Pela nossa Cruz

4843457853_bf3c193497Já não escondo de ninguém que, no meu caso, a crença cedeu seu lugar à dúvida. A sequência de jogos e as recentes atuações de atletas jogando no limite de suas capacidades me confere uma análise crítica que não condiz com a reviravolta que o Vasco precisa para escapar de mais uma estadia na segunda divisão do futebol. 

Contudo, diferente do que tentam pregar por aí os mais alucinados ou os apaixonados em último grau, – que contam todos, sem exceção com o meu respeito – não abraçar a hashtag adotada pelo marketing cruz-maltino do #EuEscolhiAcreditar não significa, jamais, deixar de torcer.

Tão tresloucadamente quanto o mais crente dos vascaínos, estarei eu essa tarde diante da partida contra o Fluminense berrando, esbravejando, roendo unhas, contendo lágrimas e, assim espero, berrando gol até enrouquecer por completo a garganta. O olhar crítico e racional condecora-me, em cada cancha, 90 minutos (com os devido acréscimos) de liberdade mental, destituindo temporariamente o cérebro das ações e franqueando ao coração pleno controle que, então, passa a crer em hashtags, santos, patuás, rezas, mandingas, simpatias e até, em última instância, no Herrera.

Não será diferente hoje, nem nas próximas pelejas que virão pelo caminho do Vasco. Superar a lástima de ver a Cruz de Malta tendo de brigar tão arduamente para manter-se em espaço que sempre fora seu. E torcer, torcer muito, para que meu senso crítico se equivoque, para que minha análise raciocinada esteja errada, para que Eurico venha à público dizer que sempre confiou, para que os Casaquistas me enviem um #ChuuuuuuupaFreud com sangue nos olhos e para que, ao final, esse pesadelo tenebroso seja o estopim necessário para o despertar a novos tempos na Colina.

Na matemática do futebol, há apenas três resultados possíveis: vitória, empate ou derrota. Há o dobro de possibilidades de não vencer em relação à chance única da supremacia. Então, embora imprescindível aos objetivos do clube, meu olhar já não busca tanto o placar. Desejo apenas ver os jogadores entregando-se com alma, vontade e honra. Que joguem pela dignidade desta camisa e que lutem até o último segundo de cada confronto. Que acima de hashtags e campanhas motivacionais, vocês possam olhar essa Cruz que levam ao peito e se entreguem a ela, confiantes de que, à frente de obstáculos, ela encarrega-se de levar-nos muito além do que podemos ser.

Eu não quero estar certo, Vasco. Eu só quero ser feliz. Bem feliz.

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