ideais franceses. O que isso tem a ver com o Vasco?

liberte fraternite

Essa semana já estava difícil de escrever pela lacuna de 15 dias sem jogos do Brasileiro e depois de ontem à noite, com os atentados em Paris, ferrou tudo. A cidade luz sofreu com terroristas durante o amistoso da França x Alemanha e sabe-se lá por que a Fifa não cancelou o restante das partidas da eliminatórias da Copa do Mundo. Ver e ouvir Galvão Bueno narrando um jogo pra lá de ruim entre Argentina x Brasil conseguiu fechar com chave de bosta a sexta-feira 13.

Como a grande maioria das redes sociais, o Vasco prestou solidariedade ao povo parisiense com a imagem que destaca os ideias basilares da revolução francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Mais do que apenas dizer, a instituição Vasco tem muito a aprender com os basilares preceitos que permeiam a República Francesa.

A Liberdade de ir e vir, de se expressar, de se indignar. No Vasco de 2015, tal direito foi mitigado diversas vezes. Eurico, o sol rei do clube, determina e tem a palavra final. Dagoberto (ex-atacante e golfista), na 2ª rodada do campeonato, deu entrevistas dizendo que o time passaria dificuldade e lutaria com rebaixamento. Alguns dias depois, o fomos agraciados com uma coletiva do presidente que determinou aos jornalistas:

“Atleta não tem opinião diferente da minha, nem nenhum profissional. Pode inadvertidamente se manifestar antes de eu manifestar minha posição. Atleta, profissional ou dirigente não pode ter opinião diferente da minha no Vasco.”

Em pleno século XXI, o Vasco precisa ser moderno. Como os franceses falariam, na vanguarda. Eurico é censor. E pra piorar, nem na zona da salsicha ficamos. Dagoberto estava certo, infelizmente.

A igualdade, representada pela cor branca na bandeira francesa, preza justamente por todos serem tratados da mesma forma. O Vasco, clube que deu espaço para negros e mulatos jogarem futebol profissional no Brasil, deveria ser o maior defensor de tal direito. Deveria porque atualmente não é. Como todos sabem, em 2015 fomos surpreendidos com sócios sendo suspensos e expulsos do quadro do clube. O motivo? Discordar da diretoria. Para piorar, a torcida precisa seguir a cartilha do Doutor. O grande motivo para retirada dos jogos de São Januário para o Maraca (fato que o Rei Sol disse que não aconteceria nunca) foi a ação de “grupelhos”. Vamos ao relato do presidente em mais uma coletiva, essa de agosto desse ano:

“Não é a torcida, são grupelhos que vêm para social do Vasco para xingar o jogador antes da partida iniciar, com cinco minutos, dez minutos. Enquanto eu não puder terminar com isso, dificilmente eu volto a jogar aqui”

Se não posso xingar o Christianno, doutor, o que mais me resta?

Por fim, a fraternidade. Esse sentimento nem precisava estar escrito. Seria algo natural para o ser humano. Ajudar o próximo. A capacidade de empatia por alguém. As tragédias recentes deixam a gente cabreiro sobre esse bicho homem mas ao mesmo tempo ao vermos taxistas franceses darem corridas de graça na noite de Paris para perdidos na cidade e cidadãos abrindo as casas para estranhos nas ruas, devemos sim acreditar no amor fraterno.

A campanha #euacredito tem um pouco disso. Aliás, ninguém pode dizer que a torcida virou as costas para o time. Penúltimo colocado, na zona de rebaixamento mais da metade do campeonato e COM A PIOR CAMPANHA DA HISTÓRIA DO CLUBE EM CAMPEONATOS BRASILEIROS, o cruzmaltino sempre esteve ao lado do clube.

Já a diretoria deveria seguir o exemplo. Tivemos o desprazer de descobrir que os ingressos para o jogo contra o Corinthians foram inflacionados , simplesmente, por vontade exclusiva de Eurico e cia. Um ingresso que custava R$ 20,00 passou inacreditavelmente para R$ 80,00. Faz sentido? Na hora que o time mais precisa e a torcida que acreditou nos piores momentos, simplesmente somos tratados pelas costas. Como meros consumidores e que não somos. Somos apaixonados, na vitória e na derrota. Nos títulos e nos rebaixamentos. Diferente de vocês, representantes da diretoria, nós merecemos respeito.

O triste é que além do aprendizado dos ideias franceses serem de difícil assimilação pela diretoria cruzmaltina, ao lembrar de Paris, vemos a grandeza que o clube Vasco da Gama possui.

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Em 1957, o Vasco se sagrava campeão do mundo na cidade luz. Sim, o torneio internacional reunia os campeões franceses, alemães, espanhóis e brasileiros. O Vasco era o representante nacional. O torneio foi visto na época como a primeira disputa entre clubes campeões dos continentes europeu e sul-americano. Na semifinal, o Vasco bateu o Racing de Paris por 3 x 1. Dois dias depois, venceria o Real Madrid, bicampeão europeu de craques como Di Stéfano, Kopa e Gento  por 4 x 3, gols marcados por Válter, Vavá, Livinho e Sabará.

O que posso querer nessa sábado, 14 de novembro, para o mundo é paz. Que consigamos respeitar o próximo e aprendermos a sermos melhores um com os outros.

Já sobre o Vasco, que a liberdade, igualdade e fraternidade contaminem os dirigentes, abrindo a mente retrógrada nossa diretoria. E por que não, sonhar que a grandeza e a qualidade do futebol do time de 1957 influenciem Herreras, Madsons e Leandroes da vida a terem a honra de representar um clube fodástico que nós amamos.

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3 pensamentos sobre “Paris e os ideais franceses. O que isso tem a ver com o Vasco?

  1. Principalmente fraternidade: esqueceram completamente da torcida e agora na melhor hora. Ingressos a R $80!
    Deveriam dar.

  2. O charuteiro põe fumaça em nossa história de liberdade, igualdade e fraternidade.
    Que possamos pegar nossa história nas mãos e fazer uma nova independência destronando o deus sol de São Januário, de forma democrática. Se as baforadas forem sentidas na Sibéria, bem melhor.

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