Tá liberado acreditar

escolhaApós o jogo Ponte Preta 0 x 1 Vasco, o jornalista Paulo Calçade comentou no programa Bate-Bola da ESPN Brasil a situação vascaína com a vitória. Obviamente julgou ainda complicadíssima a missão do time, mesmo com os três pontos conquistados fora de casa. E justificou sua opinião mostrando a tabela da competição: à época, o Vasco estava à 11 pontos do Figueirense. E o próprio Figueira tinha os mesmos 11 pontos de distância do São Paulo, então com 38 pontos e empatado com o quarto colocado. Completando seu raciocínio, Calçade vaticinou: o trabalho que o Vasco terá para escapar do rebaixamento será o mesmo que o Figueirense terá para chegar ao G4.

Eis aí onde errou feio o jornalista. Ao comparar as duas situações como uma mera operação matemática, Calçade argumentou falaciosamente. Ele ignorou completamente as dificuldades de cada uma das missões: enquanto o Figueira teria que superar adversários muito mais complicados para conseguir uma vaga na Libertadores, ao Vasco cabe o trabalho de fazer mais pontos que os últimos colocados na competição.

A rodada de ontem, na qual o Vasco venceu o Furacão e quase todos os outros resultados lhe foram favoráveis provou isso, jogando por terra a comparação com o Figueira: o time catarinense perdeu, a diferença deles para o Vasco diminuiu e a distância entre São Paulo e Figueirense ficou maior.

Não estou querendo aqui desprezar as probabilidades e nem mesmo esquecer o desempenho horrível do Vasco ao longo do campeonato. Se os cálculos matemáticos nos colocam como virtualmente rebaixados, não sou eu quem vai discutir com os números. Mas isso é uma projeção, algo que só ocorrerá se tudo o que acontecer daqui pra frente for semelhante ao que aconteceu antes. A probabilidade não leva em consideração a motivação de uns, nem a queda de rendimento de outros. E, mais importante, toda projeção muda a cada jogo, a cada resultado positivo de um lado e negativo para o outro.  Antes do jogo contra a Ponte, estávamos com 99% de chances de cair. Hoje, estamos com 96%. Quem pode afirmar categoricamente a impossibilidade de que até a 38ª rodada esse número esteja em 0%?

É por isso que utilizar números – seja de pontos, seja de número de vitórias que precisamos para escapar – para justificar a descrença na permanência do Vasco na elite é inútil nesse momento. Nem nos faltam 9 vitórias e nem tempos que chegar aos 47 pontos. A frequência com que citam esse número como o santo graal na competição é tão grande que chega a levantar a desconfiança de que só é tantas vezes repetido para desestimular o torcedor. É sempre bom lembrar: ano passado, o 12º colocado terminou com os tais 47 pontos. E o Palmeiras se livrou com 40 pontos.

Ainda há muita água pra correr. Os times que cresceram (muito às custas dos moles que nós mesmos demos) voltaram a cair de rendimento justo quando o Vasco cresce. Nossa situação ainda é crítica, mas os últimos jogos nos permitem sim ter um pouquinho mais de otimismo. Em outras palavras, a escolha em acreditar está liberada.

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8 pensamentos sobre “Tá liberado acreditar

  1. O que passou passou, mas temos que pensar no proximo jogo, e JC e Cia. Leandrão estava em atividade e é melhor que qualquer atacante no atual elenco do vasco, Já o Nenê estava parado e esta chegando a uma melhor forma, a tres temporadas atras jogou muito no PSG, e ficou parado no futebol Ingles.
    Se caso ele chegue a 25 % que jogou em Paris, ja seria o craque do time.
    Riasco esta dificil falar dele, ele sabe jogar bola, mas quando a torcida vaia ele, o mesmo quer mostrar serviço e se desespera, ele so presisa tocar a bola e passar.
    Mas é bom ele ficar de fora no proximo jogo.
    Quem vai entrar no lugar de Jorge??????Kaizer pode ser a aposta.
    Sera que colocar o Rafael vaz, no time é uma melhor opção, o zagueiro ta mostrando ser melhor cabeça de area, do que qualquer outro no elenco.
    Surpresa no time de jorginho é o Bruno Galo, jogador inteligente e acerta mais passe que qualquer outro meia, mas tambem o Julio é muito agudo nos passes, e isso o faz errar mais. Mas quando acerta é sempre bons passes.

