Calar é consentir

eurico-silencioO assunto está mais corriqueiro do que o habitual. Expulsões de sócios por ofenderem o presidente do Vasco é notícia que já frequenta sites e jornais esportivos com regularidade desde que Eurico voltou ao clube. 

Não cumpro aqui papel de advogado de ninguém, pelo fato de não ser formado na área e porque, principalmente, não conheço os envolvidos, citados em matéria de João Matheus Ferreira (@ojoaomatheus) hoje no jornal Lance. Entretanto, torcedor que sou do Cruzmaltino não somente por seus feitos nos campos mas também, quiçá principalmente, pela sua trajetória fora deles, é impossível não me incomodar com esses fatos.

Segundo a matéria utilizada como fonte, esta é a terceira expulsão deste mandato, além de quatro suspensões por protestos contra a diretoria ou informações consideradas inverídicas pela mesma. Deixo aos especialistas em direito a análise sobre a legalidade e a legitimidade de tais atos. Entretanto, um clube que sempre primou pela tolerância, pelo respeito às diferenças, pela luta contra o racismo e o preconceito em nada combina com canetadas simples para punições tão severas.

Fica no ar o aroma fumacento de uma gestão que não suporta a crítica e que, conhecedora dos liames legais previstos nos regulamentos do clube, tudo faz para minar, sem qualquer pudor, forças oposicionistas. Na mesma reportagem, um integrante da oposição informa que a secretaria do clube foi fechada, impedindo dar entrada em qualquer petição questionadora sobre o clube e que outro membro opositor do conselho somente vai às reuniões ladeado por seguranças armados, num clima hostil e beligerante que mais nos apequena do que a situação constrangedora do time na tabela do Brasileirão.

Não caiam na lorota de que criticar a diretoria, cobrá-la pela vergonhosa situação esportiva, protestar ante atos espúrios como o pagamento de uma dívida mal explicada a um dos membros da diretoria e posicionar-se politicamente seja atitude que atrapalha o time em momento decisivo. Balela. É plenamente possível cumprir seu papel na arquibancada sem abdicar da postura atuante na intricada política do clube. É esse, aliás, o principal papel do torcedor de fato.

O Vasco da Gama é bem mais do que onze atletas a representá-lo nos gramados ou quarenta atletas a comporem seu elenco. É um símbolo histórico do futebol mundial a elevar o nome do Brasil pelas suas glórias. É um ícone de libertação e de rivalidade à opressão e ao desrespeito. É uma história de lutas e conquistas que se funde à biografia nacional. É uma grandeza que não pode ser lançada ao vento como cinzas de um charuto que teimosamente insiste em não se deixar apagar.

Freud Irônico é o alter ego virtual do publicitário Raphael Santos. Siga em @freud_ironico

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3 pensamentos sobre “Calar é consentir

  1. Essa é a grande contradição em que nos metemos, melhor, meteram-nos neste ano de 2015: torcer para o time Vasco da Gama, apesar de sua diretoria autoritária e desacreditada.

  2. Fico bem triste ao ler essa matéria, ver oq o Vasco se tornou, cada um brigando com o outro.. Ninguém se entende, nem a oposição.. por isso a praga do euvírus faz oq quer. Sobre esse Wimmer, já ouvi ele no programa Voz do vascaíno e achei meio exagerado, outro q só quer causar confusão e não unir o clube em prol de algo bom para o Vasco!

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