Vasco x Corinthians em São Januário e o mimimi da Timão Press

São-Januário

Amigos,

Não é de hoje que estamos calejados com a Flapress.  Para quem por acaso não esteja familiarizado com o termo, trata-se da nomenclatura de um fenômeno editorial da imprensa carioca, originado no colunismo- espraiado pelo noticiário-, que tem o objetivo de posicionar-se a favor do mais queridão, não importa a questão.  O famoso “jogar para a galera”.

Parte por razões pessoais, como a presença de jornalistas flamenguistas no comando editorial dos veículos esportivos cariocas- desde seu fundador, Mário Filho-, parte por razões econômicas, tendo em vista que o Flamengo é o time de maior torcida e, portanto, com maior potencial midiático e de consumo, a imprensa por aqui configurou-se dessa maneira.

Não seria diferente em São Paulo, onde o Corinthians assume o papel de vedete ocupado aqui pelo Flamengo.

A imprensa paulista e, em específico, a grande franja da “Timão press”, é ainda mais caricata.

Em muitos casos são torcedores que, além de não fazerem qualquer questão de ao menos passarem um verniz de imparcialidade, declaram-se orgulhosamente pelo coringão. Evidente que tais figuras habitam com mais frequência programas popularescos, onde se debate o Corinthians, esteja ele em qualquer situação, como se disso dependesse o futuro da nação.

No entanto, podemos ver alguns elementos dando bandeira na chamada imprensa de referência. Não sei sequer se os jornalistas Rodrigo Mattos e Bruno Voloch são corinthianos e nem me interessa saber. O time do jornalista é o de menos quando se exerce o ofício com honestidade intelectual.  Seja por má-fé ou desconhecimento, ambos constroem seus textos calcados em argumentos puramente falaciosos.

Mattos inicia seu texto em um tom apocalíptico: “Confronto de alto risco em um dos estádios mais complicados do Brasil”.  E prossegue:  “O jogo é entre torcidas rivais que já protagonizaram assassinatos entre si, envolve um possível título, uma disputa contra a Série B e um estádio dos mais complicados do Brasil”.

De fato, organizadas de Vasco e Corinthians possuem longo histórico de confrontos que, absolutamente, circunscrevem-se ao estádio de São Januário ou ao seu entorno. Em 2009, torcedores atracaram-se até a morte a caminho do Pacaembu no confronto decisivo pela Copa do Brasil. Um corinthiano morreu e como represália atearam fogo em um ônibus da torcida vascaína na porta do estádio! Em 2013, o confronto se deu dentro do estádio Mané Garrincha em Brasília.  Me parece, portanto, que a única solução para a questão é proibir jogos entre Vasco e Corinthians e admitirmos a nossa falência.

O autor do artigo ainda desconsidera solenemente o histórico recente de grandes confrontos decisivos “em um dos estádios de mais alto risco da galáxia!!!!”. Em 2007, o Corinthians visitou São Januário lutando contra o rebaixamento em jogo de grande público. Em 2011, Vasco e Corinthians travaram uma autêntica decisão de campeonato em São Januário com gente saindo pelo ladrão. Em 2012, além das estreitas e “impenetráveis” ruas de São Januário, ainda chovia de fazer cavalo beber água em pé para o gigantesco jogo de quartas de final de Libertadores.  Isso sem mencionar outros grandes confrontos, em estádios também lotados, contra adversários com torcidas de muita rivalidade como São Paulo, Santos e Cruzeiro.

Mattos e Voloch preferem deixar esse pequeno detalhe de lado e retornam quinze anos no tempo, rememorando a queda do alambrado em São Januário, na final do Brasileiro de 2000, como se desde então o Vasco tivesse fechado a porta de seu estádio para torcedores e grandes jogos.  Voloch vai além e praticamente sela o destino dessa partida com um raciocínio cretino: era final, desabou em 2000, é final, vai desabar agora, porque nada mudou. Mattos acrescenta detalhe imprescindível: “Adivinha quem era o presidente naquela época? Eurico”. Pronto, caiu o estádio! Só não vê quem não quer!

São Januário nem alambrado tem mais, mas a ideia central do texto é não deixar os fatos atrapalharem os argumentos, o que é feito com maestria, registre-se.

O colunista do Yahoo pergunta-se como se tivesse caído nessa coisa de comentar futebol anteontem: “Como separar duas torcidas gigantes?”.  Um desavisado pode achar que esse é o primeiro jogo entre Vasco e Corinthians em São Januário. A resposta é simples: como sempre se fez ao longo do tempo.  Escolta policial, esquema especial de chegada e saída do estádio, ou seja lá o diabo que nego arruma, com alguma eficiência é bom ressaltar.