    Se caso o Vasco derrote a Raposa, passo a acreditar no time.

  2. Acreditar sempre acreditamos, tanto que acompanhamos todos os jogos.
    Testemunharemos, com certeza, uma escapa épica ou um rebaixamento histórico.
    Mais do que nós torcedores, acho que os jogadores, a equipe toda passa a acreditar, este mérito não devemos tirar da nova comissão e principalmente do Jorginho, pois fé ele têm e sempre busca passar isso a equipe. O que vc acha JC?
    Seria uma bela retribuição nossa atendermos às suas convocações para abraçarmos o time, ainda que o time não mereça tal abraço, ele Jorginho merece um empurrão. Concordo que é cedo para avaliarmos o trabalho dele, mas o auxiliarmos na dura tarefa de inserir a fé de que podemos escapar (ou que ninguém morre de véspera) nos jogadores que hoje representam a nossa nau. Isto creio que já é tempo. E ele merece esse apoio.
    A matemática é simples: precisamos somar mais pontos que quatro clubes. Hoje estamos à 8 pontos de diferença. Depois que passarmos estes (ou outros) quatro clubes teremos que continuarmos à frente deles até o final do campeonato. Se ao final estaremos com 29, 38, 42 ou 54 não importa. Importante é termos 4 clubes com menos pontos do que nós. Tem um critério que se conseguirmos ultrapassar estes 4 clubes será totalmente favorável a nós. VITÓRIA. ?
    Empate contra a raposa será um bom resultado. Vitória será esplêndido, formidável.

    • Jorginho tem méritos, claro. Mas como falei hoje no Blog da Fuzarca, tenho minhas dúvidas se todas as alterações que melhoraram o time seriam feitas se não fossem as contusões e suspensões de uns e outros.

      • Concordo plenamente sobre as alterações.
        Mas o mérito que dou ao Jorginho e sua comissão é referente ao psicológico, onde este novo treinador, independente de ser verdadeiro ou não, sempre diz em todas as entrevistas: “EU ACREDITO!”. Onde sinceramente até o mais passional dos torcedores já não acreditava mais o cara estava lá “Eu acredito!”.
        Tenho receio de avaliar os quesitos técnicos deste profissional pelos seguintes motivos: não tenho gabarito para tal, pegou o bonde andando (parado na verdade), um time bastante questionável onde não pôde sequer opinar em contratações, demissões, carências e tal, e a falta de treinamento tático e técnico (coisa que salvo melhor memoria ele só citou um vez e sem utilizar como desculpas, ao contrário do antigo treinador).
        Vejo bastante reclamações quanto este ou aquele jogador, concordo com todas, mas vale lembrar que temos um presidente-técnico, talvez ele possa responder a permanência de alguns no time melhor do que treinador atual e os anteriores. O Riascos só o presidente ainda não viu que comédia é o cara jogando bola. Show!
        No mais hoje têm. Se ganhar irei soltar foguetes!!!

  3. Esse negócio de torcedor é passional. Se fosse para sermos pragmáticos, teríamos escolhido outra coisa para fazer. Vamos acreditar sempre.
    Ainda bem que o charuto não está sendo baforado ao final dos jogos.

  4. Acho fundamental o time pelo menos surpreender, e vencer as Marias no Mineirão. Aí sim, vou acreditar.

  5. A vdd e q precisamos pontuar, nao e ganhar 10 jogos. Desde o começo da competiçao penso q tem jogos q o empate e mt bem vindo e ate naquela sequencia q pegamos confrontos diretos poderiamos ter levado o empate pois todo ponto e bem vindo..

  6. Pingback: Vitória e evolução | Blog da Fuzarca

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