Carta a Borges

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O tweet que chamou a minha atenção sobre a afirmação de Borges

Texto atualizado às 12h20 após contato feito pelo comentarista Eugenio Leal que gentilmente enviou o áudio da entrevista do Borges que referenda seu tweet que motivou essa coluna.

Descobri, via twitter do comentarista Eugenio Leal, na entrevista concedida pelo atacante Borges, da Ponte Preta, após vitória contra o Santos, que os jogadores da Macaca ficaram indignados com a derrota para o Vasco, no último dia 09 de setembro. Como é sabido, foi a vitória que encerrou um jejum de 52 dias do clube carioca e deu um sopro de ânimo à pavorosa campanha no Brasileiro que ainda aponta um 2016 mais próximo da série B do que da primeira divisão.

Com todo o respeito que Borges afirma dedicar ao Vasco, cabe lembrar ao avante que anormal não é a derrota, mas a indignação sua e a de seus companheiros.

Porque a vitória cruzmaltina, essa sim é absolutamente normal. Normal porque, embora a semelhança de seus uniformes e a contemporaneidade de suas fundações (115 anos de Ponte ante 117 do Vasco), as diferenças entre tais escudos vai muito, mas muito além das posições que os separa na tabela. Não há comparação entre um clube de interior e outro que não encontra fronteiras para sua torcida. Entre um time que jamais soube o que é comemorar um título diante de outro que ostenta uma sala de troféus arrebatada de conquistas. Entre uma equipe cujo maior feito foi um vice-campeonato em competição sul-americana diante de outro que elevou o futebol brasileiro a nível mundial conquistando o primeiro torneio internacional para o esporte tupiniquim. E tantas outras diferenças que não cabe aqui relatar, porque seria de um desrespeito sem tamanho à história vascaína contrapô-la a outra biografia de nível tão abaixo da sua.

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Uma dentre tantas manchetes gloriosas que Borges pode encontrar sobre o Vasco da Gama.

Por isso, só me resta crer que houve um equívoco entre o que o Borges gostaria de dizer e o que, de fato, falou. Afinal, a Ponte Preta é clube querido, como são os pequenos clubes regionais que bravamente enfrentam a globalização e conseguem manter torcedores apaixonados mesmo diante de rivais mais abastados. Mas a distância de seu tamanho defronte o Vasco supera infinitas viagens entre a aprazível Campinas e a cidade maravilhosa.

É possível que num hipotético encontro entre o verdadeiro Borges, escritor portenho já falecido, e seu xará canarinho, aquele dissesse a esse: “Há derrotas que tem mais dignidade do que a própria vitória“. Para não confundir as camisas, lembrem-se: haverá sempre o peso de nossas estrelas.

Importante: Agradeço, em meu nome e em nome do blog, ao comentarista Eugenio Leal que, citado, entrou em contato de imediato esclarecendo quaisquer dúvidas acerca de sua afirmação e fez questão de nos enviar a entrevista lincada a esta coluna. Em um contexto recheado de “jornalistas-estrelas” é bom ver alguém que, além de esmerar-se pela informação correta, ainda permite-se audiência a canais feitos somente por apaixonados, sem nenhum viés expositivo ou comercial.

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Freud Irônico é o alter ego virtual do publicitário Raphael Santos. Siga em @freud_ironico

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3 pensamentos sobre “Carta a Borges

  1. Pingback: Problemas (os de hoje e os de sempre) | Blog da Fuzarca

  2. A fase do Vasco nada mais é do que o mero reflexo de sua presidência, onde qualquer atleta veste a camisa do gigante, mesmo sem ter a mínima condição técnica para tal feito.
    O respeito voltou… até borges!? Quem é ele mesmo? Outro milk-sheik! Desrespeitando o CRVG!

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