Mattos surge então com a proposição, apoiada pelo Corinthians, que aciona o ministério público para transferir o jogo, que ele seja jogado no Engenhão, pois São Januário é um local de difícil acesso. Como se o Engenhão fosse o paraíso da acessibilidade. Como se ele soubesse do que está falando.  Voloch ainda lembra as “ameaças nas redes sociais”. Não sei se ele faz referência ao texto apócrifo que circulou pelas redes sociais ou a outra ameaça qualquer jogada na internet.  Isso, no entanto, é motivo para apurações policiais, não para vetar o Estádio de São Januário, porca miséria! A menos que haja um relato do busto do Almirante saindo pela sede social atirando sinalizadores na cabeça dos adversários, que não é o caso.

À parte a fragilidade dos argumentos, os textos ainda guardam outra semelhança, que é desprezar, ainda que veladamente, completamente os interesses do Vasco na partida. Chega ao nível de tratar como absurdo o direito do Vasco exercer seu mando de campo no próprio estádio, em partida que, pode não parecer, ainda não está decidida e que pode influir muito mais no destino do Vasco que do próprio Corinthians, que precisa apenas oficializar o título que já lhe pertence há um par de rodadas.

Não demora e estarão sugerindo que o jogo seja em Itaquera para o conforto do nosso Coringão.

Tenha paciência.

@joao_almirante

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13 pensamentos sobre “Vasco x Corinthians em São Januário e o mimimi da Timão Press

  1. Ótimo texto.
    “As vedetes” chorei de rir, show.
    Estamos muito mal de jornalistas esportivos. Salvo algumas exceções, ( nós Vascaínos não temos muito o que reclamar, temos excelentes profissionais nos alimentandos de informações) mas no geral é difícil.
    Parciais, boateiros, preconceituosos, porque não “racistas”, é triste e anti democrático. Um retrato do país…

    Mudando de pau para pedra. Eles estão ferrados. E irão amargar uma derrota para o ex lanterna, o rebaixado…

    Fé em Deus!

  2. O mimimi é infundado. O jogo só vale para o Vasco, pois o Corinthians será o campeão até perdendo para o Vasco. Basta o Atlético Mineiro não ganhar um dos seus quatro jogos que o título chega. O Vasco pode ganhar e o CAM empatar com o SP (em SP) que eles são campeões do mesmo jeito. Isto não é final de campeonato.

  3. Lembrando que deveríamos colocar apenas 5% para eles, como é costume dos times paulistas. Ou seja num jogo de 20 mil (1 mil Corintianos) e fazer idêntico a eles de só venderem os ingressos em SJ e 2 horas antes do inicio. Se eles conseguirem entrar no jogo depois disso tudo, vão ver apenas uma derrota. Porque em SJ eles não vão comemorar nada não.

  4. Chega a ser absurdo o texto em questão. Aparentemente, SJ é o pior estádio do Brasil, o estádio mais sem segurança e que deveria ser implodido hj mesmo pra segurança do futebol nacional!
    Se em 2000 caiu a arquibancada (e vale lembrar que naquela época tinham mais de 40 mil pessoas lá, acima da capacidade na época), no proximo jogo se vender todos os ingressos, serão apenas 19 mil, menos da metade! Mas o risco é enorme, se o jogo for em SJ o ministério publico tem de intervir e permitir apenas o corintianos lá! Do contrário o risco será enorme!
    Se descobrirem que as ruas do entorno do engenhão são apertadas tbm, vão pedir a mudança do jogo pra São Paulo. Talvez sugiram o Morumbi, por ser campo neutro, quem sabe! Só pra disfarçar um pouquinho!
    Só espero que ignorem essa palhaçada, já que se temos estádio temos todo o direito do mundo de jogar nele, contra quem seja!
    SV

  5. Simples: Façamos um jogo de torcida única. Gambás, guardem suas forças para a rodada seguinte e comemorem o título em casa, diante dos bambis.

    Imprensa imoral, que esquece que o perigo existe só por envolver a torcida corintiana. Onde vão, há riscos. Se causaram morte na Bolívia, terra distante, imagine do que são capazes em estados vizinhos, simplesmente por estarem presentes.

    • Boa Ferreira,
      Não de modo de geral, mas a grande maioria da torcida das gaivotas da fiel vão ao estádio dispostos a tudo. Lamentável.

      “Imprensa imoral, que esquece que o perigo existe só por envolver a torcida corintiana.”

      O jogo tem sim que ser em SJ, pelo mando de campo ser nosso e onde é a nossa casa, estando um brinco ou não. Tendo capacidade pra suportar o número de torcedores com segurança é o que importa. Vamos pro jogo.

      E torço muito para o Vasco dar uma “taca” no Cúrintia.

      Vamos calar a boca de muita gente que nos dava por vencido.
      #EuescolhiAcreditar

      SV

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